terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Federico García Lorca


RAIN- Ryuichi Sakamoto é um músico compositor, produtor e ator japonês, baseado em Tóquio e Nova York.  http://sitesakamoto.com/  Official site for composer and musician Ryuichi Sakamoto.  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ryuichi_Sakamoto

~.~.~
Federico García Lorca 

LLUVIA  

La lluvia tiene un vago secreto de ternura,
algo de soñolencia resignada y amable,
una música humilde se despierta con ella
que hace vibrar el alma dormida del paisaje.

Es un besar azul que recibe la Tierra,
el mito primitivo que vuelve a realizarse.
El contacto ya frío de cielo y tierra viejos
con una mansedumbre de atardecer constante.

Es la aurora del fruto. La que nos trae las flores
y nos unge de espíritu santo de los mares.
La que derrama vida sobre las sementeras
y en el alma tristeza de lo que no se sabe.

La nostalgia terrible de una vida perdida,
el fatal sentimiento de haber nacido tarde,
o la ilusión inquieta de un mañana imposible
con la inquietud cercana del color de la carne.

El amor se despierta en el gris de su ritmo,
nuestro cielo interior tiene un triunfo de sangre,
pero nuestro optimismo se convierte en tristeza
al contemplar las gotas muertas en los cristales.

Y son las gotas: ojos de infinito que miran
al infinito blanco que les sirvió de madre.

Cada gota de lluvia tiembla en el cristal turbio
y le dejan divinas heridas de diamante.
Son poetas del agua que han visto y que meditan
lo que la muchedumbre de los ríos no sabe.

¡Oh lluvia silenciosa, sin tormentas ni vientos,
lluvia mansa y serena de esquila y luz suave,
lluvia buena y pacifica que eres la verdadera,
la que llorosa y triste sobre las cosas caes!

¡Oh lluvia franciscana que llevas a tus gotas
almas de fuentes claras y humildes manantiales!
Cuando sobre los campos desciendes lentamente
las rosas de mi pecho con tus sonidos abres.

El canto primitivo que dices al silencio
y la historia sonora que cuentas al ramaje
los comenta llorando mi corazón desierto
en un negro y profundo pentagrama sin clave.

Mi alma tiene tristeza de la lluvia serena,
tristeza resignada de cosa irrealizable,
tengo en el horizonte un lucero encendido
y el corazón me impide que corra a contemplarte.

¡Oh lluvia silenciosa que los árboles aman
y eres sobre el piano dulzura emocionante;
das al alma las mismas nieblas y resonancias
que pones en el alma dormida del paisaje!


[Federico García Lorca- 05.6.1898 Fuente Vaqueros - 19.8.1936 Alfacar-Espanha]
Foi um poeta e dramaturgo espanhol e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.
Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde fez amizade com artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseia-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).
Concluído o curso, foi para os Estados Unidos e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens do Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940. Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. 
Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Federico_Garc%C3%ADa_Lorca

domingo, 14 de dezembro de 2014

INSTITUTO HILDA HILST - Centro de Estudos Casa do Sol

HILDA HILST  1930 - 2004
http://www.hildahilst.com.br/

PORTAL CULTURAL HILDA HILST - Centro de Estudos Casa do Sol
http://www.hildahilst.com.br.cpweb0022.servidorwebfacil.com/

INSTITUTO HILDA HILST - Centro de Estudos Casa do Sol
http://www.hildahilst.com.br/site/

TEATRO DO INSTITUTO HILDA HILST
http://www.hildahilst.com.br/teatrohh/

Loja: Impressos, Livros e Afins
http://www.obscenalucidez.com.br/

“Deus pode ser uma negra noite escura, mas também um flambante sorvete de cerejas” 
Frase de Hilda, dita ao escritor Caio Fernando Abreu.

Paulistana de Jaú, nascida no dia 21 de abril de 1930 e falecida a 4 de fevereiro de 2004, Hilda Hilst é reconhecida, quase pela unanimidade da crítica brasileira, como uma das nossas principais autoras, sendo consideradas uma das mais importantes vozes da Língua Portuguesa do século XX. Segundo o crítico Anatol Rosenfeld, “Hilda pertence ao raro grupo de artistas que conseguiu qualidade excepcional em todos os gêneros literários que se propôs - poesia, teatro e ficção”

O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade  

Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.

Hilda Hilst

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade - I )
(Poesia: 1959 - 1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)

http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html#poesia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A luz coloria o contorno de um rosto

Moça com livro, 1879 - Almeida Júnior[José Ferraz de Almeida Júnior - Itú SP 08.05.1850 - Piracicaba 13.11.1899] Museu de Arte de São Paulo, São Paulo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_J%C3%BAnior

~.~.~


Sucedeu assim - Tom jobim

Instituto Antonio Carlos Jobim, em maio de 2001, não somente para preservar e tornar público o seu acervo, mas também para desenvolver projetos educativos sobre ecologia e artes em geral. http://portal.jobim.org/
~.~.~

A luz coloria o contorno de um rosto

No rosto de um olhar intenso e claro
Teu corpo curvou-se ao peito
No silêncio só se ouve os pulsares
São os segredos de um coração

No pulsar terão todas as promessas
Seladas a luz com a tua ausência
Na respiração sufocada no beijo
Ao sabor da incontida lembrança

Quisera saber se as tuas mãos tremeram
Se no peito havia um coração disparado
Se por um tempo pude chamá-lo de meu
Antes do abraço de uma noite escura e fria

Ah! Pequena luz entre as palmas das mãos
Singela fonte de um calor e desejo
Se guardei da ação dos furiosos ventos
Foi numa chama por um dia de encontro

Talvez seja aquela flor presa ao cabelo
Ofuscada na luz dos longos fios dourados
Invejosa pelos teus lábios cor de rosa
Se nas folhas tivessem o verde dos olhos

Se um dia o seu coração foi meu
Como foi seu coração quem me escolheu
Se o amor acreditou em vidas separadas
De quê são feitos os mistérios do amor?

Talvez a vida seja um desencontro
A vida seja o amor guardado um no outro
Das horas entre os sentidos oscilantes
Um sonho, repousado no sono, se cale na dor

No anoitecer, quando as vozes se mesclam
A sabedoria da noite aflore das profundezas
Sem a única resposta que o amor aconteça
No amanhecer, tu talvez tenhas ido embora

A luz coloria o contorno de um rosto
De um olhar intenso e claro
Meu corpo curvou-se aos caminhos
No peito, o amor sabe que é saudade

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ainda que as noites sejam longas


Vuelvo al Sur (En vivo)-Caetano Veloso [un tango de Piazzolla con letra de Fernando "Pino" Solanas] - Cello e arranjos: Jaques Morelenbaum. Extracto de su DVD - Un Caballero de Fina Estampa.
http://www.caetanoveloso.com.br/

A Escola de Atenas, pintada em 1511, afresco de Rafael Sanzio pintor renascentista na sala della Segnatura (sala da assinatura) do Vaticano. O apontar do dedo de Platão (427-347 a.C.) pormenor da Escola de Atenas.
http://mv.vatican.va/2_IT/pages/x-Pano/SDR/Visit_SDR_Main.html
Musei Vaticani
http://mv.vatican.va/2_IT/pages/MV_Home.html
WEB GALLERY OF ART
http://www.wga.hu/html_m/r/raphael/4stanze/1segnatu/index.html
~.~.~.~

ainda que as noites sejam longas

quando o teu olhar pousa na boca
no contorno dos lábios se faz rosa
por mais que a respiração contenha
a flor da rosa se emudece no sorriso

quando se faz o brilho de esmeraldas  
na saudade o verde olhar nas montanhas
só há o teu céu nas tuas constelares íris 
são tão cristalinas as lágrimas dos pampas 

quando o sol descansa em luz dourada
nas carícias sobre os fios longos do cabelo
quisera o vento desvendasse o teu segredo 
de um coração em desespero apaixonado

quando as nuvens se escurecem de cinza
teu corpo se abraça na cortina de chuva
a primavera das flores lilás e amarelas 
molham no vestido a tez macia de um amor

quando as tuas noites não querem dormir
o quê fazer se os corações estremeceram?
os suspiros ficaram entrecortados e breves
talvez por um nome que lhe veio à mente

quando em teu coração suportas tudo calada
numa hipótese abstrata que era um sonho
mais que num desejo insaciável de viver 
no impossível viver sem acontecer o desejo

quando teu coração se fecha n' outro que abre
como se fecha a porta em meio a escuridão
o mundo para no silêncio do que poderia ser  
esqueces dos momentos no tempo da solidão 

quando se desfaz o temor na insensatez
teu sul se encontra ao sul de um amor
os sonhos que te encontram nas canções
hão de brilhar em teu olhar de imensa luz 

quando a noite for sedosa e quente
e suspiros profundos e entrecortados
seja por onde, serás sempre o inusitado 
serás a que tens visto a lua ultimamente

quando propuseres indagar-se nua 
se ainda sei que guardo o teu olhar
como sei das tuas noites sempre iguais
do amor, onde só a tua lembrança revive 

saberás de um céu a espreitar a noite  
n'algum lugar guardando o inesquecível 
na paixão dos teus segredos não vividos
no rosto o iluminar de um sol com pressa

ainda que as tuas noites sejam longas
sejas a longa espera como a minha  
ainda que todas as noites sejam uma  
és a única noite como o teu amar deseja 

http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=283407

sábado, 29 de novembro de 2014

A Linha e o Linho - Gilberto Gil - DVD BandaDois


A Linha e o Linho - Gilberto Gil - DVD BandaDois

http://www.gilbertogil.com.br/

É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza

Gosto mesmo é de virar nuvem


Paula Morelenbaum & Jaques Morelenbaum - Serenata do Adeus - Heineken Concerts - 1995 [Baden Powell/Vinicius de Moraes]

http://www.paulamorelenbaum.com.br/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jaques_Morelenbaum
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
http://www.badenpowell.com.br/
http://portal.jobim.org/

~.~.~.~

Gosto mesmo é de virar nuvem

Estou sofrendo de crepúsculo de letra
Deve ser de segredo de caracol
Fico de espiral escrevendo de cetra
Sou feito de nariz de longo vento

Vivo tentando ser o gosto de saudade
Embaraço os teus cabelos de milho
As borboletas brilham de maioridade
Reclamam que os girassóis giram de chuva

Gosto mesmo é de virar nuvem
Escuto música da árvore de sanha
Deito de passarinho de adoçar frutas
Amarro o tempo de teia de aranha

Sou um prego de parede branca
O que segura a tua imagem de cera
Um rio de vidro passa cortando de bera
Atrás da tua lembrança de mil pedaços

Um colibri leva as asas de ver-te
Guarda o lume de uma esmeralda
Os gerânios transpiram de toda sede
Pela doce saliva que da sua boca verte

A morte se viu e cobriu-se de vida
Agora dorme-se no sono de garça
Seu corpo faz que brilha de meia lua
Da água o peixe olha e boia de farsa

Auroras entre as vespas não é tudo
A vida de boa ou má sorte afunda
O antes, durante e depois do ludo
Todo formigueiro lidará com a morte

Escuto música da árvore de manha
Deito de passarinho de adoçar frutas
Amarro o tempo de teia que assanha
Gosto mesmo é de virar nuvem 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Manoel Wenceslau Leite de Barros [Cuiabá, 19 de dezembro de 1916 - Campo Grande, 13 de novembro de 2014]

Manoel de Barros foi um poeta brasileiro do século XX, pertencente, cronologicamente à Geração de 45, mas formalmente ao pós- Modernismo brasileiro, se situando mais próximo das vanguardas europeias do início do século e da Poesia Pau-Brasil e da Antropofagia de Oswald de Andrade. Recebeu vários prêmios literários, entre eles, dois Prêmios Jabutis. É o mais aclamado poeta brasileiro da contemporaneidade nos meios literários. Enquanto ainda escrevia, Carlos Drummond de Andrade recusou o epíteto de maior poeta vivo do Brasil em favor de Manoel de Barros . Sua obra mais conhecida é o "Livro sobre Nada" de 1996.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Barros

"Não existe a morte para alguém como Manoel de Barros. Não cabe bem, até por sinal de respeito. O poeta nunca gostou que colocassem data na existência. Então, o dia é de mais uma daquelas inutilezas que a vida inventa e que ele por tantas vezes substantivou."
http://www.campograndenews.com.br/lado-b/artes-23-08-2011-08/o-coracao-de-manoel-de-barros-parou-depois-de-meses-sem-vontade-de-viver


Um momento de amor que passa


Un Vestido Y Un Amor - Caetano Veloso [Compositor Fito Paez]Cello featuring Jaques Morelenbaum - Álbum completo Un caballero de fina Estampa Ano de lançamento: 1994
http://pt.wikipedia.org/wiki/Un_vestido_y_un_amor


A Pietà de Michelangelo é talvez a Pietà mais conhecida e uma das mais famosas esculturas feitas pelo artista. Representa Jesus morto nos braços da Virgem Maria.
Artista: Michelangelo Localização: Basílica de São Pedro Material: Mármore - Dimensões: 1,74 m x 1,95 m - Criação: 1498–1499 - Períodos: Renascença italiana, Renascimento  http://pt.wikipedia.org/wiki/Piet%C3%A0_(Michelangelo)

Um momento de amor que passa

Ah, essa noite dentro da noite
Saboreia a sede das horas infindas
Só restou uma lembrança, talvez um amor
Calou-se a boca à deriva na solidão

Dançam os fragmentos da alma
Flutuam na canção do silêncio
Os delírios sonhados, as memórias partidas
As línguas pátrias e os amores perdidos

Um grito cego atravessa a noite
As palavras ficam ocas e suspensas
Um coração no escuro perdido de amor
Compreendeu ser-lhe impossível morrer

Sob uma chuva de estrelas cadentes
Molda-se um corpo feito de barro
Há uma gota de sangue sob a pele
E a morte está tão perto de nós

Com a palidez misteriosa do mar
O ar rarefeito sufoca nas bocas
O lume infinito de um alvorecer
Foi um raio ou a ira de Deus?

Eleva-se um tom de murmúrio
Não há razão para que morras
Nos mitos das preces e dos sussurros
No sombrio amor em versos brancos

Da paisagem paira suave no ar
A nuvem de rios entre as montanhas
O amar define nos traços finais
As trágicas emoções de um rosto

Um graveto inflama o fogo divino
Liberta o calor no estado da alma
Do crepitar da madeira ao corpo
Conviverás com a dor e a angústia

Saberás do estonteante rodopio do vento
Da paz da inanição e da sede mal amada
Viverás em conluio na solitude do tempo
Dos pecados entre o repugnante e o atrativo

Não há promessas no conviver da dúvida
O brilho da lua realça um corpo alabastro
Não há promessas de um final feliz
Há um talvez, o momento de amor que passa

Só restaram um gelo, um amor e um talvez
Um gelo para derreter "on the rocks"
Um amor para lembrar ser esquecido
Um talvez de amor que passou despercebido

terça-feira, 21 de outubro de 2014

No lume frágil de um amor


Pecado - Caetano Veloso [Carlos Bahr-Enrique Francini-Armando Pontier]
Jaques Morelenbaum-Extracto de su DVD-Un Caballero de Fina Estampa
Prometheus - Peter Paul Rubens (1577-1640)

No lume frágil de um amor

Ah! Esse mal infinito se agiganta
Crava no peito o amor perfeito
A persona ideal de juventude eterna
Trágico herói da liberdade infinita

Onde estão os meus fantasmas?
A paixão nas mãos e mentem
Guerreiros do pecado iminente
Colocam-me nas mãos do destino

De quê me serve ser o sempre jovem
Num corpo sempre envelhecendo?
Viver é o que somente me basta
Viver a insatisfação do presente

Para que tanta coragem na utopia?
Heróis entre o assustador e o doloroso
Na busca por ideais inalcançáveis
Um sonho da felicidade perfeita

Serei um dos discípulos de Delfos
Herdeiro de uma tragédia grega?
O quê farei da emancipação tão triste
Do sensível e medroso, do solitário e livre?

Sei, a vaidade passa pelos corpos
Eram jovens, foram velhos
Foram inúteis ou indispensáveis
Eram insubstituíveis ou estorvos

A imagem reflete no espelho
Num sorriso irônico desdenha:
- A cada dia sou mais eu!
- Todos morrem, "tempus pubis"

Só me resta a única certeza
A ampulheta é o sinal do tempo
Que vida é um fio de incertezas
No lume frágil de um amor

sábado, 18 de outubro de 2014

CHICO BUARQUE & MILTON NASCIMENTO - O QUE SERÁ (1976)


O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza
Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho...

O que será, que será?
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos dos desvalidos
Em todos os sentidos...

Será, que será?
O que não tem decência e nem nunca terá
O que não tem censura e nem nunca terá
O que não faz sentido...

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo e nem nunca terá
O que não tem vergonha e nem nunca terá
O que não tem juízo...(2x)

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Não, não há mais tempo de não amais

Chiara Civello _ Il mondo
http://www.chiaracivello.com/web/biografia

Imagem dos deuses gregos Apolo e Dionísio. Na ilustração as enfermidades da alma.

Não, não há mais tempo de não amais 

Não há mais tempo a perder
Não há tempo para o mais sofrer
Hás de ser do aqui e do agora
Nessa busca que nos desenfreia

O prazer vaza-me entre os dedos
Como a areia do meu tempo
Pelo tempo ávido da imediatez
Precisamos tanto evitar essa dor 

A minha dor precisa ser negada
É tão evidente esse sofrimento?
Onde buscarei as outras faces da fé
Se em minha face da dor desapareço?

Quiçá minha dor seja a dor do outro
De viver a punição das tuas culpas
Fugirei em ti na timidez e na vergonha
Na compulsão expressa do sofrimento

Meu caos é a banalização do mal
Sou a era da surpresa iminente
Aboli nas fronteiras do desalento
O desamor no interior intempestivo

Perdi-me do caminho da aceitação
No exterior alegre das figuras 
Estou na medida da tua existência
Na angústia da modernidade

Esse medo que deforma o corpo
Tem a forma do feio, do magro
Do gordo impossível de ser aceito
Do medo do futuro e do insucesso

Esse irremediável medo do medo
O medo impossível de aceitar a paz
Dos descaminhos do aconchego
Abismam na depressão e na violência

No domínio inútil do tempo 
Convivo no medo da liberdade
Na tirania na dor da infelicidade
No consumo do próprio consumo

A agonia entre o caos e o trauma 
O eco surdo das almas vazias
O toque frio dos replicantes
Sangro, sangramos o amor se vai

Não, não há mais tempo de não amais 


terça-feira, 16 de setembro de 2014

Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo


Oh!...Mon amour - Eleni Peta & Panagiotis Margaris
By Eleni Peta & Panagiotis Margaris (featuring Al Di Meola)
From the Album "DUENDE" -- LYRA 2011
Vocals: Eleni Peta, Classical guitar: Panagiotis Margaris, Mandolin: Kostas Thomaidis, Spiros Mandalas, Percussion: Aggelos Polyhronou, Standing Bass: Michalis Kalkanis
Songwriters: Olivier Toussaint, Paul de Senneville, Michaele
Listen to all the tracks of the CD "DUENDE".
~.~.~.~.~

No Jardim dos Caminhos que se bifurcam

Uma série infinita de tempos, 
num crescimento vertiginoso,
desdobrando-se numa rede de tempos paralelos, 
convergentes e divergentes. 
Essa trama do tempo - que nos aproxima, divide, 
entrecruza ou faz com que ignoremos através dos séculos 
-abrange várias possibilidades. 
Na maioria delas não existimos. 
Em algumas você existe e eu não, 
enquanto em outras quem existe sou eu, 
e ainda há terceiras em que ambos existimos. 
Nessas a sorte me favoreceu e você veio bater a minha porta. 
Em outra, cruzando o jardim, você me encontrou morto. 
Em outra, ainda eu disse essas mesmas palavras,
mas sou um erro, um fantasma." 
[Jorge Luís Borges]
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges Acevedo - Argentina, Buenos Aires, 24 de agosto de 1899 — Suíça, Genebra, 14 de junho de 1986, foi um escritor, poeta, tradutor, crítico literário e ensaísta argentino. Estudou no Colégio Calvino (1918). Foi bibliotecário e professor universitário público. Em 1955 foi nomeado diretor da Biblioteca Nacional da República Argentina e professor de literatura na Universidade de Buenos Aires. Seu trabalho foi traduzido e publicado extensamente no Estados Unidos e Europa. Borges era fluente em várias línguas. Prêmio Miguel de Cervantes, Prémio Jerusalém, Prêmio Formentor.
Filmes: Strategia del ragno, Les autres, A Intrusa. 
Para homenagear Borges, em O Nome da Rosa, um romance de Umberto Eco, há o personagem Jorge de Burgos, que além da semelhança no nome é cego — assim como Borges foi ficando ao longo da vida. Além da personagem, a biblioteca que serve como plano de fundo do livro é inspirada no conto de Borges, A Biblioteca de Babel (uma biblioteca universal e infinita que abrange todos os livros do mundo). Borges está sepultado, por opção pessoal no Cimitiere des Rois em Genebra. 
O escritor e ensaísta John Maxwell Coetzee disse sobre ele: "Borges, mais do que ninguém, renovou a linguagem de ficção e, assim, abriu o caminho para uma geração notável de romancistas hispano-americanos". http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Luis_Borges


sábado, 6 de setembro de 2014

Julio Florencio Cortázar [26/8/1914-12/2/1984]

EL BREVE AMOR
O Amor Breve

Con qué tersa dulzura
Com quê tersa doçura
me levanta del lecho en que soñaba
Me levanta do leito onde sonhava

profundas plantaciones perfumadas,
Profundas plantações perfumadas
me pasea los dedos por la piel y me dibuja
Passeia os dedos na minha pele, me desenha

en el espacio, en vilo, hasta que el beso
No espaço, suspenso, até que o beijo
se posa curvo y recurrente
Repousa curvo e recorrente

para que a fuego lento empiece
Para que o fogo lento comece
la danza cadenciosa de la hoguera
A dança compassada da fogueira

tejiédose en ráfagas, en hélices,
Tecendo-se em rajadas, em hélices
ir y venir de un huracán de humo-
Ir e vir de um furacão de fumaça

(¿Por qué, después,
(Por quê, depois,
lo que queda de mí
O que resta de mim

es sólo un anegarse entre las cenizas
É só um inundar-se entre as cinzas
sin un adiós, sin nada más que el gesto
Sem um adeus, sem nada mais que o gesto

de liberar las manos ?)
De liberar as mãos?)*
Julio Florencio Cortázar
Embaixada da Argentina em Ixelles, 26 de agosto de 1914 – Paris, 12 de fevereiro de 1984) foi um escritor argentino. Professor em Letras, tradutor da Unesco, mestre do conto curto e da prosa poética, criador de novelas, contos, romances, crônicas e muitas obras consagradas.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Julio_Cortázar

*Tradução Aline Fagundes. Nov 2013
http://ritmodasletras.wordpress.com/2013/11/19/poema-el-breve-amor-o-amor-breve-autor-julio-cortazar/ RitmodasLetras - A beleza da palavra latino-americana. La belleza de la palabra latinoamericana.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Na indiferença do sol somos todos


Canção do mar - Eleni Peta & Panagiotis Margaris[Songwriters: Ferrer Trinidade, Frederico de Brito]

By Eleni Peta & Panagiotis Margaris (featuring Al Di Meola)From the Album "DUENDE" - LYRA 2011 - Vocals: Eleni Peta, Classical guitar: Panagiotis Margaris, Bandoneon: Kostas Raptis, Percussion: Aggelos Polyhronou, Standing Bass: Michalis Kalkanis. Listen to all the tracks of the CD "DUENDE".

"A princesa que nunca sorriu" de Viktor Mikhailovich Vasnetsov  (Виктор Михайлович Васнецов) [Rússia - 15.05.1848 Kirov -23.07.1926 Moscovo] - Artista russo que se especializou na temática da mitologia e em temas historicos. É actualmente considerado uma das figuras chave do movimento revivalista na arte russa. [Simbolismo, Modernismo] http://pt.wikipedia.org/wiki/Viktor_Vasnetsov

~.~.~

Na indiferença do sol somos todos

Ah! O silêncio que me cala
Nesse eco faz-me o espanto
Neste espelho em que mais não sou
Cada vez sou mais imagem e menos eu

São as mil e uma memórias da lembrança
Lembranças que talvez nem sejam nossas
Para quê saber mais e não saber o que preciso?
Se, eu e o medo, caminhamos no vale das sombras

Para onde vais com meu medo ancestral
De não saber de onde vim, para onde vou
Afinal, porquê este medo de estar aqui?
Fingir-me-ei de morto para a negação da morte

O que farei com as minhas tantas paranoias?
O que farei se sair de casa e não voltar?
O que dirão os tolos da minha coragem?
Será que sou um animal em ruínas?

Ah! Esta nostalgia me faz tão romântico
Revez do silêncio que dorme nos conventos
Talvez seja apenas o desejo de um retorno
Uma escolha utilitária de ter saudades de Deus

Livrar-me da culpa desse pecado envergonhado
Desse olhar que brilha a tristeza da melancolia
Talvez esteja fitando demais o lume da estrela
A chama azul que se contorce numa eterna vela

Abro meus braços entre colunas gregas
E o sol com ciúmes desmorona a lua
Sobre a amada suspirosa na janela gótica
Talvez seja a inveja da minha rápida existência

Soubessem as éguas noturnas e seus cavaleiros
Que a felicidade caminha oculta pela paixão
Coração entre a paixão do ódio e a paixão do amor
Onde mora a morte, a fome, a peste e a violência?

Ah! Este meu mundo, este nosso mundo
Vais as tantas e tanto muda que me confundo
São tantas mudanças e não consigo te entender
Será o fim do mundo ou o fim do meu mundo?

Seja o mundo para o bem, seja para o mal
De ti, meu mundo, de que não me distancio
És mais rápido que a tua própria beleza
Ficarás tal qual, sem a qual, a gente nunca esteve

...Sob o manto da indiferença, o rei está nu e o sol é para todos...  

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Amor, o amor que se esvai do tempo


Eleni Peta performing live "O Mare Tu" with the Plucked String Orchestra of the Municipality of Patras. Greece.

http://www.elenipeta.gr
Eleni Peta was born in Thessaloniki in Northern Greece. She is a classically traned singer and clle player with studies at the National Conservatory of Thessaloniki and Attica(Athens). Her first performances were on a national tour with established Greek artist Nikos Papazoglou. Since those early days, Eleni has worked and performed with the "who is who" of the Greek music world(singers and songwriters/composers).
~.~.~
Melancholia - por Albrecht Dürer

Amor,  o amor que se esvai do tempo

Acorda a vida, amor, é a vida
É o tempo no meio do dia
Um anjo calado deixou um legado
Dizia um nome perpétuo "melanê kolê"
É o tempo no sentido do mundo
Esse tempo que não passa, não passa
Só mexe os ponteiros de coisas vazias

A aorta pulsa, amor, de redenção? 
É o coração na contração do tempo
Estamos tão carentes de recordações
Nem o bem, nem o mal, nem a culpa 
Nem sei desses tais velhos valores 
Só há o tempo sem a experiência 
Nem Deus quer saber de escândalos

Na sua porta, amor, um anjo caído?
Tem uma criança dentro d'um cesto
A pele manchada com uma bílis negra
Isso vai virar manchete sensacionalista
Quem se importa com o ensinamento? 
Convém o aprendizado pela convivência
São os impactos tão súbitos quanto breves

Na tua fala, amor, há uma acidia 
A tua voz está numa encruzilhada
Onde o monótono cruza com o vazio
Tem um nó na garganta que te engasga
É preciso o excesso da droga, da comida
Promova as guerras em nome da paz 
O tempo é que precisa ser esquecido

O teu corpo, amor, passante no tempo
Uma grande soma de muitos valores
Nem atual pelo número de série
Nem obsoleto pelo valor de troca
Tantos cuidados pelo valor de uso
Tão desejado como um belo objeto
Um corpo e as paixões de um anti valor 

São as rugas, amor, de um não-amor
Era vazio o tempo da nossa morada
Ou éramos nós que não estávamos em casa?
Eram os monges dos mosteiros em jejum
No mármore gelado o sentido do mundo 
O amor "akedia", "tristitia" em cadáver insepulto
As memórias, as estórias da terra, formou-se o "atraso"  

O teu amor, amor, segura o queixo de Rodin 
Nasceu no devir do tempo sagrado
Ao tempo infinito das repetições se desfez
No templo do culto profano dos fetiches
O tempo repetitivo da monotonia e da morte
No tempo que tudo é exibição e mercadoria
O amor é produção, é objeto repetido ao infinito 

Dorme a vida, amor que dorme
É o tempo no meio da noite
Um anjo calado deixou um recado
Emudecia o nome perpétuo "esperança"
É o que faz girar o sentido do mundo
Nesse tempo de sonhos tão modernos
Onde se mexe os tinteiros com penas vazias

No tempo do vazio, no tempo do tédio e da melancolia
Afinal, quanto é que estou valendo hoje?

~.~.~

Walter Benedix Schönflies Benjamin (Berlim, 15 de julho de 1892 — Portbou, 27 de setembro de 1940) foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão.  
Paris Capital do Século XIX.  BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e política.pdf
http://minhateca.com.br/atilamunizpa/Documentos/BENJAMIN*2c+Walter.+Magia+e+T*c3*a9cnica*2c+Arte+e+pol*c3*adtica,2877550.pdf

sábado, 2 de agosto de 2014

Treme um corpo no outro lado da face


Io che amo solo te [Chiara Civello - Feat. Chico Buarque de Hollanda]

CHIARA CIVELLO - BIOGRAFIA
http://www.chiaracivello.com/web/biografia

Chico Buarque de Hollanda
Compositor, cantor, dramaturgo e escritor. 
www.chicobuarque.com.br
~,~,~,~
~.~.~
Treme um corpo no outro lado da face

Nos obscuros braços dos caminhos
Mãos dadas no silêncio e no escuro
Quem se importa para onde vamos?
Se desses caminhos não queremos voltar

Do lado esquerdo de um rosto divino
Treme um corpo no outro lado da face
Há um suspiro guardado de lágrimas
São só tuas. São segredos do teu mundo

São das alegrias cheias de mistérios
As contradições e seus próprios riscos
Se na felicidade há de ter tantos perigos
Será que é tão perigoso ser feliz?

Quando as nossas luas se encontram
Não descobrimos que mundo é este
Nossas mãos passam pelos ventres
Com a mesma exatidão da chuva

Unimos o laço único e denso da noite
No respirar das batidas dos corações
Numa calmaria prestes do afogar
Dos corpos caem as gotas de um choro

Assim seja o quarto dos teus segredos
Sem paredes e amanheceres nas janelas
Onde os corpos ainda se fazem de sonho
Na cumplicidade emudecida do tempo

Que os dedos não tenham pressa
E a escuridão não diga nada ao brilho
Sejam da palma das mãos, as partes,
As formas, a tua descoberta da aprovação

Os olhos te inspirem, se guardem no escuro
O ar sem pressa, calmamente te solte
E o calor cresça e te faça aos sussurros
Do sopro quente a vida te faça em meu peito 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma ilusão para continuar vivendo


Chiara Civello - Non avevo capito niente[Chiara Civello]

Te ouço, são teus ponteiros no relógio
Nos pensamos presentes num tempo
Somos os desenlaçados sem o nós
Passado que sou, tu ainda és futuro

Somos dos analíticos nós do anonimato
Estamos, ainda no desencontro, felizes
Num onde em que seremos presentes
No presente do ainda somos os sós

Ainda vamos numa ilusão do tempo
No futuro que existes, sou passado
Uma ilusão para continuar vivendo
Sim! Precisamos tanto de uma ilusão

Somos o tempo de um amor perfeito
No lume impalpável de um raio de luz
Somos as poucas lembranças em cruz
De um futuro que quiçá aconteceu

Onde estou no consolo em teu colo
Se bebi nos ritos de elegias e da morte?
Na poeira entornei o copo de esperanças
Seremos os que ignoram o esquecimento?

Nos perdemos na ânsia do encontrar
Os pés descalços na velocidade da luz
Te perdi do agora só de momentos
[do agora sei de ti - de ti só sei o agora]
Do agora sei, minha ilusão está morrendo


quarta-feira, 23 de julho de 2014

"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa."

Ariano Suassuna 

Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa, 16 de junho de 1927 — Recife, 23 de julho de 2014)1 foi um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro.

Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.

Foi Secretário de Cultura de Pernambuco entre 1994 e 1998, e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.

Membro da Academia Paraibana de Letras e Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000).

Em 2006, foi concedido título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Ceará, mas que veio a ser entregue apenas em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna

Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?
Ariano Suassuna

O Auto da Compadecida: O julgamento de João Grilo
João Grilo (Matheus Nachtergaele) encontra, em seu julgamento, o Diabo (Luis Melo), Jesus Cristo (Maurício Gonçalves) e Nossa Senhora, a Compadecida (Fernanda Montenegro).

domingo, 20 de julho de 2014

De tão Mestre e Amigo. ele nos deixou um vazio

Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, Mestre em Teologia e Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA) e psicanalista. Lecionou no Instituto Presbiteriano Gammon, na cidade de Lavras, Minas Gerais, no Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e na UNICAMP, onde recebeu o título de Professor Emérito. Tinha um grande número de publicações, tais como crônicas, ensaios e contos, além de ser ele mesmo o tema de diversas teses, dissertações e monografias. Muitos de seus livros foram publicados em outros idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno.

Com formação eclética, transita pelas áreas de teologia, psicanálise, sociologia, filosofia e educação. Após ter lecionado em universidades, tinha um restaurante (a culinária foi uma de suas paixões e tema de alguns de seus textos), viveu em Campinas, onde mantinha um grupo, chamado Canoeiros, que se encontra semanalmente para leitura de poesias.

Sua mensagem é direta e, por vezes, romântica, explorando a essência do homem e a alma do ser. É algo como um contraponto à visão atual de homo globalizadus que busca satisfazer desejos, muitas vezes além de suas reais necessidades.

"Ensinar" é descrito por Alves como um ato de alegria, um ofício que deve ser exercido com paixão e arte. É como a vida de um palhaço que entra no picadeiro todos os dias com a missão renovada de divertir. Ensinar é fazer aquele momento único e especial. Ridendo dicere severum: rindo, dizer coisas sérias2 Mostrando que esta, na verdade é a forma mais eficaz e verdadeira de transmitir conhecimento. Agindo como um mago e não como um mágico. Não como alguém que ilude e sim como quem acredita e faz crer, que deve fazer acontecer.

Em alguns de seus textos, cita passagens da Bíblia, valendo-se de metáforas. No site A Casa de Rubem Alves encontram-se releituras e discussões de suas obras.

É cidadão honorário de Campinas onde recebeu a Medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo." João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Osório Pimentel (Itaparica, 23 de janeiro de 1941 — Rio de Janeiro, 18 de julho de 2014) foi um escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa. Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos, e Viva o Povo Brasileiro, tendo sido, esse último, destacado como samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca, no Carnaval de 1987. É pai do ator e Ex-VJ da MTV Bento Ribeiro. Faleceu na madrugada do dia 18 de Julho em sua casa, no Leblon, vítima de uma embolia pulmonar.
 Brasileiro, escritor, professor, jornalista e roteirista. Prêmio Camões (2008).
http://pt.wikipedia.org/wiki/João_Ubaldo_Ribeiro

quinta-feira, 17 de julho de 2014

No lado molhado da noite


Io che non vivo senza te - Chiara Civello - Feat.Gilberto Gil [P. Donaggio , V. Pallavicini]

CHIARA CIVELLO
HOME NEWS BIO MUSICA FOTO LIVE VIDEO
http://www.chiaracivello.com/web/

Perdi-me em seu espaço
Nas distâncias do seu tempo
Percorri tuas constelações
Divaguei no seu movimento

Em seu rosto de amar
Provei das mudas palavras
O pavor dos meus medos
Medos de não saber voltar

Sonhei encantos e teus desejos
Nas tuas curvas de nudez da lua
Na transparência das tuas vestes
Na alma da noite fez-se nua

Agora bebo das suas águas
Os segredos do seu suor
Provei dos insanos desejos
O silêncio infinito das pedras

Na magia dos teus beijos
O amor tem as asas da noite
Pousa suave sobre teu corpo
Onde a minha vontade é a sua

Em cada gota de nossas loucuras
Recebo o gozo da sua essência
Num enlace perfeito e fogoso
Somos o incontrolável obsceno

Na memória dos tantos beijos
Para saber-te em meus braços
Em nossa respiração deliciada
Os olhos estão fechados de amor

No lado molhado da noite
A lua ainda nua em silêncio
Provoca a tua pele ainda suada
Nos seduz n'outros versos insanos

 -- Posso voar de bando pássaros e ser o tempo do meu vento --



O amar dista a água em fonte


Canto Triste [Edu Lobo e Sérgio Godinho]

Em lento espreguiçar das horas
Um vento despetalar outroras
O tramar-se em saltimbanco
No gramar-se em linho branco

Amanhece o dia entre os lençóis
A manhã cede para tantos sóis
Em travesseiros de alfazema
Entraves solitários em dilema

A amada passeia pelo quarto
Acalmada anseia em pranto
Pelos sentimentos loucos
Selos de momentos roucos

Por onde o amor se guarda?
Esconde em dor e aguarda?
Só um colhedor de sonho
Só, num clamor tristonho

Levas ao beiral do parapeito
Elevas juntas mãos ao peito
No olhar distante o horizonte
O amar dista a água em fonte

Radiante em plena esperança
Diante a demora se faz crença
Se esvoaça num beijo pela mão
Se há graça, se no peito há paixão

--Se viver de meias verdades, não viverás o amor inteiro--

terça-feira, 15 de julho de 2014

Porque de repente, se fez paixão


Lenine- Vieste [Ivans Lins - Victor Martins]

Os minutos vão caindo das horas
Colho as curvas em teu corpo
Te recordo sobre o papel em branco
Tão presentes num continuo passado

São loucuras de uma terna saudade
A voz calada ainda em sussurros
Aos doces sabores da sua boca
A solidão me abraça com tua ausência

A esperança desenha no espelho
O aroma e o suor vertem da pele
Sou confesso, te amei ao ver-te
Beijei a paixão dos teus lábios

Sei que a dor de esquecer não perdoa
Como ser o sal sem os teus temperos?
Nas gotas que afloram da pele macia
Me perco onde a sua libido se esconde

Estremeço em sua imagem imóvel
O seu vestido desliza aos seus pés
Teu olhar ainda brilha nos arrepios
O rubro da tua face inda me aquece

Em suas veias só sei os caminhos de ida
Sobrevivente dos pulsares do teu coração
Dos olhos nos olhos no mágico instante
Se me acolhes ao ventre, o prazer é ser teu

O mundo para enquanto teu corpo remexe
Meu vício, nos olhos chorosos os teus desejos
Meu céu obsceno, amorosa em suas vontades
Em mim teimas o desabrochar do coração

No silêncio adormecido ao meu lado
Recolhi todos os segundos da emoção
Vieste em tênue esperança e me entreguei
É a paixão que vive na sua fotografia emoldurada

--Se o mundo caiu dos valores vazios, preciso viver com menos ilusões--


Com o mesmo brilho trêmulo nos lábios


Nem o sol, nem a lua, nem eu [com Maria Bethania e Lenine] por Lenine

A sua voz, qualquer coisa em súplica
Refina na dor a certeza de ser infeliz
O pecado se inocenta em desculpas
Das meias-noites no alvorecer das horas

Insaciável angústia nos devora as maçãs
Pudera ter do espelho o teu outro lado
Além da falsa impressão da felicidade
Te encontrar na origem da tua sombra

Não voltaria do teu rosto junto ao meu
Mesmo que em tua face pálida e bela
Teus olhos se percam no escuro do não
Das noites inteiras de meias-verdades

Dá-me o veneno da dor para ser feliz
Em troca, darei todas as minhas mentiras
Dá-me toda sua intensa angústia indolor
Em troca, viverei em tua metade ilusória

Serei o pagão entre o bem e o mal
O sufoco entre os que sofrem e amam
Aquele que te busca num corpo humano
Terás o mistério das minhas entranhas

Nos renasça de uma célula única
Do princípio dos laços futuros
Sem a dúvida dos amores eternos
A vida se faça renascer em ternuras

Nos dê o ser a cada dia um beijo novo
Sem a ansiedade de um outro amanhã
Com o mesmo brilho trêmulo nos lábios
O amor do futuro nos deixe amar em paz

--Por amor, entrelaçamos nossas meias-verdades e nos fizemos cromossomos--

terça-feira, 8 de julho de 2014

Mesmo que não sobre mais tempo


Zizi Possi - Caruso[Lucio Dalla] e Io Che Amo Solo Te[Sergio Endrigo]

Zizzi Possi
Batizada Maria Izildinha em homenagem à Santa Menina Izildinha descende de italianos de Nápoles, é paulistana do bairro do Brás, típico reduto de imigrantes italianos. De formação erudita, dos 5 aos 17 anos de idade, estudou piano e canto; em 1973 mudou-se para a Salvador (Bahia) com o irmão, José Possi Neto, prestou vestibular para faculdade de composição e regência (UFBA). Após dois anos de curso, abandonou a faculdade e iniciou-se num curso de teatro, na mesma época em que participou da montagem do musical Marilyn Miranda. Em um projeto para a prefeitura soteropolitana, trabalhou como professora de música para crianças — filhos de prostitutas no Pelourinho —, gravou jingles comerciais e participou de especiais da televisão local.
Aos 22 anos, gravou o primeiro LP, Flor do Mal (1978), e o primeiro grande sucesso foi a canção Pedaço de Mim, faixa de um disco de Chico Buarque, autor da canção interpretada num dueto, que também daria título ao segundo álbum da carreira, datado de 1979, no qual outras duas canções se destacariam: "Nunca" e "Luz e mistério".
O disco e espetáculo Um Minuto Além (1981), ganhou o primeiro prêmio, de cantora-revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Dê um Rolê (1984) e Amor e Música (1987).
Em 1986 lançou aquele que foi um dos grandes sucessos, Perigo, que integrou a trilha sonora da novela Selva de Pedra (Rede Globo), que a torna extremamente popular em todo o país. Em 1989 lançou aquele que é considerado por muitos, inclusive pela própria cantora, um dos melhores discos: Estrebucha Baby — trabalho que marcou o afastamento do padrão comercial radiofônico da época, recebido com frieza e que foi um fracasso comercial.
Com a filha Luíza Possi, e o retorno à cidade natal, São Paulo; em entrevista, disse: mudei de vida, minha relação com minha filha, meu casamento acabou, não como mais carne (não por religião mas porque 'bateu'), não fumo, 'acordava às duas da tarde hoje acordo às 5 da manhã'.
 Editado por Sc@libur 2012 - Claudio Cavalcante Cunha - http://www.scaliburweb.com.br - Piracicaba - São Paulo - Brasil

~.~.~.~

Mesmo que não sobre mais tempo

Nesse teu corpo que aquece e relaxa
Antes que o sono vença teus pensamentos
No som dos ventos assoviando os minuanos
Em teus labirintos percorras a escuridão

A noite sob as cobertas do mundo
Do manto perene das aparências
És aquela que se obriga a ser forte
Cais da inabalável dos olhos alheios

Escolhes as peças no tabuleiro
Para seguir-se em frente
No livre arbítrio ilusório da vida
De um único jogo sem regras

Colho teus desejos tão íntimos
São luzes pálidas pelo chão
São dos milhares de céus
Caídas dos sonhos de amor

Teu corpo estendido na suavidade
De um pouso suave de um talvez
Escorre nos dedos tantos segredos
Impacientes, ávidos pela paixão

São clarões de um tempo
Dos sussurros entre o sol e a lua
Se despe do branco do algodão
Em silêncio, o vazio a espreita

Uma só vez, como se fosse a última
Na sensação profunda da solidão
No fogo ardente dos gravetos do sono
Se confessas calada o que tanto quero

Mesmo que não sobre mais tempo
Espero nas sobras dos teus aromas
Clamo em sussurros a te sonhar gemidos
E pelo olhar o teu silêncio se faça meu

--Se amas com tamanho amor, não sou eu, és tu que me fazes amar--

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Um descrepuscular em poesia


Quase memória [Chico Buarque e Edu Lobo]

Quem nos dera
Se todas as quimeras
Fossem todas primaveras
Transbordassem das auroras
Como um manto sobre o inverno

Quem nos fosse
Se aos todos os pudesses
Em todo drama se antevisses
Se faz dele o que prouvesses
Como um mantra sobre o eterno

Quem nos chama
Se na escuridão reclamas
O tato gélido das damas
Sem o cordial calor nas chamas
Como um anjo foste ao inferno

Quem nos ama
Se no poder proclamas
Se num vigiar reprimas
Ser o amor que vive alfamas
Como nunca descrepuscular interno

Quem nos une
Se na união que pune
Se o ciúme faz o impune
Na acidez corrói imune
Como se alimentasse o subalterno

Quem nos urros
Se não desnuda os obscuros
Se ao revés dos nascituros
Somos um dentro dos muros
Como um não passarinhar alterno

Quem nos ramos
Se em coroa de espinhos vamos
Se na mala um mundo de reclamos
Somos água em ruas de paralelogramos
Como um mágico escorregar no eterno

~.~.~.~

Descrepuscular em poesia
O ser da poesia quando ama
Não são amanheceres, nem auroras
Mas, um redescobri-se em vida

Só pode ser qual renascer em poesia
Como uma moça bonita que se re-encanta
Quando sussurra e canta se retira ao sério
Se fala ao sério num desmanchar palavras

Nenhum termo que não deslize aos braços
Se ama, ama o livre e cuida tanto que o liberta
Se o condenas, o condena em tua liberdade

Se tem um fim, será sempre junto ao recomeço
Se ama amar e de tanto amar a dor ser poesia
Descrepuscular-se é para não morrer em vida 

domingo, 29 de junho de 2014

Um nome além das palavras


Beatriz -[Edu Lobo Chico Buarque] com  Milton Nascimento
"Beatriz" faz parte da trilha sonora do espetáculo "O Grande Circo Místico", encenado em 1983, cujas músicas são, todas, de autoria de Chico Buarque e Edu Lobo.

Seria o caso de lembrar numa palavra
De buscar nas profundezas de uma lavra
Aquele teu olhar de tanta tristeza
O teu momento imóvel de leveza

A elegância constante num sopro do vento
Moves suave sobre as dunas que invento
No calor das tuas areias em que me aqueço
A solidão insiste o deserto e não te esqueço    

A tua delicadeza entre as coisas belas
É a dor da enormidade inflando as velas
É o torpor das normalidades aparentes
Na abstração das fronteiras sufocantes

A inveja se guarda no ciúme e na vingança
Nos desfiladeiros estreitos e sem esperança
Teu nome está na essência, nos gestos, na morte
Na natureza do sentimento, na reflexão do forte

Chama viva num vazio da sensação do nada
Nas coisas reconhecíveis da visão perdida
No tempo, nem se procura pelo mesmo igual
Mas, na diferença, no desconforme, no desigual

Se faz admirada entre a tragédia e a dor
Lado a lado, caminha entre o ódio e o amor
Sobrevive em mesmo teto de qualquer rival
Soberana em palavras entre o bem e o mal

Desdenha-se, rodopia bela sobre suas teias
Ainda que triste e seja feita de coisas feias
Justapõem-se em equilíbrio na sutileza
Flutua no mundo, onde teu nome é beleza


terça-feira, 24 de junho de 2014

Só depois da outra vida


Chico Buarque - Futuros Amantes

Chega de tanta miséria
Basta de outras besteiras
Quero um prato cheio de alegrias
Só pago o dobro nesta vida
Só tenho uma chance de viver

Onde estão os meus amores?
Morreu das dores?
Se perderam no olhar das galerias
Só depois não diga que avisei
Se só cozinham e não se comem outra vez

Quero um pão inteiro
Um cheiro de circo faceiro
Uma saudade do meu tempo de menino
Onde tudo era de imensas brincadeiras
Hoje tudo, no todo, esta cansado de bobeira

Chega de tanto faz de conta
Hoje sou das horas do meu contra
Sou aquele que te sangra e se perdeu
Era o tolo no tempo dos Prometeus
De onde todo, no tudo, se fez Deus

E agora coração?
Como dizer que são?
Fossem aqueles que te amaram
Se foram no dia que esperaram
Nem tudo d'aquele amor foi um adeus

E agora, Então?
Então, me diz que sim ou não
Sai de cima desse muro
Diga um logo nesse escuro
É só depois da outra vida?

Se o circo está lotado de bobeira
Se quem aplaude é o palhaço
Não tem pão, nem tem farinha
Se acabou a fada madrinha
E a esperança morreu de amor

segunda-feira, 23 de junho de 2014

"Pérola" Jandira Sassingui - Huambo - Angola

PEROLA - NINGUÉM CAMINHA SÓ

"Pérola" Jandira Sassingui

"Jandira Sassingui é intérprete e compositora musical angolana, natural da província do Huambo, aos 28 de Abril, residente em Luanda e conhecida internacionalmente pelo nome artístico PÉROLA. Data de nascimento : 28 de Abril  Naturalidade : Huambo - Angola
A Cantora Pérola, Começou a cantar aos 8 anos de idade e tendo desde sempre “grande” paixão pela música chegou a fazer apresentações de canto e dança para vizinhos e amigos como passatempo de muitas tardes levando-a a participar em concursos de música e de dança na qual recebia sucessivos aplausos e elogios do público pela auto-confiança que demonstrava em palco;
Aos 13 anos de idade, mudou-se com a sua família para Windhoek, República da Namíbia onde continuou os estudos e sem deixar de fazer o que muito gosta “Cantar”. De 1997 à 2001 teve frequência académica no Colégio Concórdia período (da 8ª à 12ª classe) onde fazendo parte de um grupo de dança denominado “Earth Girls” era convidada a dançar e cantar sempre que houvesse alguma actividade especial, sentindo-se muito honrada pelo carinho que toda a instituição tinha por si; Após este e ainda em Windhoek, participou de um Concurso para a Descoberta de Talentos organizado pela Igreja Católica onde frequentava tendo ganho dois troféus:
1. Melhor Dueto
2. Melhor Performance Feminina da Noite
Gravar o seu próprio álbum musical e fazer carreira solo, que passando a fazer parte da Produtora Musical Bué D’Beats publica em 2004 o fonograma intitulado “Os Meus Sentimentos” registando deste modo o seu nome artístico “PÉROLA”.
Com a sua primeira obra fonográfica, participou em variadíssimas actividades sociais, musicais e culturais com destaque para os espectáculos “musicais” nacionais e estrangeiros." http://angola-luanda-pitigrili.com/who’s-who/p/perola-jandira-sassingui

domingo, 22 de junho de 2014

O tempo se faz realidade


PRA DIZER ADEUS - EDU LOBO [Edu Lobo e Torquato Neto]

O tempo se fez comum
E a realidade em mesmo espaço
Fiz de ti, indubitavelmente, única
A sensação meneando em silêncio

Ser bela ou feia para um
A música provocava num abraço
A revoada de pássaros em mágica
Manhã de janela aberta ao suplício

O mistério preparava os golpes
Num piscar de olhos de infortúnios
Quantas pessoas saberiam pelo mundo
Dentre as muito poucas à quase nenhuma

A demolição em contragolpes
A dor vier de dentro em morticínios
Demasiado tarde para amar profundo
Jamais serei a medida certa que acostuma

Em todas as metrópoles e cidades
Se ao encontrar o seu alguém solitário
Um náufrago na vastidão de um oceano
A imaginação flutuar na massa silenciosa

O breve interlúdio das verdades
Anunciar a sua brisa retorcida em relicário
O começo negro e sombrio do desengano
A música em estranha sensação mentirosa

Entre tantos modelos e formas
De tantas riquezas das mesmas coisas
Era tão simplesmente um apenas ser
E não soubemos um tão simples aflorar

O instigar a repensar as normas
A vida não se enganar pelas pitonisas
O medo das aparências não acontecer
O tempo enfim realidade para amar

Edu Lobo - 70 anos

Edu Lobo - Falando De Amor - Prelúdio Nº 3  [Tom Jobim e Edu Lobo]

Edu Lobo - 70 anos
Eduardo de Góes Lobo é um cantor, compositor, arranjador e instrumentista brasileiro.
Edu Lobo - Site oficial www.edulobo.com.br/

quinta-feira, 19 de junho de 2014

CHICO 70 - FELIZ ANIVERSÁRIO

Chico Buarque - Voltei a Cantar, Mambembe & Dura na Queda (Carioca Ao Vivo)

Sem Compromisso - Deixe a Menina - Chico Buarque

Chico Buarque - As Vitrines (Carioca Ao Vivo) [CC]

Chico Buarque DVD Na Carreira - 13 Todo o sentimento

Eu Te Amo (Carioca Ao Vivo) [CC]Chico Buarque -Tom Jobim

Chico Buarque - A mais bonita (com Bebel Gilberto) 
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?

[Chico Buarque]
Compositor, cantor, dramaturgo e escritor. 
www.chicobuarque.com.br
"Imagine um Brasil sem Chico Buarque. E também sem Geni, Beatriz, Pedro Pedreiro, Rita. O talento de Chico foi nos presenteando com esses personagens que até hoje nos explicam de quem é feito o Brasil. Os sambas do autor se tornaram essenciais não apenas no cancioneiro nacional, mas na história do país."
https://www.facebook.com/ChicoBuarque?fref=nf
"Chico de Hollanda, 
de aqui e de alhures 
"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloquentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam.
Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."
Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998."

"São sete décadas de hinos que dão voz a personagens que vão de mulheres a malandros e falam como ninguém do Rio de Janeiro, de política e de amor. Uma obra gigantesca e definidora do país, de acordo com Tárik de Souza. Um dos mais importantes artistas do Brasil."
"...Os momentos bons
e as horas más
Que a memória coa..."

Vida Obra Textos Sanatório Geral http://www.chicobuarque.com.br/vida/vida.htm