terça-feira, 8 de julho de 2014

Mesmo que não sobre mais tempo


Zizi Possi - Caruso[Lucio Dalla] e Io Che Amo Solo Te[Sergio Endrigo]

Zizzi Possi
Batizada Maria Izildinha em homenagem à Santa Menina Izildinha descende de italianos de Nápoles, é paulistana do bairro do Brás, típico reduto de imigrantes italianos. De formação erudita, dos 5 aos 17 anos de idade, estudou piano e canto; em 1973 mudou-se para a Salvador (Bahia) com o irmão, José Possi Neto, prestou vestibular para faculdade de composição e regência (UFBA). Após dois anos de curso, abandonou a faculdade e iniciou-se num curso de teatro, na mesma época em que participou da montagem do musical Marilyn Miranda. Em um projeto para a prefeitura soteropolitana, trabalhou como professora de música para crianças — filhos de prostitutas no Pelourinho —, gravou jingles comerciais e participou de especiais da televisão local.
Aos 22 anos, gravou o primeiro LP, Flor do Mal (1978), e o primeiro grande sucesso foi a canção Pedaço de Mim, faixa de um disco de Chico Buarque, autor da canção interpretada num dueto, que também daria título ao segundo álbum da carreira, datado de 1979, no qual outras duas canções se destacariam: "Nunca" e "Luz e mistério".
O disco e espetáculo Um Minuto Além (1981), ganhou o primeiro prêmio, de cantora-revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Dê um Rolê (1984) e Amor e Música (1987).
Em 1986 lançou aquele que foi um dos grandes sucessos, Perigo, que integrou a trilha sonora da novela Selva de Pedra (Rede Globo), que a torna extremamente popular em todo o país. Em 1989 lançou aquele que é considerado por muitos, inclusive pela própria cantora, um dos melhores discos: Estrebucha Baby — trabalho que marcou o afastamento do padrão comercial radiofônico da época, recebido com frieza e que foi um fracasso comercial.
Com a filha Luíza Possi, e o retorno à cidade natal, São Paulo; em entrevista, disse: mudei de vida, minha relação com minha filha, meu casamento acabou, não como mais carne (não por religião mas porque 'bateu'), não fumo, 'acordava às duas da tarde hoje acordo às 5 da manhã'.
 Editado por Sc@libur 2012 - Claudio Cavalcante Cunha - http://www.scaliburweb.com.br - Piracicaba - São Paulo - Brasil

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Mesmo que não sobre mais tempo

Nesse teu corpo que aquece e relaxa
Antes que o sono vença teus pensamentos
No som dos ventos assoviando os minuanos
Em teus labirintos percorras a escuridão

A noite sob as cobertas do mundo
Do manto perene das aparências
És aquela que se obriga a ser forte
Cais da inabalável dos olhos alheios

Escolhes as peças no tabuleiro
Para seguir-se em frente
No livre arbítrio ilusório da vida
De um único jogo sem regras

Colho teus desejos tão íntimos
São luzes pálidas pelo chão
São dos milhares de céus
Caídas dos sonhos de amor

Teu corpo estendido na suavidade
De um pouso suave de um talvez
Escorre nos dedos tantos segredos
Impacientes, ávidos pela paixão

São clarões de um tempo
Dos sussurros entre o sol e a lua
Se despe do branco do algodão
Em silêncio, o vazio a espreita

Uma só vez, como se fosse a última
Na sensação profunda da solidão
No fogo ardente dos gravetos do sono
Se confessas calada o que tanto quero

Mesmo que não sobre mais tempo
Espero nas sobras dos teus aromas
Clamo em sussurros a te sonhar gemidos
E pelo olhar o teu silêncio se faça meu

--Se amas com tamanho amor, não sou eu, és tu que me fazes amar--

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