segunda-feira, 15 de agosto de 2016

quem sabe um amor numa estação terminal esperança

Only You - Lisa Ekdahl 

LISA EKDAHL
look to your own heart
http://lisaekdahl.com/
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~.~.~

quem sabe um amor, numa estação terminal esperança

era um dia 10 agosto, talvez das 14:40 às 15:50 hora, uma hora e poucos minutos de uma vida inteira. eu lembrei que alguém disse que teve dores nas costas por dormir demais. mas, pude sentir as dores nas costas também e que eram da mureta atrás em que encostava a linha das costas e o desnível no chão que forçava os calcanhares dos pés para trás.

o que fazia sozinho? era a esperança perdida que estava comigo, do esperar por alguém que não viria. o bom é que ninguém me perguntou nada, nem os seguranças que conversavam em duplas. enquanto isso, alternavam as linhas e os passageiros, ora da esquerda, ora da direita, e todos passavam pelo bloqueio e se espalhavam pela vida.

eu lia, encostado na mureta, algumas páginas do e-book "As flores do mal" de Charles Baudelaire. eu olhava esperançoso, de quando em quando, a última esperança por quem não vem.
meu desistir da esperança foi ler o poema, como desistir de um único beijo, e fui para a estação paraíso, o paraíso que não merecia e que ficou na estação do passado.

no dia anterior, dia 9, passava dentro pelo vagão, pela outra estação às 11:15h. eu poderia sair, só para ver ela passar por cima pela faixa na rua. eram por dias de saudade inquietantes, por um amor de doído constante e de uma angustiante ausência. mas, na vida tudo passa e eu passei do amor e, refleti que passei da estação esperança, indo sozinho para o terminal do tempo de vida.

no terminal esperança, no dia 10, a esperança lia comigo o poema de Charles Baudelaire, "A uma passante". no poema que define bem que o tempo que se vai e, faz com que as pessoas nunca se encontrem. elas se perdem no mesmo tempo de vida.
eu me encontrei nos dois versos e que me responderam pelo nosso destino.
ela se foi como a mulher passante por um único abraço.
eu me fui por um beijo que não se foi por uma única vez.
e nós dois pelo nosso prematuro amor?
sem mais, Baudelaire respondia:
"Não mais hei de te ver senão na eternidade?
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!"
e a música no headphone insistia.
Only You - Lisa Ekdahl
~
A uma passante

A rua em torno era um frenético alarido.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido.

Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.

Que luz… e a noite após! – Efêmera beldade
Cujos olhos me fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! “nunca” talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!
~
e a música me acalmava
Blame it on my youth - Lisa Ekdahl
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(Charles Baudelaire. As Flores do mal. Nova Fronteira, 1985: p. 361.) http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/a-une-passante-baudelaire/

Only you / Só você
http://letras.kboing.com.br/ekdahl-lisa/only-you/traducao.html#googtrans(en|pt)

Blame It On My Youth / Culpe Minha Juventude
http://letras.kboing.com.br/ekdahl-lisa/blame-it-on-my-youth/traducao.html

domingo, 7 de agosto de 2016

um dia a gente aprende que só se pode amar no outro


♫ Quando Fui Chuva♫ Maria Gadú & Luis Kiari♥ 

Maria Gadú
http://mariagadu.net/ 
Pra Ouvir -  Agenda/Contato -  Juntin -  Pra Ver

LUIS KIARI 
http://luiskiari.com.br/
SOBRE  MÍDIAS  FOTOS  TRÊS  MÚSICAS VÍDEOS AGENDA BLOG CONTATO
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um dia a gente aprende que vai poder se amar

um dia a gente aprende que amar vale a vida que somos e o mundo com amor é maravilhoso.

um dia a gente aprende que saciar a sede é beber um copo com água às pressas e a sede se satisfaz inodora, insípida e incolor.

um dia a gente aprende que saciar o amor, é saborear as nuances nos pequenos detalhes, no desvendar dos aromas, nas variantes das cores de um único e raro vinho, de um único e raro amor.

um dia a gente aprende a intimidade no olhar, no cintilar do brilho das pupilas dilatadas.
a emoção revelar-se da cumplicidade de sermos íntimos de um único estarmos nus de vaidades e transpirando na pele um nobre sentimento.

um dia a gente aprende que o medo de amar é ser duplamente infeliz. é sermos e condenarmos no outro à infelicidade de não poder amar o outro em vida e não poder ser amada pelo outro amor. e que só se aprende a amar quando o amor é correspondido.

um dia a gente aprende que adorar exige amor, devoção, honra e respeito em todas as aceitações das perfeitas imperfeições do outro. o amar aceita e valoriza todos os sinais do tempo, do alerta das rugas e das manchas de sol.

um dia a gente aprende a curvar-se com reverência e dedicar-se com apreço num beijo nos pés da única amada. e que por ser a única amada, se reconhecerá em ser a única majestade de um amor.

um dia a gente aprende que a realidade é o que somos e pelo que valemos ser diante de um raro amor. ao entregarmos nossos corpos um ao outro, é saber que tanto um e o outro, devolveremos nossos corpos à vida. e daremos graças pela vida que nos consagrou com amor.

um dia a gente aprende que amar-se é o amor no outro e que o mundo sempre foi maravilhoso.

um dia a gente aprende que a vida finda e, das mil variantes do amor, só amar nos eterniza e tudo que é efêmero passa.

um dia a gente aprende a amar-se um no outro para sermos felizes. muito além de um estado de espírito, sem amar-se no outro não se está permitindo abrir-se à felicidade.

um dia a gente aprende que só se pode amar no outro para ser amado, para que o outro ser nos ensine o que é o amor. e que ninguém se ama, mas tem uma boa ideia de si, pois o amor é o sentimento que se transfere e acontece no outro e quando o outro tem amor por ti.

um dia a gente aprende, com o tempo de vida, a se eternizar no amor. que pior que o medo de morrer, é ter medo de amar, é ter medo de viver e não viver o amor. só se morre mil vezes quem não se viveu num amor. mas, se amas que seja num único e raro, que seja na plenitude de um amor verdadeiro.

um dia a gente aprende, que pior que morrer, é não viver, é não ter aprendido a amar-se no outro em vida. pois ninguém morre de amor e, pelo contrário, vive-se num amor.
ter medo é não aprender a viver, é não aprender a amar e é não viver a vida com amor.

um dia a gente aprende que amar nunca poderá ser tarde demais.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

John Legend's official music video for 'All Of Me'. Click to listen to John Legend on Spotify


John Legend's official music video for 'All Of Me'. Click to listen to John Legend on Spotify: http://smarturl.it/JohnLSpotify?IQid=...
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As featured on Love In The Future. Click to buy the track or album via iTunes: http://smarturl.it/JohnLLITFiTUnes?IQ...
Google Play: http://smarturl.it/JohnLAOMplay?IQid=...
Amazon: http://smarturl.it/JohnLLITFAmz?IQid=...
More from John Legend
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Save Room: https://youtu.be/iOmnGzAKLvg
Everybody Knows: https://youtu.be/c7NLq5Soq_E
Heaven: https://youtu.be/Gs6ajB9o8b4
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Twitter: https://twitter.com/johnlegend
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Tudo de Mim - [All Of Me - John Legend]

O que eu faria sem a sua boca inteligente
Me atraindo, e você me afastando
Minha cabeça está girando, sério, eu não consigo te decifrar
O que está acontecendo nessa mente linda?
Estou em sua jornada mágica e misteriosa
E eu estou tão tonto, não sei o que me atingiu, mas eu ficarei bem

Minha cabeça está debaixo de água
Mas eu estou respirando bem
Você está louca e eu estou fora de mim

Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus limites
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perco estou ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você

Quantas vezes eu tenho que te dizer
Mesmo chorando você é linda também
O mundo está te castigando, eu estou por perto acompanhando tudo
Você é minha ruína, você é minha musa
Minha pior distração, meu ritmo e minha melodia
Eu não posso parar de cantar, está tocando, em minha mente para você

Minha cabeça está debaixo de água
Mas eu estou respirando bem
Você está louca e eu estou fora de mim

Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus limites
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perder estarei ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você
Me dá tudo de você

Cartas na mesa, nós dois estamos mostrando corações
Arriscando tudo, embora seja difícil

Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus limites
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perder estarei ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você

Eu lhe dou tudo de mim
E você me dá tudo, tudo
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Rubem Azevedo Alves foi um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis. É considerado um dos maiores pedagogos brasileiros de todos os tempos, um dos fundadores da Teologia da Libertação e intelectual polivalente nos debates sociais no Brasil. Foi professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). [15/09/1933 MG - 19/07/2014 SP] https://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Alves
http://rubemalves.com.br/site/


domingo, 3 de julho de 2016

não permitas que somente a vida aconteça

Quando Amanhecer [Vanessa da Mata] feat. Gilberto Gil
álbum "Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias".
http://www.vanessadamata.com.br/
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Arte e Solidão 

La Mère Pichaud -1890 - Guy Rose (1867-1925) 
http://www.guyrosegallery.com/

“A cadeira vazia”- The empty chair -1922. Charles Spencelayh (1865 - 1958)
https://www.flickr.com/photos/nogtow/sets/72157625152860375/
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Arte e solidão 
Guy Rose (1867-1925) é um nome muito talentoso dos impressionistas dos EUA. Pintou este quadro ( La Mère Pichaud) em 1890. Uma senhora olha a cadeira vazia de forma expressiva. A pintura é da fase francesa dele, quando estava próximo a Monet. O outro é do pintor acadêmico inglês Charles Spencelayh (1865 - 1958) e se chama “A cadeira vazia” (The empty chair) , de 1922. Os dois falam do envelhecimento, da espera, dos parentes que não chegam e da dificuldade em lidar com o abandono. 
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não permitas que somente a vida aconteça 

só em teus braços componho melodias
construo-me nos momentos de teu silêncio
se a cada um não, mais da vida eu sei
e em si mesmo, em cada um há uma prisão 

e sem que percebas, a vida nos ilude
e na dor dos outros, a tua dor se alivia 
como sou e serei sem que digas o que tu és?
se me desconstruo em sua existência finda

saber-te prisioneira em tua beleza
se acreditamos em que não vemos
por medo, sem saber que és meu destino
se em que nos vemos não acreditamos 

se nos cativamos e fazemos sofrer
na tua beleza de alma eu me devoro
e em tua rubra boca me enveneno
é no teu corpo que minh'alma existe

sabes que um dia a beleza ofusca e passa 
mas quando se abres como uma aurora
extasia-me, faz-se a bela e me deslumbra
te vislumbro como um desabrochar em flores 

e se te doas por tudo e tanto me encanto
me busco em tua paz, se és meu repouso
anseio em tanto amor e o quanto amas
espero em teu peito os botões de rosa

por tanto amar teu desabrochar em vida
que eu tanto sofra se nos ver na dor
se me reconheces em duas almas antigas
foi o encontro nosso pelo maior destino 

e o mesmo destino que se fez ingrato 
se em teu corpo jovem me envelheço
a ironia foi destino antes do nosso amor 
e se agora soube em minha dura sina

pior saber-te da ambição dos outros
do egoismo a enclausurar-te bela
libertar-te, é por tanto amar-te à vida
se te deixo partir, eu te suplico livre 

pois sem teu amor, liberta-se por mim
e se me abandonas para que não sofras
saberei, se não haveremos nós num hoje
sou sem amar num nós e a morte me clama

da sua dor sei que em tuas palavras sangras
iluminas com seu amor os meus labirintos
lá onde sei, te perco dos meus caminhos 
pois trouxeste a plena luz de teus carinhos

me desprezo a morte para saber-te feliz
apenas que saibas para onde foi a vida 
se és forte, saberás, é a minha razão de vida 
e então saberei da minha vida sem mim

importo com meu fim sem teus carinhos
importo o não viver, se viver sem teu amor 
que breve eu seja, pois sem amar-te em nós 
sem nosso amor a vida não tem sentido 

aconteça em vida pelo verdadeiro amor
não se permita que a vida te aconteça
és teu o amor e faça-o acontecer em tua vida 
se o destino é meu e seguirei com a minha dor

em sentimento que se represa, o amor transborda 
numa inundação é inevitável o seu curso d'água
o amor está a espreita entre o desejo e a dor
num mundo nos deseja, um mundo de dois corações

não permitas que somente a vida aconteça 
no mundo de dois corações viver num só

"pior que morrer é não viver."

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=311322 © Luso-Poemas

sábado, 2 de julho de 2016

Nas mil folhas do meu imaginário

Lisa Ekdahl - Blame it on my youth [Jamie Cullum]
LISA EKDAHL
look to your own heart
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Arte e solidão 
New York Movie, 1939 by Edward Hopper
A solidão é um tema forte na sua vasta obra. 
http://www.edwardhopper.net/newyork-movie.jsp#prettyPhoto
http://www.edwardhopper.net/
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nas mil folhas do meu imaginário

diga-me qualquer coisa
o meu querer é a tua voz rouca        
a que te desperto no meu invento        
nos sussurros que te faz indecifrável

sejas, ainda que eu não saiba, o meu mistério
apenas para que eu saiba 
para que eu ainda saiba
o quanto ainda tu me queres 

possa ouvir no teu leve respirar
o silêncio que revela no meu olhar 
onde no teu corpo em que invento
tudo em tua volta se adormece

faça nascer o teu corpo secreto
porque nele tudo me renasce
nas tuas sonolentas carícias
como te furtasse, eu me entrego

sorrateiramente te construo
na liberdade dos lábios amantes
o instante no meu coração ainda pulsa
na tua primeira nudez em meu peito 

e com o desejo inquieto
procuro na distância do teu repouso
percorro os beijos mudos sobre a tua pele
e estremeço ao te esculpir com as mãos

ah! minha desamparada alma
se embriaga no teu voo da pluma
no sabor que alimenta o meu desejo
nos lábios em que te doas embebida

não quero a morte, não quero nada
somente respirar-te à exaustão
encontrar-me nos lábios do teu ventre
e ser tudo que te leve ao breve instante

sou de tudo nos limites do teu corpo
no entrelaçar teus dedos em meus cabelos
no comprimir meu beijo entre tuas ancas
tu és o que me faz renascer das cinzas

por isso te toco e me faço súbito
no impossível esquecer o teu ardor
gravastes na memória o teu gozo
no infinito sopro do meu tempo

por isso te conspiro e me exausto
nos teus gestos que me embriagam
eu te escuto no ar que se desprende
na última gota que recolhes no suspiro

em mim desvendas os segredos da tua carne
sou o humilde desejo que beija os teus pés
és, em teu corpo, quem me recebe por inteiro 
pouso em teu peito o nascer como quem ama 

e colorimos no céu o sentido das cores
nasce em ti o poente entre os teus seios
para que eu seja o teu desejo de noite   
quando se molhas na transparência da água

sei do agora porque te criei em tantas palavras 
não era simplesmente por uma noite de insônia
eram as lágrimas que vertiam do teu olhar   
reveladas pela tua face no instante do gozo

elas ainda molham as mil folhas do meu imaginário
as mil folhas do meu imaginário
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No sonho da poesia


Boyce Avenue - A Thousand Years (Legendado-Tradução) [OFFICIAL VIDEO]

Boyce Avenue BR
http://www.boyceavenue.com/
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Automat, 1927 by Edward Hopper
 A solidão é um tema forte na sua vasta obra.
http://www.edwardhopper.net/
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No sonho da poesia 

Não peças ao teu corpo que me olhes
Nem em tuas curvas irei perder-me
No arrepio da tua pele perseguir os lábios  
Não irás em teus seios tornar-me amante

Não aos momentos sublimes do teu suor 
Nem verei a transparência de tuas vestes
Nem a cegueira terei nos teus penhascos 
Em queda profunda nos teus desejos

Minha delicadeza não tocará teu rosto
No macio da pele o tato se negará  
Os dedos resistirão na seda o toque 
Nos cabelos seduzido não quedarei      

Não ao tremor no teu corpo desnudo
A minar a estrutura do meu ego
No teu suspiro não respirarei prazeres
Calo o meu grito ao teu ventre mudo

Não entregarei aos teus lábios úmidos 
Meu desejo voraz em saborear tua boca
Não saciarei na tua saliva o meu deserto 
Morrerei nas bordas frescas do teu oásis

Não alimentarei no sabor da pele
O gosto do sal que me alimentas
Nem o perfume morno que provocas 
No ardente percurso pelo teu corpo  

Não saberei dos anseios rosados
Em teu ventre o aflorar contente
O segredo febril do teu amante
Da pureza nem o degustar ardente 

Não me toques com a tua magia
Nem me seduza com teus sussurros    
Sou o avesso dos teus desejos insanos
És ainda o sonho desperto na poesia    

quinta-feira, 9 de junho de 2016

como soube te amar naqueles dias


Suburbano coração (Mônica Salmaso)- [chico buarque]
Release
http://www.monicasalmaso.mus.br/new/Paginas/frameset%20releases.html

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Venus and Cupid
Lorenzo Lotto (Italian, Venice ca. 1480–1556 Loreto)
http://www.metmuseum.org/art/collection/search/436918
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video
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como soube te amar naqueles dias

te procuro em todas as mulheres 
nem que sejas por um gesto teu
para ser e me lembrar, sou seu 
como te amo naqueles dias

sem estar dentro de ti, amor 
por um beijo em sua flor, na dor
na gota em sangue e amar, te amar
para que estejas em meu corpo

num canto, encantas mágica
nascem das lágrimas as rosas
fazes do teu corpo dolorosas
apara em mim a tua dor, amor

me invades em teus males
meus sonhos, êxtases, cansaços
é muita dor, irritação, desconforto
és tão forte, é a vontade de hibernar

até que as tuas dores passem
teu vinho embriago-me no beijo
na tua dor saberás dos lábios meus 
meus vastos céus em chama e flor

em teus pés o meu repouso
pouso os beijos de uma vida
viva eterna em tua água pura 
dai-me a tua calma de princesa

em teus pés a sombra do carinho
agora sei, entre seus dedos eu nasci
e te encontrei, em ti eu me perdi
tua rubra boca, a minha apaixonada

trago-me e minhas mãos são tuas
sou em teus perfumes pelo corpo
a dor que na tatuagem se irradia
dá-me as tão profundas dores fortes

deixa-me colérico em tuas lágrimas
tão dores são tuas horas marcadas
as farei minha, as tuas próprias dores
latentes em que no coração palpitas

guardaremos nos crepúsculos das tardes
a lembrança dos nossos gestos de outrora
o sol dourado que iluminará os teus cabelos
prova de amor em tua rubra boca apaixonada

a dor em lábios de uma jura secreta
como soubemos o amar naqueles dias
fecha os olhos, esse tempo não há depois
aquela que no corpo as saudades incendeias

a mulher que aprendi amar a dor
a que hoje sei que posso amar
na mais linda canção do teu amor
a mulher que agora sei te amar na dor
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quinta-feira, 2 de junho de 2016

amar é o tempo presente


Ástor Piazzolla: Estaciones Porteñas (Four Seasons of Buenos Aires)
I. Verano Porteño 
II. Otoño Porteño 
III. Primavera Porteña
IV. Invierno Porteño
The String Orchestra of Brooklyn
St. Ann and the Holy Trinity Church, Brooklyn, NY

String Orchestra of Brooklyn
http://www.thesob.org/concerts/

channel yotube String Orchestra of Brooklyn
https://www.youtube.com/channel/UCbqjaZ8ABLmS4XQFvK-K7jg
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Leonardo Da Vinci Madona Benois, 1475-78
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amar é o tempo presente
amar é receber e doar um presente
não são apenas os olhos nos olhos
são os nossos olhos num olhar unidos
para onde o amar é fazer planos para o futuro
o restante é ilusão e carência de amor
a carência nos faz brincar de amar
algumas pessoas não irão ao real
lá, no real, o real de dois, quem sabe platão explique
no real, os inteligentes controlam as pessoas
no real, tudo é uma questão de tempo
cedo ou tarde, no real, tudo volta ao normal
talvez não volte o amor colado aos cacos
a ilusão pode ajudar colar alguns pedaços
pode ajudar a anemizar as dores
e se o amor não volta
é porque não se ressuscita o amor
não saberemos o que destino nos reserva
certamente...
haverá sempre um novo amor
um amor vencendo barreiras
um amor superando controles
quando se ama-se e faz-se tudo por amor
quando se ama, no real, e sabe-se de um amor
o amor é quando a gente ama um no outro

quarta-feira, 1 de junho de 2016

para um ser humano especial


o mundo é pleno de mistérios. alguns encontros pessoais pela vida não são casuais. se numa fraternidade as almas se aproximam e, sem entender que necessitam da proteção uns dos outros, convivem em conflito com pessoas de muita negatividade e de pobreza espiritual. não nos damos conta que são ou somos vítimas da ruindade e da opressão alheia.

algumas pessoas são seres que sugam as boas energias das outras e, aos poucos, as levam a perder a auto estima. se diariamente as ofendem e depois se desculpam. persistindo num ciclo incessante de "morde e assopra" e, em cada oportunidade, vão minando e desmoronando a auto estima da outra pessoa.
eles as fazem sentir incapacitadas e, por mais esforço que façam, serão sempre consideradas por eles como desqualificadas e de baixo mérito pelas realizações.

usam da falsa aparência inofensiva e da generosidade por algo maior e valoroso. mas, são visíveis na intensa inveja sobre a beleza do outro e a felicidade dos outros. maldosamente se fortalecem impondo exercer um intenso controle sobre a vida dos parceiros. coibir-lhes a liberdade, reprimir as relações pessoais com outras pessoas, sufocar-lhes a evolução espiritual e material, mantendo-as sob repressão intensa, sob vigilância cerrada em todas as ações. sejam por compromissos sociais ou escolares, onde selecionam as amizades e as submetem a condição subalterna no nível da intelectualidade. as impossibilidades de preparo profissional, impõem-lhes a dependência financeira e as escravizada para um plano inferior. não há partilha nas decisões sobre o planejamento familiar, no convívio social e persistem com olhar de censura em público. são indiferentes a presença de menores ou dos filhos, pois se auto afirmam pela censura e precisam de platéia para atitudes as grosseiras, impulsivas e mal educadas. nada pode ser de boa exemplaridade aos jovens e crianças.

estes são seres negativos, movidos por uma intensa incapacidade de amar e, excessivamente materialistas, são de profundo sentimento egoísta por exigir para si, sempre o mais bonito como objeto do desejo. nesse lado negativo seguem fazendo uso das pessoas como meros objetos e as exploram sexual, laboral e psicologicamente. desqualificando-as pela moral, em meio ao ambiente familiar e, se em público for imposição social.

nestas pessoas, portadoras de inferioridade, são propensas a ter um ar de superioridade, de inversão de valores morais e princípios éticos. manifestam-se através do desprezo por outras pessoas e parentes, pela indiferença aos parentes próximos, aos que fazem parceria na vida conjugal. mantem-se intimamente descontrolados e com atitudes de excesso de ciúme animal pelo domínio sexual da parceira e, concomitante, pelo excesso de ciúmes afetivo, por não ser o centro dos elogios e das atenções de carinho e admiração dos seus inferiorizados.

há uma índole cruel, machista, misógina de estar em convívio com sugadores de energia, são raivosos na essência e prepotentes, rancorosos e vingativos, agindo através da impulsividade latente. o prazer pelo prazer sádico de humilhar a outra pessoa. criar esse clima denso, por consciente ou pela dependência da vítima, restará a vitima uma clausura solitária e um abandono de si mesma, enfraquecendo-a, fazê-las ceder ao direito à liberdade e à felicidade de direito a todo ser humano.

são astutos e ardilosos em vitimar a outra pessoa numa "prisão sem grades", numa "camisa de força psicológica" e sugando-lhes as boas energias. as mantém sob a tutela carrasca de quem escraviza e tortura, num sistema de mando, onde não haverá maior punição para um ser humano, que não só deseja ser o que é e no direito a própria felicidade de existir para a vida.
algumas pessoas irão libertar-se e se mais rápido for possível. enquanto ainda houver energia para lutar. outras irão consentir com a escravidão inconsciente ou pelo desejo aos benefícios materiais, enquanto outras cairão na submissão através do empobrecimento espiritual.

a inteligência é uma conquista de muita dedicação, são horas de estudo e pesquisas. mas nem todos podem ter essa conquista e seus benefícios por uma vida bem estruturada e de melhor qualidade. nem a desculpa será a de sempre, de não ter tempo ou dinheiro para graduar-se para uma profissão. a pobreza não pode ser uma desculpa num universo onde muitos livros são descartados ao lixo reciclável e muitos desses livros envelhecem nas bibliotecas públicas.
o resultado da conquista em desenvolver a inteligência pode beneficiar a própria vida, mas pode maquiavelicamente destruir populações e famílias inteiras.
Santos Dumont, com brilhantismo e inteligência, criou o avião para o progresso da ciência. da navegação aérea, tornando o sonho de voar em realidade para nós humanos.  já outros meros dotados de humanitarismo e de inteligência moral compartilhada entre os povos, usaram os aviões para bombardearem territórios inimigos. alegam fazer a guerra em nome da paz, escondem a busca de novas riquezas e a escravização de outros povos. tais desgraças foram o motivo de Santos Dumont cometer suicídio.

outros maléficos fazem o uso da inteligência e controlam robotizando as pessoas. as ofende e se desculpam no ciclo constante do morde e assopra diário. minando e demolindo-lhes a auto estima, com a pretensão de reconstruí-las e moldá-las na estrutura psicológica que lhes convém. as substitui pelo modelo idealizado para que sejam como as pessoas idealizadas, na maneira de pensar, no agir e se comportar, primando em ser o exemplo: das submissas, das frustradas, das infelizes, das depressivas, transformando-as em inseguras e fracassadas. serão as pessoas que não são mais originais. perderam a própria identidade, pois foram transformadas em vítimas pela posse da mente e do corpo. serão as produtoras de prazer e gozo, a criação das qualidades do escravizado e subalterno, sujeitas a todos os desejos do dominador. uma inteligência a serviço do mal, conseguindo obter o sucesso, com seus mandatários que se julgam inteligentes ao lançarem milhares de bombas através dos aviões de Santos Dumont.
essas são as armadilhas da vida, a desgraça na vida dos outros e dos que usam a inteligência pelo desejo de propriedade e por um egoísmo desumano. eles produzem famílias de pessoas infelizes e de relacionamentos, psicologicamente, doentios, onde muitas consequências serão sequelas na estruturação psicológica dos filhos.

a civilidade não faz dos povos um paraíso, nem todas as pessoas podem ou são felizes. não seremos qualquer um ou um sujeito qualquer para sermos considerados dignos do amor de outros. nem por sexo saudável nas 24 horas do dia, que não seja num estado de dependência viciante e que não necessite de atendimento psiquiátrico ou psicológico. a inteligência faz suas grandes possibilidades de sucesso em subordinar e escravizar os semelhantes. tudo por e em próprio benefício, sejam através de um processo de dominação, lento e constante. arquitetado para que seja executado no ambiente familiar, no plano individual ou coletivo. coexistimos num mundo de imperfeições, que nem todos podem ser felizes, pois não há uma lei da felicidade.
a vida seguirá entre alegrias e sofrimentos pessoais ou coletivos. aos indiferentes apenas se regozijam da exclusiva felicidade ou da felicidade do só eu sou feliz e isso me basta. reinarão sobre aquelas que submeteram-se em beneficiá-las. vassalos dos seus senhores de escravos de alma. pelo valor do não amor, pelo valor do não valor, pelo humano primordial ao reconhecimento e aceitação da existência do outro. atuantes malfeitores felizes pela infelicidade do outro. reconhecem o NÃO direcionado ao outro, mas dizem sim aos próprios impulsos. preserva-os ao direito ao narcisismo da vida proporcionada muitas escolhas. por preciosas fontes de felicidade ao preço de muitas prisões de almas. façam suas escolhas, sabendo-as se preferidas, estarão entre muitas outras milhares de chances de ser feliz.

quando seremos igualmente seres humanos civilizados. aceitos entre pessoas pela desejo de ser o que as fazem felizes e realizadas.
continuaremos no processo repressor e discriminatório, separatista entre os iguais. como continuaremos vivos numa sociedade doente e em conflitos sociais.
como podemos não crer que aquilo que não vemos mas, ouvimos em palavras e ofensas, distorcerem nosso sentimento e as sensações, reproduzirem-se em males físicos pelo corpo? imagine o mal que se produz à mente, e se o que se produz na mente, se expande em males e consequências físicas pelo corpo. elas resultam nas causas das dores físicas e mentais, das dores da alma e da energia corporal.

quem ofende e se desculpa, não tem a noção dos males que causa ao outro. nesse "morde e assopra" de todo dia, demolindo a autoestima e destruindo a estrutura mental para ter dominação sobre o outro.
é preciso cautela e instinto de preservação da vida para não se subjugar, não se submeter e não se subordinar, não abandonar a si mesma, pela impetuosidade do controle de domínio do outro e por tanto desgaste mental e abalo na estrutura psicológica, torna-se vítima em se apaixonar pelo carrasco.

não assumir, não admitir, não reconhecer, e combater a ofensa e lutar, lutar muito pela liberdade de ser a sua natureza, do que fostes feita,seja preservada por inteira, é preciso ser inteira, com todo direito de ser, para ser feliz por completa.
quem ama preserva, cuida, dignifica e protege e, não permite jamais, jamais destrói a quem se ama. um carrasco masoquista, um sugador de almas.

O "Malleus Maleficarum" – O Martelo das Bruxas. O maldito inquisidor assassinou mais de 9 milhões de pessoas e a maioria mulheres, pelo pecado da sensualidade do corpo das mulheres, a sensualidade e a beleza feminina consideradas como o portal do inferno, por onde viriam os 4 cavaleiros do apocalipse. assassinaram em nome da santa inquisição.
as boas pessoas de coração são as vítimas preferidas dos carrascos. aos que convivem com os santos inquisidores serão assassinadas em sua natureza mental, transformar-se-ão em pessoas que não são naturais. serão os objetos de prazer e tortura dos dominadores, dos inquisidores, dos machistas misóginos carrascos.
abaixo, importantes sugestões para uma literatura auxilar, estimule-se e disponha-se a leitra dos sites abaixo:

Vampiros energéticos e Sequestradores de Alma nos relacionamentos
http://somostodosum.ig.com.br/conteudo/c.asp?id=12176

Sugadores de energia
http://www.etcaritas.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=66&Itemid=81

HOMENS QUE HUMILHAM SUAS COMPANHEIRAS
http://homensquemaltratam.blogspot.com.br/2015/10/homens-que-humilham-suas-companheiras.html
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Não me Peçam Razões...

Não me peçam razões, que não as tenho, 
Ou darei quantas queiram: bem sabemos 
Que razões são palavras, todas nascem 
Da mansa hipocrisia que aprendemos. 

Não me peçam razões por que se entenda 
A força de maré que me enche o peito, 
Este estar mal no mundo e nesta lei: 
Não fiz a lei e o mundo não aceito. 

Não me peçam razões, ou que as desculpe, 
Deste modo de amar e destruir: 
Quando a noite é de mais é que amanhece 
A cor de primavera que há-de vir. 

José Saramago, in "Os Poemas Possíveis" 
// Consultar versos e eventuais rimas
http://www.citador.pt/poemas/nao-me-pecam-razoes-jose-de-sousa-saramago

domingo, 29 de maio de 2016

a flor - soneto - Aquazulis - Luís R Santos - Lisboa - Portugal


Dulce Pontes - La Bohème [Giacomo Puccini]

DULCE PONTES
"MOMENTOS"
20 anos de carreira
http://www.dulcepontes.net/
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Migrant Mother - Dorothea Lange (1895-1965)
http://www.lomography.com.br/magazine/68164-fotografos-influentes-migrant-mother-1936-por-dorothea-lange 
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a flor

a flor que ao meu lábio a roçar se atreve
deixa rastros de singular perfume,
que dá fúrias de mordiscar-lhe o lume
de um rubro, ora grave, ora leve.

sabe ao seu beijo, que não provei ainda,
e se provei, foi em sonhos molhados
pela chuva qu'entorna dos telhados
da vontade, tirana, que não finda.

seja lírio, dália, rosa ou açucena
toda a boca por ela se envenena,
toda a boca deve tributo à fome.

a flor, esse cálice de sangue louco
que, por muito que o sorva, sabe a pouco,
e, pouco a pouco, é ela que me consome!

Aquazulis
Luís R Santos
Lisboa - Portugal
http://www.recantodasletras.com.br/sonetos/5636319

obrigado Aquazulis.
estou certo que podes receber essa minha mensagem em vida. agradeço pelo lirismo de seus sonetos e sua generosidade.
Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=311058 © Luso-Poemas

terça-feira, 24 de maio de 2016

a música popular brasileira - Bastidores


Mônica Salmaso - Suburbano coração[Chico Buarque]

DVD, ao vivo, gravado em março de 2008 no teatro Fecap em São Paulo, registra o show homônimo, que já passou pelas principais capitais do país. Ao lado do quinteto Pau Brasil, formado por Nelson Ayres (piano), Paulo Bellinati (violão e cavaquinho), Teco Cardoso (sax e flautas), Ricardo Mosca (bateria) e Rodolfo Stroeter (baixo), Mônica Salmaso contempla diversas fases do autor Chico Buarque. Biscoito Fino - https://www.youtube.com/channel/UC0MFq331Z7_CoSFimP84Mbw

Mônica Salmaso 
Release - Discografia - Fotos - Imprensa - Agenda - E-mail - Encontre os cds
Turnê cd Corpo de Baile  http://www.monicasalmaso.mus.br/
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Chico: Bastidores - "Sinhá". Participação especial João Bosco 

Chico: Bastidores traz uma coletânea de vídeos que apresentam, como o próprio nome sugere, os bastidores da gravação e elaboração do DVD "Chico Na Carreira".
http://www.chicobastidores.com.br/musica
Biscoito Fino https://www.youtube.com/channel/UC0MFq331Z7_CoSFimP84Mbw
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O Bêbado e o equilibrista -  João Bosco & Aldir Blanc 

Um dos maiores clássicos da parceria João Bosco & Aldir Blanc é “O Bêbado e a Equilibrista”. Mais do que um clássico, essa música  foi um hino. Conheça a história de 'O Bêbado e a Equilibrista'. http://jornalggn.com.br/blog/joao/conheca-a-historia-de-o-bebado-e-a-equilibrista

João Bosco
discografia - galeria - noticia - filhos - imprensa - cadastro - contato
http://www.joaobosco.com.br/   
ouça João Bosco
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Bye, Bye, Brasil [Chico Buarque e Roberto Menescal]

Bye, Bye, Brasil

Oi, coração
Não dá pra falar muito não
Espera passar o avião
Assim que o inverno passar
Eu acho que vou te buscar
Aqui tá fazendo calor
Deu pane no ventilador
Já tem fliperama em Macau
Tomei a costeira em Belém do Pará
Puseram uma usina no mar
Talvez fique ruim pra pescar
Meu amor

No Tocantins
O chefe dos parintintins
Vidrou na minha calça Lee
Eu vi uns patins pra você
Eu vi um Brasil na tevê
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo tão só
Oh, tenha dó de mim
Pintou uma chance legal
Um lance lá na capital
Nem tem que ter ginasial
Meu amor

No Tabariz
O som é que nem os Bee Gees
Dancei com uma dona infeliz
Que tem um tufão nos quadris
Tem um japonês trás de mim
Eu vou dar um pulo em Manaus
Aqui tá quarenta e dois graus
O sol nunca mais vai se pôr
Eu tenho saudades da nossa canção
Saudades de roça e sertão
Bom mesmo é ter um caminhão
Meu amor

Baby, bye bye
Abraços na mãe e no pai
Eu acho que vou desligar
As fichas já vão terminar
Eu vou me mandar de trenó
Pra Rua do Sol, Maceió
Peguei uma doença em Ilhéus
Mas já tô quase bom
Em março vou pro Ceará
Com a benção do meu orixá
Eu acho bauxita por lá
Meu amor

Bye bye, Brasil
A última ficha caiu
Eu penso em vocês night and day
Explica que tá tudo okay
Eu só ando dentro da lei
Eu quero voltar, podes crer
Eu vi um Brasil na tevê
Peguei uma doença em Belém
Agora já tá tudo bem
Mas a ligação tá no fim
Tem um japonês trás de mim
Aquela aquarela mudou
Na estrada peguei uma cor
Capaz de cair um toró
Estou me sentindo um jiló
Eu tenho tesão é no mar
Assim que o inverno passar
Bateu uma saudade de ti
Tô a fim de encarar um siri
Com a benção de Nosso Senhor
O sol nunca mais vai se pôr

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Roberto Menescal
NEWS-BIOGRAFIA-FOTOS-SHOWS-DISCOGRAFIA-BROMÉLIAS-LETRAS-DOWNLOADS-CONTATO 
http://www.robertomenescal.com.br/wpress/  
ouça Menescal
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Verônica Sabino - Esse seu olhar / Só em teus braços (participação Roberto Menescal)
Esse Seu Olhar (Tom Jobim) /Só Em Teus Braços (Tom Jobim)  Trecho do DVD "Esse meu olhar"

Verônica Sabino
contatos para shows: Bateia Produções 
contato@bateia.com.br 
(21) 2557.4996
assessoria de imprensa: Coringa Comunicação 
belinha@coringacomunica.com.br 
(21) 2259.6042
ouça: Spotify | Deezer | rdio | Napster
http://www.veronicasabino.com.br/
http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/veronica_sabino.htm
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A Volta do Malandro - Chico Buarque  

Biscoito Fino https://www.youtube.com/channel/UC0MFq331Z7_CoSFimP84Mbw

Chico Buarque de Hollanda
Obra - Vida - Textos - Sanatório Geral 
http://www.chicobuarque.com.br/   
ouça Chico
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outros links:
http://poemasdechicobuarque.blogspot.com.br/2009/08/bye-bye-brasil.html
http://poemasdechicobuarque.blogspot.com.br/
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http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/rio_de_janeiro/chico%20buarque.html
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https://www.pinterest.com/veronikatinoco/chico-buarque/

quinta-feira, 28 de abril de 2016

MEMÓRIAS DA DITADURA História da ditadura - Repressão e abertura - Contexto internacional

Mordaça - Fátima Guedes 
[composição: Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro]

Fátima Guedes
  http://www.fatimaguedes.net/
Fátima Guedes (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1958) é uma cantora e compositora brasileira. Começou a compor aos quinze anos de idade, e em 1973 alcançou o primeiro lugar no Festival de Música da Faculdade Hélio Afonso, com a música "Passional". Teve canções gravadas por Elis Regina, Maria Bethânia, Simone, Ney Matogrosso, entre outros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1tima_Guedes

Eduardo Gudin
 http://www.eduardogudin.com.br/  
Eduardo dos Santos Gudin (São Paulo, 14 de outubro de 1950) é um compositor e produtor musical brasileiro. Tem mais de trezentas canções, gravadas por vários intérpretes. 
O início de sua carreira se deu aos 16 anos, em 1966, quando foi convidado por Elis Regina para se apresentar no extinto O Fino da Bossa, musical da TV Record.
Dois anos depois, classificou "Choro do Amor Vivido" (em parceria com Walter de Carvalho e interpretada por Os Três Morais e arranjo de Hermeto Pascoal) para o Festival de Música Popular Brasileira, da mesma emissora, no qual se apresentaram Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, e outros. https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Gudin

Paulo César Pinheiro
Paulo César Francisco Pinheiro (Rio de Janeiro, 28 de abril de 1949) é compositor e poeta brasileiro. Tem mais de duas mil canções, das quais mais de mil gravadas, compostas com cerca de 120 parceiros, uma grande variedade que inclui músicos como João Nogueira, João de Aquino, Francis Hime, Dori Caymmi, Raphael Rabello, Antônio Carlos Jobim, Ivan Lins, Edu Lobo, Mauro Duarte, Guinga, Toquinho, Eduardo Gudin, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Cristovão Bastos, Sergio Santos, Moacyr Luz, Danilo Caymmi, Baden Powell, e Maria Bethânia. Livros: Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal, Pontal do Pilar (2009), Matinta, o bruxo (2010) e Histórias das minhas canções (2010).  https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_C%C3%A9sar_Pinheiro

http://memoriasdaditadura.org.br/artistas/paulo-cesar-pinheiro/
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imagem da internet - autor desconhecido
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MEMÓRIAS DA DITADURA
História da ditadura - Repressão e abertura - Contexto internacional 
 Movimentos de resistência -  Sociedade e resistência -  Arte  & Cultura - Memória & Verdade  Apoio ao Educador
http://memoriasdaditadura.org.br/artistas
http://memoriasdaditadura.org.br/
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Pinacoteca do Estado de São Paulo
Memorial da Resistência de São Paulo






http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/#maincontent
Largo General Osório, 66 - São Paulo, SP
Tel. 55 11 3335-4990
Aberto de quarta a segunda
(Fechado às terças)
Entrada Gratuita
faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br

terça-feira, 19 de abril de 2016

José de Sousa Saramago - O mercado pode tornar-se uma ditadura, um breve ensaio sobre a cegueira

Astor Piazzolla - Leonora's Love Theme
Album: The rough dancer and the cyclical night (New York, 1987).
Con Fernando Suárez Paz en violín, Pablo Zinger en piano, Paquito D'Rivera (!) en saxo y clarinete, Andy González en contrabajo y Rodolfo Alchourrón en guitarra eléctrica.
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"A democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada..."

José de Sousa Saramago 
[Golegã, Azinhaga, 16 de novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de junho de 2010] foi um escritor português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem, uma honra geralmente reservada apenas a Chefes de Estado.
O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago
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O mercado pode tornar-se uma ditadura. 

A diferença (entre a ditadura e o capitalismo) é que não é a ditadura como nós conhecemos. É o que eu chamo de «capitalismo autoritário». 
A ditadura tinha cara, e nós dizíamos é aquela, ou aqueles militares, o Hitler, o Franco, o Pinochet, mas agora não tem cara. 
E como não tem cara não sabemos contra quem lutar. Não há contra quem lutar. O mercado não tem cara, só tem nome. 
Está em toda a parte e não podemos identificá-lo, dizer «és tu». 
Mesmo as pessoas que lutaram contra a ditadura, entrando na democracia acham que não têm mais que lutar. E os problemas estão todos aí. 
O mercado pode tornar-se uma ditadura.
[É o que eu chamo de «capitalismo autoritário».] O mercado pode tornar-se uma ditadura.
José Saramago, in 'O Globo (1999)' 
http://www.citador.pt/textos/o-mercado-pode-tornarse-uma-ditadura-jose-de-sousa-saramago
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Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

18/02/2012 
Antonio Ozaí da Silva - leituras, literatura
Professor do Departamento de Ciências Sociais, 
Universidade Estadual de Maringá (UEM); 
Editor da Revista Espaço Acadêmico e Revista Urutágua

 I

“Estou cego”, afirma desesperadamente o motorista paralisado em frente ao semáforo (p. 12).* Mas o que ele “vê”, se assim se pode afirmar, não é a treva, mas uma brancura infinita. “Sim, entrou-me um mar de leite”, diz o cego (p. 14). É uma cegueira incompreensível, repentina e sem explicações. Os que vêem não podem acreditar que o cego assim se encontra. Mesmo o médico, especialista nas coisas da visão humana, não descobre a causa da doença. “Os olhos do homem parece sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana” (p. 12).

A cegueira branca é uma alegoria sobre a falta de visão social e política diante da realidade que nos circunda. Os indivíduos, alienados, encontram-se apartados do mundo, imersos na ideologia individualista e consumista. Eles vivem fora da realidade, ainda que tenham olhos não a reparam. Tudo lhes parece natural. Se a satisfação hedonista alimenta a “cegueira”, é o medo da perda e da impossibilidade de saciar-se e manter-se em “segurança” que os tornam cegos. Diante da insegurança e das incertezas, cegam-se. Talvez nos encontremos no estado de cegueira, ainda que nossos olhos vejam. “O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos” (p. 131).

Se o medo caminha de par com a insegurança, ele também é irmão da necessidade. Os homens e mulheres estão dispostos a ceder devido ao medo, mas também porque precisam de segurança. O domínio não se explica apenas pela capacidade de coerção, mas também pela inculcação do medo. E é sob o medo e a necessidade que os cegos internados se submetem ao grupo que passa a controlar a comida. Este funciona como o governo que impõe a ordem. Os homens e mulheres parecem incapazes, por seu egoísmo e instinto de sobrevivência, de governarem-se. Eles precisam passar pelo aprendizado da solidariedade e autonomia. Mas a situação miserável em que se encontram, sob todos os aspectos, dificulta o autogoverno e parece mais fácil, e mais prudente, submeter-se. Isto ocorre devido ao estado deplorável dos cegos. Na vida real, mesmo em situações de normalidade democrática o medo é utilizado como instrumento de persuasão.

Os que conseguem manter uma certa civilidade também se mostram apegados ao governo hierárquico, buscam a autoridade que possa ordenar o caótico em que vivem. E esta se vincula ao prestígio alcançado na sociedade. É irônico que os cegos tenham no médico de olhos a possível autoridade. “O melhor seria que o senhor doutor ficasse de responsável, sempre é médico, Um médico para que serve, sem olhos nem remédio. A mulher do médico sorriu, Acho que deves aceitar, se os mais estiverem de acordo, claro está” (p. 53).

Esta mulher é a única que vê, e isto a fará sofrer com ainda maior intensidade. Só ela verá a que ponto chegamos quando nos faltam as condições para a segurança. É como se, diante dela, estivessem nus, em todos os sentidos, e a ela fosse possível ver a essência, o que realmente somos. A mulher é a que sofre porque tem a sabedoria. O conhecimento, a consciência do real, gera sofrimento. Os que sabem estão condenados a sofrer.

Será possível a autoridade numa situação de desespero, quando a existência humana está sob xeque e a espécie é reduzida à luta pela sobrevivência? Não seria o reino da necessidade o salve-se quem puder, a guerra de todos contra todos, o homem lobo do homem?

 II ... 
continue e visite
BLOG DO OZAÍ
“Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…” (Dostoiévski)
https://antoniozai.wordpress.com/2012/02/18/ensaio-sobre-a-cegueira-de-jose-saramago/

Fernando António Nogueira Pessoa - ULTIMATUM de Álvaro de Campos 1917

Maria Bethania - Texto Ultimatum / Movimento dos Barcos - DVD Dentro do Mar tem Rio. 
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Poeta português Fernando Pessoa Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), foi um poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor português.

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como "Whitman renascido", e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental, não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa.

Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto[6] e Almada Negreiros) para o inglês.

Enquanto poeta, escreveu sobre diversas personalidades – heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros." https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

155 Textos 90 Poemas 790 Citações 
http://www.citador.pt/textos/a/fernando-pessoa
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ULTIMATUM

                 de Álvaro de Campos

Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu , Anatole France , Epicuro de farmacopeia homeopática, tenia-Jaurès do Ancien Régime, salada de Renan-Flaubert em loiça do século dezassete, falsificada!
Fora tu, Maurice Barrès, feminista da Acção, Châteaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio !
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade !
Fora ! Fora !
Fora tu, George Bernard Shaw, vegeteriano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade !
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios !
Fora tu, Yeats da céltica bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora ! Fora !
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Patmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu, Loti, sopa salgada, fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos aí para um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!

Aí ! Que fazes tu na celebridade, Guilherme Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume ?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David Lloyd George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?!
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato-Boselli da incompetência ante os factos, todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados pra baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Se não querem sair, fiquem e lavem-se !

Falência geral de tudo por causa de todos !
Falência geral de todos por causa de tudo !
Falência dos povos e dos destinos — falência total !
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu organização britânica, com Kitchener no fundo do mar desde o princípio da guerra!
(It's a long, long way to Tipperary, and a jolly sight longer way to Berlin !)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristianismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordeamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
Tu, «imperialimo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos !
Tu, Estados Unidos da America, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da aÁorda transatlântica, pronúncia nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto de Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil «república irmã», blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de .tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosophia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-franceza dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus !
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas !
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!

Nenhuma ideia grande, ou noção completa ou ambição imperial de imperador-nato!
Nenhuma ideia de uma estrutura, nenhum senso do Edifício, nenhuma ânsia do Orgânico-Criado!
Nem um pequeno Pitt, nem um Goethe de cartão, nem um Napoleão de Nürnberg!
Nem uma corrente literária que seja sequer a sombra do romantismo ao meio-dia!
Nem um impulso militar que tenha sequer o vago cheiro de um Austerlitz!
Nem uma corrente política que soe a uma ideia-grão, chocalhando-a, ó Caios Grachos de tamborilar na vidraça!
Época vil dos secundários, dos aproximados, dos lacaios com aspirações de lacaios a reis-lacaios!
Lacaios que não sabeis ter a Aspiração, burgueses do Desejo, transviados do balcão instintivo! Sim, todos vós que representais a Europa, todos vós que sois políticos em evidência em todo o mundo, que sois literatos meneurs de correntes europeias, que sois qualquer coisa a qualquer coisa neste maelström de chá-morno!

Homens-altos de Lilliput-Europa, passai por baixo do meu Desprezo ! Passai vós, ambiciosos do luxo quotidiano, anseios de costureiras dos dois sexos, vós cujo tipo é o plebeu Annunzio, aristocrata de tanga de ouro!
Passai vós, que sois autores de correntes artísticas, verso da medalha da impotência de criar!
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, ébrios da vossa personalidade de filhos de burguês, com a mania da grande-vida roubada na dispensa paterna e a hereditariedade indesentranhada dos nervos!
Passai, mistos; passai, débeis que só cantais a debilidade; passai, ultra-débeis que cantais só a força, burgueses pasmados ante o atleta de feira que quereis criar na vossa indecisão febril !
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, senilidade social do conceito individual de juventude!
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, criadores de «sistemas filosóficos», Boutroux, Bergsons, Euckens, hospitais para religiosos incuráveis, pragmatistas do jornalismo metafísico, lazzaroni da construção meditada!
Passai e não volteis, burgueses da Europa-Total, párias da ambição do parecer-grandes, provincianos de Paris!
Passai, decigramas da Ambição, grandes só numa época que conta a grandeza por centimiligramas!
Passai, provisórios, quotidianos, artistas e políticos estilo lightning-lunch, servos empoleirados da Hora, trintanários da Ocasião!
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; passai, construtores de café e conferência, monte de tijolos com pretensões a casa!
Passai, cerebrais dos arrabaldes, intensos de esquina-de-rua!
Inútil luxo, passai, vã grandeza ao alcance de todos, megalomonia triunfante do aldeão de Europa-aldeia!
Vós que confundis o humano com o popular, e o aristocrático com o fidalgo! Vós que confundis tudo, que, quando não pensais nada, dizeis sempre outra coisa! Chocalhos, incompletos, maravalhas, passai!
Passai, pretendentes a reis parciais, lords de serradura, senhores feudais do Castelo de Papelão!
Passai, romantismo póstumo dos liberalões de toda a parte, classicismo em álcool dos fetos de Racine, dinamismo dos Whitmans de degrau de porta, dos pedintes da inspiração forçada, cabeças ocas que fazem barulho porque vão bater com elas nas paredes!
Passai, cultores do hipnotismo em casa, dominadores da vizinha do lado, caserneiros da Disciplina que não custa nem cria !
Passai, tradicionalistas auto-convencidos, anarquistas deveras sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar! Rotineiros da revolução, passai!
Passai eugenistas, organizadores de uma vida de lata, prussianos da biologia aplicada, neo-mendelianos da incompreensão sociológica!
Passai, vegeterianos, teetotalers, calvinistas dos outros, kill-joys do imperialismo de sobejo!
Passai, amanuenses do «vivre sa vie» de botequim extremamente de esquina, ibsenóides Bernstein-Bataille do homem forte de sala de palco!
Tango de pretos, fosses tu ao menos minuete!
Passai, absolutamente, passai!

Vem tu finalmente ao meu Asco, roça-se tu finalmente contra as solas do meu Desdém, grand finale dos parvos, conflagração-escárneo, fogo em pequeno monte de estrume, síntese dinâmica do estatismo ingénito da Época!
Roça-te tu e rojate, impotência a fazer barulho!
Roça-te, canhões declamando a incapacidade de mais ambição que balas, de mais inteligência que bombas!
Que esta é a equação-lama da infâmia do cosmopolitismo de tiros:
JONNART

BÉLGICA

VON BISSING
GRÉCIA

Proclamem bem alto que ninguém combate pela liberdade ou pelo Direito!Todos combatem por medo dos outros ! Não tem mais metros que estes milímetros a estatura das suas direcções!
Lixo guerreiro-palavroso! Esterco Joffre-Hindenburguesco! Sentina europeia de Os Mesmos em excisão balofa!
Quem acredita neles?
Quem acredita nos outros?
Façam a barba aos poilus!
Descasquetem o rebanho inteiro!
Mandem isso tudo pra casa descascar batatas simbólicas!
Lavem essa celha de mixórdia inconsciente!
Atrelem uma locomotiva a essa guerra!
Ponham uma coleira a isso e vão exibi-lo para a Austrália!

Homens, nações, intuitos, está tudo nulo!
Falência de tudo por causa de todos! Falência de todos por causa de tudo! De um modo completo, de um modo total, de um modo integral:

MERDA!
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ARQUIVO PESSOA -  Multi Pessoa
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