sábado, 17 de junho de 2017

Eu tenho o teu segredo pra te contar.

Lisa Ekdahl (nascida em 29 de julho de 1971) é uma cantora e cantora sueca de música popular. Ela até agora publicou cerca de 10 álbuns, a maioria deles na língua sueca, mas alguns inteiramente em inglês. Esta música é do álbum "Sings Salvadore Poe". É lançado em 2001. Salvadore Poe é o marido de Ekdahl. A música no álbum é uma mistura de jazz latino, fácil de ouvir e bossa nova.
website
http://lisaekdahl.com/
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Convivemos com um dos maiores desafios da modernidade. 
Todos querem ser ouvidos, todos falam de si mesmos. 
Convivemos com a carência de sermos, 
não vistos na aparência, 
mas, sermos escutados nos sentimentos, 
das nossas filhas da angústia. 
Na angústia de viver de escolhas, 
das mesmas escolhas em que me faço o mesmo 
e em outras escolhas em que vou me mudando em vida.
A filosofia me contou um segredo:
A vida é feita de escolhas e toda escolha nos causa uma angústia.
A angústia é a mãe de todos os sentimentos que nos conjugam e
 nos mantém em laços e nos nós, unidos: no amor, na raiva, no ódio...

Acabamos nos conformando com as relações infelizes. 
Nos usamos nas Alianças da raiva e do ódio 
dos interesses e dos egoístas, das vinganças e das traições 
os filhos e as filhas
das agressões verbais e do sexo forçado
no jogo duvidoso das chantagens materiais

vivendo o que não somos
estamos sobrevivendo e não sendo o que se poderia ser
no desamor infinito enquanto dure o sofrimento
uma vida onde tudo se acostuma
sem saber de nós e o que somos, nos ensinamos pelo sofrimento
somos o pior dos exemplos aos filhos, elas aprenderão a ser como nós

Nos usando nas Alianças como cegos sem nos ver 
entre os que merecemos, sobreviventes do que aceitamos
da angústia e as suas filhas, no ódio, na raiva, no medo...
somos o que convivemos merecer, entre as muitas baixarias desumanas

As escolhas entre a Eva e a Tarsila do Amaral.
A Eva, figura criada na gênesis de uma costela, apenas uma parte pequena de Adão.
O casal poderia fazer de tudo no paraíso, a exceção de comer a tentação de uma maçã.
Foram julgados cúmplices, condenados por formação de quadrilha e banidos do paraíso.
Tiveram dois filhos, Caim e Abel, em descontrolado ciúme afetivo, um matou o outro.
Resumo da história divina:
um casal quadrilha de ladrões, um filho assassino e um cadáver de um irmão.
Assim começou a civilização humana.

A Tarsila, no antropofagismo, 
negou-se com a divina exacerbação sensual da maçã e 
para uma finalidade reprodutiva do homem. 
Em sua arte em Ser, pintando-se a mulher inteira e única. 
Adão, que só é semen, e sem a mulher não se servirá para porra nenhuma
 e nem para reproduzir-se homem. 
O homem na extinção que só se fez Adão 
Depois de ser concebido no ventre da Eva. 


Nascer mulher não é uma escolha, mas um ato divino.
Escolha é se permitir ser a costela de Adão.
Escolha é para que nasça a mulher inteira e única.
A mulher quase perfeita e muito além das maçãs.
Uma escolha de só ser dois defeitos:
A mulher ser única de si e
por ela ser irresistívelmente livre.


Eu tenho um segredo pra te contar.
Eu descobri que você é bonita por dentro
 que as suas palavras saem bonitas.
Que não você desiste de amar,
continuará sempre amando
 só irá desistir de sofrer.
Eu posso sentir que você é uma mulher madura,
que reconhece seu corpo, conhece as suas dores,
sabe da sua pele e, em cada uma das suas cicatrizes,
as cicatrizes da tua alma, que só quem se curou com amor,
sabe curar em cada uma das suas lembranças.
Como só aquela que se cura,
saberá com amor curar o outro.

A mulher madura que sabe onde no seu corpo,
ela se guarda nas suas dores e nos seus prazeres.
Ela sabe ensinar o homem amado,
para aprender que amar
com as palavras que se faz amor
Os mistérios onde ele possa senti-la
tocá-la para a dor ou o seu prazer.
O seu segredo de mulher madura,
que se reconhece nos encantos de ser uma flor
desabrochou dos seus aromas em vida.
Não é mais uma jovem, que ainda em botão,
está para experimentar a euforia do mundo e
para ainda aprender a se saber mulher.

Eu aprendi que viver e errar fazem parte de toda uma vida
e errar pode mudar uma vida toda.
Mas, viver sem o erro seria involuir no tédio
Das nossas cavernas pré históricas de Lascaux.

Eu sei que é chato.
Mas, eu tenho outra coisa pra te contar. 
"Nós vamos morrer, eu morro e você morre." 
Então, antes da gente morrer um pro outro, 
se você souber me ouvir. 
Eu quero fazer só um pedido: 
nós dois podemos morrer juntos se amando?


Eu tenho o teu segredo pra te contar. 
Eu descobri que você é tão bonita por dentro. 
Tu és tão perfeita com as tuas imperfeições, 
as que te fazem a mulher única. 
Teu amor me ensinará a amar os teus defeitos 
a admirar as tuas qualidades. 
Para quando a imagem de ti, 
que te idealizei, 
se quebrar em desencanto, 
saberás que te amarei nos teus piores momentos, 
para o tempo do aguar às tuas raízes.

eu tenho um segredo pra te contar
Só então,
me tatuaria em teus pés
eu te amo
cuidaria de ti como em mim
como aquele que ama na tua doença, 
para seremos felizes na tua alegria.

(-.- )
Leia Caio Fernando Abreu.
http://memoriasdaditadura.org.br/escritores/caio-fernando-abreu/

"Ele amava as minhas flores e quando o inverno chegou, não sabia o que fazer com as minhas raízes.
 http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa7402/caio-fernando-abreu

Caio Fernando Abreu Poa- RS
http://www.inf.ufrgs.br/~felipems/v7/biografia.html


segunda-feira, 29 de maio de 2017

Há palavras que nos beijam - Mariza canta Poesia de Alexandre O'Neill


DVD Concerto em Lisboa // Taken from "Concerto em Lisboa" DVD -Jaques Morelembaum -Cello http://dicionariompb.com.br/jaques-morelenbaum 

Official Website
https://www.mariza.com/ 
MÚSICA - CONCERTOS - BIOGRAFIA - NOTÍCIAS - GALERIA - CONTACTOS
Marisa dos Reis Nunes Ferreira é o nome de nascimento da fadista portuguesa Mariza, segundo ela própria corrige na TSF à conversa com Carlos Vaz Marques em 2003, «cantadeira de fados». Nascida em Maputo, Moçambique. 
imagem do website
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Há palavras que nos beijam 

Há palavras que nos beijam 
Como se tivessem boca. 
Palavras de amor, de esperança, 
De imenso amor, de esperança louca. 

Palavras nuas que beijas 
Quando a noite perde o rosto; 
Palavras que se recusam 
Aos muros do teu desgosto. 

De repente coloridas 
Entre palavras sem cor, 
Esperadas inesperadas 
Como a poesia ou o amor. 

(O nome de quem se ama 
Letra a letra revelado 
No mármore distraído 
No papel abandonado) 

Palavras que nos transportam 
Aonde a noite é mais forte, 
Ao silêncio dos amantes 
Abraçados contra a morte.

Poema de / Poem by: Alexandre O'Neill
http://www.citador.pt/poemas/ha-palavras-que-nos-beijam-alexandre-oneill,
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imagem da serra colhida na internet
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Sem Ti - Mariza ( Miguel Gameiro)
https://mag.sapo.pt/musica/artigos/novo-album-de-mariza-produzido-por-javier-limon?artigo-completo=sim

segunda-feira, 10 de abril de 2017

não há despedida nos sentimentos

Todo Azul do Mar [flávio venturini - ronaldo bastos]
http://www.flavioventurini.com.br/
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Relicário

As palavras que ficaram...
São doces canções do tempo
guardadas nas retinas da memória...

O hoje...
que lembra da inocência do ontem
florindo entre as açucenas
No cheiro, das pitangas colhidas no pomar,
entre um olhar e um poema

E o que seriam as palavras que lhe dedico?
Se não, a consciência incontestável do que sinto
A consequência, inexplicável deste sentimento
que advém, de tanto te amar

Um amor de realidades, que se fundem aos sonhos
Que nos estende um tapete com aroma de flores silvestres
Por onde passam os dias, rodopiam as horas.

Seriam palavras colhidas a ermo?
Ao vento em um antigo dicionário?
Seriam um presente? 
Um relicário?
Feito somente de cartas de amor, a ti, 
em mim... 
eterno!
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não há despedida nos sentimentos

na distância se afastam os corpos 
há despedida nos desencontros
há o corpo que do outro se afasta
são enganos ligados em pensamentos

sou tudo o que sou em sentimentos
também sou o que não sou na despedida
e quando o que não sou é forte e intenso
sou tudo o que sou para ser o que não sou

por mais que os corpos se afastem
mais se aproximam dos pensamentos
não há despedida nos sentimentos
se um dia amanheça como lembranças

sou tudo o que sou, mas...
também sou o meu reverso
entre meu ser e não devo ser 
sou o que posso, sou sentimento
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

dance comigo até o fim do amor


Leonard Cohen - Dance Me to the End of Love
Music video by Leonard Cohen performing Dance Me To The End Of Love. YouTube view counts pre-VEVO: 1,365,277 (C) 1984 Sony Music Entertainment Inc.
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The Official Leonard Cohen Site
https://www.leonardcohen.com/
07/11/ 2016
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cedo ou tarde a ficha cai
a luz se acende no automático
o que era impossível acontece,
é o insight
a súbita clareza na mente
tudo que acontecia e acontece se encaixam
trazem o sentido às causas do sofrimento na existência

não se apresse, não se aquiete, não se evite,
cedo ou tarde a tua ficha cai
muitas pessoas viverão paixões tão eternas
pelos próximos 45 minutos
as pessoas que compram
as pessoas que se vendem
o amor se transformou em consumo
o amar que é um sentimento nobre 
não se quantifica pelo que se tem nos bolsos
pode-se ter a riqueza e no amanhã estar pobre 

o patrimônio se constrói pelo conhecimento adquirido através das faculdades
tão pouco se identifica o conteúdo 
num corpo sarado e desejável objeto
alguns dizem que o amor é fantasia  
despem-se das roupas com o desejo de posse 

o amar é simples e, de tão simples, 
torna-se incompreensível 
para pessoas de aparência sofisticada
é necessário ter para sobreviver 
é fundamental ser para amar 

Ter ou Ser andam juntos, 
mas, são diferentes em significado 
precisa ser para ter, 
mas não é preciso ter para ser 
Zygmunt Bauman
[19/11/ 1925 - 09/01/ 2017]
http://lounge.obviousmag.org/sarcasmo_e_sonho/2017/01/adeus-ao-pai-da-modernidade-liquida.html
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o prazer qualquer um compra, 
pois, qualquer um tem um preço
o prazer sempre acaba como a paixão 
e o desejo pelo desejo de quero mais 

amor é um valor que não tem preço
algumas pessoas não brincam com os sentimentos alheios 
são os egoístas e as maldosas, numa intenção fria e calculada
sem nenhuma empatia ou remorso 
revelando a face oculta dos Psicopatas 
destroem as esperanças e os sonhos que dão significado a existência. 
o acaso nos permita que as mantenham longe de nós

amizade é o caminho da prudência 
a ilusão do impossível de cada um que pode acontecer 
aos que não valorizam os sonhos, 
não reconhecerão o significado de amar
existe a pessoa única 
a pessoa que nos é perfeita, 
com todas as suas imperfeições

"Todos os néscios confundem valor e preço."
(Antonio Machado y Ruiz)

o prazer qualquer um compra, 
porque qualquer um tem um preço 
as pessoas de relações de interesses 
estão se comprando imitando as mercadorias e os objetos 
elas são as mercadorias que se consomem 
amam-se como objetos de prazer e luxúria
o amor é o valor de um sentimento nobre que não tem preço

para a dor qualquer analgésico nos serve 
para o sofrimento na vida é só o amor
amor é um sentimento nobre 
que qualquer um não aprende a amar
os egoístas não sabem amar
os que não reconhecem a liberdade alheia
 os prisioneiros de si nos instintos inatos
a cada número é legião
perdoar é a sublimação por sentimentos nobres 
só o perdão nos liberta para o amor

para quando vida estiver tediosa
as palavras vazias de significado
nem os escândalos e nem as orgias
restará apenas o tédio
o vazio e o nada
 do tudo que nos é amar
dance comigo até o fim do amor

Leonard Cohen - A Thousand Kisses Deep
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“Ando fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis, (…)
Meu coração tá ferido de amar errado, você me entende?
Queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos –
que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos.
Não devemos nos perder, somos tão poucos. Me queria bem.”

Caio Fernando Abreu (22/8 – mês do desgosto – 77),
fragmento de carta, do livro “Cartas – Caio Fernando Abreu”.
Porto Alegre - Rio Grande do Sul
http://interludioepoesias.blogspot.com.br/?m=1

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Me ensinaram a ter vergonha do meu corpo, dos meus atos, dos meus pensamentos.

When I Fall In Love[Victor Young (music) and Edward Heyman (lyrics)1952] 
Keith Jarrett Trio in Live Concert

KeithJarrett.org 
http://www.keithjarrett.org/
An unofficial website about jazz pianist Keith Jarrett
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Imagen: René Groebli
http://renegroebli.com/
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Me enseñaron a avergonzarme de mi cuerpo, 
de mis actos, de mis pensamientos.
Me enseñaron que lo que pienso es absurdo, 
que lo que hago es ridículo, que lo que deseo es sucio.
Y aprendí a no decir lo que pensaba, 
por vergüenza de que alguien a mi alrededor 
pensara algo mejor.
Y aprendí a no hacer lo que me apetecía, 
por vergüenza de que alguien a mi alrededor 
creyera que era inoportuno.
Y aprendí a no perseguir lo que deseaba, 
por vergüenza de que alguien a mi alrededor 
opinara que era inapropiado.
No contenta con someterme a la mirada externa, 
me plegué también a la vergüenza ajena.
Y aprendí a preguntarle a la vergüenza cómo vestirme, 
no vaya a ser que alguien pensara que 
voy buscando gustar, destacar. 
Y aprendí a escuchar a la vergüenza al desnudarme, 
no vaya a ser que me sintiera cómoda en mi cuerpo, 
y me acostumbrara a enseñar(me)lo sin miedo. 
Y aprendí a consultar con la vergüenza antes de abrir la boca, no vaya a ser que dijera sin filtro 
lo que me pasa por la cabeza, 
y se enterara la gente.
Y dejé de bailar, de reír a carcajadas, 
de preguntar lo que no entiendo, de opinar lo que pienso, 
de compartir lo que siento, de pedir ayuda, de ponerme faldas, de ir a la playa, de comer o llorar en la calle, 
de ir sin sujetador, de pintarme, de salir sin pintar, 
de bajar a la calle despeinada, 
de usar esa ropa que dicen que no me queda para nada, 
de llamar a quien echo de menos, 
de tomar la iniciativa, de decir que No, de decir que sí, 
de quejarme, de vanagloriarme, de estar orgullosa, 
de admitir que estoy asustada.
Y, a base de sentirme cada día más avergonzada, 
entendí que mi vergüenza nunca iba a sentirse saciada. 
Que toda la vida iba a imponerse 
entre yo y mi representante impostada. 
Así que busqué a mi sinvergüenza interna. 
Y le costó salir un poco, 
le daba vergüenza. 
Pero acabó sacándome a bailar, 
haciéndome dúo al cantar, 
saliendo conmigo a la calle con la cara sin maquillar, animándome a hablar, 
a ignorar las cosas que me deberían avergonzar.
Y ahora no tengo tiempo para sentir vergüenza; 
estoy ocupada viviendo.
Autor desconocido
~.~.~

Me ensinaram a ter vergonha do meu corpo, 
dos meus atos, dos meus pensamentos.
Me ensinaram que o que eu penso é um absurdo, 
que o que faço é ridículo, 
que o que desejo é sujo.
E eu aprendi a não dizer o que pensava, 
por vergonha de que alguém ao meu redor 
pensasse algo melhor.
E eu aprendi a não fazer o que me apetecia, 
por vergonha de que alguém ao meu redor, 
eu acreditasse que era inconveniente.
E eu aprendi a não lutar por aquilo que desejava, 
por vergonha de que alguém ao meu redor 
pensar que era inapropriado.
Não contente em me submeter ao olhar externo, 
me apeguei também a vergonha alheia.
E eu aprendi a perguntar à vergonha como me vestir, 
não vá ser que alguém pensasse 
que estou procurando por gostar, destacar. 
E aprendi a ouvir a vergonha quando tirei a roupa, 
não vai ser que eu me sentisse confortável em meu corpo, 
e me acostumar a ensinar (me) o sem medo. 
E aprendi a consultar com a vergonha antes de abrir a boca,
 não vá ser que dissesse sem filtro
o que me passa pela cabeça, 
e se soubesse as pessoas.
E deixei de dançar, de rir alto,
de perguntar o que não entendo, de opinar o que penso,
de compartilhar o que sinto, 
de pedir ajuda, de usar saias, de ir à praia, de comer, 
ou chorar na rua, de ir sem sutiã, de pintar,
de sair sem maquilagem, de ir à rua despenteada, 
de usar aquela roupa
que dizem que não me serve para nada,
de chamar quem eu sinto falta,
de tomar a iniciativa, 
de dizer que Não, de dizer que Sim, 
de reclamar, de imodéstia de estar orgulhosa, 
de admitir que estou com medo.
E, à base de me sentir cada dia mais envergonhada, 
percebi que a minha vergonha nunca ia se sentir saciada. 
Que toda a vida ia ser impostas 
entre eu e minha representante impostada. 
Então procurei a minha sem vergonha interna. 
E Custou sair um pouco, 
ela tinha vergonha. 
Mas acabou me convidando para dançar, 
me fazendo dueto ao cantar, 
saindo comigo para a rua com a cara sem maquiagem,
encorajou-me a falar, 
a ignorar as coisas que me deviam envergonhar.
E agora não tenho tempo para sentir vergonha; 
estou ocupada vivendo.
Autor desconhecido

terça-feira, 15 de novembro de 2016

“Inventário do ir-remediável” - Caio Fernando Loureiro de Abreu

Pecado - Caetano Veloso e Jaques Morelenbaum
[Carlos Bahar, Pontier y Francini - Arg. 1975]
Caetano Veloso70  -  http://www.caetanoveloso.com.br/
Jaques Morelenbaum CelloSambaTrio   -  https://www.facebook.com/cellosambatrio
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~.~.~
“Inventário do ir-remediável”

Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido – e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder.

Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como foi só meu o desespero. Que espécie de coisa o cigarro queimou, além dos cabelos? Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, quis tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

A noite ultrapassou a si mesma, encontrou a madrugada, se desfez em manhã, em dia claro, em tarde verde, em anoitecer e em noite outra vez. Fiquei. Você sabe que eu fiquei. E que ficaria até o fim, até o fundo. Que aceitei a queda, que aceitei a morte. Que nessa aceitação, caí. Que nessa queda, morri. Tenho me carregado tão perdido e pesado pelos dias afora. E ninguém vê que estou morto.

_Caio Fernando Abreu, em “Inventário do ir-remediável”, 2ª ed., Porto Alegre: Editora Sulina, 1995.

“Ando fatigado de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis, (…)Meu coração tá ferido de amar errado, você me entende? Queria que você entendesse os meus poços escuros, os meus becos – que me fazem mergulhar em silêncios às vezes longos. Não devemos nos perder, somos tão poucos. Me queria bem.”

- Caio Fernando Abreu (22/8 – mês do desgosto – 77), fragmento de carta, do livro “Cartas – Caio Fernando Abreu”. (organização Ítalo Moriconi). Rio de Janeiro: Aeroplano, 2002.

Em 25 de fevereiro de 1996, Caio Fernando Abreu falece em Porto Alegre, aos 47 anos. Ovelhas Negras recebe o Prêmio Jabuti de melhor livro de contos do ano.
Fonte:
Delfos - Espaço de Documentação e Memória Cultural/PUC-RS - Acervo Caio Fernando Abreu

http://www.elfikurten.com.br/2013/08/caio-fernando-abreu-retratos-da.html

sábado, 12 de novembro de 2016

aprendi que nem sempre agrado a todos, e nem devo

LIVE-Gotan Project "SOLA"
 http://www.gotanproject.com/
e
Veronika Silva    https://www.facebook.com/Veronika.Silva.00/?fref=ts

Sola / Sozinho 

Hoy  /  Hoje
Un cielo azul / Um céu azul 
Ilumino  /  Ilumino 
La carretera  /  A estrada 

Vientos / Ventos 
De ilusión / De ilusão  
Que acaricio / Que acaricio 
Mi vida entera  /  Minha vida inteira
Puede ser que aún me quieras / Pode ser que ainda me queiras

Sola con mi soledad / Sozinho com minha solidão
Caigo que es mucho mejor / Caio que é muito melhor
Escribir y meditar / Escrever e meditar
Que cargar la cruz del desconsuelo / Que carregar a cruz do sofrimento    

Para matar el dolor / Para matar a dor
Tuve una vez que aceptar / Tive uma vez que aceitar
Nadie es del mismo color / Ninguém é da mesma cor
Nadie puede penetrar mis sueños / Ninguém pode penetrar em meus sonhos

Vos  /  Vós
Mostraste al fin /  Mostrastes no fim
Tu risa cruel  / Teu riso cruel
Y tu mentira  / E tua mentira

Yo  /  Eu   
Yo te quise igual / Eu te quis igual
Te perdone  / Te perdoei
Cambie la mira  /  Mudou teu olhar
Y entonces comprendí  / E então compreendi

Sola con mi soledad / Sozinho com minha solidão
Caigo que es mucho mejor / Caio que é muito melhor
Escribir y meditar / Escrever e meditar
Que cargar la cruz del desconsuelo / Que carregar a cruz do sofrimento 

Para matar el dolor / Para matar a dor    
Tuve una vez que aceptar / Tive uma vez que aceitar
Nadie es del mismo color / Ninguém é da mesma cor
Nadie puede penetrar mis sueños / Ninguém pode penetrar em meus sonhos
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imagem da internet 
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aprendi que nem sempre agrado a todos, e nem devo, 
porque agradar a todos é fazer sucesso. 
o sucesso acontece e passa... 
o que fica de mais verdadeiro são as pessoas importantes.  
importantes do verbo importar, é quando importamos as pessoas que nos importa para dentro do nós. 

são os nossos pais, são os mestres, são os anciãos sem diplomas que nos fazem crescer, aqueles que nos alimentam com sabedoria, do latim "sapere" - que tem sabor, tem gosto, tem gosto pela vida e nos permitem evoluir como seres humanos. são aquelas que nos fortalecem com o aprendizado da sapiência, com a cultura humana do civilizado.

são aquelas que nos ensinam com simplicidade a compreender e aceitar as diferenças entre as pessoas. 
que todo ser humano tem direito as preferências sexuais, tem o seu valor e é único em seu modo de ser o que é.

aos que não aceitam as diferenças, aos que apenas toleram as diferenças, não crie evitações e as fobias sociais.
não importa quantos diplomas e títulos tenham, não são os indiferentes sociais, são os ignorantes sociais e os sociopatas.
são os ignorantes em reconhecer o direito de ser diferente na existência dos outros e os quer destruir social e psicologicamente.

são os que querem transformar erotizando o outro, invadindo-o com seu desejo de mudá-lo ao seu prazer como um objeto.
eles não se importaram no que é mais essencial para a coexistência, o amor. 
o prazer e o amor andam juntos, mas são de preço e valor diferentes. 
temos o prazer com os objetos que compramos pelo preço que pagamos. 
temos o valor do sentimento de amor pelas pessoas que convivemos e amamos.

e há entre os resistentes que se ignoram, os que se dizem democráticos.
mudar o outro é anti democrático, é uma invasão de território.
é um ato de barbaridade instintiva,
que os tipifica como dominadores do outro em ser o que é.
para esse tipo de gente: 
aceitem uma orientação psicológica, uma consulta com o psicoterapeuta.
Cuidar da saúde mental é para os civilizados, aos que respeitam a vida. 
aos que respeitam a própria vida e a vida daqueles que ama. 
cuidar da própria saúde é respeitar a si mesmo para respeitar ao outro.
é cuidar do cuidador, do seu corpo e da sua mente, para cuidar da mente e do amor do outro.

dar significado a vida e o valor aos conselhos do Mestre Cortella:
“Todo preconceituoso é covarde. O ofendido precisa compreender isso”.

Mario Sergio Cortella - filósofo e doutor em educação que fez carreira na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
leia mais:
http://www.resilienciamag.com/todo-preconceituoso-e-covarde-o-ofendido-precisa-compreender-isso/

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Já te contaram a estória da Cinderela? A minha namorada disse: não! eu moro no futuro.

Tears For Fears e Oleta Adams - Woman In Chains - TearsForFearsVEVO
Music video by Tears For Fears performing Woman In Chains. (C) 1989 PolyGram Video International
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Já te contaram a estória da Cinderela? 
A minha namorada disse: não! eu moro no futuro.

Aquele Príncipe Encantador, que dançou a noite toda com a feliz Cinderela, que tão preocupada em não virar abóbora com a meia-noite, voltou correndo para casa. Distraída com a aparência das abóboras, deixou sair dos pés um dos sapatos.

O Príncipe enganador, isto é, Encantador, apaixonado pelo encanto de si mesmo, a procurou por todo reino. Convocou todas as moças do reino pegando nos pés de cada uma, para depois calçar o sapato. 

Apesar de ter dançado com a Cinderela a noite inteira, o Príncipe é enganador mesmo, não se lembrava nem do rosto dela. E assim, finalmente ele a encontrou e foram infelizes para sempre. 

A Cinderela cresceu e se tornou uma mulher, que conta a mesma estória para as filhas. daquele Príncipe Encantador, que como enganador de Cinderelas deveria ser outro e não o Príncipe sádico encantador que virou sapo.

E assim, as Cinderelas continuam sendo enganadas até hoje pelo faz de conta em que tudo é de mentira, o palácio alugado é uma prisão, onde são presas pelo pé e se vão se acostumando na estrada da vida a serem masoquistas e submissas, enquanto todas viram abóboras e vão se ajeitando no balançar da carruagem.

"onde não houver amor, não se demores." Frida Kahlo

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

A uma passante - Charles Baudelaire - em As Flores do mal.

Only You - Lisa Ekdahl 

LISA EKDAHL
look to your own heart
http://lisaekdahl.com/
News Biography Discography Images Videos Gigs Links Press & Contact
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A uma passante

A rua em torno era um frenético alarido.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão suntuosa
Erguendo e sacudindo a barra do vestido.

Pernas de estátua, era-lhe a imagem nobre e fina.
Qual bizarro basbaque, afoito eu lhe bebia
No olhar, céu lívido onde aflora a ventania,
A doçura que envolve e o prazer que assassina.

Que luz… e a noite após! – Efêmera beldade
Cujos olhos me fazem nascer outra vez,
Não mais hei de te ver senão na eternidade?

Longe daqui! tarde demais! “nunca” talvez!
Pois de ti já me fui, de mim tu já fugiste,
Tu que eu teria amado, ó tu que bem o viste!
~
Blame it on my youth - Lisa Ekdahl
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(Charles Baudelaire. As Flores do mal. Nova Fronteira, 1985: p. 361.) http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/a-une-passante-baudelaire/

Only you / Só você
http://letras.kboing.com.br/ekdahl-lisa/only-you/traducao.html#googtrans(en|pt)

Blame It On My Youth / Culpe Minha Juventude
http://letras.kboing.com.br/ekdahl-lisa/blame-it-on-my-youth/traducao.html

domingo, 7 de agosto de 2016

um dia a gente aprende que só se pode amar no outro


♫ Quando Fui Chuva♫ Maria Gadú & Luis Kiari♥ 

Maria Gadú
http://mariagadu.net/ 
Pra Ouvir -  Agenda/Contato -  Juntin -  Pra Ver

LUIS KIARI 
http://luiskiari.com.br/
SOBRE  MÍDIAS  FOTOS  TRÊS  MÚSICAS VÍDEOS AGENDA BLOG CONTATO
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um dia a gente aprende que vai poder se amar

um dia a gente aprende que amar vale a vida que somos e o mundo com amor é maravilhoso.

um dia a gente aprende que saciar a sede é beber um copo com água às pressas e a sede se satisfaz inodora, insípida e incolor.

um dia a gente aprende que saciar o amor, é saborear as nuances nos pequenos detalhes, no desvendar dos aromas, nas variantes das cores de um único e raro vinho, de um único e raro amor.

um dia a gente aprende a intimidade no olhar, no cintilar do brilho das pupilas dilatadas.
a emoção revelar-se da cumplicidade de sermos íntimos de um único estarmos nus de vaidades e transpirando na pele um nobre sentimento.

um dia a gente aprende que o medo de amar é ser duplamente infeliz. é sermos e condenarmos no outro à infelicidade de não poder amar o outro em vida e não poder ser amada pelo outro amor. e que só se aprende a amar quando o amor é correspondido.

um dia a gente aprende que adorar exige amor, devoção, honra e respeito em todas as aceitações das perfeitas imperfeições do outro. o amar aceita e valoriza todos os sinais do tempo, do alerta das rugas e das manchas de sol.

um dia a gente aprende a curvar-se com reverência e dedicar-se com apreço num beijo nos pés da única amada. e que por ser a única amada, se reconhecerá em ser a única majestade de um amor.

um dia a gente aprende que a realidade é o que somos e pelo que valemos ser diante de um raro amor. ao entregarmos nossos corpos um ao outro, é saber que tanto um e o outro, devolveremos nossos corpos à vida. e daremos graças pela vida que nos consagrou com amor.

um dia a gente aprende que amar-se é o amor no outro e que o mundo sempre foi maravilhoso.

um dia a gente aprende que a vida finda e, das mil variantes do amor, só amar nos eterniza e tudo que é efêmero passa.

um dia a gente aprende a amar-se um no outro para sermos felizes. muito além de um estado de espírito, sem amar-se no outro não se está permitindo abrir-se à felicidade.

um dia a gente aprende que só se pode amar no outro para ser amado, para que o outro ser nos ensine o que é o amor. e que ninguém se ama, mas tem uma boa ideia de si, pois o amor é o sentimento que se transfere e acontece no outro e quando o outro tem amor por ti.

um dia a gente aprende, com o tempo de vida, a se eternizar no amor. que pior que o medo de morrer, é ter medo de amar, é ter medo de viver e não viver o amor. só se morre mil vezes quem não se viveu num amor. mas, se amas que seja num único e raro, que seja na plenitude de um amor verdadeiro.

um dia a gente aprende, que pior que morrer, é não viver, é não ter aprendido a amar-se no outro em vida. pois ninguém morre de amor e, pelo contrário, vive-se num amor.
ter medo é não aprender a viver, é não aprender a amar e é não viver a vida com amor.

um dia a gente aprende que amar nunca poderá ser tarde demais.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

John Legend's official music video for 'All Of Me'. Click to listen to John Legend on Spotify


John Legend's official music video for 'All Of Me'. Click to listen to John Legend on Spotify: http://smarturl.it/JohnLSpotify?IQid=...
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As featured on Love In The Future. Click to buy the track or album via iTunes: http://smarturl.it/JohnLLITFiTUnes?IQ...
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More from John Legend
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Save Room: https://youtu.be/iOmnGzAKLvg
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Tudo de Mim - [All Of Me - John Legend]

O que eu faria sem a sua boca inteligente
Me atraindo, e você me afastando
Minha cabeça está girando, sério, eu não consigo te decifrar
O que está acontecendo nessa mente linda?
Estou em sua jornada mágica e misteriosa
E eu estou tão tonto, não sei o que me atingiu, mas eu ficarei bem

Minha cabeça está debaixo de água
Mas eu estou respirando bem
Você está louca e eu estou fora de mim

Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus limites
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perco estou ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você

Quantas vezes eu tenho que te dizer
Mesmo chorando você é linda também
O mundo está te castigando, eu estou por perto acompanhando tudo
Você é minha ruína, você é minha musa
Minha pior distração, meu ritmo e minha melodia
Eu não posso parar de cantar, está tocando, em minha mente para você

Minha cabeça está debaixo de água
Mas eu estou respirando bem
Você está louca e eu estou fora de mim

Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus limites
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perder estarei ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você
Me dá tudo de você

Cartas na mesa, nós dois estamos mostrando corações
Arriscando tudo, embora seja difícil

Porque tudo de mim
Ama tudo de você
Ama as suas curvas e seus limites
Todas as suas imperfeições perfeitas
Me dê tudo de você
Eu darei tudo de mim para você
Você é o meu fim e o meu começo
Mesmo quando eu perder estarei ganhando
Porque eu te dou tudo de mim
E você me dá tudo de você

Eu lhe dou tudo de mim
E você me dá tudo, tudo
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Rubem Azevedo Alves foi um psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro, é autor de livros religiosos, educacionais, existenciais e infantis. É considerado um dos maiores pedagogos brasileiros de todos os tempos, um dos fundadores da Teologia da Libertação e intelectual polivalente nos debates sociais no Brasil. Foi professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). [15/09/1933 MG - 19/07/2014 SP] https://pt.wikipedia.org/wiki/Rubem_Alves
http://rubemalves.com.br/site/


domingo, 3 de julho de 2016

não permitas que somente a vida aconteça

Quando Amanhecer [Vanessa da Mata] feat. Gilberto Gil
álbum "Bicicletas, Bolos e Outras Alegrias".
http://www.vanessadamata.com.br/
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Arte e Solidão 

La Mère Pichaud -1890 - Guy Rose (1867-1925) 
http://www.guyrosegallery.com/

“A cadeira vazia”- The empty chair -1922. Charles Spencelayh (1865 - 1958)
https://www.flickr.com/photos/nogtow/sets/72157625152860375/
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Arte e solidão 
Guy Rose (1867-1925) é um nome muito talentoso dos impressionistas dos EUA. Pintou este quadro ( La Mère Pichaud) em 1890. Uma senhora olha a cadeira vazia de forma expressiva. A pintura é da fase francesa dele, quando estava próximo a Monet. O outro é do pintor acadêmico inglês Charles Spencelayh (1865 - 1958) e se chama “A cadeira vazia” (The empty chair) , de 1922. Os dois falam do envelhecimento, da espera, dos parentes que não chegam e da dificuldade em lidar com o abandono. 
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não permitas que somente a vida aconteça 

só em teus braços componho melodias
construo-me nos momentos de teu silêncio
se a cada um não, mais da vida eu sei
e em si mesmo, em cada um há uma prisão 

e sem que percebas, a vida nos ilude
e na dor dos outros, a tua dor se alivia 
como sou e serei sem que digas o que tu és?
se me desconstruo em sua existência finda

saber-te prisioneira em tua beleza
se acreditamos em que não vemos
por medo, sem saber que és meu destino
se em que nos vemos não acreditamos 

se nos cativamos e fazemos sofrer
na tua beleza de alma eu me devoro
e em tua rubra boca me enveneno
é no teu corpo que minh'alma existe

sabes que um dia a beleza ofusca e passa 
mas quando se abres como uma aurora
extasia-me, faz-se a bela e me deslumbra
te vislumbro como um desabrochar em flores 

e se te doas por tudo e tanto me encanto
me busco em tua paz, se és meu repouso
anseio em tanto amor e o quanto amas
espero em teu peito os botões de rosa

por tanto amar teu desabrochar em vida
que eu tanto sofra se nos ver na dor
se me reconheces em duas almas antigas
foi o encontro nosso pelo maior destino 

e o mesmo destino que se fez ingrato 
se em teu corpo jovem me envelheço
a ironia foi destino antes do nosso amor 
e se agora soube em minha dura sina

pior saber-te da ambição dos outros
do egoismo a enclausurar-te bela
libertar-te, é por tanto amar-te à vida
se te deixo partir, eu te suplico livre 

pois sem teu amor, liberta-se por mim
e se me abandonas para que não sofras
saberei, se não haveremos nós num hoje
sou sem amar num nós e a morte me clama

da sua dor sei que em tuas palavras sangras
iluminas com seu amor os meus labirintos
lá onde sei, te perco dos meus caminhos 
pois trouxeste a plena luz de teus carinhos

me desprezo a morte para saber-te feliz
apenas que saibas para onde foi a vida 
se és forte, saberás, é a minha razão de vida 
e então saberei da minha vida sem mim

importo com meu fim sem teus carinhos
importo o não viver, se viver sem teu amor 
que breve eu seja, pois sem amar-te em nós 
sem nosso amor a vida não tem sentido 

aconteça em vida pelo verdadeiro amor
não se permita que a vida te aconteça
és teu o amor e faça-o acontecer em tua vida 
se o destino é meu e seguirei com a minha dor

em sentimento que se represa, o amor transborda 
numa inundação é inevitável o seu curso d'água
o amor está a espreita entre o desejo e a dor
num mundo nos deseja, um mundo de dois corações

não permitas que somente a vida aconteça 
no mundo de dois corações viver num só

"pior que morrer é não viver."

Leia mais: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=311322 © Luso-Poemas

sábado, 2 de julho de 2016

Nas mil folhas do meu imaginário

Lisa Ekdahl - Blame it on my youth [Jamie Cullum]
LISA EKDAHL
look to your own heart
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Arte e solidão 
New York Movie, 1939 by Edward Hopper
A solidão é um tema forte na sua vasta obra. 
http://www.edwardhopper.net/newyork-movie.jsp#prettyPhoto
http://www.edwardhopper.net/
~.~.~

nas mil folhas do meu imaginário

diga-me qualquer coisa
o meu querer é a tua voz rouca        
a que te desperto no meu invento        
nos sussurros que te faz indecifrável

sejas, ainda que eu não saiba, o meu mistério
apenas para que eu saiba 
para que eu ainda saiba
o quanto ainda tu me queres 

possa ouvir no teu leve respirar
o silêncio que revela no meu olhar 
onde no teu corpo em que invento
tudo em tua volta se adormece

faça nascer o teu corpo secreto
porque nele tudo me renasce
nas tuas sonolentas carícias
como te furtasse, eu me entrego

sorrateiramente te construo
na liberdade dos lábios amantes
o instante no meu coração ainda pulsa
na tua primeira nudez em meu peito 

e com o desejo inquieto
procuro na distância do teu repouso
percorro os beijos mudos sobre a tua pele
e estremeço ao te esculpir com as mãos

ah! minha desamparada alma
se embriaga no teu voo da pluma
no sabor que alimenta o meu desejo
nos lábios em que te doas embebida

não quero a morte, não quero nada
somente respirar-te à exaustão
encontrar-me nos lábios do teu ventre
e ser tudo que te leve ao breve instante

sou de tudo nos limites do teu corpo
no entrelaçar teus dedos em meus cabelos
no comprimir meu beijo entre tuas ancas
tu és o que me faz renascer das cinzas

por isso te toco e me faço súbito
no impossível esquecer o teu ardor
gravastes na memória o teu gozo
no infinito sopro do meu tempo

por isso te conspiro e me exausto
nos teus gestos que me embriagam
eu te escuto no ar que se desprende
na última gota que recolhes no suspiro

em mim desvendas os segredos da tua carne
sou o humilde desejo que beija os teus pés
és, em teu corpo, quem me recebe por inteiro 
pouso em teu peito o nascer como quem ama 

e colorimos no céu o sentido das cores
nasce em ti o poente entre os teus seios
para que eu seja o teu desejo de noite   
quando se molhas na transparência da água

sei do agora porque te criei em tantas palavras 
não era simplesmente por uma noite de insônia
eram as lágrimas que vertiam do teu olhar   
reveladas pela tua face no instante do gozo

elas ainda molham as mil folhas do meu imaginário
as mil folhas do meu imaginário
~.~.~

No sonho da poesia


Boyce Avenue - A Thousand Years (Legendado-Tradução) [OFFICIAL VIDEO]

Boyce Avenue BR
http://www.boyceavenue.com/
~,~,~
Automat, 1927 by Edward Hopper
 A solidão é um tema forte na sua vasta obra.
http://www.edwardhopper.net/
~,~,~

No sonho da poesia 

Não peças ao teu corpo que me olhes
Nem em tuas curvas irei perder-me
No arrepio da tua pele perseguir os lábios  
Não irás em teus seios tornar-me amante

Não aos momentos sublimes do teu suor 
Nem verei a transparência de tuas vestes
Nem a cegueira terei nos teus penhascos 
Em queda profunda nos teus desejos

Minha delicadeza não tocará teu rosto
No macio da pele o tato se negará  
Os dedos resistirão na seda o toque 
Nos cabelos seduzido não quedarei      

Não ao tremor no teu corpo desnudo
A minar a estrutura do meu ego
No teu suspiro não respirarei prazeres
Calo o meu grito ao teu ventre mudo

Não entregarei aos teus lábios úmidos 
Meu desejo voraz em saborear tua boca
Não saciarei na tua saliva o meu deserto 
Morrerei nas bordas frescas do teu oásis

Não alimentarei no sabor da pele
O gosto do sal que me alimentas
Nem o perfume morno que provocas 
No ardente percurso pelo teu corpo  

Não saberei dos anseios rosados
Em teu ventre o aflorar contente
O segredo febril do teu amante
Da pureza nem o degustar ardente 

Não me toques com a tua magia
Nem me seduza com teus sussurros    
Sou o avesso dos teus desejos insanos
És ainda o sonho desperto na poesia    

quinta-feira, 9 de junho de 2016

como soube te amar naqueles dias


Suburbano coração (Mônica Salmaso)- [chico buarque]
Release
http://www.monicasalmaso.mus.br/new/Paginas/frameset%20releases.html

~.~.~
Venus and Cupid
Lorenzo Lotto (Italian, Venice ca. 1480–1556 Loreto)
http://www.metmuseum.org/art/collection/search/436918
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video
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como soube te amar naqueles dias

te procuro em todas as mulheres 
nem que sejas por um gesto teu
para ser e me lembrar, sou seu 
como te amo naqueles dias

sem estar dentro de ti, amor 
por um beijo em sua flor, na dor
na gota em sangue e amar, te amar
para que estejas em meu corpo

num canto, encantas mágica
nascem das lágrimas as rosas
fazes do teu corpo dolorosas
apara em mim a tua dor, amor

me invades em teus males
meus sonhos, êxtases, cansaços
é muita dor, irritação, desconforto
és tão forte, é a vontade de hibernar

até que as tuas dores passem
teu vinho embriago-me no beijo
na tua dor saberás dos lábios meus 
meus vastos céus em chama e flor

em teus pés o meu repouso
pouso os beijos de uma vida
viva eterna em tua água pura 
dai-me a tua calma de princesa

em teus pés a sombra do carinho
agora sei, entre seus dedos eu nasci
e te encontrei, em ti eu me perdi
tua rubra boca, a minha apaixonada

trago-me e minhas mãos são tuas
sou em teus perfumes pelo corpo
a dor que na tatuagem se irradia
dá-me as tão profundas dores fortes

deixa-me colérico em tuas lágrimas
tão dores são tuas horas marcadas
as farei minha, as tuas próprias dores
latentes em que no coração palpitas

guardaremos nos crepúsculos das tardes
a lembrança dos nossos gestos de outrora
o sol dourado que iluminará os teus cabelos
prova de amor em tua rubra boca apaixonada

a dor em lábios de uma jura secreta
como soubemos o amar naqueles dias
fecha os olhos, esse tempo não há depois
aquela que no corpo as saudades incendeias

a mulher que aprendi amar a dor
a que hoje sei que posso amar
na mais linda canção do teu amor
a mulher que agora sei te amar na dor
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