quinta-feira, 17 de julho de 2014

O amar dista a água em fonte


Canto Triste [Edu Lobo e Sérgio Godinho]

Em lento espreguiçar das horas
Um vento despetalar outroras
O tramar-se em saltimbanco
No gramar-se em linho branco

Amanhece o dia entre os lençóis
A manhã cede para tantos sóis
Em travesseiros de alfazema
Entraves solitários em dilema

A amada passeia pelo quarto
Acalmada anseia em pranto
Pelos sentimentos loucos
Selos de momentos roucos

Por onde o amor se guarda?
Esconde em dor e aguarda?
Só um colhedor de sonho
Só, num clamor tristonho

Levas ao beiral do parapeito
Elevas juntas mãos ao peito
No olhar distante o horizonte
O amar dista a água em fonte

Radiante em plena esperança
Diante a demora se faz crença
Se esvoaça num beijo pela mão
Se há graça, se no peito há paixão

--Se viver de meias verdades, não viverás o amor inteiro--