terça-feira, 15 de julho de 2014

Com o mesmo brilho trêmulo nos lábios


Nem o sol, nem a lua, nem eu [com Maria Bethania e Lenine] por Lenine

A sua voz, qualquer coisa em súplica
Refina na dor a certeza de ser infeliz
O pecado se inocenta em desculpas
Das meias-noites no alvorecer das horas

Insaciável angústia nos devora as maçãs
Pudera ter do espelho o teu outro lado
Além da falsa impressão da felicidade
Te encontrar na origem da tua sombra

Não voltaria do teu rosto junto ao meu
Mesmo que em tua face pálida e bela
Teus olhos se percam no escuro do não
Das noites inteiras de meias-verdades

Dá-me o veneno da dor para ser feliz
Em troca, darei todas as minhas mentiras
Dá-me toda sua intensa angústia indolor
Em troca, viverei em tua metade ilusória

Serei o pagão entre o bem e o mal
O sufoco entre os que sofrem e amam
Aquele que te busca num corpo humano
Terás o mistério das minhas entranhas

Nos renasça de uma célula única
Do princípio dos laços futuros
Sem a dúvida dos amores eternos
A vida se faça renascer em ternuras

Nos dê o ser a cada dia um beijo novo
Sem a ansiedade de um outro amanhã
Com o mesmo brilho trêmulo nos lábios
O amor do futuro nos deixe amar em paz

--Por amor, entrelaçamos nossas meias-verdades e nos fizemos cromossomos--