sábado, 12 de outubro de 2013

Para morrer de um poema qualquer


Tema para Ana - T. Jobim por R. Sakamoto & J. Morelenbaum

A imagem do espelho me desconhece
Vejo-me no velho abstrato
No desbotado das tintas de uma imagem
A vida tem o lume do imaginário

D'um corpo em tempo de formas vagas
Vivi de paixões sedentas de fogo e sombra
Num desejo de absoluto silêncio profano
Inscrevi-me no tempo da palavra eterna

Para morrer de um poema qualquer
Enxuguei o suor do vento com as cores do tempo
Com uma visão de um olho frio
Vi o silêncio das águas

Andei o caminho das pedras cansadas
Nas sombras dormi as margens de um rio
Esperei o segredo para envelhecer-me de ser mar
Pensei os embranquecidos cabelos

Guardei a memória das proibidas palavras
Com o mistério encobri todas as paixões
Não habito a casa e nenhum estar
Sou o silêncio do tempo que passa pelas cidades