segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Abraço ausente


Sob um céu sem estrelas
Nas noites urbanas e ruas vazias
Indiferente aos ruídos indistintos
Um rosto procuro no anonimato
No tempo consagrando as horas

Tão longe, tão longe...
Imagino o som do quebra mar
Sentindo a passagem do vento
No ar o cheiro da salinidade

Pudera sentir teu rosto
Vê-la olhando para o céu
Procurando o brilho dos teus olhos
Quiçás encontrá-lo entre as estrelas
Realizando a alegria pelos sonhos

Não brilhas se dormes como deusa
Com as pálpebras cansadas pela espera
Com teu rosto despido do sorriso
Reluzindo os cabelos longos como a seda

Pelo semblante sereno em repouso
Sigo ao encontro de um par de mãos
No gesto mudo da mão o vazio
Na outra palma a saudade
No silêncio se entrelaçam na solidão

A razão desconhece os mistérios
Como tudo é tão bonito como a vida
Tanto amor de não querer findar
Poder viver por tamanha beleza
Mesmo morrendo nas entrelinhas