domingo, 22 de junho de 2014

Edu Lobo - 70 anos

Edu Lobo - Falando De Amor - Prelúdio Nº 3  [Tom Jobim e Edu Lobo]

Edu Lobo - 70 anos
Eduardo de Góes Lobo é um cantor, compositor, arranjador e instrumentista brasileiro.
Edu Lobo - Site oficial www.edulobo.com.br/

quinta-feira, 19 de junho de 2014

CHICO 70 - FELIZ ANIVERSÁRIO

Chico Buarque - Voltei a Cantar, Mambembe & Dura na Queda (Carioca Ao Vivo)

Sem Compromisso - Deixe a Menina - Chico Buarque

Chico Buarque - As Vitrines (Carioca Ao Vivo) [CC]

Chico Buarque DVD Na Carreira - 13 Todo o sentimento

Eu Te Amo (Carioca Ao Vivo) [CC]Chico Buarque -Tom Jobim

Chico Buarque - A mais bonita (com Bebel Gilberto) 
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?

[Chico Buarque]
Compositor, cantor, dramaturgo e escritor. 
www.chicobuarque.com.br
"Imagine um Brasil sem Chico Buarque. E também sem Geni, Beatriz, Pedro Pedreiro, Rita. O talento de Chico foi nos presenteando com esses personagens que até hoje nos explicam de quem é feito o Brasil. Os sambas do autor se tornaram essenciais não apenas no cancioneiro nacional, mas na história do país."
https://www.facebook.com/ChicoBuarque?fref=nf
"Chico de Hollanda, 
de aqui e de alhures 
"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloquentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam.
Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."
Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998."

"São sete décadas de hinos que dão voz a personagens que vão de mulheres a malandros e falam como ninguém do Rio de Janeiro, de política e de amor. Uma obra gigantesca e definidora do país, de acordo com Tárik de Souza. Um dos mais importantes artistas do Brasil."
"...Os momentos bons
e as horas más
Que a memória coa..."

Vida Obra Textos Sanatório Geral http://www.chicobuarque.com.br/vida/vida.htm

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Bem-vindo à Copa do Mundo no Brasil

World Cup in Brazil 
Welcome World Cup in Brazil  
Bem-vindo à Copa do Mundo no Brasil
COPA DO MUNDO 2014 BRASIL
Gaby Amarantos y Monobloco - "Todo Mundo" (Canción del mundial 2014)

domingo, 8 de junho de 2014

Uma cidade maravilhada pela natureza


ESPERANZA SPALDING participação de CHICO PINHEIRO- Samba em Prelúdio -[ Baden Powell-Vinícius de Moraes]
Originally composed by Vinicius de Moraes and Baden Powell. Now performed by Esperanza Spalding from her 2008 self-titled album "Esperanza".
http://en.wikipedia.org/wiki/Esperanza_(Esperanza_Spalding_album)

Andei pelas calçadas do Rio
Pelos travesseiros de areia de Ipanema
Pelas bordas da praça das Bandeiras
De busão passei pela zona do mangue

Fui jantar uma pizza no Leblon
Tomei um picolé de limão em Copacabana
Parei ao ser escutado pela rua do Ouvidor
Nos Arcos da Lapa desenhei as curvas da memória

Compreender o tudo junto e misturado do povo
De onde nascia a inspiração da bossa nova
Dos porquês de Vinícius viver como poeta
Se bem entendi o que é ser Carioca...

Ser Carioca é mais que nascer no Rio
É um nascer inspirado em meio a tanta beleza
É ser mais que uma onda de praia que passa
Ser Carioca é um estado de espírito

Numa cidade maravilhada pela natureza
É ser um redentor no alto do morro
É ter um Cristo de braços abertos
E entre gente como a gente

É tanta gente boa
É, de repente, não mais que de repente
Como descrevia o Poetinha
Um ser poeta que não tem jeito de não ser

quinta-feira, 5 de junho de 2014

No perfume suave do silêncio


Se Queres Saber - Zizi Possi [Peterpan (José Fernandes de Paula)]

Para não dizer à luz de vela
De uma verdade profunda e ágil
Não falar da flor que se revela
No perfume irresistível e frágil

Uma promessa infinita traduz
O que virá junto com o frio
Num querer na inevitável luz
Toda distância de um extenso rio

No teu repouso de corpo e alma
Pousa do infinito o prazer e a beleza
As palavras quase ocultas acalma
No silêncio a embriaguez e a leveza

O nada contrai de dor e amargura
Meu coração pelas frestas do corpo
Deita em mil dias a intensa procura
A vida sorri num incerto corpo a corpo

Quando no canto da passarada
Ouvir do seu coração o amor em cicio
No céu, as nuvens na paz do nada
Saberei do perfume suave do silêncio


terça-feira, 3 de junho de 2014

serás sempre o que te quero


Anema e core - [Salvatore D'Esposito e Tito Manlio] com Zizi Possi e Chico Buarque 
"Anema e core è una canzone del 1950, composta dal musicista Salve D'Esposito e dal paroliere Tito Manlio. Fin dagli anni cinquanta la canzone riscosse molto successo presso il grande pubblico, sia in Italia che all'estero." https://it.wikipedia.org/wiki/Anema_e_core_(brano_musicale)

~.~.~

Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto 
Escritor, biólogo, jornalista
Beira, Moçambique
Official Website
http://www.miacouto.org/

A Demora
O amor nos condena: 
demoras 
mesmo quando chegas antes. 
Porque não é no tempo que eu te espero. 

Espero-te antes de haver vida 
e és tu quem faz nascer os dias. 
[....]
16 Textos - 19 Poemas - 359 Citações
http://www.citador.pt/poemas/a-demora-mia-couto
~.~.~
serás sempre o que te quero

as palavras que nascem da vida
como soubessem do eterno
nos misturam numa trama
dos teus versos trançam laços
Num segredo do tempo

esse temor de amar que se agiganta
nos faz causa e mistério
sem nos ver na profunda escuridão
o amor mergulha
se divide em nossas vidas

as almas tocam entre o sermos
trocam os corpos na existência
nos faz onde o desejo sussurra
a causa dos arrepios
se derrama incontida sobre o sonho

valha-me ser em teus caminhos
os caminhos que te encontram
onde ecoam minhas preces
entre a febre e o frio
enquanto restar-me os arrepios

restar-me ser mesmo não tendo
mesmo enquanto não me queiras
serás sempre o que te quero
e por querer-te mais ainda
mesmo quando não te queiras

mais ainda vou querer-te
serás sempre o que te quero

domingo, 1 de junho de 2014

Quebrantamento


ZIZI POSSI - VALSA BRASILEIRA[De Edu Lobo e Chico Buarque]

Se hoje, ainda te sinto e te sigo
Feito estrela cadente e boba
É porque de mim não se foi este desejo
Este desejo de te escrever em meu papel
E na alvura terna desta minha pele

Neste léu onde me desboto
Tem o vazio teu como invólucro
No todo e em tudo que coloco
A minh'alma absorta se descola

Feito retina... anuviada,
Que deixou de ser tão doce e menina
Com teus traquinas sonhos em cor de rosa

Cansada na alfama das horas frias
Em que a solidão se achega dolente
Sorrateira e falsamente amorosa
Lágrimas são pétalas de chuva fugaz

Mas, logo depois vem os raios, o sol
Colore o ar e um arco diante da iris se faz

Assaz, teu sorriso em flechas me atinge
E o coração em contento a ele não resiste
Entrega-se e a sonhar, novamente, persiste

A noite desfaz o rosto alegre do dia
E nas asas negras do tempo se refaz
Na poesia sou "vésper" ou sou "d'alva"?
Volto a ser nada!

Estrela boba e de_cadente nesta terra
A vagar sem o céu que é meu chão

Kellen Cristine - Rio de Janeiro
http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdesaudade/4826103

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Nem o tempo, nem as águas


Eu te amo [Chico Buarque-Tom Jobim]
Com Mônica Salmaso- Banda Mantiqueira e Orquestra Sinfônica do Estado de SP

No pêndulo de todas as horas
Todas as noites se encontram
Desnudam as vidas sob os lençóis
Os minutos se calam de sentimento

As carícias passam soltas dos corpos
Das pontas atrevidas dos dedos
O desejo transpira no rubro da face
O beijo repousa por entre os lábios

Dos toques suaves sobre a pele
Meu olhar persegue os seus arrepios
Do brilho dos teus olhos se faz luz
Na escuridão dos meus instintos

O prazer não mais cabe no instante finito
No olhar encerra a floração primaveril
Os corpos que se encontram na chuva
Nas gotas suspensas de um único rio

Não posso te dar um amor infinito
Nem o brilho estranho das horas
Tampouco a saudade distante do eterno
Mas te darei todo o meu imenso vazio

Há no vazio um nada maior que o eterno
Nele guardo as infinitas constelações
Reluzem os brilhos na majestosa escuridão
Nele te guardo entre os amores infindos

Quando nos fios o branco acene o fim
Como o tempo e as águas que jamais voltam
Se faça única em vida e me abandones
Salvas no coração, não morras antes de mim

terça-feira, 20 de maio de 2014

Enquanto as nuvens não chegam


Mais do Que Imaginei - Catedral - Compositor: Kim

Deixa-nos assim...
Para outra data, outra ocasião
Emudecidos esperando as nuvens
Sem nos negamos do azul
Para um ocupado presente
Entre tantas gargantas roucas
De tantos sufocados gritos
Num estar sem sentido
Entre tantos laços afetivos frouxos
Nos servindo de uma direção sem rumo
Nos ligando sem ser e estar em nenhum lugar
Entre o caos das pessoas e as pessoas de um caos
Por mais que o ódio queime no crepitar dos feixes
Onde tudo se consome num imenso presente
Nos consumimos num vazio contemporâneo
Onde os sábios mentem com mais perfeição
Nos cercando de montanhas cinzentas
E na geleiras nos condensamos sabiamente
Sem nos restar uma lucidez por consequência
Num futuro breu nem plantamos um abraço
Mas insistimos num navegar impreciso
Nos cortando entre o amor e o ódio
E mal sabemos o que faremos da ciência exata
Ainda que todas auroras demorem
Se há tanto medo no confronto da escuridão
Se voltamos dos beirais do futuro aos velhos conceitos
E na solidão tenhamos nos ombros o peso de todos séculos
Nos perdendo do leme e descascando cebolas
Nos redescobrindo em cada camada o passado
E da última camada restamos num sóbrio vazio
Diremos sim ao balanço do barco
Nos ajeitando enquanto o mundo gira
Adiando o grito de liberdade para o futuro
Nesse paradigma que nos causa tanto enjoo
Delongaremos nossos corações enjaulados
Temporizaremos em vidas futuras
Adiaremos o nosso amor para o próximo século
Mesmo que o tempo não postergue
Posso adiar um abraço
Sei que tudo posso enquanto vida
Mas, não posso adiar o meu coração
Não posso adiar um amor eterno


quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jair Rodrigues de Oliveira [Igarapava, 6 de fevereiro de 1939 - Cotia (SP), 8 de maio de 2014]


Disparada  [Geraldo Vandré e Theo de Barros] Jair Rodrigues

Jair Rodrigues de Oliveira [Igarapava, 6 de fevereiro de 1939 — Cotia (SP), 8 de maio de 2014] foi um cantor brasileiro. Em 1958 Jair Rodrigues prestou o serviço militar no Tiro de Guerra de São Carlos, como Soldado Atirador nº 134, que na época era denominado TG 02-043.
Sua carreira musical começou quando foi crooner no meio dos anos 50 na cidade de São Carlos, lá chegando em 1954 e participando da noite são-carlense que era intensa na época, também com participações na Rádio São Carlos como calouro e com apresentações, vivendo intensamente em São Carlos, até o fim da década.
Em 1965, Elis Regina e Jair Rodrigues fizeram muito sucesso com sua parceria no programa O Fino da Bossa, programa da TV Record.
Em pleno regime de  ditadura militar, o intenso protesto político contra o regime. A luta pela liberdade através da arte, através da música de protesto.  Em 1966, Jair participou do festival daquele ano com a música Disparada, de Geraldo Vandré e Théo de Barros, desta vez em conjunto com o Quarteto Novo.
Conhecido por cantar sambas, Jair surpreendeu o público com uma linda interpretação da canção. Disparada . A partir daquele momento, sua carreira decolou e seu talento assegurou décadas de sucesso ao cantor.

"Viveu a vida sorrindo, não importando a dor, e subiu aos céus cantando"

A Majestade O Sabiá [Roberta Miranda] - Chitãozinho e Xororó part. de Jair Rodrigues
Dvd 40 anos sinfônico

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Parle Avec Elle (Hable Con Ella) Pedro Almodovar - Bau Raquel Cape Verdean Melancholy


Parle Avec Elle (Hable Con Ella) Pedro Almodovar - Bau Raquel Cape Verdean Melancholy

Nascido na ilha cabo-verdiana de São Vicente, Rufino Almeida (aka Bau, Tudo que é a palavra Português para a caixa) foi criado por um luthier profissional que já ensinou a ambos a construir e tocar violão, o violino, e um indígena pró-instrumento de cordas chamado cavaquinho, tudo que ele domina em uma idade jovem. Como diretor musical para a cantora Cesária Évora em 1990, Almeida encontrou tempo para gravar vários álbuns de sua autoria, todos que são compilados em Cabo Verde Melancolia para o mercado dos EUA, para coincidir com o filme de Pedro Almodovar "Talk to Her "(com a faixa do álbum cinza, "Raquel", em sua trilha sonora).

De Lírios

Sacudi a madrugada
Qual amante despeitada 
Suportei o sonho promíscuo 

Palavras na lavra 
Oculta da tua boca 
Perdem-se nas paredes do teu corpo ... 

O despertar 
Um prometido 

Isabel Ferreira
Nascida em Luanda, Isabel Ferreira é formada em Direito pela Universidade Agostinho Neto e em artes pela Escola Superior de Teatro e Cinema na Amadora Portugal, com especialização em Dramaturgia pela Universidade de São Paulo (USP).
http://www.ipeafro.org.br/home/br/acervo-digital/43/52/965/entrevista_escritora_angolana_isabelferreira

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/lazer-e-cultura/2013/10/47/Escritora-Isabel-Ferreira-conferencias-literarias-Brasil,ee490514-0703-40db-999f-125b29510279.html

http://poesiangolana.blogspot.com/ - ONDJIRA SUL: Poesia de Namibiano Ferreira e Cultura Angolana.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Na penumbra de um rosto


LUIZ MELODIA - ONDE ANDA VOCÊ?
Composição: Hermano Silva e Vinícius de Moraes
~.~.~

Dessa força indomável que escreve
O que me sangra dessas palavras
Buscam o corte certo e dolorido
Num dilema obscuro que nasce a dor

Perfura e sobrevive no incontrolável
Percorre o ilusório das invisíveis planícies
Do lume da paisagem, do branco da neve
Acumula as tuas formas na alvura da folha

Na idade em que a flor madura aflora
Te invento para roubar teu perfume
Se estamos no mesmo lado da vida
O obscuro se arrepende de uma paixão

Das paralelas de um nunca encontro
Abraço a inexistência do teu abraço
No labirinto jardim ouço teus passos
Da tua respiração expiro o meu tempo

Olhos quase negros a tua luz dissipa
No peito, nenhum ruído se ouvira
Duma total ausência de um coração
Mexe os lábios afastando as palavras

Não te saberei encontrar nas respostas
Se teus, os segredos estão nas perguntas
De uma montanha adormecida em silêncio
Te escondes nas cores quentes do outono

Num voo de silhueta inquietante
A penumbra de um rosto de mulher
Se encontra no onde, no quase amor
No desde sempre de uma redenção

De que resta servir-me das chaves do céu
Servir-me da eternidade e um inferno
Se não me absolvo em tua anarquia
Te morro no crepúsculo de um não Deus

Um rosto penumbra de muitas auroras
Teu rosto nasce da arte do encanto
Num único olhar crava o ferrão no hoje
Meu único hoje e tudo tem o seu tempo

Na falsa grandeza, no vício letal
Sem a tua culpa, guardo o castigo
Não tenho a tua causa, mas o teu efeito
Sem um rosto para maravilhar o simples


quarta-feira, 9 de abril de 2014

Um tremor na terra de ninguém

Astor Piazzolla y su Quinteto Nuevo Tango tocan "Mumuki" en vivo para Radio Caracas Televisión en 1984. [Carlos Fraga El Quinteto Nuevo Tango consta de: Astor Piazzolla - Bandoneón / Fernando Suárez Paz - Violín / Pablo Ziegler - Piano / Oscar López Ruiz - Guitarra Eléctrica / Héctor Console - Contrabajo]

~.~.~

Simone Lucie-Ernestine-Marie Bertrand de Beauvoir, mais conhecida como Simone de Beauvoir Paris, 9 de janeiro de 1908 — Paris, 14 de abril de 1986, foi uma escritora, intelectual, filósofa existencialista,  ativista política,feminista e teórica social francesa.  De Beauvoir escreveu romances, ensaios, biografias, autobiografia e monografias sobre filosofia, política e questões sociais. De Beauvoir escreveu romances, ensaios, biografias, autobiografia e monografias sobre filosofia, política e questões sociais. https://pt.wikipedia.org/wiki/Simone_de_Beauvoir
Livros:
1943 : A convidada (L'Invitée), romance
1944 : Pyrrhus et Cinéas, ensaio
1945 : O sangue dos outros (Le Sang des autres), romance
1945 : Les Bouches inutiles, peça de teatro
1946 : Tous les hommes sont mortels, romance
1947 : Pour une morale de l'ambiguïté, ensaio
1948 : L'Amérique au jour le jour
1949 : O segundo sexo, ensaio filosófico
1954 : Os mandarins (Les Mandarins), romance
1955 : Privilèges, ensaio
1957 : La Longue Marche, ensaio
1958 : Memórias de uma moça bem-comportada (Mémoires d'une jeune fille rangée), autobiográfico
1960 : La Force de l'âge, autobiográfico
1963 : A força das coisas (La Force des choses),
1964 : Une mort très douce, autobiográfico
1966 : Les Belles Images, romance
1967 : La Femme rompue, novela
1970 : A velhice (La Vieillesse), ensaio
1972 : Tudo dito e feito (Tout compte fait), autobiográfico
1979 : Quand prime le spirituel, romance
1981 : A cerimônia do adeus (La Cérémonie des adieux suivi de Entretiens avec Jean-Paul Sartre : août - septembre 1974), biografia
1992 : Malentendu à Moscou (Mal-Entendido em Moscou)

~.~.~

Um tremor na terra de ninguém

De um corpo fiz tuas chamas
Da vida uma insaciável devora
Vou na matéria que incandesce
Ao insolúvel rumo do espírito

De um ponto fiz teus gritos
Tão ínfima imponência que ora
Nas órbitas milenares padeço
Numa minúscula gota cósmica  

Num nada no qual te pertenço
Sou um caminho dentre as vidas
Semeio nu na terra de ninguém
Sou o tremor e o pretenso eterno

Caído entre o Diabo e um Deus
Sangro entre o amor e um adeus
Sou o medo da iminente tragédia
Nas muitas maneiras de um morrer

Refino o meu olhar na tua loucura
Desdenho nas infundadas verdades
Entre respostas sou a dor da dúvida
Nela evoluo rumo à lugar nenhum

Me recluso no enigma que te espelhas
Da sua própria insegurança suspeita
Não me resolva nos teus enigmas
Tens no olhar o mistério do insondável

Nos passos, tropeço nos meus pedaços
E em cada desenlace me desconstruo
Tua parte de mim que não desfaço
O encaixe quase perfeito de um vazio

Na aquarela admirável do arco-íris
Entre o que não vejo e acredito
Nas curvas do vento serei a poeira
A girar na inexistência de outro mundo

Depois que a última dor me complete
No ciclo inevitável de uma existência
Estarei nas correntezas das tuas águas
Longe dos teus olhos na curva de um rio

Não haverá o frio, nem tão somente o vazio
Serei um dos grãos esquecidos num tempo
O ressequido do sangue de uma palavra
Na perfeita paisagem de uma lembrança

Ficarei contigo para que não me perguntes
Estarei no invisível das tuas entranhas
Agora sim, sou perfeito em tua memória
Ao teu lado, no caminho de uma saudade

No teu temor na terra de ninguém
Estou onde tudo será lembrança
No vento em que guarda as memórias
Estarei nas tuas dores para te fazer sorrir

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Por quantas verdades preferi a dúvida


Nem um Dia - Djavan

Como cresceu a tua presença em mim
Em tantos conflitos o desfolhar em vida
Quantos alvoreceres na minha saudade
Por quantas verdades preferi a dúvida

Promessas do para sempre encontra o fim
Em cantos repletos de incompletude ida
Guardados em tantos favos à reter o mel
Por tantas iniquidades auferi em dívida

Rasguei meus mapas e perdi navios
Sem ter uma sentença no destino meu
Com as longas capas no chover pavios
Nenhuma faísca no relampejar no breu

Se no amar foi ao distante catavento
Na seriedade de uma cálida paciente
Sem no mar de uma paixão ao vento
A eternidade em paz espera consciente

A suavidade do gesticular delicado
Em preservares a água em minha espera
Em sua vida de particípio deliciado
A sua vida de somar um caminho pudera

Por tantas iniquidades aprendi em vida
Ser o mar de uma única paixão enfim
Por quantas verdades preferi tua dúvida
Em duas confissões para o mesmo fim

segunda-feira, 17 de março de 2014

Heitor Villa-Lobos - Gerald Garcia, 5 Preludes


Heitor Villa-Lobos, 5 Preludes, Prelude 3 - Heitor Villa-Lobos - Gerald Garcia, 5 Preludes
Brazilian Portrait: Villa-Lobos And The Guiitar Music Of Brazil - 8.550226
http://www.classicsonline.com/catalog...
http://www.naxoslicensing.com/

O Povo Brasileiro - por Darcy Ribeiro


"A coisa mais importante aos brasileiros.  Preste atenção... O mais importante é inventar o Brasil que nós queremos!" - Darcy Ribeiro
[Montes Claros, Minas Gerais, 26 de outubro de 1922 — Brasília, Distrito Federal, 17 de fevereiro de 1997] foi um antropólogo, escritor e político brasileiro conhecido por seu foco em relação aos índios e à educação no país.

Em "O Povo Brasileiro", o antropólogo Darcy Ribeiro nos conduz pelos caminhos da nossa formação como povo e nação.
Afinal, quem são os brasileiros? Que matrizes nos alimentaram? Que traços nos distinguem?
O documentário é uma recriação da narrativa de Darcy Ribeiro em linguagem televisiva;
a onde discute a formação dos brasileiros, sua origem mestiça e a singularidade do sincretismo cultural que dela resultou.
Com imagens captadas em todo o Brasil, material de arquivo raro, depoimentos de Antonio Cândido, Luis Melodia e Antonio Risério, entre outros, e a participação especial de Chico Buarque e Tom Zé, discutem nossas origens, nossos percursos históricos, nossos temas e problemas, nossas perspectivas de futuro.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O corpo é presente, a vida é passado


Paco de Lucia & Al di Meola & John Maclaughlin - Manhã de Carnaval [Luís Bonfá-Antonio Maria]

De tudo para um mundo pronto
Do nada como um ser vazio
O corpo em cada estação de vida
Numa esfera em rolamento

Da servidão escrava da mente
Na ausência de sabedoria
De um todo é parte ilusória
De um presente real aparente

No pensar o passado distante
Em velhos conceitos estacionado
Na inversão do contemporâneo
O mito das raças reinventado

Ilusória contemporaneidade
O corpo mente e se faz presente
A mente apenas vive, olha e sente
As quimeras do século XVIII

Sempre nasce um primitivo
Das cavernas de Lascaux
Há quem diga: Eu não sabia!
Num genocídio sempre vivo

Se quem escolheu foi o coração
No outro nem se sabe uma razão
Enquanto não reconhece no coração
Ainda que finda não se encontrará

Se discrimina num consentir calado
Por um querer que sejam raças
Outras querenças em desgraças
O corpo é presente, a vida é passado

~.~.~.~

"Para saber de mim, preciso passar pelo outro" - Lacan

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

The man. The master. Who is Paco de Lucia?


Paco de Lucía, nome artístico de Francisco Sánchez Gómez, foi um guitarrista espanhol de flamenco reconhecido internacionalmente.  Nasceu em Algeciras, Cádis - Espanha e faleceu em Cancún, Quintana Roo - México. Fez carreira como compositor, produtor e guitarrista.
Em 2004, foi distinguido com o Prémio Príncipe das Astúrias, como "um músico que transcendeu fronteiras e estilos". As suas principais influências, para além do seu pai, foram os guitarristas de flamenco Nino Ricardo, Miguel Borrull, Mario Escudero e Sabicas.
Paco de Lucía [Algeciras, 21/12/1947 — Cancún, 26/02/2014] 
The man. The master. Who is Paco de Lucia?
http://www.pacodelucia.com
~.~.~.~
Paco de Lucia - Entre dos Aguas [Paco de Lucia]
~.~.~.~
Larry Coryel , John McLaughlin , Paco De Lucia [Manhã De Carnaval - Luis Bonfá e Antonio Maria]
~.~.~.~
Paco de Lucía Concierto Aranjuez - Adagio [Joaquín Rodrigo]
Concierto de Aranjuez - Adagio. Composición para guitarra y orquesta del compositor español Joaquín Rodrigo.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Se nenhum segredo nos define


Pétala  -  Djavan

Guardas todos os teus segredos
Sob o perfume que inalas
Sacia-os com o suor da tua pele
Profana o silêncio com o teu silêncio

Num gemido prolongado aos ouvidos
Deitas no tempo lento das pedras
Murmuras por entre elas como a água
Saciando a sede da própria raiz

Teu corpo ocupa a sombra do dia
Navega no espaço do imaginário
O corpo sabe que se procura
No desejo em que se despe

Os olhos vagueiam no lume
É noite em tuas palavras nuas
Flamejante calor que escondes
Na fria sombra do seu ventre

Para que não morra o corpo
Na senectude da hora incerta
O corpo navega pelo exato
Na paixão incerta de outro corpo

Não és o segredo que reprime
A selvagem miséria e a música suave
Mas a dor entre o amor e o teu grito
Como a única nascente que sacia

Se a liberdade de ser livre te condena
No passado e futuro o medo presente
Entre a natureza de ser e não se ver
Em nós a perfeita incompletude criada

A vida pulsada não nos basta
Não basta a vida entre o amor e o ódio
Nem tu em mim tudo nos cala
[Nem tu basta, nebulosa vasta, tão vasta]
Somente aos mortos basta o segredo


segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Um dentro e fora todo fatal


O Meu Guri - Chico Buarque

Pulei o muro do manicômio
Quem se importa como?
Se de dentro para fora
Ou se de fora para dentro?

Só sei que o muro é branco
Um todo branco tudo igual
Um dentro e fora todo fatal
De loucos iguais aos loucos

Alguns tem sonhos brancos
De não saber escrever seus nomes
Carregam as vidas sem história
São enlouquecidos pela ignorância

Outros são os do "faz de conta"
Se nos encontram são soberbos
A vaidade lhes corrói as almas
Se revestem de um branco Lítio

De tão loucos se acham felizes
De tão roucos ninguém os escuta
Sentem uma alegria de três prótons
Orbitam a esperança de três elétrons

Se equilibram em cima do muro
Titubeiam no bolso cheio de pedras
Curvam de risos dos demais loucos
Seriam os tripolares da felicidade?

Outros são amantes de Calipso
Com a toxina botulínica de vaca
A expressão sempre igual a ontem
Nos olhos à contemplação asiática

Querem ser loucos e loucos eternos
Fazer da eternidade uma loucura
Um baile dos diabos dançando com anjos
Deus e o Capeta degustando as pururucas

Sempre misturando cerveja com Litio
Deus e o Capeta estão sempre loucos
Estão sempre apostando na dúvida
Se pulam para dentro ou para fora do muro

Qual louco pensa que é louco?
Quem muito pula, um muro pula
Fica a dúvida. De dentro para fora
Ou de fora para dentro?

Pode ser muito louca a vida
Falam sobre tudo e sobre todos
Dizem coisas até assustadoras
Que a vida é uma loucura passageira

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Por mais um minuto apenas [1]


Sobre Todas as Coisas [Chico Buarque] Maria Rita

Um coração cinza de enganos            
Se em teu leito nas calçadas              
Mesquinhei-te o olhar e o pão          
Engano teu, quem se enganava era eu   [...]

Minha dor senil se acomoda                
A dor não dói, são meus tesouros      
Vão-se meus domínios de agonia      
O lume da vanglória em desespero  
Quis mais... Muito além do proibido   [...]

Nem excesso e nem por fuga                
Se tudo pude ao gosto                              
No desejo de todos os sabores            
Saciei-me mais que a fome
Desdenhei da fome alheia    [...]

Os fantasmas fazem a dança
Labaredas de ódio e de rancor
A desonra há em muitos corpos
A escravidão em meus instintos
Alimento a face em guerra oculta     [...]

Encontres o amor e meu pecado
Sofro ainda mais se estás feliz
Não quero apenas seus tesouros
Se teu prazer me torna aflito
A sua felicidade causa-me dor      [...]

Tudo tive sempre ao gosto
Para um mundo sem vontades
Nem fiz pressa das escolhas
Admirei-te, averso ao teu esforço,
Só no ensejo em ser recompensado   [...]

Tantos prazeres que dei tato
Em quantos corpos meu deleite
Beijo alguém somente aos falsos
Fiz-me da vantagem o meu desejo
Não raro em corrupção tamanha      [...]

Ante o abismo que me espera
Perdí-me à luz do anjo caído
Nem o nirvana e nem o éden
Foram-se todos em promessas  
Restou-me o agora tão sozinho    [...]

Só neste segundo dei-me conta
Há um demônio em cada espelho
Seduziu-me, roubou-me as horas
Pudera quebrá-lo e não consigo  
Quisera voltar tantos momentos    [...]

Se a justiça sempre tarda
Nem a humana e nem a divina
Só reconhecí nos dois extremos
Pelo prazer que ora sofro
Contido e sábio é o equilíbrio    [...]

Nem a imagem ou semelhança
Foram as ilusões e as promessas
Nem o eterno ou tão perfeito
Teria a imagem do Divino
Se depois do verme fui criado   [...]

Por este lúcido momento
Valeu-me caro a vida inteira
Dos instintos o abandono
Olhai-me e minh'alma indaga
Se te reconheces no minuto findo   [60]

domingo, 26 de janeiro de 2014

Se um dia alguém aconteceu de amar


Maria Rita - TV Trama - Perfeitamente
Maria Rita ensaia ao vivo no estúdio trama em São Paulo - Perfeitamente (24/08/2010)

Se um dia alguém aconteceu de amar
E esse alguém perdestes ou se perdeu
Não importa o tamanho das razões
Se os motivos foram maiores ou menores
Se o destempero foi mais forte que o sabor 
Ninguém será ao certo o que perdestes
Mesmo se de verdadeiro não tenha sido o amor
Se a aparência tenha seduzido a ilusão de amar
E culpaste a vida pela dor dos erros do enganar
Se a infidelidade tenha sido mera oportunidade
Se o destino tenha sido a morte sorrateira
Navegas ao incerto na solidão intempestiva
Por onde raros salva-vidas ao naufrágio
Que o medo maior que as imensas vagas
São clarões de raios denunciando a escuridão
Se de compaixão seja o destino de se amar
E o amor seja uma viagem só de ida
Certamente a compaixão dirá: 
- Nem só de barco seguro se navega, 
Se de amor também naufragas

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Dentro do amar tem um frio


Pedaço de mim[Chico Buarque]por Chico Buarque e Zizi Possi
Este poema cantado faz parte da trilha sonora do drama musical "Ópera do Malandro"

Dentro do amar tem um frio
Por ele passa a erosão do forte
Arrasta os indecifráveis segredos
Do mistério em vida na morte

O revés da compaixão consome
O silêncio vago no descalabro
Faz nascer no conflito dos pobres
Os ladrões nos pomares da fome

Escuto a palavra perniciosa
Vacilações, no ar, mentirosas
A simples negação silenciosa
O desdém prolonga aos pobres

Cria num pulsar antediria
O cruel na asfixia das múmias
Desapreço escorchante sangria
Em sinfonia de um Nosferatu

Dentro de nós secou a espera
Num gesto mudo de uno verso
Somos da palavra o reverso
Da criança o pão que dividíamos

Retornamos à vértebra do tempo
O desdenho no livro da indiferença
Anafilaxia de omnipresença
No riso fácil dos ceifadores

A norma hedonista de um vazio
Um não estar num indolor não ser
A ascensão fogosa do simulacro
Dentro de nós apenas um frio

"Tempus fugit, tempus fugit"(1)
Pragas e demônios a besta mata
Bendirias, bestarias, bendizias...
"Toda badalada nos fere, a última nos mata"(2)


(1)"Tempus fugit" é uma expressão latina de: "O tempo foge".
(2) Provérbio latino-americano:"Todas 'as horas' nos fere, a última 'hora' nos mata"

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

Emoldurando a noite


Saudade [Chico César e Paulinho Moska]Maria Bethânia e Lenine

O sol desenha em dourado
O meio do dia, o sol a pino
A formiga amarela na folha
A flor do mato, aquela de soprão

O sol ruborizado horizontea
Tece nas copas das árvores
Doura no viés das folhas
Os ninhos de passarinhos

As borboletas abanam nas asas
O vento quente de noite
Acende o lume dos pirilampos
Estrelas de céu dos gafanhotos

Fico grilado de encanto
Guardo a noite em deleite
Num tempo das vacas gordas
Que as horas mamam famintas

A noite se embala em cadeira
As mariposas olham de sapo
O preá escuta de coruja
A varanda balança de poesia

Amanso o teu pé de sono
A boca sussurra de ouvido
Em lua que pisca de meia
Te durmo de sonho acontecido