quinta-feira, 28 de abril de 2016

MEMÓRIAS DA DITADURA História da ditadura - Repressão e abertura - Contexto internacional

Mordaça - Fátima Guedes 
[composição: Eduardo Gudin/Paulo César Pinheiro]

Fátima Guedes
  http://www.fatimaguedes.net/
Fátima Guedes (Rio de Janeiro, 6 de maio de 1958) é uma cantora e compositora brasileira. Começou a compor aos quinze anos de idade, e em 1973 alcançou o primeiro lugar no Festival de Música da Faculdade Hélio Afonso, com a música "Passional". Teve canções gravadas por Elis Regina, Maria Bethânia, Simone, Ney Matogrosso, entre outros.
https://pt.wikipedia.org/wiki/F%C3%A1tima_Guedes

Eduardo Gudin
 http://www.eduardogudin.com.br/  
Eduardo dos Santos Gudin (São Paulo, 14 de outubro de 1950) é um compositor e produtor musical brasileiro. Tem mais de trezentas canções, gravadas por vários intérpretes. 
O início de sua carreira se deu aos 16 anos, em 1966, quando foi convidado por Elis Regina para se apresentar no extinto O Fino da Bossa, musical da TV Record.
Dois anos depois, classificou "Choro do Amor Vivido" (em parceria com Walter de Carvalho e interpretada por Os Três Morais e arranjo de Hermeto Pascoal) para o Festival de Música Popular Brasileira, da mesma emissora, no qual se apresentaram Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano Veloso, e outros. https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_Gudin

Paulo César Pinheiro
Paulo César Francisco Pinheiro (Rio de Janeiro, 28 de abril de 1949) é compositor e poeta brasileiro. Tem mais de duas mil canções, das quais mais de mil gravadas, compostas com cerca de 120 parceiros, uma grande variedade que inclui músicos como João Nogueira, João de Aquino, Francis Hime, Dori Caymmi, Raphael Rabello, Antônio Carlos Jobim, Ivan Lins, Edu Lobo, Mauro Duarte, Guinga, Toquinho, Eduardo Gudin, Luciana Rabello, Mauricio Carrilho, Cristovão Bastos, Sergio Santos, Moacyr Luz, Danilo Caymmi, Baden Powell, e Maria Bethânia. Livros: Canto Brasileiro (1973), Viola Morena (1984), Atabaques, Violas e Bambus (2000), Clave de Sal, Pontal do Pilar (2009), Matinta, o bruxo (2010) e Histórias das minhas canções (2010).  https://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_C%C3%A9sar_Pinheiro

http://memoriasdaditadura.org.br/artistas/paulo-cesar-pinheiro/
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imagem da internet - autor desconhecido
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MEMÓRIAS DA DITADURA
História da ditadura - Repressão e abertura - Contexto internacional 
 Movimentos de resistência -  Sociedade e resistência -  Arte  & Cultura - Memória & Verdade  Apoio ao Educador
http://memoriasdaditadura.org.br/artistas
http://memoriasdaditadura.org.br/
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Pinacoteca do Estado de São Paulo
Memorial da Resistência de São Paulo






http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/#maincontent
Largo General Osório, 66 - São Paulo, SP
Tel. 55 11 3335-4990
Aberto de quarta a segunda
(Fechado às terças)
Entrada Gratuita
faleconosco@memorialdaresistenciasp.org.br

terça-feira, 19 de abril de 2016

José de Sousa Saramago - O mercado pode tornar-se uma ditadura, um breve ensaio sobre a cegueira

Astor Piazzolla - Leonora's Love Theme
Album: The rough dancer and the cyclical night (New York, 1987).
Con Fernando Suárez Paz en violín, Pablo Zinger en piano, Paquito D'Rivera (!) en saxo y clarinete, Andy González en contrabajo y Rodolfo Alchourrón en guitarra eléctrica.
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"A democracia em que vivemos é uma democracia sequestrada, condicionada, amputada..."

José de Sousa Saramago 
[Golegã, Azinhaga, 16 de novembro de 1922 — Tías, Lanzarote, 18 de junho de 2010] foi um escritor português.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa. Saramago foi considerado o responsável pelo efectivo reconhecimento internacional da prosa em língua portuguesa. A 24 de Agosto de 1985 foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada e a 3 de Dezembro de 1998 foi elevado a Grande-Colar da mesma Ordem, uma honra geralmente reservada apenas a Chefes de Estado.
O seu livro Ensaio sobre a Cegueira foi adaptado para o cinema e lançado em 2008, produzido no Japão, Brasil, Uruguai e Canadá, dirigido por Fernando Meirelles (realizador de O Fiel Jardineiro e Cidade de Deus). Em 2010 o realizador português António Ferreira adapta um conto retirado do livro Objecto Quase, conto esse que viria dar nome ao filme Embargo, uma produção portuguesa em co-produção com o Brasil e Espanha.
Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. Também ganhou, em 1995, o Prémio Camões, o mais importante prémio literário da língua portuguesa.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Saramago
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O mercado pode tornar-se uma ditadura. 

A diferença (entre a ditadura e o capitalismo) é que não é a ditadura como nós conhecemos. É o que eu chamo de «capitalismo autoritário». 
A ditadura tinha cara, e nós dizíamos é aquela, ou aqueles militares, o Hitler, o Franco, o Pinochet, mas agora não tem cara. 
E como não tem cara não sabemos contra quem lutar. Não há contra quem lutar. O mercado não tem cara, só tem nome. 
Está em toda a parte e não podemos identificá-lo, dizer «és tu». 
Mesmo as pessoas que lutaram contra a ditadura, entrando na democracia acham que não têm mais que lutar. E os problemas estão todos aí. 
O mercado pode tornar-se uma ditadura.
[É o que eu chamo de «capitalismo autoritário».] O mercado pode tornar-se uma ditadura.
José Saramago, in 'O Globo (1999)' 
http://www.citador.pt/textos/o-mercado-pode-tornarse-uma-ditadura-jose-de-sousa-saramago
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Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

18/02/2012 
Antonio Ozaí da Silva - leituras, literatura
Professor do Departamento de Ciências Sociais, 
Universidade Estadual de Maringá (UEM); 
Editor da Revista Espaço Acadêmico e Revista Urutágua

 I

“Estou cego”, afirma desesperadamente o motorista paralisado em frente ao semáforo (p. 12).* Mas o que ele “vê”, se assim se pode afirmar, não é a treva, mas uma brancura infinita. “Sim, entrou-me um mar de leite”, diz o cego (p. 14). É uma cegueira incompreensível, repentina e sem explicações. Os que vêem não podem acreditar que o cego assim se encontra. Mesmo o médico, especialista nas coisas da visão humana, não descobre a causa da doença. “Os olhos do homem parece sãos, a íris apresenta-se nítida, luminosa, a esclerótica branca, compacta como porcelana” (p. 12).

A cegueira branca é uma alegoria sobre a falta de visão social e política diante da realidade que nos circunda. Os indivíduos, alienados, encontram-se apartados do mundo, imersos na ideologia individualista e consumista. Eles vivem fora da realidade, ainda que tenham olhos não a reparam. Tudo lhes parece natural. Se a satisfação hedonista alimenta a “cegueira”, é o medo da perda e da impossibilidade de saciar-se e manter-se em “segurança” que os tornam cegos. Diante da insegurança e das incertezas, cegam-se. Talvez nos encontremos no estado de cegueira, ainda que nossos olhos vejam. “O medo cega, disse a rapariga dos óculos escuros, São palavras certas, já éramos cegos no momento em que cegamos, o medo nos cegou, o medo nos fará continuar cegos” (p. 131).

Se o medo caminha de par com a insegurança, ele também é irmão da necessidade. Os homens e mulheres estão dispostos a ceder devido ao medo, mas também porque precisam de segurança. O domínio não se explica apenas pela capacidade de coerção, mas também pela inculcação do medo. E é sob o medo e a necessidade que os cegos internados se submetem ao grupo que passa a controlar a comida. Este funciona como o governo que impõe a ordem. Os homens e mulheres parecem incapazes, por seu egoísmo e instinto de sobrevivência, de governarem-se. Eles precisam passar pelo aprendizado da solidariedade e autonomia. Mas a situação miserável em que se encontram, sob todos os aspectos, dificulta o autogoverno e parece mais fácil, e mais prudente, submeter-se. Isto ocorre devido ao estado deplorável dos cegos. Na vida real, mesmo em situações de normalidade democrática o medo é utilizado como instrumento de persuasão.

Os que conseguem manter uma certa civilidade também se mostram apegados ao governo hierárquico, buscam a autoridade que possa ordenar o caótico em que vivem. E esta se vincula ao prestígio alcançado na sociedade. É irônico que os cegos tenham no médico de olhos a possível autoridade. “O melhor seria que o senhor doutor ficasse de responsável, sempre é médico, Um médico para que serve, sem olhos nem remédio. A mulher do médico sorriu, Acho que deves aceitar, se os mais estiverem de acordo, claro está” (p. 53).

Esta mulher é a única que vê, e isto a fará sofrer com ainda maior intensidade. Só ela verá a que ponto chegamos quando nos faltam as condições para a segurança. É como se, diante dela, estivessem nus, em todos os sentidos, e a ela fosse possível ver a essência, o que realmente somos. A mulher é a que sofre porque tem a sabedoria. O conhecimento, a consciência do real, gera sofrimento. Os que sabem estão condenados a sofrer.

Será possível a autoridade numa situação de desespero, quando a existência humana está sob xeque e a espécie é reduzida à luta pela sobrevivência? Não seria o reino da necessidade o salve-se quem puder, a guerra de todos contra todos, o homem lobo do homem?

 II ... 
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BLOG DO OZAÍ
“Existem nas recordações de todo homem coisas que ele só revela aos amigos. Há outras que não revela mesmo aos amigos, mas apenas a si próprio, e assim mesmo em segredo. Mas também há, finalmente, coisas que o homem tem medo de desvendar até a si próprio…” (Dostoiévski)
https://antoniozai.wordpress.com/2012/02/18/ensaio-sobre-a-cegueira-de-jose-saramago/

Fernando António Nogueira Pessoa - ULTIMATUM de Álvaro de Campos 1917

Maria Bethania - Texto Ultimatum / Movimento dos Barcos - DVD Dentro do Mar tem Rio. 
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Poeta português Fernando Pessoa Foto: Ver Descrição / Ver Descrição

Fernando Pessoa

Fernando António Nogueira Pessoa (Lisboa, 13 de junho de 1888 — Lisboa, 30 de novembro de 1935), foi um poeta, escritor, astrólogo, crítico e tradutor português.

Fernando Pessoa é o mais universal poeta português. Por ter sido educado na África do Sul, numa escola católica irlandesa, chegou a ter maior familiaridade com o idioma inglês do que com o português ao escrever os seus primeiros poemas nesse idioma. O crítico literário Harold Bloom considerou Pessoa como "Whitman renascido", e o incluiu no seu cânone entre os 26 melhores escritores da civilização ocidental, não apenas da literatura portuguesa mas também da inglesa.

Das quatro obras que publicou em vida, três são na língua inglesa. Fernando Pessoa traduziu várias obras em inglês (e.g., de Shakespeare e Edgar Poe) para o português, e obras portuguesas (nomeadamente de António Botto[6] e Almada Negreiros) para o inglês.

Enquanto poeta, escreveu sobre diversas personalidades – heterónimos, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro –, sendo estes últimos objeto da maior parte dos estudos sobre a sua vida e obra. Robert Hass, poeta americano, diz: "outros modernistas como Yeats, Pound, Elliot inventaram máscaras pelas quais falavam ocasionalmente... Pessoa inventava poetas inteiros." https://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_Pessoa

155 Textos 90 Poemas 790 Citações 
http://www.citador.pt/textos/a/fernando-pessoa
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ULTIMATUM

                 de Álvaro de Campos

Mandado de despejo aos mandarins da Europa! Fora.
Fora tu , Anatole France , Epicuro de farmacopeia homeopática, tenia-Jaurès do Ancien Régime, salada de Renan-Flaubert em loiça do século dezassete, falsificada!
Fora tu, Maurice Barrès, feminista da Acção, Châteaubriand de paredes nuas, alcoviteiro de palco da pátria de cartaz, bolor da Lorena, algibebe dos mortos dos outros, vestindo do seu comércio !
Fora tu, Bourget das almas, lamparineiro das partículas alheias, psicólogo de tampa de brasão, reles snob plebeu, sublinhando a régua de lascas os mandamentos da lei da Igreja!
Fora tu, mercadoria Kipling, homem-prático do verso, imperialista das sucatas, épico para Majuba e Colenso, Empire-Day do calão das fardas, tramp-steamer da baixa imortalidade !
Fora ! Fora !
Fora tu, George Bernard Shaw, vegeteriano do paradoxo, charlatão da sinceridade, tumor frio do ibsenismo, arranjista da intelectualidade inesperada, Kilkenny-Cat de ti próprio, Irish Melody calvinista com letra da Origem das Espécies!
Fora tu, H. G. Wells, ideativo de gesso, saca-rolhas de papelão para a garrafa da Complexidade !
Fora tu, G. K. Chesterton, cristianismo para uso de prestidigitadores, barril de cerveja ao pé do altar, adiposidade da dialéctica cockney com o horror ao sabão influindo na limpeza dos raciocínios !
Fora tu, Yeats da céltica bruma à roda de poste sem indicações, saco de podres que veio à praia do naufrágio do simbolismo inglês!
Fora ! Fora !
Fora tu, Rapagnetta-Annunzio, banalidade em caracteres gregos, «D. Juan em Patmos» (solo de trombone)!
E tu, Maeterlinck, fogão do Mistério apagado!
E tu, Loti, sopa salgada, fria!
E finalmente tu, Rostand-tand-tand-tand-tand-tand-tand-tand!
Fora! Fora! Fora!
E se houver outros que faltem, procurem-nos aí para um canto!
Tirem isso tudo da minha frente!
Fora com isso tudo! Fora!

Aí ! Que fazes tu na celebridade, Guilherme Segundo da Alemanha, canhoto maneta do braço esquerdo, Bismarck sem tampa a estorvar o lume ?!
Quem és tu, tu da juba socialista, David Lloyd George, bobo de barrete frígio feito de Union Jacks?!
E tu, Venizelos, fatia de Péricles com manteiga, caída no chão de manteiga para baixo?!
E tu, qualquer outro, todos os outros, açorda Briand-Dato-Boselli da incompetência ante os factos, todos os estadistas pão-de-guerra que datam de muito antes da guerra! Todos! todos! todos! Lixo, cisco, choldra provinciana, safardanagem intelectual!
E todos os chefes de estado, incompetentes ao léu, barris de lixo virados pra baixo à porta da Insuficiência da Época!
Tirem isso tudo da minha frente!
Arranjem feixes de palha e ponham-nos a fingir gente que seja outra!
Tudo daqui para fora! Tudo daqui para fora!
Ultimatum a eles todos, e a todos os outros que sejam como eles todos!
Se não querem sair, fiquem e lavem-se !

Falência geral de tudo por causa de todos !
Falência geral de todos por causa de tudo !
Falência dos povos e dos destinos — falência total !
Desfile das nações para o meu Desprezo!
Tu, ambição italiana, cão de colo chamado César!
Tu, «esforço francês», galo depenado com a pele pintada de penas! (Não lhe dêem muita corda senão parte-se!)
Tu organização britânica, com Kitchener no fundo do mar desde o princípio da guerra!
(It's a long, long way to Tipperary, and a jolly sight longer way to Berlin !)
Tu, cultura alemã, Esparta podre com azeite de cristianismo e vinagre de nietzschização, colmeia de lata, transbordeamento imperialóide de servilismo engatado!
Tu, Áustria-súbdita, mistura de sub-raças, batente de porta tipo K!
Tu, Von Bélgica, heróica à força, limpa a mão à parede que foste!
Tu, escravatura russa, Europa de malaios, libertação de mola desoprimida porque se partiu!
Tu, «imperialimo» espanhol, salero em política, com toureiros de sambenito nas almas ao voltar da esquina e qualidades guerreiras enterradas em Marrocos !
Tu, Estados Unidos da America, síntese-bastardia da baixa-Europa, alho da aÁorda transatlântica, pronúncia nasal do modernismo inestético!
E tu, Portugal-centavos, resto de Monarquia a apodrecer República, extrema-unção-enxovalho da Desgraça, colaboração artificial na guerra com vergonhas naturais em África!
E tu, Brasil «república irmã», blague de Pedro Álvares Cabral, que nem te queria descobrir!
Ponham-me um pano por cima de .tudo isso!
Fechem-me isso à chave e deitem a chave fora!
Onde estão os antigos, as forças, os homens, os guias, os guardas?
Vão aos cemitérios, que hoje são só nomes nas lápides!
Agora a filosophia é o ter morrido Fouillée!
Agora a arte é o ter ficado Rodin!
Agora a literatura é Barrès significar!
Agora a crítica é haver bestas que não chamam besta ao Bourget!
Agora a política é a degeneração gordurosa da organização da incompetência!
Agora a religião é o catolicismo militante dos taberneiros da fé, o entusiasmo cozinha-franceza dos Maurras de razão-descascada, é a espectaculite dos pragmatistas cristãos, dos intuicionistas católicos, dos ritualistas nirvânicos, angariadores de anúncios para Deus !
Agora é a guerra, jogo do empurra do lado de cá e jogo de porta do lado de lá!
Sufoco de ter só isto à minha volta!
Deixem-me respirar!
Abram todas as janelas !
Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo!

Nenhuma ideia grande, ou noção completa ou ambição imperial de imperador-nato!
Nenhuma ideia de uma estrutura, nenhum senso do Edifício, nenhuma ânsia do Orgânico-Criado!
Nem um pequeno Pitt, nem um Goethe de cartão, nem um Napoleão de Nürnberg!
Nem uma corrente literária que seja sequer a sombra do romantismo ao meio-dia!
Nem um impulso militar que tenha sequer o vago cheiro de um Austerlitz!
Nem uma corrente política que soe a uma ideia-grão, chocalhando-a, ó Caios Grachos de tamborilar na vidraça!
Época vil dos secundários, dos aproximados, dos lacaios com aspirações de lacaios a reis-lacaios!
Lacaios que não sabeis ter a Aspiração, burgueses do Desejo, transviados do balcão instintivo! Sim, todos vós que representais a Europa, todos vós que sois políticos em evidência em todo o mundo, que sois literatos meneurs de correntes europeias, que sois qualquer coisa a qualquer coisa neste maelström de chá-morno!

Homens-altos de Lilliput-Europa, passai por baixo do meu Desprezo ! Passai vós, ambiciosos do luxo quotidiano, anseios de costureiras dos dois sexos, vós cujo tipo é o plebeu Annunzio, aristocrata de tanga de ouro!
Passai vós, que sois autores de correntes artísticas, verso da medalha da impotência de criar!
Passai, frouxos que tendes a necessidade de serdes os istas de qualquer ismo!
Passai, radicais do Pouco, incultos do Avanço, que tendes a ignorância por coluna da audácia, que tendes a impotência por esteio das neo-teorias!
Passai, gigantes de formigueiro, ébrios da vossa personalidade de filhos de burguês, com a mania da grande-vida roubada na dispensa paterna e a hereditariedade indesentranhada dos nervos!
Passai, mistos; passai, débeis que só cantais a debilidade; passai, ultra-débeis que cantais só a força, burgueses pasmados ante o atleta de feira que quereis criar na vossa indecisão febril !
Passai, esterco epileptóide sem grandezas, histerialixo dos espectáculos, senilidade social do conceito individual de juventude!
Passai, bolor do Novo, mercadoria em mau estado desde o cérebro de origem!
Passai à esquerda do meu Desdém virado à direita, criadores de «sistemas filosóficos», Boutroux, Bergsons, Euckens, hospitais para religiosos incuráveis, pragmatistas do jornalismo metafísico, lazzaroni da construção meditada!
Passai e não volteis, burgueses da Europa-Total, párias da ambição do parecer-grandes, provincianos de Paris!
Passai, decigramas da Ambição, grandes só numa época que conta a grandeza por centimiligramas!
Passai, provisórios, quotidianos, artistas e políticos estilo lightning-lunch, servos empoleirados da Hora, trintanários da Ocasião!
Passai, «finas sensibilidades» pela falta de espinha dorsal; passai, construtores de café e conferência, monte de tijolos com pretensões a casa!
Passai, cerebrais dos arrabaldes, intensos de esquina-de-rua!
Inútil luxo, passai, vã grandeza ao alcance de todos, megalomonia triunfante do aldeão de Europa-aldeia!
Vós que confundis o humano com o popular, e o aristocrático com o fidalgo! Vós que confundis tudo, que, quando não pensais nada, dizeis sempre outra coisa! Chocalhos, incompletos, maravalhas, passai!
Passai, pretendentes a reis parciais, lords de serradura, senhores feudais do Castelo de Papelão!
Passai, romantismo póstumo dos liberalões de toda a parte, classicismo em álcool dos fetos de Racine, dinamismo dos Whitmans de degrau de porta, dos pedintes da inspiração forçada, cabeças ocas que fazem barulho porque vão bater com elas nas paredes!
Passai, cultores do hipnotismo em casa, dominadores da vizinha do lado, caserneiros da Disciplina que não custa nem cria !
Passai, tradicionalistas auto-convencidos, anarquistas deveras sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar! Rotineiros da revolução, passai!
Passai eugenistas, organizadores de uma vida de lata, prussianos da biologia aplicada, neo-mendelianos da incompreensão sociológica!
Passai, vegeterianos, teetotalers, calvinistas dos outros, kill-joys do imperialismo de sobejo!
Passai, amanuenses do «vivre sa vie» de botequim extremamente de esquina, ibsenóides Bernstein-Bataille do homem forte de sala de palco!
Tango de pretos, fosses tu ao menos minuete!
Passai, absolutamente, passai!

Vem tu finalmente ao meu Asco, roça-se tu finalmente contra as solas do meu Desdém, grand finale dos parvos, conflagração-escárneo, fogo em pequeno monte de estrume, síntese dinâmica do estatismo ingénito da Época!
Roça-te tu e rojate, impotência a fazer barulho!
Roça-te, canhões declamando a incapacidade de mais ambição que balas, de mais inteligência que bombas!
Que esta é a equação-lama da infâmia do cosmopolitismo de tiros:
JONNART

BÉLGICA

VON BISSING
GRÉCIA

Proclamem bem alto que ninguém combate pela liberdade ou pelo Direito!Todos combatem por medo dos outros ! Não tem mais metros que estes milímetros a estatura das suas direcções!
Lixo guerreiro-palavroso! Esterco Joffre-Hindenburguesco! Sentina europeia de Os Mesmos em excisão balofa!
Quem acredita neles?
Quem acredita nos outros?
Façam a barba aos poilus!
Descasquetem o rebanho inteiro!
Mandem isso tudo pra casa descascar batatas simbólicas!
Lavem essa celha de mixórdia inconsciente!
Atrelem uma locomotiva a essa guerra!
Ponham uma coleira a isso e vão exibi-lo para a Austrália!

Homens, nações, intuitos, está tudo nulo!
Falência de tudo por causa de todos! Falência de todos por causa de tudo! De um modo completo, de um modo total, de um modo integral:

MERDA!
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ARQUIVO PESSOA -  Multi Pessoa
http://arquivopessoa.net/textos/456

domingo, 13 de março de 2016

José Domingos de Morais - Dominguinhos, sem nunca abandonar o instrumento que o consagrou.

LAMENTO SERTANEJO [Dominguinhos/Gilberto Gil] Dominguinhos, Mayra Andrade, Yamandu Costa, Hamilton de Holanda
http://www.mayra-andrade.com/
 http://yamandu.com.br/ -  http://www.hamiltondeholanda.com/pt
http://www.dominguinhos.art.br/v2/ [ativo em off]
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foto Rodrigo Lobo acervo estadão.com.br

José Domingos de Morais
(PE, Garanhuns, 12/02/1941 - SP, São Paulo 23/07/2013 )
Dominguinhos, como carinhosamente conhecido, foi um instrumentista, cantor e compositor brasileiro. Exímio sanfoneiro, teve como mestres nomes como Luiz Gonzaga e Orlando Silveira. Músico pernambucano atravessou gerações sem nunca abandonar o instrumento que o consagrou.

.Em 2002, Dominguinhos foi vencedor do Grammy Latino com o CD Chegando de Mansinho.
 Após cinco anos sem lançar um trabalho solo, Dominguinhos voltou em 2006 a gravar pela Eldorado  na qual Conterrâneos 2006, agraciado no Prêmio TIM (2007) na categoria Melhor Cantor Regional.
.Em 2007, Dominguinhos, concorreu ao 8º Grammy Latino com mesmo álbum na categoria      melhor disco regional.
.Em 2008, Dominguinhos foi o grande homenageado do Prêmio Tim de Música Brasileira.
.Em 2010, foi o vencedor do Prêmio Shell de Música 2010.[1]

                                                                      visite o site:   
http://www.dominguinhos.mus.br/index.php?option=com_content&view=article&id=46&Itemid=62
Cabra do sítio: Paulo Vanderley - Desenhadô: Walmar Pessoa 

sexta-feira, 11 de março de 2016

O Berço de nascimento do Cavaquinho e O Cavaquinho no Brasil

Izaías e Seus Chorões | Pedacinho do Céu (Waldir Azevedo)
Formação:
Izaías Bueno de Almeida - bandolim
Israel Bueno de Almeida - violão 7 cordas
Edmilson Capelupi - violão 6 e 7 cordas
Arnaldinho do Cavaco - cavaquinho
José Reli - pandeiro
Gênero:  Choro
Show que ocorreu no Teatro Anchieta do Sesc Consolação dia 24/01/2011
• site oficial: http://instrumentalsescbrasil.org.br
• assista aos shows ao vivo pelo http://facebook.com/sescsp
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A História do Cavaquinho

Considerações iniciais sobre o Cavaquinho

O cavaquinho, braguinha, braga, machete, machetinho ou machete-de-braga é um instrumento cordofone que soa por dedilhado, menor que a viola (guitarra, violão), de grande popularidade como acompanhador e mesmo solista nas orquestras do povo. O ponto é dividido em 17 trastos; tem quatro cordas de tripa ou de metal, afinadas normalmente em ré-si-sol-sol, mi-dó#-lá-lá, mi-ré-si-sol, ré-si-sol-ré ou, mais raramente, em mi-si-sol-ré (este mais utilizado por pessoas que já tocam violão e não querem ter que aprender outros acordes). O efeito assemelha-se ao do bandolim ou da bandurrilha. É um instrumento fundamental nas tunas acadêmicas em Portugal, normalmente com a afinação ré-si-lá-mi.

Berço de nascimento do Cavaquinho

O cavaquinho teve a sua origem na província de Minho em Portugal. Apesar de muito popular no Brasil, o cavaquinho nasceu em Portugal. Segundo Gonçalo Sampaio, é procedente de Braga, tendo sido criado pelos Biscainhos. O cavaquinho tem uma afinação própria da cidade de Braga que é ré-lá-si-mi.
Além de Portugal, é usado em Cabo Verde, Madeira, Moçambique, Hawai e no Brasil.

O Cavaquinho no Brasil

No Brasil esse instrumento é usado nas congadas paulistas e forma historicamente o conjunto básico, junto com o bandolim, a flauta e o violão, para execução de choros. Waldir Azevedo é o mais conhecido músico de choro que tocava esse instrumento. Considerado, ainda em vida deste, como seu sucessor, o músico paulista Roberto Barbosa, mais conhecido por Canhotinho, é hoje considerado uma das principais referências no instrumento, por ter aprimorado a técnica deixada por Waldir Azevedo. Canhotinho é há cerca de 40 anos o arranjador do renomado conjunto de samba Demônios da Garoa.
http://mrcavaco.blogspot.com.br/2011/03/historia-do-cavaquinho.html

sábado, 27 de fevereiro de 2016

entre o meu silêncio e a tua alegria

Lara Fabian - Adagio - [LaraFabianVEVO]
Adagio [Tomaso Giovanni Albinoni(08/06/1671-17/01/1751, Veneza, Itália)]

Lara Fabian, nome artístico de Lara Sophie Katy Crokaert. Cantora, compositora e letrista belga-canadense de língua francesa. 
Lara Fabian - Site officiel - Actualités 
 http://www.larafabian.com/
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Gerome_-_Diogenes Diógenes no barril, cercado por cães 
pintura de Jean-Léon Gérôme, de 1860
The Walters Art Museum
Centre Street: Fourth Floor: From Rye to Raphael, the Walters Story
http://art.thewalters.org/detail/31957/diogenes/
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entre o meu silêncio e a tua alegria

nunca mais foi possível ser apenas um
ser em teu brando olhar de maestria
a minha incompletude na tua existência 
és plena, sou partes, somos o sentimento 

partes de nós, dois contidos na saudade
entre o meu grito de silêncio e a tua alegria
todos os instantes estão a nossa procura
e sem razão do mesmo teto sobre as cabeças

não há só um lugar para o que somos
o único lar dos que já moram um no outro
nem mais fronteiras na maciez da tua pele
lá no fundo, os corações correm nas veias

se vens nas palavras o céu de tua boca
lume e aurora, a nudez dos teus lábios
e em afagos tão mágicos me confortam 
nos teus dedos, meu caminho do prazer

destino sou, tão pouco em muito ensejo
recaio manso, ininterrupto, dentro de ti
concedes teu sempre aconchego amoroso
em trajes de seda, vestida de liberdade

e resplandece pura em teu peito santo
sou tanto pecado, queimo vivo num raio 
e a minh'alma te respira, livre dos dias
dos fantasmas e sobrevivo no teu abraço

faz-me tua água banhando o teu corpo
e o serei por inteiro e o cansaço me sangre
faz-me em teu mar em tuas rochas cálidas
em teus cabelos antes que a morte me renda

e tudo será amor, e para que seja por inteiro
aquieto-me aqui, dentro do teu peito calado
guardando os segredos para as tuas horas
e quando você voltar e a saudade restar só


"É melhor ser rei de teu silêncio do que escravo de tuas palavras..."
[William Shakespeare]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

escondendo no peito a tua dor

Edu Lobo (feat. Mônica Salmaso) - Valsa brasileira
http://www.edulobo.com.br/site/ - http://www.monicasalmaso.mus.br/
BiscoitoFino
http://www.biscoitofino.com.br/
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imagem colhida na internet
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escondendo no peito a tua dor

ainda há pessoas felizes por algum dia
porque encontraram a mulher desejada
mais há muitas pessoas felizes por um ano
porque nas outras esquinas o desejo acaba

há raras pessoas felizes por toda uma vida
porque a encontraram, única mulher amada
realizaram o mesmo desejo de serem felizes
e por um dia se amaram por uma existência

há quem, sem esse amor que te moves
duvide, e se vens com o sorriso no rosto
és por amor, escondendo no peito a tua dor
e mal sabem do bem e do quanto me provês

e se encontras na ansiedade do encontro
enquanto te veste para o meu encanto
sabes que és o teu brilho nos meus olhos
e se sou, é no teu amor que não se enganas

faço o melhor, se por ti me faço melhor
se por ti suporto todas as culpas inglórias
se amor é fumaça, é fogo e aos olhos ameaça
é dor, mas não é um ato escravo dos desejos

é a tua vontade que nasce infinita de ser feliz
de hora em hora e todas as noites de sonho
há quem diga ser a sua juventude eterna
digo, é a terna saudade de tua doce presença

e não temas, não chores, a vida inconstante
os teus espinhos, o sofrer acaba antes da dor
no amor, do ardor no peito que o vento assopra
repousa em mim, que morro feliz por teu amor


"Não importa saber se és ateu, cristão ou de outras crenças, desde de que saibas que é necessário acreditar em alguma coisa para continuar vivendo."

sábado, 20 de fevereiro de 2016

“Os que não podes amar, teme-os.” UMBERTO ECO

UMBERTO ECO
[05/01/1932 Alessandria Italy- 19/02/2016 Milan Italy]
lingüista (semioticista), escritor, filósofo e bibliófilo. Foi titular da cadeira de Semiótica e diretor da Escola Superior de ciências humanas na Universidade de Bolonha.
http://www.umbertoeco.com/en/ 

http://www.citador.pt/frases/citacoes/a/umberto-eco

para viver em nenhum de nós

Edu Lobo (feat. Maria Bethânia) Pra dizer adeus 
http://www.mariabethania.com/oartista.php - http://www.edulobo.com.br/site/
Biscoito Fino
http://www.biscoitofino.com.br/
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Versatilid'Arte  - Luisa DalArtesa
Arte Contemporânea*Contemporary Art*الفن المعاصر*Art Contemporain*Arte Contemporanea*לאמנות עכשווית*ף‎דקסןםח פקםח*סמגנולוםםמו טסךףססעגמ*zeitgenצssische Kunst*nuntempa arto
luisaartesa.blogspot.com  
http://luisaartesa.blogspot.com.br/
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para viver em nenhum de nós

e me dirás que tudo será passado
como os grãos de areia na chuva
na tua saudade que alegrava
no tempo que soprou a vida

e te direi que tudo está presente 
na vida nua que o vento sopra
no ciciar das folhas, na raiz que alimenta
as nossas estátuas de sal em maresia

e nos diremos que tudo será futuro
no sal da dor que refinará a vida
que passaremos das lágrimas ao suor
e seremos o passado de nossas vidas futuras 

e me dirás que tudo será mais-que-perfeito
do amor não passaremos e nos faremos
do sal da pele um sem tempo de vivermos sós
e como ninguém, tu não passarias sem amor

e sem um amor presente para o amar futuro
num arrepio da pele e um frio na espinha
eis o amar-se num infinitivo impessoal
e não há mais como conjugar-te o amor

se foram tantos segredos pelos olhos
pelas janelas secretas das estrelas 
que brilharam por tão longas esperas
por um vazio comum da inexistência   

fomos a estátua de grãos de sal
nos apagando de nossas pegadas
ainda que sejas o passado de si mesma
alguém pode amar-se o indefinível?

dos apaixonados por si mesmos
como a sombra entre o pecado e a perfídia
somente amar-se para viver em nenhum de nós

"o quê seria das pessoas tão perfeitas que a imperfeição alheia não incomode tanto?"

domingo, 24 de janeiro de 2016

e de um momento, só a vida seguirá

ELIS - Sadao Watanabe - • this album is dedicated to diva Elis Regina
Sadao Watanabe (as) , Cesar Camargo Mariano (key) , Heitor Teixeira Perira (g) , Papeti (per) , Toquinho (g,vo) , and others. Recorded Feb.1988 in Rio De Janeiro
http://www.sadao.com/en/discography/disc04.html
"O sax de Sadao há um Japão voltado especialmente para o Brasil, desde que conheceu Sérgio Mendes em San Francisco, na Califórnia, em 1965." Sadao e Toquinho

SADAO WATANABE (Alto Saxophone,Sopranino Saxophone, Flute)
Born in Tochigi Prefecture in 1933. Moved to Tokyo after graduating high-school. In 1962, moved to Boston to study at Berklee College of Music after participating in many band sessions as a alto saxophone player. Representing as a top Japanese musician, also know as a talented photographer, publishes six picture books. As an Executive Producer of the Japanese Government Exhibition Project for the 2005 in Japan, advocates the message "World Peace" through music.
http://www.sadao.com/en/biography/index.html
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Jael and Sisera [1620 - Oil on canvas - Szepmuveszeti Museum, Budapest]
Artemisia Gentileschi foi uma pintora italiana. Filha mais velha do pintor toscano Orazio Gentileschi, foi uma das únicas mulheres a serem mencionadas no ramo da pintura artística do barroco, sendo a primeira a possuir uma posição privilegiada. [08/07/1593, Roma, Itália -  1653, Nápoles, Itália] Barroco italiano.  http://www.artemisia-gentileschi.com/
Location of Artemisia's paintings: http://www.artemisia-gentileschi.com/location.html


a woman like that - TRAILER from 7th Street Film Syndicate on Vimeo.
a documentary film portrait artemisia gentileschi: http://awomanlikethatfilm.com/
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e de um momento, só a vida seguirá

e as tardes caem
pensando em ti
e dançam as pétalas brancas 
as indecisas canções noturnas

e abre-se plena, alva
pensando em ti
é a flor, de sua beleza triste
o sonho em contínua transição

e a água que passa
pensando em ti
reflete a tua superfície
no tempo, o erosar das formas

e o tempo e o vento 
pensando em ti
meros são, sonho ou ilusão
uma vida, no mundo da vida

e as eternas montanhas
pensando em ti
seguem o tortuoso rio 
sulcado relevo em próprio punho

e a lua e as estrelas
pensando em ti
são guias, que nunca se percas 
e viva perdida por um amor

e o candeeiro está aceso
pensando em ti
não sopra a luz, respira o vento
há lume, há caminho quando andas

e do tempo, sem reter as horas
pensando em ti
a vida vai em mil momentos
e de um momento, só a vida seguirá

e a chuva se fora
pensando em ti
amanhecera um céu sem nuvens
o frescor do vento a roçar-te a pele

e pensando em ti
permanecia adormecido
silenciosa foste do meu tempo
e cem vezes esse tempo perderia

pensando em ti


"do leal desejo de fidelidade, sou mais fiel as minhas imperfeições, o resto é hipocrisia e uma questão de falta de oportunidade."

domingo, 17 de janeiro de 2016

a mulher passa na alvura

album: volume 6 : lagrimas - http://www.b-tribe.de/volume_6.html
b-tribe official site http://www.b-tribe.de/
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19th century Art from Classicism to Romanticism
SALM PALACE
http://www.ngprague.cz/en/objekt-detail/salm-palace/
220th Anniversary of the National Gallery in Prague
http://www.ngprague.cz/en/

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a mulher passa na alvura

e venha à luz, raios de sol
transmutando faces à lua
teu corpo, o instante olhar arenoso
suspense sem ar, sem luz e brilha

e entre a vaia da ventania
a mulher passa na alvura da veste
um cúmplice vento levante-lhe a saia  
é inútil tentar mover-me

e o tempo foge com esguia
entre suas pernas de estátua
ágeis, finas, o prazer que assassina
embebidas com as suas mãos vaidosas

e a chuva tarda em reter tua doçura
a água para a minha memória seca 
as realidades exaustas de ontens
pelo céu, um apelo ao teu olhar distante

e o sono pesado e o peso da vida
um olhar apenas para despertar
nascer uma segunda e única vez
senão as ruas, nunca mais irei te ver

e nunca mais virá um por do sol
para contemplar um reencontro
a fantasiar um corpo que mais não existe
que de mim nada sabes e nada sei de ti

e a mulher que eu teria amado
até parece que me adivinhastes
para que me sejas um nunca talvez
e não revejamos nós na eternidade

"não importa o que a solidão fez de você, mas o que você faz com o que a solidão fez de você". (Sartreanas)



sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

por tempos de paz, aromas frescos

Sensual Flamenco - B-Tribe - Desesperada
B-Tribe, or The Barcelona Tribe of Soulsters
http://www.b-tribe.de/
album: sensual sensual
http://www.b-tribe.de/sensual_sensual.html
https://en.wikipedia.org/wiki/B-Tribe
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Vuelo de brujas - Óleo sobre lienzo, Hacia 1798
https://www.museodelprado.es/coleccion/obra-de-arte/vuelo-de-brujas/5e44d19d-7cda-472b-b6d8-8868c599d252
Goya y Lucientes, Francisco de - [Fuendetodos, Zaragoza, 1746 - Burdeos, Francia, 1828]
https://www.museodelprado.es/coleccion/artista/goya-y-lucientes-francisco-de/39568a17-81b5-4d6f-84fa-12db60780812
MUSEO DEL PRADO
https://www.museodelprado.es/
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por tempos de paz, aromas frescos

tanto em noites, quanto em claridades
éramos o princípio, iguais pares de sentidos
na linha do tempo ainda ofusca o brilho
a chuva, a terra, a luz que do útero procria

vão-se em tempo voraz, aromas frescos
eras divinas, a matriz do pátrio poder
o desejo coberto de olhares famintos
não raros, enredos de práticos segredos

tanto aos céus, ao pranto às guerras
a sagrada, a fonte que ainda emudecida
a matriz da vida, na desumana repressão
do deus primitivo, da face oculta da inveja

o poderoso reina, nos seus carrascos
no parto contrariado, nas angústias
a clausura da casa dos homens
nos apaixonados pela tortura e morte

no Jardim das Delícias, a força
o demiurgo, da forca ao fogo
do materno aos ferros, no apelo
da sensualidade à transgressão

"o Verbo veio depois”, no veneno
o depois nas máscaras do mito
desafetos entre o corpo e alma
a carência, do prazer ao pecado

renasça aos olhos da terra, a mãe
o desejo do beijo sem olhares famintos
e uma costela torta de adão... jamais!
já vê, tempos de paz, aromas frescos

'o futuro começa hoje, um caminho para o novo milênio.'

"O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós." [Jean Paul Sartre]

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

INSTITUTO CULTURAL ROSE MARIE MURARO - Rio de Janeiro - RJ


Memórias de uma mulher impossível - Cinco sobre cinco

Trecho do documentário "Memórias de uma mulher impossível" de Márcia Derraik. Traça uma espécie de mosaico sobre a vida e obra de Rose Marie Muraro - física e economista eleita patrona do feminismo no Brasil, em 2006, titulação que ratifica o seu já conhecido pioneirismo nesse movimento. Agora, aos 75 anos, a sua vida é passada em revista a partir de imagens de arquivo e depoimentos .
Márcia Derraik foi contemplada pelo edital Rumos Cinema e Vídeo 2006-2007.
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Rose Marie Muraro no Sempre um Papo - 2007

Rose Marie Muraro é apontada como a patrona do feminismo, foi uma das primeiras a levantar o problema da mulher no Brasil moderno. Através de seus livros, ela combateu a ditadura, desafiou a igreja e agora prepara jovens para um novo mundo, mais difícil, que ainda está em gestação. A escritora participou do projeto Sempre um Papo.
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Rose Marie Muraro - graduada em física e economia, escritora, editora, intelectual e feminista brasileira. Tornou-se uma das mais brilhantes intelectuais de nosso tempo.  Autora de mais de 40 obras, entre elas:  Memórias de uma mulher impossível - 1999, A mulher no Terceiro Milênio: uma história da mulher através dos tempos e suas perspectivas para o futuro -1992, Um mundo novo em gestação - 2003. 
Das premiações: Prêmio Bertha Lutz (2008), do Senado Federal o Prêmio Teotônio Vilela, nomeada «Matrona do Feminismo Brasileiro» pelo Congresso Nacional-2005, cidadã honorária de Brasília (2001)  e de São Paulo (2004). [11/11/1930, Rio de Janeiro - 21/06/2014, Rio de Janeiro-RJ]
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rose_Marie_Muraro
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INSTITUTO CULTURAL ROSE MARIE MURARO
http://icrmrio.blogspot.com.br/
https://www.facebook.com/instituto.rosemariemuraro

O Instituto Cultural Rose Marie Muraro é uma organização não governamental, fundada em 2009 com o objetivo de preservar e disponibilizar ao publico em geral o acervo cultural da escritora Rose Marie Muraro, no intuito de tornar-se um pólo de referência no estudo dos principais conceitos culturais, econômicos e socioambientais, do ponto de vista do gênero. Fomentar a reflexão e o exercício de uma visão crítica sobre nossa cultura, condição e sociedade, além de democratizar o acesso a estes bens culturais para públicos diversos. Difundir e preservar a memória de Rose é difundir e preservar a memória do Brasil dos últimos 60 anos e da luta de emancipação das mulheres brasileiras.

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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Um Palco de Teatro Poesias, Textos, Frases e Reflexões Sobre o Amor e a Vida *Prêmio Dardos

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Agradecimento,
Um Palco de Teatro
Poesias, Textos, Frases e Reflexões Sobre o Amor e a Vida
Prêmio Dardos

Com a sua generosidade vou construindo a minha alegria.
Muito a agradecer pela indicação, amador que sou, pelo pouco que faço 
diante do muito que tenho para aprender. Sou caminhante e reconheço 
que a palavra é a matéria prima dos consagrados escritores. 
Do futuro nada sou, sei apenas do presente que a palavra tem corpo, 
forma, energia, alma e sentimento, e transforma a ideia em arte.
Desse convívio, a palavra tem o poder de preparar as pessoas 
para a paz, de promover à lucidez no contemporâneo e 
conduzir-nos à sabedoria, num mundo de escassez, sem consumir 
o futuro das novas gerações.
Assim, sobrevivo da dúvida, acredito no impossível, para que os sonhos 
sejam ou não realidades.
Obrigado, estimada Poetisa Lu Marinho, ao escritor Alberto Zambade, 
por me aceitarem como sou.
https://umpalcodeteatro.wordpress.com/2015/12/30/premio-dardos/#comment-380

*O Prêmio Dardos é uma espécie de selo virtual criado em 2008 
pelo escritor Alberto Zambade, autor do blog Leyendas de “El Pequeño Dardo” El Sentido de las Palabras - Madrid - Espanha.
http://albertozambade.blogspot.com.br/
Ele selecionou e indicou o selo a quinze blogs que ele considerou 
merecedores do prêmio, os quais também indicaram outros 15 
e assim sucessivamente, criando uma imensa corrente na internet.
O objetivo do Prêmio Dardos é reconhecer os esforços de blogueiros, 
a cada dia, para transmitir princípios culturais, éticos, literários, 
pessoais etc., manifestando a criatividade através de seus
pensamentos presentes em suas palavras e textos.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Palabras para Julia -José Agustín Goytisolo [Lingüista, escritor y traductor-España-Generación del 50]


"Palabras para Julia" - Mercedes Sosa - HD - [poema de José Agustín Goytisolo - música de Paco Ibáñez]
Mercedes Sosa - Sitio no Oficial 
  www.mercedessosa.com.ar/

Web oficial de Paco Ibáñez   
http://xn--pacoibaez-r6a.org/discografia/goytisolo
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Joan Miró - Portrait of a young girl - 1919
The Fundació Joan Miró - Barcelona
A centre for the study and dissemination of Joan Miró’s work and contemporary art
http://www.fmirobcn.org/fundacio/en_index/
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Casa Amèrica Catalunya - VI Congreso José Agustín Goytisolo y la América hispana  
2013 - See more at: http://www.americat.cat/es/vi-congreso-jose-agustin-goytisolo-y-la-america-hispana#sthash.yozhKHZZ.dpuf
http://www.americat.cat/es/vi-congreso-jose-agustin-goytisolo-y-la-america-hispana
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José Agustín Goytisolo
[13/04/1928 Barcelona, España - 20/03/1999 Barcelona, España]
Lingüista, escritor y traductor - Generación del 50
Distinciones: Premio Adonais en 1954 - Premio Boscán en 1956 - Premio Ausias March en 1959 - Premio Creu de Sant Jordi 1985 - Premio de la Crítica (1992) por su obra La noche le es propicia. https://es.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Agust%C3%ADn_Goytisolo


Palabras para Julia 

Tú no puedes volver atrás
porque la vida ya te empuja
como un aullido interminable,
hija mía es mejor vivir con la alegría de los hombres
que llorar ante el muro ciego.
Te sentirás acorralada,
te sentirás perdida o sola,
tal vez querrás no haber nacido,
yo se muy bien que te dirán que la vida no tiene objeto
que es un asunto desgraciado,
entonces siempre acuérdate de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso.
Un hombre solo
una mujer
así tomados de uno en uno
son como polvo
no son nada,
pero yo cuando te hablo a ti
cuando te escribo estas palabras
pienso también en otros hombres,
tu destino está en los demás,
tu futuro es tu propia vida,
tu dignidad es la de todos,
entonces siempre acuérdate de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso.
Nunca te entregues ni te apartes
junto al camino,
nunca digas no puedo más y aquí me quedo,
la vida es bella
tú verás como a pesar de los pesares
tendrás amor
tendrás amigos.
Por lo demás no hay elección
y este mundo tal como es será todo tu patrimonio,
perdóname no sé decirte nada más,
pero tú comprende que yo aún estoy en el camino,
y siempre siempre acuérdate de lo que un día yo escribí
pensando en ti
como ahora pienso. 

http://www.epdlp.com/escritor.php?id=1778
http://www.epdlp.com/texto.php?id2=613
http://www.poesi.as/jag0020b.htm