.
.
.
"Nunca é tarde...
Ou cedo para amar-te.
Ou tarde para ter-te.
Nessa brevidade da vida.
Levo um pouco de ti.
Deixo um pouco de mim.
Deste encontro,
Nunca mais seremos os mesmos.
Passamos por este tempo e espaço,
Entre a vida e a morte.
Amando-nos, fazendo arte."
aoshiro
campo de refugiados - inverno 2015 - foto colhida na internet
~.~.~
em cada não, um coração congela
faz da vida, o pesar de tudo,
do terror e a violência
do inverno mais penoso
o pesadelo da sobrevivência
as vidas, apesar do todo,
apesar de breves, são esperanças
em fuga, entre a fome e a exaustão
das mulheres, dos homens, das crianças
a morte, a pensar em tudo,
é mais justa, um bem comum
um credo, indolor em leito algum
o único pranto dos excluídos
nunca tão frio, no pesar da espera
a cada hora um coração congela
no olhar indiferente dos conformados
a inconcebível sina que desespera
os muros, no pesar das cercas,
abranda o temor dos insensíveis
tudo cerca, o olhar das tragédias
as faces da guerra são visíveis
o mundo, no pesar extremo
aos milhares de pedintes pelo medo
dão as milhares de fronteiras pelo ódio
do ódio aos urros e as farpas do demo
a guerra, no pensar dos fracos
são mil razões de eternidade
o prazer que assassina a paz
aos flagelados nunca a liberdade
o inverno, no pesar da criança
não congela a doçura que encanta
cobrem de neve o corpanzil que canta
se seriam amadas, no talvez é tarde
não sabem de ti, a pesar os pesares
do nunca, do talvez se as teria armado
do que não sabes do longo inverno
da longa distância do discriminado
é tarde, no pensar as razões da guerra
não é preciso a paz, que petrifica e gela
nunca uma guerra para os refugiados
que em cada não, um coração congela
de tão longe, alguns dias mais
segredando os sonhos
só alguns passos mais
para reconstruir a paz
[treinamos pessoas para a guerra, enquanto não as educamos para a paz.
a ironia das guerras é para ridicularizar a paz]
O que será[Chico Buarque] - Vanessa da Mata feat Till Bronner
http://www.vanessadamata.com.br/
~.~.~
Museu Oscar Niemeyer
Curitiba . PR
http://www.museuoscarniemeyer.org.br/home
~.~.~
um sopro, um dente-de-leão
oh! pensador, na indiferença de Rodin
tão bronze em virtuose arte
pensadora estátua para conhecer-se
ora a vida passa na 3ª lei de Newton
o novo par de olhos, um novo sorriso
um aclamado verso:
"que o amor seja eterno enquanto dure"
há um tique-taque no tempo sem hora
nos amaremos eternamente
nos 45 minutos findos
sem revelar-te à verdade
o destino nos trai no centro da terra
quando a vida não é vida
enquanto o amor seja consumo
um corpo que não repousa
no imperceptível chão sagrado
estranho golpe do ocidente
na fria trama dos descrentes
chão de gangues e mafiosos
a infelicidade e o desencontro
tempo é dinheiro manifesta o velho tolo
tempo é vida quando sábio é o idoso
passa a vida do instante único de ser
um sopro, um dente-de-leão
"do leal desejo de fidelidade, sou mais fiel a minhas imperfeições, o resto é hipocrisia e uma questão de falta de oportunidade."
THE OBLIVION PROJECT is dedicated to the performance of the music of Astor Piazzolla. Over the past decade we have appeared in concert halls and jazz clubs for very enthusiastic audiences.
se fossem embora os dias
nos adoráveis momentos de ternura
caminhos d'água pelas terras
a nossa cumplicidade entre o ar e o fogo
no doce amar das noites de clarim
não sei o que seria da chuva
da brevidade afoita nas peles
o amor umedecido pelos poros
na inexorável sedução das marés
e a paixão solta nos mistérios
não deixarás de ser saudade
uma esperança de todo dia
o colher no paraíso a tua flor
num desejoso anoitecer
tão sublime és na felicidade
quando se forem no infinito
o que és, a minha memória
apenas as palavras de melancolia
restarão sobre o finito a nostalgia
sem ti, memória, sou apenas o nada
tua alma triste que nunca soube
do meu amanhã impossível de coragem
paira na nuvem o desejo de chuva
desejo imprescindível de um beijo
são os róseos lábios da tua cumplicidade
as lágrimas choram dos desertos
gotas de um cristal sem brilho
a tristeza insiste serena sobre a vida
emociona o coração a contemplar-te
são nas marés as vagas melancolias
cedo viestes de onde fui tão tarde
e a chuva insiste num canto brando
tarde cheguei d'onde tu não viestes
e meu desatino num silencioso pranto
o nascer tardio de um sentimento
o amor desperta em triunfo de sangue
eis-me nu, nascido da esperança
uma vida num entardecer constante
eis-me nu, morto entre palavras abertas
sobre o corpo paixões sem noites e auroras
e a chuva escorre pelo corpo
desvenda os teus segredos e mistérios
molham nos teus lábios a aragem
deslizam teu sabor a água pela terra
há um segredo de chuva em teu olhar
no teu amar há o verão imprescindível
nos caminhos das estações em teu corpo
quando tu floresces a felicidade
e no outono da melancolia tu aguardas
a brancura e fria neve dos invernos
sabe teu coração em profundo silêncio
quanto nos falta um abraço de ternura
na morte há um amor desesperado
murmúrios atormentados de segredos
e em teu segredo de amor agora sei
há um segredo de adeus em todo amor
"não se distraia desejando ou rejeitando o feio ou o bonito, o atraente ou o repugnante.
sejas o melhor de si aos outros, pois irás conviver com aqueles que merece."
Driven by these questions, filmmaker and artist Yann Arthus-Bertrand spent three years collecting real-life stories from 2,000 women and men in 60 countries. Working with a dedicated team of translators, journalists and cameramen, Yann captures deeply personal and emotional accounts of topics that unite us all; struggles with poverty, war, homophobia, and the future of our planet mixed with moments of love and happiness.
Assiste os 3 volumes do filme e viva a experiência #WhatMakesUsHUMAN.
Se desejar ver mais conteúdos, visite http://g.co/humanthemovie
~.~.~
Bernardino Mei, Ghismonda com o Coração de Guiscardo - Italian, 1612 - 1676
http://www.spsae-si.beniculturali.it/index.php?it/1/home#!prettyPhoto/8/
Soprintendenza BEAP di Siena, Grosseto e Arezzo
La Soprintendenza Belle Arti e Paesaggio per le provincie di Siena, Grosseto e Arezzo è un organo periferico del Ministero per i Beni e le Attività Culturali, che ha il compito istituzionale di tutelare il patrimonio storico, artistico ed etnoantropologico nell'ambito del territorio di competenza e di cooperare con la Regione e gli enti territoriali per la sua valorizzazione.
http://www.spsae-si.beniculturali.it/static/org_minervaeurope_museoweb/templates/parallelo/gal/grandi/IBS53.jpg
~.~.~
por mais que sejas por um dia
por mais que a imaginação a tenha
e meu tempo de emoção se cale
suportas teu coração magoado
e no meu desejo floresça uma dor
por mais que acredite na sorte
por teu merecer nem tanto
saberás dos meus sonhos que choram
dos perigos que rondam teu pranto
por mais que no entardecer tristonho
te contraias na ausência recebida
a noite traga um vazio apaixonado
num insaciável espinho sem a flor
por mais que a vida contenha
a minha ilusão concebida
no impossível viver sem estar ao teu lado
na tênue luz, enfim, ter-te encontrado
por mais que na esperança venhas
abrir-se no teu coração coroada
nos olhos o beijo apaixonado
não sou nada, se deixar-te viver na dor
por mais que aos pés estranhos
nas mãos a cor seja o rubor
és a minha cor preferida
por aquele que sabe que se faz bonita
por mais que a inanição se espante
ao saber-te enamorada
se soubesses da minh'alma inquieta
encontra-me logo, dirias, antes que outro o faça
por mais que a quente noite venha contigo
junto das outras extremamente frias
sinto em teu corpo que dormes
na mais linda canção és a poesia
por mais que teus sons e ouvidos
sigam os bramidos do mar, o sibilar dos ventos
saberei das tuas estações, as tuas fases de lua
guardo o teu sorriso e nua na tão minha solidão
por mais que sejas a flor por um dia
o verde olhar nas montanhas
a distância dourada nos pertença
o quê fizemos do amor?
os nossos lábios sussurram:
o amor mora um no outro
"se convives entre os que mentem, diga sempre a verdade. além de dar menos preocupações e eles pensarão que estás mentindo."
Tango Confianzas -Confidences- from Gotan Project, subtitled, voice of Cecilia Roth
http://www.gotanproject.com/
"CLUB SECRETO" reminds us that Gotan Project's music grew out of dance music culture. Their first album went from being an underground favourite on the international tastemaker DJ circuit to a word of mouth, million selling hit album that heralded the revival of Tango on the world stage.
~.~.~
Se nada tenho além da alma
enquanto os teus olhos brilham
cristais a iluminar um rosto
na ausência de um coração
o solitário em voo rasante
pulsa a vida que a leva a gosto
n'algum lugar distante uma ternura
mãos que se encontravam no afeto
venhas para si nessa procura
emoções dadas num amor perfeito
para se amar tanto e de tão verdadeiro
se estranhos somos no topo do mundo
sem forças para saber o que nos oferecer
o rochoso tem um lado de aspereza
se nunca ninguém nos amou sem fenecer
nunca nos abraçamos e ninguém nos abraçou
em alguma parte de cada alma
reina em absoluto o completo silêncio
o frio das mãos buscam calor, é raro
é de longe os fios dourados do cabelo
nos lábios róseos que o beijo acalma
se a paixão inconcebida se aproxima
no amanhecer teu mistério o dia a dia
ainda sonha a noite a lágrima incontida
vão-se as vidas, nossa sina
em madrugadas, és o brilho das lanternas
movem seus corpos e as pessoas
andantes carentes de carinho
os passos para uma estrela invisível
se tens aos seus pés, diz o destino
tantos desvios para um só caminho
se nada tenho além da alma
a emoção que um coração palpita
o amor se esconde e a mente trama
se nada tenho que te confessa
pelas frestas tua alma se faz luz
haja vida em vida
onde houver a dor
do quê é feito o amor, amor?
se tudo é vida até a morte
é destino e nele haja o perdão
"se convives entre os que mentem, diga sempre a verdade.
além de dar menos preocupações e eles pensarão que estás mentindo."
Dulce Pontes-Canção do Mar (videoclip oficial) ] "Canção do Mar" é uma canção portuguesa com letra de Frederico de Brito e música de Ferrer Trindade, foi cantada por Amália Rodrigues em 1955, sob o título Solidão, no filme Os Amantes do Tejo. A mais conhecida versão, sendo incluída na trilha sonora do filme americano A Raiz do Medo (título inglês - "Primal Fear", no Brasil: As Duas Faces de Um Crime), a pedido de seu ator principal, Richard Gere. https://youtu.be/YGX-lJ9vs68
http://www.dulcepontes.net/
~.~.~
Não me Peçam Razões...
Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.
Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.
Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.
José Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
José de Sousa Saramago foi um escritor, argumentista, teatrólogo, ensaísta, jornalista, dramaturgo, contista, romancista e poeta português. Foi galardoado com o Nobel de Literatura de 1998. [16/11/1922, Azinhaga, Portugal - 18/06/2010, Tías, Espanha]
http://www.josesaramago.org/
~.~.~
O Citador é o maior site de citações, frases, textos e poemas genuínos e devidamente recenseados em língua portuguesa. [José Saramago - 50 textos - 12 poemas - 202 citações]
[Poema atribuido a Borges, pero cuyo real autor sería Don Herold o Nadine Stair]
Si pudiera vivir nuevamente mi vida,
en la próxima trataría de cometer más errores.
No intentaría ser tan perfecto, me relajaría más.
Sería más tonto de lo que he sido,
de hecho tomaría muy pocas cosas con seriedad.
Sería menos higiénico.
Correría más riesgos,
haría más viajes,
contemplaría más atardeceres,
subiría más montañas, nadaría más ríos.
Iría a más lugares adonde nunca he ido,
comería más helados y menos habas,
tendría más problemas reales y menos imaginarios.
Yo fui una de esas personas que vivió sensata
y prolíficamente cada minuto de su vida;
claro que tuve momentos de alegría.
Pero si pudiera volver atrás trataría
de tener solamente buenos momentos.
Por si no lo saben, de eso está hecha la vida,
sólo de momentos; no te pierdas el ahora.
Yo era uno de esos que nunca
iban a ninguna parte sin un termómetro,
una bolsa de agua caliente,
un paraguas y un paracaídas;
si pudiera volver a vivir, viajaría más liviano.
Si pudiera volver a vivir
comenzaría a andar descalzo a principios
de la primavera
y seguiría descalzo hasta concluir el otoño.
Daría más vueltas en calesita,
contemplaría más amaneceres,
y jugaría con más niños,
si tuviera otra vez vida por delante.
Pero ya ven, tengo 85 años...
y sé que me estoy muriendo.
~.~.~
Jorge Luis Borges Borges (1899-1986) es uno de los escritores más importantes del siglo XX, no solamente a nivel nacional en Argentina, su país de origen, sino mundialmente. Su obra incluye cuentos, ensayos y poemas. Sus ideas políticas fueron muy polémicas, lo cual se cree que conspiró en contra de que obtuviese el Premio Nobel de Literatura. De todos modos cosechó numerosos premios en el mundo, como el Cervantes en España. Entre sus poemas podemos encontrar Poema de los dones, Los justos, Ausencia, Ajedrez, Los espejos y Los Borges.
Poemas - Biografía - Línea del tiempo - Mapa de tiempo - Galería
A Fundação Projeto Travessia é uma organização social criada em Dez/1995, para defender e promover os direitos de crianças e adolescentes em situação de risco. Através de ações pedagógicas, do fortalecimento dos vínculos familiares e da valorização das potencialidades das crianças e dos adolescentes, a Fundação busca continuamente promover a garantia dos Direitos da Criança e do Adolescente junto à sociedade em geral, combatendo as violações a que estes cidadãos estão expostos.
O Travessia tem investido, desde sua criação, na articulação de parcerias necessárias para oferecer atendimento qualificado às crianças, adolescentes e suas famílias.
http://www.travessia.org.br/
~.~.~
Travessia - 1967 - Milton Nascimento e Fernando Brant
http://www.miltonnascimento.com.br/site/ e http://www.flavioventurini.com.br/
" Bom, nada mais inseguro do que um escritor numa conferência sobre segurança,
um escritor que se sente um pouco solitário porque foi o único convidado nesta e na anterior edição. Preciso de um abrigo, preciso de um refúgio. É um texto que vou ler...
o presidente tinha dito que eu devia falar espontaneamente.
Não sou capaz em sete minutos. Eu escrevi este texto que vou ler e chama-se Murar o Medo."
Murar o Medo
"Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.
E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe."
Pedro Aznar (Buenos Aires, 1959) é um compositor e intérprete argentino.
Tem o contra-baixo como instrumento primário. Utiliza também o piano a guitarra e outros instrumentos em arranjos diversos.
~.~.~
“Viviane et Merlin se reposant dans la forêt”
Paul Gustave Doré [06/01/ 832, Estrasburgo, França-23/01/1883, Paris, França] foi um pintor, desenhista e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros de meados do século XIX. https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Dor%C3%A9
Gustave Doré Art Collections
http://www.artsycraftsy.com/dore_prints.html
~.~.~
o medo que o amor pudesse me esquecer
depois de abrir meu coração
e deixar o teu amor entrar
nunca pensei que ele me deixaria triste
hoje não me importo mais, sorrio
sei o motivo do sol da manhã
sei de todos os meus medos
eles começaram a desaparecer
voaram juntos com os meus sentimentos
olha, o que encontrei como lembrança!
o medo que o amor pudesse me esquecer
não há mais perigo, nem raios, nem trovões
porque não me importo, nunca houve amor
nunca houve nada de importante
nada à importar para preencher o vazio
apenas o sucesso de sua vida vazia
nenhuma mão que valesse a pena segurar
nem me faz falta a sua mão para segurar
quando chove não sinto mais frio
o vento não sopra contra mim
aprendi a enfrentar as noites sozinho
não preciso da sua coragem para me perder
nem de uma aparente e morna paixão
dos que nunca souberam realmente
que não há motivo para amar
não posso te culpar, ama-se ou
todo mundo é obrigado a ser feliz
na aparência que se leva em conta
a fina e polida estampa dos culpados
no bolso algumas doses de felicidade
algumas cores da aparente euforia
o que sempre nos trai é a ambição
na busca de uma ilusão para ser feliz
quem nunca soube no imaginário ou real
que em sendo aquilo que se é
e podendo mais ser, seria amado
mas, nunca saberemos quem somos
do tal amor que tantos falam
que ninguém o vê ou se toca
se dura por um frágil momento
como uma faísca na escuridão
um amor é só para o meu tolo
e aos que não são ou se acham perfeitos
àqueles que estejam apenas longe de nós
se "longe é um lugar que não existe"
é o longe, a palavra que desiste de amar
"O Amor, meu amigo, o Amor é uma chispa da Luz Eterna, que penetra a nossa alma, e nela grava o cunho das coisas imperecíveis." Bezerra de Menezes
http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/nacional/bayeux_nicota.htm
Nicota Bayeux (1870: Campinas, SP – 1923: Idem).
Aluna do pintor Carlo de Servi, viajou para a Paris, estudando na Académie Julian.
1914 – Voltou ao Brasil no início da I Guerra Mundial.
Fontes:
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. p. 65, Artlivre, 1988.
Lourenço, Maria Cecília França et al. Dezenovevinte:uma virada no século. Pinacoteca do Estado de São Paulo (org). Apresentação de Jorge da Cunha Lima. Pinacoteca do Estado, 1986.
TARASANTCHI, Ruth Sprung. Pintores paisagistas em São Paulo: 1890-1920. ECA/USP, Tese de doutorado, orientador Frederic Michael Litto, 1986.
< http://www.acervos.art.br/gv/exposicoes/ruth/exposicoes>
~.~.~
"Aunque las noches sean largas"
[Ainda que as noites sejam longas]
Cuando tu mirar pousa en la boca
En el contorno de los labios se hace rosa
Por más que la respiración contenga
La flor de la rosa se emudece en la sonrisa
Cuando se hace lo brillo de esmeraldas
En la saudade el verde mirar en las montañas
Sólo hay tu cielo en tus constelares iris
Son tan cristalinas las lágrimas de los pampas
Cuando el sol descansa en luz dorada
En las carícias sobre los hilos largos del cabello
Music video by Mercedes Sosa performing Donde Termina El Asfalto.
(C) 2009 Sony Music Entertainment Argentina S.A.
http://www.mercedessosa.com.ar/biografia/
Haydée Mercedes Sosa [Mercedes Sosa - "La Negra"] foi uma cantora argentina, uma das mais famosas na América Latina. A sua música, tem raízes na música folclórica argentina. Ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como Nueva canción. Nascida no dia da Declaração da Independência, e na mesma cidade onde foi assinada, Mercedes sempre foi patriota. Afirmou inúmeras vezes que "pátria só temos uma". Foi também uma árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos da América Latina.
MERCEDES SOSA – LA NEGRA: THE DEFINITVE COLLECTION http://soundsandcolours.com/articles/argentina/mercedes-sosa-la-negra-the-definitve-collection-12305/
Apelidada de La Negra pelos fãs, devido à ascendência ameríndia (no exterior acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz". Sosa era Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO para a América Latina e o Caribe. Em 2000, ela ganhou o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica por Misa Criolla, feito que repetiria em 2003 com Acústico e em 2006 com Corazón Libre. Sua interpretação de "Balderrama", de Horacio Guarany, fez parte da trilha-sonora do filme de 2008 Che, sobre o lendário guerrilheiro argentino Che Guevara. Seu último álbum, Cantora, encontra-se indicado a três prêmios Grammy Latino.
LA NEGRA , ENTRE TOADAS E MILONGAS (Uma homenagem à Mercedes Sosa)
O obituário de Sosa no jornal londrino The Daily Telegraph afirmou que ela foi "uma intérprete incomparável de obras de seu compatriota, o argentino Atahualpa Yupanqui, e da chilena Violeta Parra". Helen Poopper da agência Reuters anunciou sua morte dizendo que ela "lutou contra os ditadores da América do Sul com sua voz e se tornou uma gigante da música latino-americana contemporânea". [09/07/1935, San Miguel de Tucumán - 04/10/2009, Buenos Aires, Argentina] http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa
sofre o coração
que só se faz ser feito
em branco brilho frio de neve
num pensamento satisfeito
o quê será?
o quê será de mim
se até aquilo que escrevo
não posso ser o que quis?
Se faço sempre o que não sou
Ai de mim!
Ai de mim!
pobre coração que não importa
o que não pode ser retirado
a branca adaga que o protege
é ter na mesma o ser que sangra
a existência cobre de palavras
e não pulsa em sentimento
vai-se na própria lembrança
o único momento de memória
Fui memória alheia
A história inventada
Só o começo, a poeira e o fim
Se ainda fosses tu para saber de mim
Para me dizer quem sou
Ai de mim!
Ai de mim!
sobre os cordiais nascerá o novo
nos que confiam no que são
e irão livres dos perdões
no clamor de ser pelas verdades
pobre é coração amargurado
em tantos teres, ter só a si mesmo
quando o engano pensa que ama
só importa o vazio de ser sucesso
o quê será?
o quê será que fiz de ti?
Será que fomos sós
neste nosso fim?
Ai de ti!
Ai de nós!
Ser o amor, se ter fosse possível
única verdade passível de abstração
nenhum coração o que tenha visto
pode ser d'uma diferente natureza
o amor não se tem certeza
basta ser o que se é
para sê-lo, basta ser
basta ser mais que uma falsa ideia
Será que foi amor?
Quem será que foi feliz?
Quem nos dirá somente a verdade?
A palavra tem um corpo
e nós estamos nus
Ai de mim!
Ai de nós!
Ai do existir!
Nascido em Crotone em 15 de Novembro de 1960, o pianista e compositor conhecido por seu talento e performer envolvente, inspira-se tanto na grande escola da música italiana, nos sons sul-americanos, na música clássica e nos grandes mestres do jazz.
Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol, conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. [11/05/1904, Figueres, Espanha - 23/01/1989, Figueres, Espanha]
Nacionalidade: Espanhol - Períodos: Surrealismo, Cubismo, Arte moderna, Dadaísmo
Chiara Civello - Outono [Rosa Passos/ Fernando De Oliveira]
http://www.chiaracivello.com/web/
¸.•°* ¸.•°*
O Nascimento de Vênus é uma pintura de Sandro Botticelli, encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco de Médici para a Villa Medicea di Castello. A obra está exposta na Galleria degli Uffizi, em Florença, na Itália. Material Têmpera - Galeria dos Ofícios - Pintura histórica - Criação: 1484–1486. http://www.italian-renaissance-art.com/Birth-of-Venus.html
¸.•°*¸.•°*
uma certeza dentro do nada
existe sempre uma saudade na alma
sorrateira como a fresta de uma janela
de conversa inútil e assaz companheira
num insistente empurrar dos dias
empurrar os dias, dos dias, nos dias
existe sempre um canto de pássaro
mania de amanhecer em doce lamento
um dia que vem ou vai-se em menos um
a madrugada enfraquecida vai-se embora
vai-se embora, o embora no embora
existe um sempre à bater no peito
dói intenso e sussurra de qualquer jeito
se esconde por trás de qualquer lágrima
e desaparece como tudo no tempo
tudo no tempo é o tempo do tempo
existe no sempre que finge em memória
sopra feroz as lembranças cansadas
em vento frio rodopia em funil
se abriga na noite o turbilhão da demora
o turbilhão da demora, a demora da demora
existe o sempre inútil afagar da tristeza
chama indolente de nenhum calor
empalidece os sonhos providos de cor
ir-se de vez no perder-se na dor
perder-se na dor, na dor, a dor da dor
existe sempre a palavra e o gesto
um pensamento sem ação
o verso se vai pelo reverso
um universo por um vazio
por um vazio de vazios num vazio
existe sempre um eu num adeus
o silêncio dos amantes incertos
há sempre um mais eu, num eu só
onde existirá sempre o nada de nós
deixando a certeza dentro do nada
existe sempre um aprender a cortar
aprender a cortar a palavra amor
a cortar com sofrimento de verso
aprender a cortar as palavras com dor
(se o amor está ausente, apenas o corpo foi-se embora)
BB King [Riley Ben King - 16/09/1925 Berclair, Mississippi, U.S.
- 14/05/2014 Las Vegas, Nevada, U.S.]
GenresBlues, R&B, electric blues, blues rock - Singer, songwriter, musician, record producer
- Vocals, guitar, piano (1948–2015).
BB King foi um guitarrista de Blues, pianista, compositor e cantor estado-unidense. O "B. B." em seu nome significa Blues Boy, B.B. King foi distinguido com 15 prémios Grammy, tendo ganho o epíteto de Rei dos Blues.
BB King 3 O'Clock Blues original 1950 78
In Mississippi's Delta area, Oct. 1939 Picking Cotton. Marion Post Wolcott.
Cotton picker - A história do Blues
Riley Ben King nasceu numa fazenda de algodão em 16 de setembro de 1925 em Itta Bena, perto de Indianola, no Mississippi, Estados Unidos. Teve uma infância difícil – aos 9 anos, vivia sozinho e colhia algodão para se sustentar. Começou por tocar, a troco de algumas moedas, na esquina da Second Street. Chegou mesmo a tocar em quatro cidades diferentes aos sábados à noite.
No ano de 1947, partia para Memphis, no Tennessee, apenas com sua guitarra e $2,50 dólares. Como pretendia seguir a carreira musical, a cidade de Memphis, onde se cruzavam todos os músicos importantes do sul dos Estados Unidos, sustentava uma vasta competitiva comunidade musical em que todos os estilos musicais negros eram ouvidos.
O seu estilo foi inspirador para muitos guitarristas de rock. Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck foram apenas alguns dos que seguiram a sua técnica como modelo.
Nunez's original autographed BB King - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Autographed_BB_King.JPG
Em 1969, B. B. King foi escolhido para a abertura de 18 concertos dos Rolling Stones. Em 1970 fez uma turnê por Uganda, Nigéria e Libéria, com o patrocínio governamental dos E.U.A.
Começou a participar da maioria dos festivais de Jazz por todo o mundo, incluindo o Newport Jazz Festival e o Kool Jazz Festival New York, e sua presença tornou-se regular no circuito por universidades e colégios.
B. B. King fez turnês pela Austrália, Nova Zelândia, Japão, França, Alemanha Ocidental, Países Baixos, Irlanda, Suécia, Rússia, Bélgica, entre outros países do mundo e na América Latina, com concertos no México, Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Paraguai.
http://pt.wikipedia.org/wiki/B._B._King
Tribute to BB King: Legend of BB King (A Blues Guitar Tribute for BB King 1925 to 2015)
"A coisa bonita sobre a aprendizagem é que ninguém pode tirar de você." B.B. King
In Memoriam
Maria Gabriela Llansol é o centro deste documentário que percorre as paisagens de sua escrita em Portugal e na Bélgica.
direção - gabriel sanna e lucia castello branco
produção - literaterras
https://literaterras.wordpress.com/
Maria Gabriela Llansol - Escritora portuguesa de ascendência espanhola, (Lisboa, 1931 - Sintra, 2008). Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica, regressando posteriormente a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea.
A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998), Onde Vais Drama Poesia? (2000), Cantileno (2000), Parasceve. Puzzles e Ironias (2001), O Senhor de Herbais. Breves ensaios literários sobre a reprodução estética do mundo, e suas tentações (2002), O Começo de Um Livro é Precioso (2003), O Jogo da Liberdade da Alma (2003), Amigo e Amiga. Curso de silêncio de 2004 (2006).
Os cogumelos são, de facto, nus e, na orla do bosque,
confundem-se com o que eu não gostaria de ser; este cogumelo sonha,
a Sulamita fechou-o numa gaiola e, posto em pássaro, começou
a fenecer, e tornou-se pálido; mais tarde, lembrou-se dele
e ele rapidamente voou para uma nascente a alimentar-se de
água, de insectos e de perfumes;
ao acordar, a amada torturava-se com perguntas____ de
quem seria o pássaro a paciência? a paciência do meu cântico?,
o próprio seu amado perdido entre mulheres corsas,
veados-palmeiras,
musgos-pavão,
pés velozes de mirra,
beijos-lábios de nacre,
rostos-vinhas,
uno-uno,
este amor entre mil?
Aos cogumelos que bordam o bosque e, de espécie em espécie,
vêm até à clareira, numa gradação subtil de venenos e de expansão,
também foi anunciada uma boa-nova;
agarrados aos pés das árvores, os micorrizos dão-lhes de beber
e ajudam-nas a assimilar os elementos minerais do solo; sem
eles, as árvores jamais teriam abandonado o seu meio aquático
de origem; foi essa boa-nova que o gnomo lhes veio dizer
que era bom que assim fosse,
e eles viram que eram, de facto, magistrais os sonhos que davam
às árvores, conforme lhes anunciava o pequeno ente nascido
de uma fantasia virgem,
vegetalmente virgem
este conceito de vegetalmente virgem faz parte dos resplendores
que me orientam na leitura do Cântico pela manhã
basta reparar na profusão dos seus vocativos
como a língua se expande e se objectiva
em torno do facto incompreensível de o amor ser tão insaciável
como a morte,
uma morte dando a morte à outra
e os arbustos e perfumes, em volta desse conceito
maravilhosamente operativo,
perguntam à Sulamita o que o seu amado tem de particular,
sobretudo, que tem ele que elas também não tenham nos seus
e ela desce ao pormenor de lhes dizer como ele a faz e insiste
que há sempre alguém à beira de o colher, ignorando se
se trata de um venenoso; é evidente que onde o meu é jubiloso
pode ser venenoso nas outras; assim de distinguem (e apenas)
uns dos outros
se o seu sonho fosse colhido, e perdesse o seu significado,
seria a morte do meu micorrizo; corram arbustos, vejam na
superfície da água,
atentem nos ramos,
algures, se deve achar o meu pássaro ressuscitado; a própria
clareira ouvia o apelo, se houvesse montes e colinas, tê-lo-iam
certamente ouvido,
fechou-se na minha antecâmara, penetrou nos meus luxuosos
apartamentos, brincou com os brincos e os colares, com os
mamilos e os dedos, com os tecidos e os lábios,
com as colunas e as minhas longas pernas onde gosta de se
enrolar como heras e vinha virgem, embrenhou-se, parou ofegante,
deslizava pela minha pele mais escura que a noite, corria pelas
minhas formas mais firmes que o solo dos seus combates
e, finalmente, depôs em mim o segrego do seu veneno; quando
acordei, estava só, e tive medo que tivesse morrido ou,se morto,
eu não conseguisse encontrá-lo como meu, ou eu?
minhas irmãs, clareira minha, dizei-me como pode um espírito
reconhecer sem corpo o espírito do seu amado? Como o reconheceis
agora, não fora o segredo venenoso que deixou em
vós, árvores levantadas em pleno dia, e pleno sol?
Uma tão profunda associação entre matérias tão diferentes
não tem como finalidade dar à morte a própria morte e continuar
a metamorfose da vida?
Olhando atentamente o comprimento do chão à sua volta, a
Sulamita
sentia cada vez mais com mais profundidade que o segredo
venenoso do seu amado era o seu problema
onde cantava os amores que os uniam,
ou seja,
pensou ela,
é vital que o micorrizo se metamorfoseie em pássaro estonteado
e livre,
como fora possível não o ter compreendido antes?
e, de facto,
encontrava-se estendido entre as frases do seu poema,
confundido com a linguagem, escondido atrás do volta, volta, insistente,
vestido de onde estás, porque andas fugido?,
mas, mal o levou à cópia do seu coração,
ele levou-lhe a alma,
e mergulhou-a na nascente
e ela perguntou-se porque razão não somos mais?
enquanto a água a penetrava, fresca e renovada, as imagens da água,
tais como cópias da noite, abatiam-se sobre ela
o prazer de um não é o prazer do outro
tu queres-me, podes, possuis e devastas
eu quero-te, posso, saio de mim e entrego-me às puras imagens
esse é o trabalho de nos fazermos, uma parte humana e outra
a mais longe possível do humano, corças, cães, veados, mirra,
sol, vinha, perfume
e que entre eles,
oscile, ó peço-te, o que há-de escrever eternamente os nossos sonhos.
in «Onde Vais, Drama-Poesia?», págs 146 - 149
'III Em Busca da troca Verdadeira (1982-1992)'
Lisboa, Relógio D'Água Editores
ZUNÁI - Revista de poesia & debates
ESTE TEXTO PODIA CONTINUAR ASSIM:
DERIVAS A PARTIR DE ONDE VAIS, DRAMA-POESIA?,
DE MARIA GABRIELA LLANSOL
por Érica Zíngano
“Só nos aproximamos desviando”
Maurice Blanchot
“É a minha própria casa, mas creio que vim fazer uma visita a alguém”
Maria Gabriela Llansol
MARCO ZERO,
Este texto podia começar assim, como uma repetição, uma marcação rítmica – foi a primeira ideia que despontou, como um lampejo, e me fez partir para tentar elaborar um desenho de pensamento, de procedimento de composição, a partir de Maria Gabriela Llansol: um texto que pudesse começar e recomeçar, para desenhar no espaço vários começos possíveis, através de enumerações repetitivas, mas sempre diferentes, outros pontos de partida, eternos retornos em diferença, onde, assim, o texto ganharia fôlego para partir outra vez, à deriva, porque a textualidade[i] llansoliana permite uma infinitude de aproximações:
(…) nesta ordem de ler, ler é nunca chegar ao fim de um livro respeitando-lhe a sequência coercitiva das frases, e das páginas. Uma frase, lida destacadamente, aproximada de outra que talvez já lhe correspondesse em silêncio, é uma alma crescendo. Eu não consigo abranger a infinitude do número e da harmonia das almas, nem texto de um verdadeiro livro,
nem a terra de um jardim que se mantém há gerações. (LLANSOL, 2000a, p. 45).
"_______ escrevo,
para que o romance não morra.
Escrevo, para que continue,
mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,
mesmo que se chegue a duvidar se ainda é ele,
mesmo que o faça atravessar territórios desconhecidos,
mesmo que o leve a contemplar paisagens que lhe são tão
difíceis de nomear. (LLANSOL, 1994, p. 116)."
Por conta de outra leitura, .....
(visite o site e aprecie na íntegra.) http://www.revistazunai.com/ensaios/erica_zingano_derivas.htm
Érica Zíngano é poeta e mestranda em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). A poeta cearense, publicou poemas em plaquete editada pelo centro cultural Dragão do Mar.
Leia também poemas da autora. http://www.revistazunai.com/poemas/erica_zingano.htm
¸.•°¸.•°¸.•°
O meu agradecimento especial ao gabriel sanna e lucia castello branco
e a produção - literaterras
https://literaterras.wordpress.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Literaterras/128150670589412
aos autores nos sites que integram esta postagem
Tenderly [Walter Gross-Jack Lawrence-1946]-E. Higgins and Scott Hamilton[sax]
¸.•°.•°.•°
Orson Welles 100 anos
"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho."
George Orson Welles[ 06/05/1915, Kenosha, Wisconsin - 10/10/1985, Hollywood, L A, Califórnia, EUA] Ator, Diretor, Produtor e Dramaturgo.
Oriundo do teatro e do rádio, a estreia de Orson Welles no cinema foi com o Cidadão Kane, obra gestada com todos os requintes de um clássico. Os filmes para conhecer Orson Welles:
Cidadão Kane (1941), O processo (1962), Othelo (1952), It's all true ( 1942), Soberba (1942)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Orson_Welles
¸.•°.•°.•°
finalmente, a hora dos fantasmas
virar-se para trás
e olhar novamente
não era a hora
não agora
um dedo na artéria
sem pulso
nenhum calafrio
sem um único som
apenas uma linha
a um passo de cá
a um passo de lá
é preciso pressa em passos largos
um pouco de sorte
a liberdade dos sofrimentos
separar um pouco de caos
um arrepio pela espinha
virar-se para trás
e olhar novamente
no meio da escuridão
o silêncio é de um tempo imenso
O eco faz o eco
de eco
em eco
marcando o compasso do vazio
olhar para si sem barulho
depois que os trovões se emudeçam
a chuva caia em silêncio
num sono da única pessoa do mundo
um corpo para repousar num colchão azul
onde não há mais a fome
nem o insaciável devorar de outro cérebro
só um breve aceno de uma estátua
O tempo desmorona as casas
enruga as faces
desbota as cores
é a razão que me mortifica
virar-se para trás
e olhar novamente
é preciso contar dez segundos
um rápido olhar no relógio e não há mais tempo
virar-se para trás
e olhar novamente
é o tempo sem tempo
finalmente chegou para acordar todos os fantasmas
Escritor e artista plástico. Tem cerca de vinte livros publicados (poesia, ensaio, conto, romance), destacando-se entre eles: Caronte (romance, 1995), Antologia poética (1996), Da inutilidade da poesia (ensaio, 2002), Poemas reunidos (2005) e Dedal de areia (poesia). Como artista plástico, fez cerca de 70 exposições. Doutor em Letras, ensina na Universidade Estadual de Feira de Santana, onde reside.
http://a-brasileiro.blogspot.com.br/
O poeta, pintor e ensaísta baiano Antonio Brasileiro (1944-) já foi apresentado neste correio poético na edição n. 26, dez anos atrás. De lá para cá, ele não só produziu regularmente como também publicou diversas coletâneas de poesia, entre as quais Poemas Reunidos (2005), Dedal de Areia (2006) e Desta Varanda (2011).
A leitura desses volumes revela um poeta de estilo cada vez mais marcante e refinado que se inscreve, sem dúvida, entre as vozes mais expressivas da atual poesia brasileira.