terça-feira, 28 de julho de 2015

CONFERÊNCIAS DO ESTORIL - CE 2011 "Murar o Medo" - Mia Couto

CONFERÊNCIAS DO ESTORIL Desafios Globais - Respostas Locais 

Orador
MIA COUTO - CE 2011 - 2011.05.06
http://www.estorilconferences.org/pt/archive/2011/speakers/mia-couto-ce-2011
" Bom, nada mais inseguro do que um escritor numa conferência sobre segurança, 
um escritor que se sente um pouco solitário porque foi o único convidado nesta e na anterior edição. Preciso de um abrigo, preciso de um refúgio. É um texto que vou ler... 
o presidente tinha dito que eu devia falar espontaneamente. 
Não sou capaz em sete minutos. Eu escrevi este texto que vou ler e chama-se Murar o Medo."

Murar o Medo

"Os que trabalham têm medo de perder o trabalho; os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho; quando não têm medo da fome têm medo da comida; os civis têm medo dos militares; os militares têm medo da falta de armas e as armas têm medo da falta de guerras.

E, se calhar, acrescento agora eu: há quem tenha medo que o medo acabe."

Muito obrigado.
MIA COUTO 

terça-feira, 7 de julho de 2015

o medo que o amor pudesse me esquecer


Pedro Aznar - Fragilidad [Sting]
http://www.pedroaznar.com.ar/
Pedro Aznar (Buenos Aires, 1959) é um compositor e intérprete argentino.
Tem o contra-baixo como instrumento primário. Utiliza também o piano a guitarra e outros instrumentos em arranjos diversos.

~.~.~
“Viviane et Merlin se reposant dans la forêt”

Paul Gustave Doré  [06/01/ 832, Estrasburgo, França-23/01/1883, Paris, França] foi um pintor, desenhista e o mais produtivo e bem-sucedido ilustrador francês de livros de meados do século XIX.  https://pt.wikipedia.org/wiki/Gustave_Dor%C3%A9
Gustave Doré Art Collections
http://www.artsycraftsy.com/dore_prints.html
~.~.~

o medo que o amor pudesse me esquecer

depois de abrir meu coração 
e deixar o teu amor entrar 
nunca pensei que ele me deixaria triste
hoje não me importo mais, sorrio 

sei o motivo do sol da manhã
sei de todos os meus medos 
eles começaram a desaparecer 
voaram juntos com os meus sentimentos

olha, o que encontrei como lembrança!
o medo que o amor pudesse me esquecer
não há mais perigo, nem raios, nem trovões
porque não me importo, nunca houve amor

nunca houve nada de importante
nada à importar para preencher o vazio
apenas o sucesso de sua vida vazia
nenhuma mão que valesse a pena segurar

nem me faz falta a sua mão para segurar
quando chove não sinto mais frio
o vento não sopra contra mim
aprendi a enfrentar as noites sozinho

não preciso da sua coragem para me perder
nem de uma aparente e morna paixão
dos que nunca souberam realmente
que não há motivo para amar

não posso te culpar, ama-se ou
todo mundo é obrigado a ser feliz
na aparência que se leva em conta
a fina e polida estampa dos culpados

no bolso algumas doses de felicidade
algumas cores da aparente euforia
o que sempre nos trai é a ambição
na busca de uma ilusão para ser feliz

quem nunca soube no imaginário ou real
que em sendo aquilo que se é
e podendo mais ser, seria amado
mas, nunca saberemos quem somos

do tal amor que tantos falam
que ninguém o vê ou se toca
se dura por um frágil momento
como uma faísca na escuridão

um amor é só para o meu tolo
e aos que não são ou se acham perfeitos
àqueles que estejam apenas longe de nós
se "longe é um lugar que não existe"
é o longe, a palavra que desiste de amar

"O Amor, meu amigo, o Amor é uma chispa da Luz Eterna, que penetra a nossa alma, e nela grava o cunho das coisas imperecíveis."  Bezerra de Menezes

quinta-feira, 11 de junho de 2015

"Aunque las noches sean largas" [Ainda que as noites sejam longas]


Mercedes Sosa - Vuelvo al Sur[ Astor Piazzolla-Fernando "Pino" Solanas]
¸.•°¸.•°¸.•°  

http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/default.aspx?c=exposicoes&idexp=1282&mn=537&friendly=Exposicao-Mulheres-pintoras-as-pioneiras-1880---1930

http://www.brasilartesenciclopedias.com.br/nacional/bayeux_nicota.htm
Nicota Bayeux (1870: Campinas, SP – 1923: Idem).
Aluna do pintor Carlo de Servi, viajou para a Paris, estudando na Académie Julian.
1914 – Voltou ao Brasil no início da I Guerra Mundial.
Fontes:
LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário Crítico da Pintura no Brasil. p. 65, Artlivre, 1988.
Lourenço, Maria Cecília França et al. Dezenovevinte:uma virada no século. Pinacoteca do Estado de São Paulo (org). Apresentação de Jorge da Cunha Lima. Pinacoteca do Estado, 1986.
TARASANTCHI, Ruth Sprung. Pintores paisagistas em São Paulo: 1890-1920. ECA/USP, Tese de doutorado, orientador Frederic Michael Litto, 1986.
< http://www.acervos.art.br/gv/exposicoes/ruth/exposicoes>
~.~.~

"Aunque las noches sean largas" 
[Ainda que as noites sejam longas]

Cuando tu mirar pousa en la boca 
En el contorno de los labios se hace rosa 
Por más que la respiración contenga 
La flor de la rosa se emudece en la sonrisa

Cuando se hace lo brillo de esmeraldas 
En la saudade el verde mirar en las montañas 
Sólo hay tu cielo en tus constelares iris 
Son tan cristalinas las lágrimas de los pampas

Cuando el sol descansa en luz dorada 
En las carícias sobre los hilos largos del cabello 
Hube querido el viento desvelara tu secreto 
De un corazón en desesperación enamorada

Cuando las nubes se oscurecen de ceniza 
Tu cuerpo se abraza en la cortina de lluvia 
La primavera de las flores lilases y amarillas 
Mojan en el vestido la tez blanda de un amor

Cuando tus noches no quieren dormir 
El quê hacer si los corazones estremecieron? 
Los suspiros quedaron entrecortados y breves 
Tal vez por un nombre que le vino a la mente

Cuando en tu corazón soportas todo callada 
En una hipótesis abstracta que era un sueño 
Más que en un deseo insaciável de vivir 
En el imposible vivir sin acontecer el deseo

Cuando tu corazón se cierra n' otra que abre 
Como se cierra la puerta en medio la oscuridad 
El mundo para en el silencio del que podría ser 
Olvidas de los momentos el tiempo de la soledad

Cuando se deshace el temor en la insensatez 
Tu sur se encuentra al sur de un amor 
Los sueños que te encuentran en las canciones 
Han de brillar en tu mirar de inmensa luz

Cuando la noche sea sedosa y caliente 
De suspiros profundos y entrecortados 
Sea por donde, serás siempre el inusitado 
Serás a que has visto la luna últimamente

Cuando propongas indagar-se desnuda 
Si aún sé que guardo tu mirar 
Como sé de tus noches siempre iguales 
Del amor, donde sólo tu recuerdo revive

Sabrás de un cielo a acechar la noche 
N'algún lugar guardando el inesquecível 
En la pasión de tus secretos no vividos 
En el rostro el iluminar de un sol con prisa

Aunque tus noches sean largas 
Seas la larga espera como la mía 
Aunque todas las noches sean una 
Eres la única noche como el tuyo ame desea

Gracias Melaína por la traducción 
"Melaína kholé" - Buenos Aires - Argentina 
Desescrupulada - http://desescrupulada.blogspot.com/
~.~.~
Amigo Armando este es mi último poema.

"Tu amor bendice mis grietas en la intimidad de mi almohada.
Multiplica panes y peces,
dibuja sus haikus en mi piel de arroz
corcheas y pentagramas consagrados en tu mística.
traeme tu nocturna voz de blues.
vení, musicalizame el alma.."

~ Melaína Kholé ~

Haydée Mercedes Sosa [Mercedes Sosa - "La Negra"]


Music video by Mercedes Sosa performing Donde Termina El Asfalto. 
(C) 2009 Sony Music Entertainment Argentina S.A.


http://www.mercedessosa.com.ar/biografia/

Haydée Mercedes Sosa [Mercedes Sosa - "La Negra"] foi uma cantora argentina, uma das mais famosas na América Latina. A sua música, tem raízes na música folclórica argentina. Ela se tornou uma das expoentes do movimento conhecido como Nueva canción.  Nascida no dia da Declaração da Independência, e na mesma cidade onde foi assinada, Mercedes sempre foi patriota. Afirmou inúmeras vezes que "pátria só temos uma". Foi também uma árdua defensora do Pan-americanismo e da integração dos povos da América Latina.
MERCEDES SOSA – LA NEGRA: THE DEFINITVE COLLECTION http://soundsandcolours.com/articles/argentina/mercedes-sosa-la-negra-the-definitve-collection-12305/

Apelidada de La Negra pelos fãs, devido à ascendência ameríndia (no exterior acreditava-se erroneamente que era devido a seus longos cabelos negros), ficou conhecida como a voz dos "sem voz". Sosa era Embaixadora da Boa Vontade da UNESCO para a América Latina e o Caribe. Em 2000, ela ganhou o Grammy Latino de melhor álbum de música folclórica por Misa Criolla, feito que repetiria em 2003 com Acústico e em 2006 com Corazón Libre. Sua interpretação de "Balderrama", de Horacio Guarany, fez parte da trilha-sonora do filme de 2008 Che, sobre o lendário guerrilheiro argentino Che Guevara. Seu último álbum, Cantora, encontra-se indicado a três prêmios Grammy Latino.
LA NEGRA , ENTRE TOADAS E MILONGAS (Uma homenagem à Mercedes Sosa)
http://www.artividadeprojetos.com/products/la-negra-,-entre-toadas-e-milongas-(uma-homenagem-%C3%A0-mercedes-sosa)/

O obituário de Sosa no jornal londrino The Daily Telegraph afirmou que ela foi "uma intérprete incomparável de obras de seu compatriota, o argentino Atahualpa Yupanqui, e da chilena Violeta Parra". Helen Poopper da agência Reuters anunciou sua morte dizendo que ela "lutou contra os ditadores da América do Sul com sua voz e se tornou uma gigante da música latino-americana contemporânea". [09/07/1935, San Miguel de Tucumán - 04/10/2009, Buenos Aires, Argentina] http://pt.wikipedia.org/wiki/Mercedes_Sosa


domingo, 7 de junho de 2015

O quê será de mim?


Fiorella Mannoia - Torno al Sud [Vuelvo al Sur - Astor Piazzolla]
© Sito Ufficiale di Fiorella Mannoia   http://www.fiorellamannoia.it/

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"GEISHA JAPAN" Official News Letter  
http://geishajapan.com/

https://www.facebook.com/geishajapan/info?tab=page_info

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O quê será de mim?

sofre o coração
que só se faz ser feito
em branco brilho frio de neve
num pensamento satisfeito

o quê será?
o quê será de mim
se até aquilo que escrevo
não posso ser o que quis?
Se faço sempre o que não sou
Ai de mim!
Ai de mim!

pobre coração que não importa
o que não pode ser retirado
a branca adaga que o protege
é ter na mesma o ser que sangra

a existência cobre de palavras
e não pulsa em sentimento
vai-se na própria lembrança
o único momento de memória

Fui memória alheia
A história inventada
Só o começo, a poeira e o fim
Se ainda fosses tu para saber de mim
Para me dizer quem sou
Ai de mim!
Ai de mim!

sobre os cordiais nascerá o novo
nos que confiam no que são
e irão livres dos perdões
no clamor de ser pelas verdades

pobre é coração amargurado
em tantos teres, ter só a si mesmo
quando o engano pensa que ama
só importa o vazio de ser sucesso

o quê será?
o quê será que fiz de ti?
Será que fomos sós
neste nosso fim?
Ai de ti!
Ai de nós!

Ser o amor, se ter fosse possível
única verdade passível de abstração
nenhum coração o que tenha visto
pode ser d'uma diferente natureza

o amor não se tem certeza
basta ser o que se é
para sê-lo, basta ser
basta ser mais que uma falsa ideia

Será que foi amor?
Quem será que foi feliz?
Quem nos dirá somente a verdade?
A palavra tem um corpo
e nós estamos nus
Ai de mim!
Ai de nós!
Ai do existir!

sábado, 23 de maio de 2015

nada ser além da dor

Niente - Sergio Cammariere (Widescreen)
SERGIO CAMMARIERE - OFFICIAL WEBSITE 
http://www.sergiocammariere.com/
Nascido em Crotone em 15 de Novembro de 1960, o pianista e compositor conhecido por seu talento e performer envolvente, inspira-se tanto na grande escola da música italiana, nos sons sul-americanos, na música clássica e nos grandes mestres do jazz. 
http://biografieonline.it/biografia.htm?BioID=1628&biografia=Sergio+Cammariere
http://it.wikipedia.org/wiki/Sergio_Cammariere
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The Image Disappears - Dalí i Domènech, Salvador
© Salvador Dalí, Fundació Gala-Salvador Dalí, Figueres, 2014.
http://www.salvador-dali.org/museus/teatre-museu-dali/en_index/

As obras de Salvador Dalí
“O surrealismo é destrutivo, mas ele destrói somente o que acha que limita nossa visão.”
https://www.westwing.com.br/magazin/lifestyle-cult/obras-de-salvador-dali/

Salvador Domingo Felipe Jacinto Dali i Domènech, 1º Marquês de Dalí de Púbol, conhecido apenas como Salvador Dalí, foi um importante pintor catalão, conhecido pelo seu trabalho surrealista. [11/05/1904, Figueres, Espanha - 23/01/1989, Figueres, Espanha]
Nacionalidade: Espanhol - Períodos: Surrealismo, Cubismo, Arte moderna, Dadaísmo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_Dal%C3%AD
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nada ser além de dor

um passo e as bocas se abrem 
clamam:  o mundo está pronto!
o céu não é mais um limite.
mas só há um passo entre tantos

um passo e o chorar na chuva
o sentimentalismo envergonhado
se nesses lábios entre tantos
fosse um só beijo apaixonado

um passo por lá enquanto é tempo
os passos sem sentido pela vida
o medo circulando pelas ruas
um riso em meia boca de terror

um passo e os corpos dançam
se buscam nas canções de amor
a cada sinfonia inacabada
por um simples calor humano

um passo e a esperança se vai
entre as mil folhas pelo vento
se a dor não passa ou talvez passe
mas a saudade não, não a tristeza 

um passo atrás do outro
a flor voltará com outro inverno
a paz, pouco a pouco, se fará
e a neve cobrirá os corações

um passo e a vida passará 
do amor do faz de conta
como nada se passasse
a nada ser além da dor

um passo rápido
uma ilusão para viver
a vida passa
no mundo tudo passa

quarta-feira, 20 de maio de 2015

uma certeza dentro do nada


Chiara Civello - Outono [Rosa Passos/ Fernando De Oliveira] 
http://www.chiaracivello.com/web/
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O Nascimento de Vênus é uma pintura de Sandro Botticelli, encomendada por Lorenzo di Pierfrancesco de Médici para a Villa Medicea di Castello. A obra está exposta na Galleria degli Uffizi, em Florença, na Itália. Material Têmpera - Galeria dos Ofícios -  Pintura histórica - Criação: 1484–1486. http://www.italian-renaissance-art.com/Birth-of-Venus.html

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uma certeza dentro do nada

existe sempre uma saudade na alma
sorrateira como a fresta de uma janela
de conversa inútil e assaz companheira
num insistente empurrar dos dias

empurrar os dias, dos dias, nos dias

existe sempre um canto de pássaro
mania de amanhecer em doce lamento
um dia que vem ou vai-se em menos um
a madrugada enfraquecida vai-se embora

vai-se embora, o embora no embora

existe um sempre à bater no peito
dói intenso e sussurra de qualquer jeito
se esconde por trás de qualquer lágrima
e desaparece como tudo no tempo

tudo no tempo é o tempo do tempo

existe no sempre que finge em memória
sopra feroz as lembranças cansadas
em vento frio rodopia em funil
se abriga na noite o turbilhão da demora

o turbilhão da demora, a demora da demora

existe o sempre inútil afagar da tristeza
chama indolente de nenhum calor
empalidece os sonhos providos de cor
ir-se de vez no perder-se na dor

perder-se na dor, na dor, a dor da dor

existe sempre a palavra e o gesto
um pensamento sem ação
o verso se vai pelo reverso
um universo por um vazio

por um vazio de vazios num vazio

existe sempre um eu num adeus
o silêncio dos amantes incertos
há sempre um mais eu, num eu só
onde existirá sempre o nada de nós

deixando a certeza dentro do nada

existe sempre um aprender a cortar
aprender a cortar a palavra amor
a cortar com sofrimento de verso
aprender a cortar as palavras com dor

(se o amor está ausente, apenas o corpo foi-se embora)

sábado, 16 de maio de 2015

B.B. King - "A coisa bonita sobre a aprendizagem é que ninguém pode tirar de você."

Plantação de algodão no delta do rio Mississippi.
BBKING.COM
The Official Website
http://www.bbking.com/
B.B. King Museum
http://www.bbkingmuseum.org/
BB King [Riley Ben King - 16/09/1925 Berclair, Mississippi, U.S.
- 14/05/2014 Las Vegas, Nevada, U.S.] 
Genres Blues, R&B, electric blues, blues rock - Singer, songwriter, musician, record producer
- Vocals, guitar, piano (1948–2015).  
BB King foi um guitarrista de Blues, pianista, compositor e cantor estado-unidense. O "B. B." em seu nome significa Blues Boy, B.B. King foi distinguido com 15 prémios Grammy, tendo ganho o epíteto de Rei dos Blues.
BB King 3 O'Clock Blues original 1950 78
In Mississippi's Delta area, Oct. 1939 Picking Cotton. Marion Post Wolcott.
Cotton picker - A história do Blues
Riley Ben King nasceu numa fazenda de algodão em 16 de setembro de 1925 em Itta Bena, perto de Indianola, no Mississippi, Estados Unidos. Teve uma infância difícil – aos 9 anos, vivia sozinho e colhia algodão para se sustentar. Começou por tocar, a troco de algumas moedas, na esquina da Second Street. Chegou mesmo a tocar em quatro cidades diferentes aos sábados à noite.

No ano de 1947, partia para Memphis, no Tennessee, apenas com sua guitarra e $2,50 dólares. Como pretendia seguir a carreira musical, a cidade de Memphis, onde se cruzavam todos os músicos importantes do sul dos Estados Unidos, sustentava uma vasta competitiva comunidade musical em que todos os estilos musicais negros eram ouvidos.
O seu estilo foi inspirador para muitos guitarristas de rock. Mike Bloomfield, Albert Collins, Buddy Guy, Freddie King, Jimi Hendrix, Otis Rush, Johnny Winter, Albert King, Eric Clapton, George Harrison e Jeff Beck foram apenas alguns dos que seguiram a sua técnica como modelo.
Nunez's original autographed BB King - http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Autographed_BB_King.JPG

Em 1969, B. B. King foi escolhido para a abertura de 18 concertos dos Rolling Stones. Em 1970 fez uma turnê por Uganda, Nigéria e Libéria, com o patrocínio governamental dos E.U.A.  
 Começou a participar da maioria dos festivais de Jazz por todo o mundo, incluindo o Newport Jazz Festival e o Kool Jazz Festival New York, e sua presença tornou-se regular no circuito por universidades e colégios.
 B. B. King fez turnês pela Austrália, Nova Zelândia, Japão, França, Alemanha Ocidental, Países Baixos, Irlanda, Suécia, Rússia, Bélgica, entre outros países do mundo e na América Latina, com concertos no México, Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, Peru e Paraguai.
http://pt.wikipedia.org/wiki/B._B._King
Tribute to BB King: Legend of BB King (A Blues Guitar Tribute for BB King 1925 to 2015)
"A coisa bonita sobre a aprendizagem é que ninguém pode tirar de você." B.B. King
In Memoriam

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Maria Gabriela Llansol - Um documentário que percorre as paisagens de sua escrita em Portugal e na Bélgica.


Publicado em 28 de junho de 2014
Maria Gabriela Llansol é o centro deste documentário que percorre as paisagens de sua escrita em Portugal e na Bélgica.
direção - gabriel sanna e lucia castello branco
produção - literaterras
https://literaterras.wordpress.com/

Maria Gabriela Llansol - Escritora portuguesa de ascendência espanhola, (Lisboa, 1931 - Sintra,  2008).  Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica, regressando posteriormente a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. 
A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998), Onde Vais Drama Poesia? (2000),  Cantileno (2000), Parasceve. Puzzles e Ironias (2001), O Senhor de Herbais. Breves ensaios literários sobre a reprodução estética do mundo, e suas tentações (2002), O Começo de Um Livro é Precioso (2003), O Jogo da Liberdade da Alma (2003), Amigo e Amiga. Curso de silêncio de 2004 (2006). 
http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor2/1990/11/   
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  Os cogumelos são, de facto, nus e, na orla do bosque,
confundem-se com o que eu não gostaria de ser; este cogumelo sonha,

a Sulamita fechou-o numa gaiola e, posto em pássaro, começou
a fenecer, e tornou-se pálido; mais tarde, lembrou-se dele
e ele rapidamente voou para uma nascente a alimentar-se de
água, de insectos e de perfumes;

ao acordar, a amada torturava-se com perguntas____ de
quem seria o pássaro a paciência? a paciência do meu cântico?,
o próprio seu amado perdido entre mulheres corsas,
veados-palmeiras,
musgos-pavão,
pés velozes de mirra,
beijos-lábios de nacre,
rostos-vinhas,
uno-uno,
este amor entre mil?
    Aos cogumelos que bordam o bosque e, de espécie em espécie,
vêm até à clareira, numa gradação subtil de venenos e de expansão,
também foi anunciada uma boa-nova;

agarrados aos pés das árvores, os micorrizos  dão-lhes de beber
e ajudam-nas a assimilar os elementos minerais do solo; sem
eles, as árvores jamais teriam abandonado o seu meio aquático
de origem; foi essa boa-nova que o gnomo lhes veio dizer

que era bom que assim fosse,
e eles viram que eram, de facto, magistrais os sonhos que davam
às árvores, conforme lhes anunciava o pequeno ente nascido
de uma fantasia virgem,
vegetalmente virgem

este conceito de vegetalmente virgem  faz parte dos resplendores
que me orientam na leitura do Cântico pela manhã
basta reparar na profusão dos seus vocativos
como a língua se expande e se objectiva
em torno do facto incompreensível de o amor ser tão insaciável
como a morte,
uma morte dando a morte à outra

e os arbustos e perfumes, em volta desse conceito
maravilhosamente operativo,
perguntam à Sulamita o que o seu amado tem de particular,
sobretudo, que tem ele que elas também não tenham nos seus

e ela desce ao pormenor de lhes dizer como ele a faz e insiste
que há sempre alguém à beira de o colher, ignorando se
se trata de um venenoso; é evidente que onde o meu é jubiloso
pode ser venenoso nas outras; assim de distinguem (e apenas)
uns dos outros

se o seu sonho fosse colhido, e perdesse o seu significado,
seria a morte do meu micorrizo; corram arbustos, vejam na
superfície da água,
atentem nos ramos,
algures, se deve achar o meu pássaro ressuscitado; a própria
clareira ouvia o apelo, se houvesse montes e colinas, tê-lo-iam
certamente ouvido,

fechou-se na minha antecâmara, penetrou nos meus luxuosos
apartamentos, brincou com os brincos e os colares, com os
mamilos e os dedos, com os tecidos e os lábios,
com as colunas e as minhas longas pernas onde gosta de se
enrolar como heras e vinha virgem, embrenhou-se, parou ofegante,

deslizava pela minha pele mais escura que a noite, corria pelas
minhas formas mais firmes que o solo dos seus combates
e, finalmente, depôs em mim o segrego do seu veneno; quando
acordei, estava só, e tive medo que tivesse morrido ou,se morto,
eu não conseguisse encontrá-lo como meu, ou eu?

minhas irmãs, clareira minha, dizei-me como pode um espírito
reconhecer sem corpo o espírito do seu amado? Como o reconheceis
agora, não fora o segredo venenoso que deixou em
vós, árvores levantadas em pleno dia, e pleno sol?

    Uma tão profunda associação entre matérias tão diferentes
não tem como finalidade dar à morte a própria morte e continuar
a metamorfose da vida?

    Olhando atentamente o comprimento do chão à sua volta, a
Sulamita
sentia cada vez mais com mais profundidade que o segredo
venenoso do seu amado era o seu problema
onde cantava os amores que os uniam,
ou seja,
pensou ela,

é vital que o micorrizo se metamorfoseie em pássaro estonteado
e livre,
    como fora possível não o ter compreendido antes?
e, de facto,

encontrava-se estendido entre as frases do seu poema,
confundido com a linguagem, escondido atrás do volta, volta, insistente,
vestido de onde estás, porque andas fugido?,
mas, mal o levou à cópia do seu coração,
ele levou-lhe a alma,
e mergulhou-a na nascente

e ela perguntou-se porque razão não somos mais?
enquanto a água a penetrava, fresca e renovada, as imagens da água,
tais como cópias da noite, abatiam-se sobre ela
o prazer de um não é o prazer do outro
tu queres-me, podes, possuis e devastas

eu quero-te, posso, saio de mim e entrego-me às puras imagens
esse é o trabalho de nos fazermos, uma parte humana e outra
a mais longe possível do humano, corças, cães, veados, mirra,
sol, vinha, perfume

e que entre eles,
oscile, ó peço-te, o que há-de escrever eternamente os nossos sonhos.

in «Onde Vais, Drama-Poesia?», págs 146 - 149
'III Em Busca da troca Verdadeira (1982-1992)'
Lisboa, Relógio D'Água Editores
ZUNÁI - Revista de poesia & debates

ESTE TEXTO PODIA CONTINUAR ASSIM:
DERIVAS A PARTIR DE ONDE VAIS, DRAMA-POESIA?,
DE MARIA GABRIELA LLANSOL

por Érica Zíngano

“Só nos aproximamos desviando”
Maurice Blanchot

 “É a minha própria casa, mas creio que vim fazer uma visita a alguém”
Maria Gabriela Llansol

MARCO ZERO,
 Este texto podia começar assim, como uma repetição, uma marcação rítmica – foi a primeira ideia que despontou, como um lampejo, e me fez partir para tentar elaborar um desenho de pensamento, de procedimento de composição, a partir de Maria Gabriela Llansol: um texto que pudesse começar e recomeçar, para desenhar no espaço vários começos possíveis, através de enumerações repetitivas, mas sempre diferentes, outros pontos de partida, eternos retornos em diferença, onde, assim, o texto ganharia fôlego para partir outra vez, à deriva, porque a textualidade[i] llansoliana permite uma infinitude de aproximações:

(…) nesta ordem de ler, ler é nunca chegar ao fim de um livro respeitando-lhe a sequência coercitiva das frases, e das páginas. Uma frase, lida destacadamente, aproximada de outra que talvez já lhe correspondesse em silêncio, é uma alma crescendo. Eu não consigo abranger a infinitude do número e da harmonia das almas, nem texto de um verdadeiro livro,
nem a terra de um jardim que se mantém há gerações. (LLANSOL, 2000a, p. 45).

"_______ escrevo,
para que o romance não morra.
Escrevo, para que continue,
mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,
mesmo que se chegue a duvidar se ainda é ele,
mesmo que o faça atravessar territórios desconhecidos,
mesmo que o leve a contemplar paisagens que lhe são tão
difíceis de nomear. (LLANSOL, 1994, p. 116)."

Por conta de outra leitura, .....

(visite o site e aprecie na íntegra.)    http://www.revistazunai.com/ensaios/erica_zingano_derivas.htm

Érica Zíngano é poeta e mestranda em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). A poeta cearense, publicou poemas em plaquete editada pelo centro cultural Dragão do Mar.
Leia também poemas da autora. http://www.revistazunai.com/poemas/erica_zingano.htm
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O meu agradecimento especial ao gabriel sanna e lucia castello branco
e a produção - literaterras
https://literaterras.wordpress.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Literaterras/128150670589412
aos autores nos sites que integram esta postagem

domingo, 10 de maio de 2015

Para Sempre

Michelangelo Buonarroti, La Pietà (1497-99)
http://naiguata.tumblr.com/post/96705236813/whitenoten-michelangelo-buonarroti-la
♥ღ¸.•°♥

Para Sempre 

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

[Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas' ]
http://www.citador.pt/poemas/para-sempre-carlos-drummond-de-andrade

quarta-feira, 6 de maio de 2015

finalmente, a hora dos fantasmas


Tenderly [Walter Gross-Jack Lawrence-1946]-E. Higgins and Scott Hamilton[sax]

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Orson Welles 100 anos
"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho."
George Orson Welles[ 06/05/1915, Kenosha, Wisconsin - 10/10/1985, Hollywood, L A, Califórnia, EUA] Ator, Diretor, Produtor e Dramaturgo. 
Oriundo do teatro e do rádio, a estreia de Orson Welles no cinema foi com o Cidadão Kane, obra gestada com todos os requintes de um clássico. Os filmes para conhecer Orson Welles: 
Cidadão Kane (1941), O processo (1962), Othelo (1952), It's all true ( 1942), Soberba (1942)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Orson_Welles

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finalmente, a hora dos fantasmas

virar-se para trás
e olhar novamente
não era a hora
não agora

um dedo na artéria
sem pulso
nenhum calafrio
sem um único som

apenas uma linha
a um passo de cá
a um passo de lá
é preciso pressa em passos largos

um pouco de sorte
a liberdade dos sofrimentos
separar um pouco de caos
um arrepio pela espinha

virar-se para trás
e olhar novamente
no meio da escuridão
o silêncio é de um tempo imenso 

O eco faz o eco
de eco
em eco 
marcando o compasso do vazio

olhar para si sem barulho
depois que os trovões se emudeçam
a chuva caia em silêncio
num sono da única pessoa do mundo  

um corpo para repousar num colchão azul
onde não há mais a fome
nem o insaciável devorar de outro cérebro
só um breve aceno de uma estátua

O tempo desmorona as casas
enruga as faces
desbota as cores
é a razão que me mortifica

virar-se para trás
e olhar novamente
é preciso contar dez segundos
um rápido olhar no relógio e não há mais tempo

virar-se para trás
e olhar novamente
é o tempo sem tempo
finalmente chegou para acordar todos os fantasmas


terça-feira, 5 de maio de 2015

Antonio Brasileiro - DAS COISAS MEMORÁVEIS

Antonio Brasileiro

Escritor e artista plástico. Tem cerca de vinte livros publicados (poesia, ensaio, conto, romance), destacando-se entre eles: Caronte (romance, 1995), Antologia poética (1996), Da inutilidade da poesia (ensaio, 2002), Poemas reunidos (2005) e Dedal de areia (poesia). Como artista plástico, fez cerca de 70 exposições. Doutor em Letras, ensina na Universidade Estadual de Feira de Santana, onde reside.
http://a-brasileiro.blogspot.com.br/

O poeta, pintor e ensaísta baiano Antonio Brasileiro (1944-) já foi apresentado neste correio poético na edição n. 26, dez anos atrás. De lá para cá, ele não só produziu regularmente como também publicou diversas coletâneas de poesia, entre as quais Poemas Reunidos (2005), Dedal de Areia (2006) e Desta Varanda (2011). 
A leitura desses volumes revela um poeta de estilo cada vez mais marcante e refinado que se inscreve, sem dúvida, entre as vozes mais expressivas da atual poesia brasileira. 
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet293.htm
Paul Klee (1879-1940), suíço, Paisagem com Pássaros Amarelos (1923)

DAS COISAS MEMORÁVEIS

Um dia o mundo inteiro vai ser memória.
Tudo será memória.
As pessoas que vemos transitar naquela rua,
as gentis ou as sábias, ou as más, todas,
        todas.
E o mendigo que passa sem o cão,
o ginasta, a mãe, o bobo, o cético, a turista.
Deus, inclusive, regendo o fim das coisas
memoráveis, também será memória. Deus
e os pardais.
E os grandes esqueletos do Museu Britânico.
Todo sofrimento será memória. Eu, sentado aqui,
serei só estes versos que dizem haver um eu
        sentado aqui.

31/05/1999
De Pequenos Assombros (1998/2000)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Antônio Abujamra (Ourinhos, 15/09/1932 - São Paulo, 28/04/2015)


Provocações - Duas Situações Interessantes (Jean Baudrillard) - Abujamra - 09/08/2011.
No comando do programa Provocações, da TV Cultura/SP, nos deixa a última pergunta:
- "O quê é a vida?"
Entre as incertezas das nossas respostas, Antonio Abujamra, nos diria:
- "A vida é sua. Estrague-a como quiser."

Antônio Abujamra (Ourinhos, 15/09/1932 - São Paulo, 28/04/2015)foi um diretor de teatro, ator e apresentador brasileiro. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Abujamra
Antônio Abujamra era conhecido pela irreverência de suas encenações e por seu humor crítico em relação a tabus sociais. Começou no teatro amador, na peça "Assim é se lhe parece", atuando no Teatro Universitário de Porto Alegre. Era formado em filosofia pela PUC do Rio Grande de Sul e jornalismo pela UFMG e pós-graduado em Mídia. Trabalhou como crítico de teatro. Como diretor, foi um dos principais da antiga TV Tupi e, como ator, teve atuação destacada.
No início da década de 1980, engaja-se na recuperação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com destaque para as obras “Os Órfãos de Jânio”, de Millôr Fernandes, e “Hamletto”, de Giovanni Testori, sendo esta última dirigida por ele no TBC e em Nova York, para o Theatre for the New City.
Em 1998, esteve em Monte Carlo, principado de Mônaco, ao lado de celebridades como Claudia Cardinale, Annie Girardot e Yehudi Menuhin, no júri do Festival Mundial de Televisão, como único latino-americano convidado.
Comandou o programa Provocações, da TV Cultura, no ar desde 6 de agosto de 2000, onde adotou um estilo audacioso de fazer entrevistas2 . O programa era exibido todas as terças-feiras, às 23h30, com reapresentação na madrugada de quarta para quinta-feira, às 4h30.
Os poemas recitados por Antônio Abujamra, apresentador do programa Provocações, escolhidos pelos internautas. http://cmais.com.br/arte-e-cultura/os-cinco-poemas-de-mais-sucesso-declamados-por-abujamra-1
1- ‘Tratado geral das grandezas do ínfimo’, de Manoel de Barros
https://youtu.be/kK4kdFMJcrI?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
2- ‘O valioso tempo dos maduros’, Mário de Andrade
https://youtu.be/62PBhLFTcuM?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
3- ‘Esquece o Futuro’, de Michel de Montaigne
https://youtu.be/DjGlnyDilqk?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
4- ‘Não quero muitas e nem poucas palavras’, de Aline Binns
https://youtu.be/9dwMXrRWJI4?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
5- ‘Arte de Amar’, de Manuel Bandeira
https://youtu.be/62PBhLFTcuM?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
Na televisão:
Como diretor
1968 - O Estranho Mundo de Zé do Caixão - TV Tupi
1968 - Nenhum Homem é Deus - TV Tupi
1978 - Salário Mínimo - TV Tupi
1979 - Gaivotas' - TV Tupi
1980 - Um Homem Muito Especial - TV Bandeirantes
1981 - Os Imigrantes - TV Bandeirantes
1981 - Os Adolescentes - TV Bandeirantes
1982 - Ninho da Serpente - TV Bandeirantes
1997 - Os Ossos do Barão - SBT
Como ator
1967 - As Minas de Prata … Frazão
1987 - Sassaricando … Totó
1989 - Cortina de Vidro … Arnon Balakian
1989 - Que Rei Sou Eu? … Ravengar
1992 - Amazônia … Dr. Homero Spinoza
1993 - O Mapa da Mina … Nero
1995 - A Idade da Loba … Piconês
1997 - Os Ossos do Barão … Sebastião
1999 - Andando nas Nuvens … Álvaro Luís Gomes
1999 - Terra Nostra … Coutinho Abreu
2000 - Marcas da Paixão … Dono Do Cassino
2004 - Começar de Novo … Dimitri Nicolaievitch
2009 - Poder Paralelo … Marco Iago
2011 - Corações Feridos … Dante Vasconcelos
No cinema
1989 - Festa, com direção de Ugo Giorgetti
1989 - Lua Cheia, com direção de Alain Fresnot
1990 - Os Sermões - A História de Antônio Vieira, com direção de Júlio Bressane
1991 - Olímpicos, com direção de Flávia Moraes
1992 - Atrás das Grades, com direção de Paolo Gregori
1992 - Perigo Negro, com direção de Rogério Sganzerla
1993 - Oceano Atlantis, com direção de Francisco de Paula
1995 - Carlota Joaquina, princesa do Brazil, com direção de Carla Camurati
1996 - Quem matou Pixote?, com direção de José Joffily
1996 - Olhos de Vampa, com direção de Walter Rogério
1998 - Caminho dos Sonhos, com direção de Lucas Amberg
2000 - Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão, com direção de Zelito Viana
2005 - Concerto Campestre, com direção de Henrique de Freitas Lima
2005 - Quanto vale ou é por quilo?, com direção de Sérgio Bianchi
2008 - É Proibido Fumar, com direção de Anna Muylaert
2010 - Syndrome, com direção de Roberto Bomtempo
2011 - Assalto ao Banco Central, com direção de Marcos Paulo
2013 - Babu - A Reencarnação do Mal, com direção de Cesar Nero
2012 - Brichos - A Floresta é Nossa
No teatro
Entre seus principais trabalhos em teatro encontram-se Volpone", de Ben Johnson; Hair, de Gerome Ragni e James Rado; A secreta obscenidade de cada dia, de Manuel Antonio de la Parra; Retrato de Gertrude Stein quando homem, texto seu sobre a vida e obra da autora, e O inferno são os outros, de Sartre.
Premiações
- Prêmio Juscelino Kubitschek de Oliveira, pela direção de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, em 1959
- Prêmio de melhor ator na peça teatral O Contrabaixo, de Patrick Suskind (1987/1995)
- Prêmio Kikito, no Festival de Gramado, como melhor ator pelo filme Festa, em 1989
- Troféu APCA de melhor ator de TV (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo papel de "Ravengar", pela atuação na telenovela Que Rei Sou Eu?, em 1989
- Prêmio Lifetime Achievement, como diretor, no XI Festival Internacional de Teatro Hispânico em Miami, em 1998.
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sábado, 25 de abril de 2015

morrer mil vezes pela mesma dor


Keith Jarrett Trio - Blame It on My Youth[Jamie Cullum]-Standards II [Live in Tokyo, Japan 1986] - Keith Jarrett - Piano - Gary Peacock - Bass - Jack DeJohnette - Drums

KeithJarrett.org - An unofficial website about jazz pianist Keith Jarrett
http://www.keithjarrett.org/
Keith Jarrett (Allentown, 8 de maio de 1945) é um compositor e pianista estadunidense. As suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros generos e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros. http://pt.wikipedia.org/wiki/Keith_Jarrett
The Standards Trio - The Jarrett-Peacock-DeJohnette trio - Jarrett, bassist Gary Peacock and drummer Jack DeJohnette - http://en.wikipedia.org/wiki/Keith_Jarrett#The_Standards_Trio

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Jeanne Mammen. Tod [Death] (intended as an illustration to “Tentation de Saint Antoine” [The Temptation of St. Anthony]). 1913-1916. http://caryseen.tumblr.com/page/56

"Pintar é amar de novo."  
Jeanne Mammen  [21/11/1890 Berlim - 22/04/1976 ibid] foi uma alemã pintora e ilustradora. O seu trabalho tem surgido no contexto da nova objetividade e simbolismo . As personagens femininas, ela pintou em sua maioria, muitas vezes aparecem viril e ousadia. Isso refletiu a artista para a cena na sua afinidade lésbica, como a principal subcultura urbana.  http://de.wikipedia.org/wiki/Jeanne_Mammen
The Artist Jeanne Mammen (1890 - 1976)   
The Artist Max Delbrück Artworks in Museums
Style Periods Editions       Chronology
Jeanne-Mammen-Foundation Individual Exhibitions Contacts
http://www.jeanne-mammen.de/html/english/contents/artist.html

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 morrer mil vezes pela mesma dor 

falar de amor de boca flácida
qualquer um diz que ama
quando faz de tudo o que se gosta
sinta-se, o amor não se faz, é sentimento

muito se ama na distância entre dois corpos
os amores que surgem do nada
imaginados em grandes blocos de neve
ou derretem para evaporar na primavera

ou tenho pena de todos esses eus
no transcorrer da única viagem
premeditando a própria tragédia
saberão, só há misericórdia na solidão

alegria na dor e no sofrimento
já foi um sonho por muitas vezes
uma prisão, submissão e dependência
o esquecimento é uma ilusão

a solidão é liberdade
uma amada para poder morrer
morrer mil vezes pela mesma dor
e continuar morrendo de amor

morrer
morrer
e morrer
e ainda continuar vivo de amor

todo mundo é, tem ou foi,
um fracasso de amor
incompreendido, abandonado
um erro descuidado pela própria sorte

ou um truque do destino
um erro da besta humana
para um ser crucificado
um outro ser atormentado

todos pensam que se amam
não há nada que possa ser feito
até a dor ser conhecida
o momento do saber de amor

que a solidão é a loucura
é a paz da desventura
a única fiel amante
dos incapazes de amar

não há vida para ser morta
nada há para ser amado
uma gentileza dos enganados
nenhum ramalhete dos tolos

raros intelectos usam da lógica
há os que acreditam no que não veem
por amor se salva e por amor se mata
há um diálogo de surdos

todos insistem
e sangram pelos séculos
se viver o pleno amor na solidão
a solidão é perfeita enquanto morte

somos todos solidão
e continuamos a morrer de amor
desaprendemos como ser amados
e amar mil vezes pela mesma dor

http://www.luso-poemas.net/
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sexta-feira, 24 de abril de 2015

pelas sombras nas calçadas


Scott Hamilton - In a Sentimental Mood [Duke Ellington / Manny Kurtz / Irving Mills]     (HD720) (for sax lovers)

Scott Hamilton [Hamfat] (Providence, Rhode Island, 12 de setembro de 1954) é um tenor saxofonista de jazz norte-americano. http://pt.wikipedia.org/wiki/Scott_Hamilton_%28m%C3%BAsico%29  

The official website  http://www.scotthamiltonsax.com/
Biography
Scott Hamilton was born in 1954, in Providence, Rhode Island. During his early childhood he heard a lot of jazz through his father’s extensive record collection, and became acquainted with the jazz greats. He tried out several instruments, including drums at about the age of five, piano at six and mouth-organ. He had some clarinet lessons when he was about eight years of age, but that was the only formal music tuition he has ever had. Even at that age he was attracted to the sound of Johnny Hodges, but it was not until he was about sixteen that he started playing the saxophone seriously. From his playing mainly blues on mouth organ, his little band gradually became more of a jazz band. 
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   The  Parable of the Blind Leading the Blind - Os cegos do quadro de Brueghel
Pieter Bruegel, "O Velho" foi um pintor de Brabante, célebre por seus quadros retratando paisagens e cenas do campo. Pieter Bruegel, conhecido como Pieter Bruegel, "O Velho", foi o primeiro de uma família de pintores flamengos. Nascimento: 1525, Son en Breugel, Países Baixos - Falecimento: 9 de setembro de 1569, Bruxelas, Bélgica. Período: Renascimento flamengo.
http://www.pieter-bruegel-the-elder.org/
http://www.pieter-bruegel-the-elder.org/Netherlandish-Proverbs-1559.html 
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pelas sombras nas calçadas

quando a noite chega 
em denso teto de musgo
tudo se enruga no frio das almas
pode-se facilmente desejar a morte

mas o rio é pouco profundo
mesmo para um sonâmbulo
não haveria de ser um acontecido
o rio da vida é de uma paz rasa

o desespero se amontoa sobre a vida 
o descanso necessita de uma cova profunda
livrar-se das horas que flutuam na neblina
das mariposas de inverno mortas na luz

a noite é de inverno sobre as árvores
sobre os pássaros de poucas penas
sobre a precariedade das coisas humanas
é o frio infinito das pedras dos sepulcros

as pessoas caminham como o tempo
sombras caminham nas calçadas
olham entre si, mas não se veem
uma lua, em meia lua, cansada de luz

talvez seja cedo para morrer
ou a morte passe pela manhã
tanto faz quem esteja pelos becos
todos os corpos são iguais sob os trapos

Tanto faz se a morte venha
nem soarão os sinos dos mosteiros
não se pode morrer duas vezes
nem se pode matar um ao outro morto

estamos todos quase mortos
todos quase mortos 
somos um todo de quase mortos
para onde foram os coveiros?

os sinos tocam no final do ano
despertam o espírito natalino
desembrulham longínquas recordações
se ainda há gelo é um pouco cedo ou muito tarde

porque a vontade de ouvir os sinos
seja o desejo de passagem de ano
passagem de uma vida à outra vida
de um mundo para outro

Um outro mundo, um mundo são
perfeito como as recordações
me encarrego da reserva e do cardápio
retornaremos à vida pouco a pouco

enquanto isso somos a inexistência
quem dera se fossemos passado
desabrochar em vida na vida adulta
quais eram mesmo as lembranças no presente?

talvez consiga ser o que sempre quis
mas esse sentimento é futuro
nem há remorso no futuro
só se pode sentir a dor no presente

nem sinto vida, nem sinto a vida
nem sinto amor, nem sinto o amor
nem a vida, nem o amor
morro em saber, sem a vida e sem o amor 

estou todo moribundo
sou morto e moribundo
estou mortibundo de passado
a vida acabou, acabou o amor
chamem os coveiros

http://www.luso-poemas.net/
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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Günter Wilhelm Grass

Günter Grass [Günter Graß]

Günter Wilhelm Grass foi um autor, romancista, dramaturgo, poeta, intelectual, e artista plástico alemão. Sua obra alternou a atividade literária com a escultura, enquanto participava de forma ativa da vida pública de seu país. 
O escritor alemão Günter Grass, que ganhou em 1965 - Prêmio Georg Büchner - o Prêmio Nobel de Literatura 1999 e o Príncipe das Astúrias das Letras, morreu aos 87 anos na cidade de Lübeck, situada no norte da Alemanha, informou nesta segunda-feira (13/04) a editora Steidl. [16/10/1927, Cidade Livre de Danzig, Polônia - 13/04/2015, Lübeck, Alemanha]
http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%BCnter_Grass

Obras de destaque de Günter Grass foram: "O tambor" (1959), "Descascando a cebola" (2006), seu polêmico livro de memórias; "A passo de caranguejo" (2002), além de "O meu século" (1999), "Uma longa história" (1995), "Anos de cão" (1963) e "O gato e o rato" (1961).  http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40111/vencedor+de+nobel+escritor+alemao+gunter+grass+morre+aos+87+anos.shtml

Die Blechtrommel (no Brasil e em Portugal, O Tambor) é um filme de 1979, produzido pela Alemanha, França, Polônia e Iugoslávia. É um drama dirigido por Volker Schlöndorff, com roteiro adaptado do livro homônimo de Günter Grass.
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Tambor_%28filme%29

Naquela tarde em que não roubei um beijo teu

Tina Guo Official Video - Schindler's List Main Theme (Cello)
Support my videos: Patreon https://www.patreon.com/TinaGuo
Download the Single: http://bit.ly/1LrDtDQ - iTunes: http://bit.ly/163xunS  
Physical Albums: http://tinaguo.ecrater.com - Tina Guo, Cello - Bryan Pezzone, Piano
www.TinaGuo.com  -.-  www.facebook.com/TinaGuoMusic
Director of Photography: Joel Moody - Director, Producer, Editor: Tina Guo

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Apollo and Daphne - criação[1622–1625] mármore - barroco italiano, Basílica de São Pedro -  Roma. -  Gian Lorenzo Bernini - [07/12/1598, Nápoles, Itália - 28/11/1680, Roma, Itália]. http://pt.wikipedia.org/wiki/Gian_Lorenzo_Bernini
http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bernini/gianlore/sculptur/1620/apollo_d.html
O poder da arte Bernini - Vimeo  https://vimeo.com/61768791

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Naquela tarde em que não roubei um beijo teu

Quando partes de mim se unem sempre numa lembrança
Nos olhos, a tua imagem se forma em vida abraçada
E no silêncio, me caem as palavras desnudas,
Despetala-se o beijo entre o mudo e o nada

Quando partes de mim estão para sempre em saudade
O verbo invertido, ressoa em cada eco a sílaba acovardada
E na tua ausência, que me queimo em não velar-te à verdade
Inflamam-se, aos desejos, na tua chama nunca apagada

Sempre ando em partes de mim e lamento num sonho
A reanimação tropeçante de uma noite em casmurros
E na poesia, que os versos soltam as feras do meu peito
Sucumbem-se nas ilógicas razões d'um reles pensamento

Quando partes de mim, sempre, queixam na solidão
A guisa leve, no abrasar do meu corpo tedioso
E a lágrima, que molha a face em prece e malva
Desdenham-se tons fadados sem qualquer compaixão

Mas naquela tarde, quimera e ansiosamente,
Em que roubasse um beijo teu
Não queixasse à saudade
Tampouco te procurasse num sonho

Engaste inteira, diamantino, na retidão arrependida dos olhos
No único instante de ser,
Naquela tarde em que não roubei um beijo teu,
Roubasse um beijo de amor por inteiro

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088
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Eduardo Hughes Galeano

Eduardo Galeano
Eduardo Hughes Galeano foi um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História.
[03/09/1940, Montevidéu, Uruguai - 13/04/2015, Montevidéu, Uruguai]

"O mundo está feito de histórias. São as histórias que contamos, escutamos, multiplicamos, que permitem converter o passado em presente e o distante em próximo, o que está longe em algo próximo, possível e visível" 
"Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus".

Cinco livros essenciais para entender a obra do escritor:
.As Veias Abertas da América Latina (1971)
.Trilogia - Memória do fogo (1982-1986) composto pelos livros "Os Nascimentos" (1982), "As Caras e as Máscaras" (1984) e "O Século do Vento" (1986)
.Dias e Noites de Amor e Guerra (1975)
.Os filhos dos dias (2012)
.Mulheres (1997)
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/cultura/40117/conheca+cinco+livros+essenciais+para+entender+a+obra+do+escritor+eduardo+galeano.shtml

UM BEIJO - "Meu tempo é quando"- Vinicius de Moraes

"Meu tempo é quando"
Poética - Nova Iorque - 1966
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
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UM BEIJO
Petrópolis , 1962

Um minuto o nosso beijo 
Um só minuto; no entanto 
Nesse minuto de beijo 
Quantos segundos de espanto! 
Quantas mães e esposas loucas 
Pelo drama de um momento 
Quantos milhares de bocas 
Uivando de sofrimento! 
Quantas crianças nascendo 
Para morrer em seguida 
Quanta carne se rompendo 
Quanta morte pela vida! 
Quantos adeuses efêmeros 
Tornados o último adeus 
Quantas tíbias, quantos fêmures 
Quanta loucura de Deus! 
Que mundo de mal-amadas 
Com as esperanças perdidas 
Que cardume de afogadas 
Que pomar de suicidas! 
Que mar de entranhas correndo 
De corpos desfalecidos 
Que choque de trens horrendo 
Quantos mortos e feridos! 
Que dízima de doentes 
Recebendo a extrema-unção 
Quanto sangue derramado 
Dentro do meu coração! 
Quanto cadáver sozinho 
Em mesa de necrotério 
Quanta morte sem carinho 
Quanto canhenho funéreo! 
Que plantel de prisioneiros 
Tendo as unhas arrancadas 
Quantos beijos derradeiros 
Quantos mortos nas estradas! 
Que safra de uxoricidas 
A bala, a punhal, a mão 
Quantas mulheres batidas 
Quantos dentes pelo chão! 
Que monte de nascituros 
Atirados nos baldios 
Quantos fetos nos monturos 
Quanta placenta nos rios! 
Quantos mortos pela frente 
Quantos mortos à traição 
Quantos mortos de repente 
Quantos mortos sem razão! 
Quanto câncer sub-reptício 
Cujo amanhã será tarde 
Quanta tara, quanto vício 
Quanto enfarte do miocárdio 
Quanto medo, quanto pranto 
Quanta paixão, quanto luto!... 
Tudo isso pelo encanto 
Desse beijo de um minuto: 
Desse beijo de um minuto 
Mas que cria, em seu transporte 
De um minuto, a eternidade 
E a vida, de tanta morte.