quarta-feira, 13 de maio de 2015

Maria Gabriela Llansol - Um documentário que percorre as paisagens de sua escrita em Portugal e na Bélgica.


Publicado em 28 de junho de 2014
Maria Gabriela Llansol é o centro deste documentário que percorre as paisagens de sua escrita em Portugal e na Bélgica.
direção - gabriel sanna e lucia castello branco
produção - literaterras
https://literaterras.wordpress.com/

Maria Gabriela Llansol - Escritora portuguesa de ascendência espanhola, (Lisboa, 1931 - Sintra,  2008).  Licenciou-se em Direito e em Ciências Pedagógicas, tendo trabalhado em áreas relacionadas com problemas educacionais. Em 1965, abandonou Portugal para se fixar na Bélgica, regressando posteriormente a Portugal. Considerada uma autora cuja escrita é hermética e de difícil inteligibilidade para o leitor comum, é, no entanto, apontada por muitos como um dos nomes mais inovadores e importantes da ficção portuguesa contemporânea. 
A sua carreira literária iniciou-se com Os Pregos na Erva (1962), obra que inaugurou uma nova forma de escrever, embora estruturalmente se assemelhe a um livro de contos. Publicou de seguida Depois de os Pregos na Erva (1972), O Livro das Comunidades (1977), A Restante Vida (1983), Na Casa de Julho e Agosto (1984), Causa Amante (1984), Contos do Mal Errante (1986), Da Sebe ao Ser (1988), Um Beijo Dado Mais Tarde (1990), com evidentes ressonâncias autobiográficas, Lisboaleipzig 1: O Encontro Inesperado do Diverso (1994), Lisboaleipzig 2: O Ensaio de Música (1995), Ardente Texto Joshua (1998), Onde Vais Drama Poesia? (2000),  Cantileno (2000), Parasceve. Puzzles e Ironias (2001), O Senhor de Herbais. Breves ensaios literários sobre a reprodução estética do mundo, e suas tentações (2002), O Começo de Um Livro é Precioso (2003), O Jogo da Liberdade da Alma (2003), Amigo e Amiga. Curso de silêncio de 2004 (2006). 
http://nescritas.com/poetasapaixonados/listapoesiasdeamor2/1990/11/   
¸.•°¸.•°¸.•°  


  Os cogumelos são, de facto, nus e, na orla do bosque,
confundem-se com o que eu não gostaria de ser; este cogumelo sonha,

a Sulamita fechou-o numa gaiola e, posto em pássaro, começou
a fenecer, e tornou-se pálido; mais tarde, lembrou-se dele
e ele rapidamente voou para uma nascente a alimentar-se de
água, de insectos e de perfumes;

ao acordar, a amada torturava-se com perguntas____ de
quem seria o pássaro a paciência? a paciência do meu cântico?,
o próprio seu amado perdido entre mulheres corsas,
veados-palmeiras,
musgos-pavão,
pés velozes de mirra,
beijos-lábios de nacre,
rostos-vinhas,
uno-uno,
este amor entre mil?
    Aos cogumelos que bordam o bosque e, de espécie em espécie,
vêm até à clareira, numa gradação subtil de venenos e de expansão,
também foi anunciada uma boa-nova;

agarrados aos pés das árvores, os micorrizos  dão-lhes de beber
e ajudam-nas a assimilar os elementos minerais do solo; sem
eles, as árvores jamais teriam abandonado o seu meio aquático
de origem; foi essa boa-nova que o gnomo lhes veio dizer

que era bom que assim fosse,
e eles viram que eram, de facto, magistrais os sonhos que davam
às árvores, conforme lhes anunciava o pequeno ente nascido
de uma fantasia virgem,
vegetalmente virgem

este conceito de vegetalmente virgem  faz parte dos resplendores
que me orientam na leitura do Cântico pela manhã
basta reparar na profusão dos seus vocativos
como a língua se expande e se objectiva
em torno do facto incompreensível de o amor ser tão insaciável
como a morte,
uma morte dando a morte à outra

e os arbustos e perfumes, em volta desse conceito
maravilhosamente operativo,
perguntam à Sulamita o que o seu amado tem de particular,
sobretudo, que tem ele que elas também não tenham nos seus

e ela desce ao pormenor de lhes dizer como ele a faz e insiste
que há sempre alguém à beira de o colher, ignorando se
se trata de um venenoso; é evidente que onde o meu é jubiloso
pode ser venenoso nas outras; assim de distinguem (e apenas)
uns dos outros

se o seu sonho fosse colhido, e perdesse o seu significado,
seria a morte do meu micorrizo; corram arbustos, vejam na
superfície da água,
atentem nos ramos,
algures, se deve achar o meu pássaro ressuscitado; a própria
clareira ouvia o apelo, se houvesse montes e colinas, tê-lo-iam
certamente ouvido,

fechou-se na minha antecâmara, penetrou nos meus luxuosos
apartamentos, brincou com os brincos e os colares, com os
mamilos e os dedos, com os tecidos e os lábios,
com as colunas e as minhas longas pernas onde gosta de se
enrolar como heras e vinha virgem, embrenhou-se, parou ofegante,

deslizava pela minha pele mais escura que a noite, corria pelas
minhas formas mais firmes que o solo dos seus combates
e, finalmente, depôs em mim o segrego do seu veneno; quando
acordei, estava só, e tive medo que tivesse morrido ou,se morto,
eu não conseguisse encontrá-lo como meu, ou eu?

minhas irmãs, clareira minha, dizei-me como pode um espírito
reconhecer sem corpo o espírito do seu amado? Como o reconheceis
agora, não fora o segredo venenoso que deixou em
vós, árvores levantadas em pleno dia, e pleno sol?

    Uma tão profunda associação entre matérias tão diferentes
não tem como finalidade dar à morte a própria morte e continuar
a metamorfose da vida?

    Olhando atentamente o comprimento do chão à sua volta, a
Sulamita
sentia cada vez mais com mais profundidade que o segredo
venenoso do seu amado era o seu problema
onde cantava os amores que os uniam,
ou seja,
pensou ela,

é vital que o micorrizo se metamorfoseie em pássaro estonteado
e livre,
    como fora possível não o ter compreendido antes?
e, de facto,

encontrava-se estendido entre as frases do seu poema,
confundido com a linguagem, escondido atrás do volta, volta, insistente,
vestido de onde estás, porque andas fugido?,
mas, mal o levou à cópia do seu coração,
ele levou-lhe a alma,
e mergulhou-a na nascente

e ela perguntou-se porque razão não somos mais?
enquanto a água a penetrava, fresca e renovada, as imagens da água,
tais como cópias da noite, abatiam-se sobre ela
o prazer de um não é o prazer do outro
tu queres-me, podes, possuis e devastas

eu quero-te, posso, saio de mim e entrego-me às puras imagens
esse é o trabalho de nos fazermos, uma parte humana e outra
a mais longe possível do humano, corças, cães, veados, mirra,
sol, vinha, perfume

e que entre eles,
oscile, ó peço-te, o que há-de escrever eternamente os nossos sonhos.

in «Onde Vais, Drama-Poesia?», págs 146 - 149
'III Em Busca da troca Verdadeira (1982-1992)'
Lisboa, Relógio D'Água Editores
ZUNÁI - Revista de poesia & debates

ESTE TEXTO PODIA CONTINUAR ASSIM:
DERIVAS A PARTIR DE ONDE VAIS, DRAMA-POESIA?,
DE MARIA GABRIELA LLANSOL

por Érica Zíngano

“Só nos aproximamos desviando”
Maurice Blanchot

 “É a minha própria casa, mas creio que vim fazer uma visita a alguém”
Maria Gabriela Llansol

MARCO ZERO,
 Este texto podia começar assim, como uma repetição, uma marcação rítmica – foi a primeira ideia que despontou, como um lampejo, e me fez partir para tentar elaborar um desenho de pensamento, de procedimento de composição, a partir de Maria Gabriela Llansol: um texto que pudesse começar e recomeçar, para desenhar no espaço vários começos possíveis, através de enumerações repetitivas, mas sempre diferentes, outros pontos de partida, eternos retornos em diferença, onde, assim, o texto ganharia fôlego para partir outra vez, à deriva, porque a textualidade[i] llansoliana permite uma infinitude de aproximações:

(…) nesta ordem de ler, ler é nunca chegar ao fim de um livro respeitando-lhe a sequência coercitiva das frases, e das páginas. Uma frase, lida destacadamente, aproximada de outra que talvez já lhe correspondesse em silêncio, é uma alma crescendo. Eu não consigo abranger a infinitude do número e da harmonia das almas, nem texto de um verdadeiro livro,
nem a terra de um jardim que se mantém há gerações. (LLANSOL, 2000a, p. 45).

"_______ escrevo,
para que o romance não morra.
Escrevo, para que continue,
mesmo se, para tal, tenha de mudar de forma,
mesmo que se chegue a duvidar se ainda é ele,
mesmo que o faça atravessar territórios desconhecidos,
mesmo que o leve a contemplar paisagens que lhe são tão
difíceis de nomear. (LLANSOL, 1994, p. 116)."

Por conta de outra leitura, .....

(visite o site e aprecie na íntegra.)    http://www.revistazunai.com/ensaios/erica_zingano_derivas.htm

Érica Zíngano é poeta e mestranda em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo (USP). A poeta cearense, publicou poemas em plaquete editada pelo centro cultural Dragão do Mar.
Leia também poemas da autora. http://www.revistazunai.com/poemas/erica_zingano.htm
¸.•°¸.•°¸.•°
O meu agradecimento especial ao gabriel sanna e lucia castello branco
e a produção - literaterras
https://literaterras.wordpress.com/
https://pt-br.facebook.com/pages/Literaterras/128150670589412
aos autores nos sites que integram esta postagem

domingo, 10 de maio de 2015

Para Sempre

Michelangelo Buonarroti, La Pietà (1497-99)
http://naiguata.tumblr.com/post/96705236813/whitenoten-michelangelo-buonarroti-la
♥ღ¸.•°♥

Para Sempre 

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento. 

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

[Carlos Drummond de Andrade, in 'Lição de Coisas' ]
http://www.citador.pt/poemas/para-sempre-carlos-drummond-de-andrade

quarta-feira, 6 de maio de 2015

finalmente, a hora dos fantasmas


Tenderly [Walter Gross-Jack Lawrence-1946]-E. Higgins and Scott Hamilton[sax]

¸.•°.•°.•° 

Orson Welles 100 anos
"O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho."
George Orson Welles[ 06/05/1915, Kenosha, Wisconsin - 10/10/1985, Hollywood, L A, Califórnia, EUA] Ator, Diretor, Produtor e Dramaturgo. 
Oriundo do teatro e do rádio, a estreia de Orson Welles no cinema foi com o Cidadão Kane, obra gestada com todos os requintes de um clássico. Os filmes para conhecer Orson Welles: 
Cidadão Kane (1941), O processo (1962), Othelo (1952), It's all true ( 1942), Soberba (1942)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Orson_Welles

¸.•°.•°.•° 

finalmente, a hora dos fantasmas

virar-se para trás
e olhar novamente
não era a hora
não agora

um dedo na artéria
sem pulso
nenhum calafrio
sem um único som

apenas uma linha
a um passo de cá
a um passo de lá
é preciso pressa em passos largos

um pouco de sorte
a liberdade dos sofrimentos
separar um pouco de caos
um arrepio pela espinha

virar-se para trás
e olhar novamente
no meio da escuridão
o silêncio é de um tempo imenso 

O eco faz o eco
de eco
em eco 
marcando o compasso do vazio

olhar para si sem barulho
depois que os trovões se emudeçam
a chuva caia em silêncio
num sono da única pessoa do mundo  

um corpo para repousar num colchão azul
onde não há mais a fome
nem o insaciável devorar de outro cérebro
só um breve aceno de uma estátua

O tempo desmorona as casas
enruga as faces
desbota as cores
é a razão que me mortifica

virar-se para trás
e olhar novamente
é preciso contar dez segundos
um rápido olhar no relógio e não há mais tempo

virar-se para trás
e olhar novamente
é o tempo sem tempo
finalmente chegou para acordar todos os fantasmas


terça-feira, 5 de maio de 2015

Antonio Brasileiro - DAS COISAS MEMORÁVEIS

Antonio Brasileiro

Escritor e artista plástico. Tem cerca de vinte livros publicados (poesia, ensaio, conto, romance), destacando-se entre eles: Caronte (romance, 1995), Antologia poética (1996), Da inutilidade da poesia (ensaio, 2002), Poemas reunidos (2005) e Dedal de areia (poesia). Como artista plástico, fez cerca de 70 exposições. Doutor em Letras, ensina na Universidade Estadual de Feira de Santana, onde reside.
http://a-brasileiro.blogspot.com.br/

O poeta, pintor e ensaísta baiano Antonio Brasileiro (1944-) já foi apresentado neste correio poético na edição n. 26, dez anos atrás. De lá para cá, ele não só produziu regularmente como também publicou diversas coletâneas de poesia, entre as quais Poemas Reunidos (2005), Dedal de Areia (2006) e Desta Varanda (2011). 
A leitura desses volumes revela um poeta de estilo cada vez mais marcante e refinado que se inscreve, sem dúvida, entre as vozes mais expressivas da atual poesia brasileira. 
http://www.algumapoesia.com.br/poesia3/poesianet293.htm
Paul Klee (1879-1940), suíço, Paisagem com Pássaros Amarelos (1923)

DAS COISAS MEMORÁVEIS

Um dia o mundo inteiro vai ser memória.
Tudo será memória.
As pessoas que vemos transitar naquela rua,
as gentis ou as sábias, ou as más, todas,
        todas.
E o mendigo que passa sem o cão,
o ginasta, a mãe, o bobo, o cético, a turista.
Deus, inclusive, regendo o fim das coisas
memoráveis, também será memória. Deus
e os pardais.
E os grandes esqueletos do Museu Britânico.
Todo sofrimento será memória. Eu, sentado aqui,
serei só estes versos que dizem haver um eu
        sentado aqui.

31/05/1999
De Pequenos Assombros (1998/2000)

terça-feira, 28 de abril de 2015

Antônio Abujamra (Ourinhos, 15/09/1932 - São Paulo, 28/04/2015)


Provocações - Duas Situações Interessantes (Jean Baudrillard) - Abujamra - 09/08/2011.
No comando do programa Provocações, da TV Cultura/SP, nos deixa a última pergunta:
- "O quê é a vida?"
Entre as incertezas das nossas respostas, Antonio Abujamra, nos diria:
- "A vida é sua. Estrague-a como quiser."

Antônio Abujamra (Ourinhos, 15/09/1932 - São Paulo, 28/04/2015)foi um diretor de teatro, ator e apresentador brasileiro. http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Abujamra
Antônio Abujamra era conhecido pela irreverência de suas encenações e por seu humor crítico em relação a tabus sociais. Começou no teatro amador, na peça "Assim é se lhe parece", atuando no Teatro Universitário de Porto Alegre. Era formado em filosofia pela PUC do Rio Grande de Sul e jornalismo pela UFMG e pós-graduado em Mídia. Trabalhou como crítico de teatro. Como diretor, foi um dos principais da antiga TV Tupi e, como ator, teve atuação destacada.
No início da década de 1980, engaja-se na recuperação do Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), com destaque para as obras “Os Órfãos de Jânio”, de Millôr Fernandes, e “Hamletto”, de Giovanni Testori, sendo esta última dirigida por ele no TBC e em Nova York, para o Theatre for the New City.
Em 1998, esteve em Monte Carlo, principado de Mônaco, ao lado de celebridades como Claudia Cardinale, Annie Girardot e Yehudi Menuhin, no júri do Festival Mundial de Televisão, como único latino-americano convidado.
Comandou o programa Provocações, da TV Cultura, no ar desde 6 de agosto de 2000, onde adotou um estilo audacioso de fazer entrevistas2 . O programa era exibido todas as terças-feiras, às 23h30, com reapresentação na madrugada de quarta para quinta-feira, às 4h30.
Os poemas recitados por Antônio Abujamra, apresentador do programa Provocações, escolhidos pelos internautas. http://cmais.com.br/arte-e-cultura/os-cinco-poemas-de-mais-sucesso-declamados-por-abujamra-1
1- ‘Tratado geral das grandezas do ínfimo’, de Manoel de Barros
https://youtu.be/kK4kdFMJcrI?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
2- ‘O valioso tempo dos maduros’, Mário de Andrade
https://youtu.be/62PBhLFTcuM?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
3- ‘Esquece o Futuro’, de Michel de Montaigne
https://youtu.be/DjGlnyDilqk?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
4- ‘Não quero muitas e nem poucas palavras’, de Aline Binns
https://youtu.be/9dwMXrRWJI4?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
5- ‘Arte de Amar’, de Manuel Bandeira
https://youtu.be/62PBhLFTcuM?list=PL0Qz-covvhxTDFB0tCtRphZkyUzxF4GWP
Na televisão:
Como diretor
1968 - O Estranho Mundo de Zé do Caixão - TV Tupi
1968 - Nenhum Homem é Deus - TV Tupi
1978 - Salário Mínimo - TV Tupi
1979 - Gaivotas' - TV Tupi
1980 - Um Homem Muito Especial - TV Bandeirantes
1981 - Os Imigrantes - TV Bandeirantes
1981 - Os Adolescentes - TV Bandeirantes
1982 - Ninho da Serpente - TV Bandeirantes
1997 - Os Ossos do Barão - SBT
Como ator
1967 - As Minas de Prata … Frazão
1987 - Sassaricando … Totó
1989 - Cortina de Vidro … Arnon Balakian
1989 - Que Rei Sou Eu? … Ravengar
1992 - Amazônia … Dr. Homero Spinoza
1993 - O Mapa da Mina … Nero
1995 - A Idade da Loba … Piconês
1997 - Os Ossos do Barão … Sebastião
1999 - Andando nas Nuvens … Álvaro Luís Gomes
1999 - Terra Nostra … Coutinho Abreu
2000 - Marcas da Paixão … Dono Do Cassino
2004 - Começar de Novo … Dimitri Nicolaievitch
2009 - Poder Paralelo … Marco Iago
2011 - Corações Feridos … Dante Vasconcelos
No cinema
1989 - Festa, com direção de Ugo Giorgetti
1989 - Lua Cheia, com direção de Alain Fresnot
1990 - Os Sermões - A História de Antônio Vieira, com direção de Júlio Bressane
1991 - Olímpicos, com direção de Flávia Moraes
1992 - Atrás das Grades, com direção de Paolo Gregori
1992 - Perigo Negro, com direção de Rogério Sganzerla
1993 - Oceano Atlantis, com direção de Francisco de Paula
1995 - Carlota Joaquina, princesa do Brazil, com direção de Carla Camurati
1996 - Quem matou Pixote?, com direção de José Joffily
1996 - Olhos de Vampa, com direção de Walter Rogério
1998 - Caminho dos Sonhos, com direção de Lucas Amberg
2000 - Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão, com direção de Zelito Viana
2005 - Concerto Campestre, com direção de Henrique de Freitas Lima
2005 - Quanto vale ou é por quilo?, com direção de Sérgio Bianchi
2008 - É Proibido Fumar, com direção de Anna Muylaert
2010 - Syndrome, com direção de Roberto Bomtempo
2011 - Assalto ao Banco Central, com direção de Marcos Paulo
2013 - Babu - A Reencarnação do Mal, com direção de Cesar Nero
2012 - Brichos - A Floresta é Nossa
No teatro
Entre seus principais trabalhos em teatro encontram-se Volpone", de Ben Johnson; Hair, de Gerome Ragni e James Rado; A secreta obscenidade de cada dia, de Manuel Antonio de la Parra; Retrato de Gertrude Stein quando homem, texto seu sobre a vida e obra da autora, e O inferno são os outros, de Sartre.
Premiações
- Prêmio Juscelino Kubitschek de Oliveira, pela direção de A Cantora Careca, de Eugène Ionesco, em 1959
- Prêmio de melhor ator na peça teatral O Contrabaixo, de Patrick Suskind (1987/1995)
- Prêmio Kikito, no Festival de Gramado, como melhor ator pelo filme Festa, em 1989
- Troféu APCA de melhor ator de TV (Associação Paulista de Críticos de Arte) pelo papel de "Ravengar", pela atuação na telenovela Que Rei Sou Eu?, em 1989
- Prêmio Lifetime Achievement, como diretor, no XI Festival Internacional de Teatro Hispânico em Miami, em 1998.
¸.•°¸.•°¸.•°

sábado, 25 de abril de 2015

morrer mil vezes pela mesma dor


Keith Jarrett Trio - Blame It on My Youth[Jamie Cullum]-Standards II [Live in Tokyo, Japan 1986] - Keith Jarrett - Piano - Gary Peacock - Bass - Jack DeJohnette - Drums

KeithJarrett.org - An unofficial website about jazz pianist Keith Jarrett
http://www.keithjarrett.org/
Keith Jarrett (Allentown, 8 de maio de 1945) é um compositor e pianista estadunidense. As suas técnicas de improvisação conjugam o jazz a outros generos e estilos, como a música erudita, o blues, o gospel e outros. http://pt.wikipedia.org/wiki/Keith_Jarrett
The Standards Trio - The Jarrett-Peacock-DeJohnette trio - Jarrett, bassist Gary Peacock and drummer Jack DeJohnette - http://en.wikipedia.org/wiki/Keith_Jarrett#The_Standards_Trio

¸.•°¸.•°°•.¸¸.•°°•.¸°•.¸     

Jeanne Mammen. Tod [Death] (intended as an illustration to “Tentation de Saint Antoine” [The Temptation of St. Anthony]). 1913-1916. http://caryseen.tumblr.com/page/56

"Pintar é amar de novo."  
Jeanne Mammen  [21/11/1890 Berlim - 22/04/1976 ibid] foi uma alemã pintora e ilustradora. O seu trabalho tem surgido no contexto da nova objetividade e simbolismo . As personagens femininas, ela pintou em sua maioria, muitas vezes aparecem viril e ousadia. Isso refletiu a artista para a cena na sua afinidade lésbica, como a principal subcultura urbana.  http://de.wikipedia.org/wiki/Jeanne_Mammen
The Artist Jeanne Mammen (1890 - 1976)   
The Artist Max Delbrück Artworks in Museums
Style Periods Editions       Chronology
Jeanne-Mammen-Foundation Individual Exhibitions Contacts
http://www.jeanne-mammen.de/html/english/contents/artist.html

¸.•°¸.•°°•.¸¸.•°°•.¸°•.¸    


 morrer mil vezes pela mesma dor 

falar de amor de boca flácida
qualquer um diz que ama
quando faz de tudo o que se gosta
sinta-se, o amor não se faz, é sentimento

muito se ama na distância entre dois corpos
os amores que surgem do nada
imaginados em grandes blocos de neve
ou derretem para evaporar na primavera

ou tenho pena de todos esses eus
no transcorrer da única viagem
premeditando a própria tragédia
saberão, só há misericórdia na solidão

alegria na dor e no sofrimento
já foi um sonho por muitas vezes
uma prisão, submissão e dependência
o esquecimento é uma ilusão

a solidão é liberdade
uma amada para poder morrer
morrer mil vezes pela mesma dor
e continuar morrendo de amor

morrer
morrer
e morrer
e ainda continuar vivo de amor

todo mundo é, tem ou foi,
um fracasso de amor
incompreendido, abandonado
um erro descuidado pela própria sorte

ou um truque do destino
um erro da besta humana
para um ser crucificado
um outro ser atormentado

todos pensam que se amam
não há nada que possa ser feito
até a dor ser conhecida
o momento do saber de amor

que a solidão é a loucura
é a paz da desventura
a única fiel amante
dos incapazes de amar

não há vida para ser morta
nada há para ser amado
uma gentileza dos enganados
nenhum ramalhete dos tolos

raros intelectos usam da lógica
há os que acreditam no que não veem
por amor se salva e por amor se mata
há um diálogo de surdos

todos insistem
e sangram pelos séculos
se viver o pleno amor na solidão
a solidão é perfeita enquanto morte

somos todos solidão
e continuamos a morrer de amor
desaprendemos como ser amados
e amar mil vezes pela mesma dor

http://www.luso-poemas.net/
¸.•°¸.•°°•.¸¸.•°°•.¸°•.¸     

sexta-feira, 24 de abril de 2015

pelas sombras nas calçadas


Scott Hamilton - In a Sentimental Mood [Duke Ellington / Manny Kurtz / Irving Mills]     (HD720) (for sax lovers)

Scott Hamilton [Hamfat] (Providence, Rhode Island, 12 de setembro de 1954) é um tenor saxofonista de jazz norte-americano. http://pt.wikipedia.org/wiki/Scott_Hamilton_%28m%C3%BAsico%29  

The official website  http://www.scotthamiltonsax.com/
Biography
Scott Hamilton was born in 1954, in Providence, Rhode Island. During his early childhood he heard a lot of jazz through his father’s extensive record collection, and became acquainted with the jazz greats. He tried out several instruments, including drums at about the age of five, piano at six and mouth-organ. He had some clarinet lessons when he was about eight years of age, but that was the only formal music tuition he has ever had. Even at that age he was attracted to the sound of Johnny Hodges, but it was not until he was about sixteen that he started playing the saxophone seriously. From his playing mainly blues on mouth organ, his little band gradually became more of a jazz band. 
¸.•°¸.•° °•.¸¸.•° °•.¸°•.¸     

   The  Parable of the Blind Leading the Blind - Os cegos do quadro de Brueghel
Pieter Bruegel, "O Velho" foi um pintor de Brabante, célebre por seus quadros retratando paisagens e cenas do campo. Pieter Bruegel, conhecido como Pieter Bruegel, "O Velho", foi o primeiro de uma família de pintores flamengos. Nascimento: 1525, Son en Breugel, Países Baixos - Falecimento: 9 de setembro de 1569, Bruxelas, Bélgica. Período: Renascimento flamengo.
http://www.pieter-bruegel-the-elder.org/
http://www.pieter-bruegel-the-elder.org/Netherlandish-Proverbs-1559.html 
   ¸.•°¸.•° °•.¸¸.•° °•.¸°•.¸      

pelas sombras nas calçadas

quando a noite chega 
em denso teto de musgo
tudo se enruga no frio das almas
pode-se facilmente desejar a morte

mas o rio é pouco profundo
mesmo para um sonâmbulo
não haveria de ser um acontecido
o rio da vida é de uma paz rasa

o desespero se amontoa sobre a vida 
o descanso necessita de uma cova profunda
livrar-se das horas que flutuam na neblina
das mariposas de inverno mortas na luz

a noite é de inverno sobre as árvores
sobre os pássaros de poucas penas
sobre a precariedade das coisas humanas
é o frio infinito das pedras dos sepulcros

as pessoas caminham como o tempo
sombras caminham nas calçadas
olham entre si, mas não se veem
uma lua, em meia lua, cansada de luz

talvez seja cedo para morrer
ou a morte passe pela manhã
tanto faz quem esteja pelos becos
todos os corpos são iguais sob os trapos

Tanto faz se a morte venha
nem soarão os sinos dos mosteiros
não se pode morrer duas vezes
nem se pode matar um ao outro morto

estamos todos quase mortos
todos quase mortos 
somos um todo de quase mortos
para onde foram os coveiros?

os sinos tocam no final do ano
despertam o espírito natalino
desembrulham longínquas recordações
se ainda há gelo é um pouco cedo ou muito tarde

porque a vontade de ouvir os sinos
seja o desejo de passagem de ano
passagem de uma vida à outra vida
de um mundo para outro

Um outro mundo, um mundo são
perfeito como as recordações
me encarrego da reserva e do cardápio
retornaremos à vida pouco a pouco

enquanto isso somos a inexistência
quem dera se fossemos passado
desabrochar em vida na vida adulta
quais eram mesmo as lembranças no presente?

talvez consiga ser o que sempre quis
mas esse sentimento é futuro
nem há remorso no futuro
só se pode sentir a dor no presente

nem sinto vida, nem sinto a vida
nem sinto amor, nem sinto o amor
nem a vida, nem o amor
morro em saber, sem a vida e sem o amor 

estou todo moribundo
sou morto e moribundo
estou mortibundo de passado
a vida acabou, acabou o amor
chamem os coveiros

http://www.luso-poemas.net/
 ¸.•°¸.•° °•.¸¸.•° °•.¸°•.¸      

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Günter Wilhelm Grass

Günter Grass [Günter Graß]

Günter Wilhelm Grass foi um autor, romancista, dramaturgo, poeta, intelectual, e artista plástico alemão. Sua obra alternou a atividade literária com a escultura, enquanto participava de forma ativa da vida pública de seu país. 
O escritor alemão Günter Grass, que ganhou em 1965 - Prêmio Georg Büchner - o Prêmio Nobel de Literatura 1999 e o Príncipe das Astúrias das Letras, morreu aos 87 anos na cidade de Lübeck, situada no norte da Alemanha, informou nesta segunda-feira (13/04) a editora Steidl. [16/10/1927, Cidade Livre de Danzig, Polônia - 13/04/2015, Lübeck, Alemanha]
http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%BCnter_Grass

Obras de destaque de Günter Grass foram: "O tambor" (1959), "Descascando a cebola" (2006), seu polêmico livro de memórias; "A passo de caranguejo" (2002), além de "O meu século" (1999), "Uma longa história" (1995), "Anos de cão" (1963) e "O gato e o rato" (1961).  http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40111/vencedor+de+nobel+escritor+alemao+gunter+grass+morre+aos+87+anos.shtml

Die Blechtrommel (no Brasil e em Portugal, O Tambor) é um filme de 1979, produzido pela Alemanha, França, Polônia e Iugoslávia. É um drama dirigido por Volker Schlöndorff, com roteiro adaptado do livro homônimo de Günter Grass.
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Tambor_%28filme%29

Naquela tarde em que não roubei um beijo teu

Tina Guo Official Video - Schindler's List Main Theme (Cello)
Support my videos: Patreon https://www.patreon.com/TinaGuo
Download the Single: http://bit.ly/1LrDtDQ - iTunes: http://bit.ly/163xunS  
Physical Albums: http://tinaguo.ecrater.com - Tina Guo, Cello - Bryan Pezzone, Piano
www.TinaGuo.com  -.-  www.facebook.com/TinaGuoMusic
Director of Photography: Joel Moody - Director, Producer, Editor: Tina Guo

ღ¸.•°¸.•°ღ¸.•°•.¸ღ°•.¸°•.¸ღ

Apollo and Daphne - criação[1622–1625] mármore - barroco italiano, Basílica de São Pedro -  Roma. -  Gian Lorenzo Bernini - [07/12/1598, Nápoles, Itália - 28/11/1680, Roma, Itália]. http://pt.wikipedia.org/wiki/Gian_Lorenzo_Bernini
http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bernini/gianlore/sculptur/1620/apollo_d.html
O poder da arte Bernini - Vimeo  https://vimeo.com/61768791

ღ¸.•°¸.•°ღ¸.•°•.¸ღ°•.¸°•.¸ღ

Naquela tarde em que não roubei um beijo teu

Quando partes de mim se unem sempre numa lembrança
Nos olhos, a tua imagem se forma em vida abraçada
E no silêncio, me caem as palavras desnudas,
Despetala-se o beijo entre o mudo e o nada

Quando partes de mim estão para sempre em saudade
O verbo invertido, ressoa em cada eco a sílaba acovardada
E na tua ausência, que me queimo em não velar-te à verdade
Inflamam-se, aos desejos, na tua chama nunca apagada

Sempre ando em partes de mim e lamento num sonho
A reanimação tropeçante de uma noite em casmurros
E na poesia, que os versos soltam as feras do meu peito
Sucumbem-se nas ilógicas razões d'um reles pensamento

Quando partes de mim, sempre, queixam na solidão
A guisa leve, no abrasar do meu corpo tedioso
E a lágrima, que molha a face em prece e malva
Desdenham-se tons fadados sem qualquer compaixão

Mas naquela tarde, quimera e ansiosamente,
Em que roubasse um beijo teu
Não queixasse à saudade
Tampouco te procurasse num sonho

Engaste inteira, diamantino, na retidão arrependida dos olhos
No único instante de ser,
Naquela tarde em que não roubei um beijo teu,
Roubasse um beijo de amor por inteiro

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088
ღ¸.•°¸.•°ღ¸.•°•.¸ღ°•.¸°•.¸ღ

Eduardo Hughes Galeano

Eduardo Galeano
Eduardo Hughes Galeano foi um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História.
[03/09/1940, Montevidéu, Uruguai - 13/04/2015, Montevidéu, Uruguai]

"O mundo está feito de histórias. São as histórias que contamos, escutamos, multiplicamos, que permitem converter o passado em presente e o distante em próximo, o que está longe em algo próximo, possível e visível" 
"Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus".

Cinco livros essenciais para entender a obra do escritor:
.As Veias Abertas da América Latina (1971)
.Trilogia - Memória do fogo (1982-1986) composto pelos livros "Os Nascimentos" (1982), "As Caras e as Máscaras" (1984) e "O Século do Vento" (1986)
.Dias e Noites de Amor e Guerra (1975)
.Os filhos dos dias (2012)
.Mulheres (1997)
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/cultura/40117/conheca+cinco+livros+essenciais+para+entender+a+obra+do+escritor+eduardo+galeano.shtml

UM BEIJO - "Meu tempo é quando"- Vinicius de Moraes

"Meu tempo é quando"
Poética - Nova Iorque - 1966
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
♥ღ¸.•°♥

UM BEIJO
Petrópolis , 1962

Um minuto o nosso beijo 
Um só minuto; no entanto 
Nesse minuto de beijo 
Quantos segundos de espanto! 
Quantas mães e esposas loucas 
Pelo drama de um momento 
Quantos milhares de bocas 
Uivando de sofrimento! 
Quantas crianças nascendo 
Para morrer em seguida 
Quanta carne se rompendo 
Quanta morte pela vida! 
Quantos adeuses efêmeros 
Tornados o último adeus 
Quantas tíbias, quantos fêmures 
Quanta loucura de Deus! 
Que mundo de mal-amadas 
Com as esperanças perdidas 
Que cardume de afogadas 
Que pomar de suicidas! 
Que mar de entranhas correndo 
De corpos desfalecidos 
Que choque de trens horrendo 
Quantos mortos e feridos! 
Que dízima de doentes 
Recebendo a extrema-unção 
Quanto sangue derramado 
Dentro do meu coração! 
Quanto cadáver sozinho 
Em mesa de necrotério 
Quanta morte sem carinho 
Quanto canhenho funéreo! 
Que plantel de prisioneiros 
Tendo as unhas arrancadas 
Quantos beijos derradeiros 
Quantos mortos nas estradas! 
Que safra de uxoricidas 
A bala, a punhal, a mão 
Quantas mulheres batidas 
Quantos dentes pelo chão! 
Que monte de nascituros 
Atirados nos baldios 
Quantos fetos nos monturos 
Quanta placenta nos rios! 
Quantos mortos pela frente 
Quantos mortos à traição 
Quantos mortos de repente 
Quantos mortos sem razão! 
Quanto câncer sub-reptício 
Cujo amanhã será tarde 
Quanta tara, quanto vício 
Quanto enfarte do miocárdio 
Quanto medo, quanto pranto 
Quanta paixão, quanto luto!... 
Tudo isso pelo encanto 
Desse beijo de um minuto: 
Desse beijo de um minuto 
Mas que cria, em seu transporte 
De um minuto, a eternidade 
E a vida, de tanta morte.

sábado, 4 de abril de 2015

Nas mil folhas do meu imaginário


Chiara Civello - in questi giorni (studio version)
dal primo album "Last quarter moon"
http://www.chiaracivello.com/web/
Chiara Civello nasce a Roma, dove muove i suoi primi passi da musicista. Appena compiuti i 18 anni lascia la capitale alla volta dell’America, dove frequenta il “Berklee College of Music” e diventa la prima artista italiana nella storia ad esordire con un album inciso per la prestigiosa etichetta Verve Records, prodotto da Russ Titelman, suo scopritore.
Frutto del lavoro di questi anni sono le dieci canzoni del suo debutto discografico, “Last quarter moon” (Verve 2005), sette delle quali scritte da lei e tre in collaborazione con altri artisti, compresa la ballad “Trouble”, composta a quattro mani con il leggendario Burt Bacharach.
♥ღ¸.•°♥

Dolce-far-niente-(Sweet-Nothings) John William Godward (British, 1861-1922)
 http://www.johnwilliamgodward.org/Sweet-Nothings.html 
♥ღ¸.•°♥

Nas mil folhas do meu imaginário

Diga-me qualquer coisa
O meu querer é a tua voz rouca      
A que te desperto no meu invento      
Nos sussurros que te faz indecifrável

Sejas, ainda que eu não saiba, o meu mistério
Apenas para que eu saiba
Para que eu ainda saiba
O quanto ainda tu me queres

Possa ouvir no teu leve respirar
O silêncio que revela no meu olhar
Onde no teu corpo em que invento
Tudo em tua volta se adormece

Faça nascer o teu corpo secreto
Porque nele tudo me renasce
Nas tuas sonolentas carícias
Como te furtasse, eu me entrego

Sorrateiramente te construo
Na liberdade dos lábios amantes
O instante no meu coração ainda pulsa
Na tua primeira nudez em meu peito

E com o desejo inquieto
Procuro na distância do teu repouso
Percorro os beijos mudos sobre a tua pele
E estremeço ao te esculpir com as mãos

Ah! minha desamparada alma
Se embriaga no teu voo da pluma
No sabor que alimenta o meu desejo
Nos lábios em que te doas embebida

Não quero a morte, não quero nada
Somente respirar-te à exaustão
Encontrar-me nos lábios do teu ventre
E ser tudo que te leve ao breve instante

Sou de tudo nos limites do teu corpo
No entrelaçar teus dedos em meus cabelos
No comprimir meu beijo entre tuas ancas
Tu és o que me faz renascer auroras

Por isso te toco e me faço súbito
No impossível esquecer o teu ardor
Gravastes a memória do teu gozo
No infinito sopro do meu tempo

Por isso te conspiro e me exausto
Nos teus gestos que me embriagam
Eu te escuto no ar que se desprende
Na última gota que recolhes no suspiro

Em mim desvendas os segredos da tua carne
Sou o humilde desejo que beija os teus pés
És, em teu corpo, quem me recebe por inteiro
Pouso em teu peito o nascer como quem ama

E colorimos no céu o sentido das cores
Nasce em ti o poente entre os teus seios
Para que eu seja o teu desejo de noite
Quando se molhas na transparência da água

Sei do agora porque te criei em tantas palavras
Não era simplesmente por uma noite de insônia
Eram as lágrimas que vertiam do teu olhar
Reveladas pela tua face no instante do gozo

Elas ainda molham as mil folhas do meu imaginário

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

sexta-feira, 3 de abril de 2015

E se num silêncio teu que vem de dentro


João Gilberto Passione - Estate [by Bruno Martino and Bruno Brighetti]
Estate is an Italian song written in 1960. The song was originally titled (and the lyric sung) "Odio l'estate" ("I Hate the Summer") Verão [Estate - Bruno Martino-music , Bruno Brighetti- lyrics] http://en.wikipedia.org/wiki/Estate_%28song%29

~.~.~

O IMPORTUNO - ALMEIDA JR, 1898. Óleo sobre tela, 145 X 97 CM. 
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/

~.~.~

E se num silêncio teu que vem de dentro

E se a sua vida, a minha vida, a vida nossa
Nossas fossem e fosse o nós o lugar de ficar a sós
Como os dois estranhos de si mesmos no abandono
Num nascer em outra história de um coexistir? 

E se a mão estendesse o não ser só você
Se o ser mesmo fosse o principal da sua vida
Do arquiteto de suas próprias obras primas
Se o nada ter não é o que se exige de alguém?

E se de um breve instante findo de oração
Num silêncio só teu que vem de dentro
Se abrisse do instante o distraído coração
O ser sozinho e não sentir vergonha de ser só?

E se de repente, o sentimento nasceu livre
E a liberdade e a solidão não são o abandono
Nem a desconsideração de Deus ou Dele à vida
Se vida somos os coadjuvantes da própria história?

E se no devir da própria sorte e nem só na morte
Se cada um de nós, em todos nós, é um só no mundo
Tão no fundo, o tão profundo é o rejeitar a solidão
Como na pior doença a sombra da miséria humana?

E se a solidão for a arte do encontro de um vazio
No eco que balança entre a existência e a ausência
Na grande perda a liberdade for recoberta pelo medo
E a angústia for a chave do porvir o sentido do mundo?
  
E se na transcendência posso ser a experiência
Em poder nascer na santa ignorância e me permito
Atravessar a ponte entre o aprender e o não sabia
Desaprender da filosofia e despertar na lucidez?

E se num silêncio teu que vem de dentro
A solidão é morte, são dos porões do holocausto
As lâminas que cortam entre o sofrimento e a dor
A solidão é só de amar, em cada um de nós, um só amor?

Mas, se num silêncio meu que vem de dentro
A solidão é sentimento que me ensina a te amar 
É lucidez do amor pela nossa existência
A solidão é sentimento que me ensina a morrer

Pode ser silêncio, pode ser amor 
A solidão é a arte do encontrar-se 

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O cineasta Manoel de Oliveira

Manoel Cândido Pinto de Oliveira foi um cineasta português e, segundo se diz, foi o mais velho realizador do mundo em actividade. Era o autor de trinta e duas longas-metragens.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Oliveira

 [11/09/1908. Porto, Portugal - 02/04/2015. Porto, Portugal]
Porto - Faleceu no final da manhã desta quinta-feira (2), na cidade do Porto, norte de Portugal, o cineasta Manoel de Oliveira.

O realizador de cinema morreu, aos 106 anos, na sua residência, vítima de paragem cardíaca. Manoel de Oliveira, autor de mais de trinta longa metragens, era o cineasta mais velho do mundo em atividade. Anik e Bóbó e o Velho do Restelo são alguns dos filmes mais celebrados do cineasta.
Ao longo da carreira foi distinguido, entre outros, com o Prêmio David di Donatello - Prêmio Luchino Visconti e o European Film Award Prêmio Revelação – Fipresci.
Manoel de Oliveira nasceu na freguesia de Cedofeita na cidade do Porto no seio de uma família da alta burguesia nortenha. Ainda jovem foi para A Guarda, na Galiza, onde frequentou um colégio de jesuítas. Admite ter sido sempre mau aluno. Dedicou-se ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara e atleta do Sport Club do Porto, um clube de elite. Ainda antes dos filmes veio o automobilismo e a vida boémia. Eram habituais as tertúlias no Café Diana, na Póvoa de 
Varzim, com os amigos José Régio, Agustina Bessa-Luís, Luís Amaro de Oliveira e outros.

Longas-metragens (Fonte: Wikipedia)
1942 - Aniki-Bobó1963 - Acto da Primavera (docuficção); 1971 - O Passado e o Presente; 1974 - Benilde ou a Virgem Mãe; 1979 - Amor de Perdição; 1981 - Francisca; 1985 - Le Soulier de Satin; 1986 - O Meu Caso; 1988 - Os Canibais; 1990 - Non, ou a Vã Glória de Mandar; 1991 - A Divina Comédia; 1992 - O Dia do Desespero; 1993 - Vale Abraão;1994 - A Caixa; 1995 - O Convento; 1996 - Party; 1997 - Viagem ao Princípio do Mundo; 1998 - Inquietude; 1999 - A Carta; 2000 - Palavra e Utopia; 2001 - Porto da Minha Infância; 2001 - Vou para Casa; 2002 - O Princípio da Incerteza; 2003 - Um Filme Falado; 2004 - O Quinto Império - Ontem Como Hoje; 2005 - Espelho Mágico; 2006 - Belle Toujours; 2007 - Cristóvão Colombo – O Enigma; 2009 - Singularidades de uma Rapariga Loura; 2010 - O Estranho Caso de Angélica; 2012 - A Igreja do Diabo; 2012 - O Gebo e a Sombra

Curtas e médias metragens
1931 - Douro, Faina Fluvial; 1932 - Estátuas de Lisboa; 1938 - Já se Fabricam Automóveis em Portugal; 1938 - Miramar, Praia das Rosas; 1941 - Famalicão (filme); 1956 - O Pintor e a Cidade; 1964 - A Caça; 1965 - As Pinturas do meu irmão Júlio (documentário); 1966 - O Pão (documentári; 1982 - Visita ou Memórias e Confissões; 1983 - Lisboa Cultural; 1983 - Nice - À propos de Jean Vigo; 1985 - Simpósio Internacional de Escultura em Pedra - Porto2010 - Painéis de São Vicente de Fora, Visão Poética; 2011 - "Do Visível ao Invisível" em Mundo Invisível; 2014 - O Velho do Restelo

Outros filmes
1937 - Os Últimos Temporais: Cheias do Tejo (documentário); 1958 - O Coração (documentário, 1958); 1964 - Villa Verdinho: Uma Aldeia Transmontana (documentário); 1987 - Mon Cas (1987); 1987 - A Propósito da Bandeira Nacional (1987); 2002 - Momento (2002); 2005 - Do Visível ao Invisível (2005); 2006 - O Improvável não é Impossível (2006); 2011 - O Conquistador conquistado (2011), curta-metragem inspirado pela escolha de Guimarães como Capital Européia da Cultura.
http://www.portugaldigital.com.br/cultura/ver/20093494-morre-aos-106-anos-manoel-de-oliveira-o-mais-velho-cineasta-em-atividade

quinta-feira, 19 de março de 2015

Quando o dia, no amanhã, for despedida


Chiara Civello - Problemi[ChiaraCivelloVEVO] Chiara Civello/ Ana Carolina/ Dudu Falcão
Regia di MARCO SALOM - Casa di produzione ANGELFILM Music video by Chiara Civello performing Problemi. (C) 2012 Intersuoni Srl
http://www.chiaracivello.com/web/
Chiara Civello nasce a Roma, dove muove i suoi primi passi da musicista. Appena compiuti i 18 anni lascia la capitale alla volta dell’America, dove frequenta il “Berklee College of Music” e diventa la prima artista italiana nella storia ad esordire con un album inciso per la prestigiosa etichetta Verve Records, prodotto da Russ Titelman, suo scopritore. 
Frutto del lavoro di questi anni sono le dieci canzoni del suo debutto discografico, “Last quarter moon” (Verve 2005), sette delle quali scritte da lei e tre in collaborazione con altri artisti, compresa la ballad “Trouble”, composta a quattro mani con il leggendario Burt Bacharach. 
~.~.~
Belleza Pompeiana - John William Godward (British, 1861-1922) 
http://www.johnwilliamgodward.org/
John William Godward foi um pintor inglês do final do período Pré-rafaelita.  [09 de agosto de 1861, Wimbledon, Londres, Reino Unido - 13 de dezembro de 1922, Londres, Reino Unido] http://en.wikipedia.org/wiki/John_William_Godward
~.~.~

Quando o dia, no amanhã, for despedida

De um som que se aproxima nas calçadas
Meus tremores dos teus passos pelo corpo
O sonho em seduzido vento em teu perfume
Suavemente a tua cumplicidade me apaixona

Quando a noite abraça o dia pelas ruas
Nem tanto a lua brilha quando passas
Brilha a vida entre tantas luzes e te faz dia
Como um sol que se ilumina nos meus olhos

Se abro o peito ao libertar os meus delírios
Me balanço no teu corpo em que caminhas
O quê me faço em afagar nos teus cabelos?
Onde levas a sorte de receber o teu sorriso?

Se tua vida venha a cuidar-se feito a minha
Num abandono entre o corpo um no outro
O beijo em que nem a distância se eternize
Seriamos dois em nós e não nos perderíamos

Pudera se essas ruas não tivessem o fim
Teria a esperança do teu olhar do infinito
Quem dera o teu lenço distraído nas calçadas
Acalmasse a tua lembrança no amanhã

Quando o dia, no amanhã, for despedida
Saberei de ti num pesar por mais um dia
Buscarei num abraço que te guarda a noite
Numa das ruas me encontro na tua esperança

--- Talvez no amanhã possamos parar e conversar sobre a vida e seus amores ---

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quarta-feira, 18 de março de 2015

Na boca ainda há sangue e o sabor acalma


 - official website -    http://www.teresasalgueiro.pt/
Teresa Salgueiro nasceu em Lisboa a 8 de Janeiro de 1969. Em 1986, com apenas 17 anos, integra o mais famoso grupo Português de sempre no estrangeiro – Madredeus. Entre 1987 e 2007, com os Madredeus, vendeu mais de cinco milhões de discos em todo o mundo. Participou, também, como atriz principal, na longa metragem de Wim Wenders, intitulada “Lisbon Story”.
Em paralelo com a actividade do grupo, edita o álbum “Obrigado” (2006) que reúne participações com vários artistas como José Carreras, Caetano Veloso, Angelo Branduardi, entre outros.  ...." http://www.teresasalgueiro.pt/pt-pt/biografia
~.~.~

Canção Sentimental. Berthe Worms, 1904. Anna Clémence Berthe Abraham Worms, mais conhecida como Bertha Worms foi uma professora e pintora de gênero e de retratos franco-brasileira. (Uckange, França, 26 de fevereiro de 1868 - São Paulo, 27 de junho de 1937)
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertha_Worms
~.~.~

Na boca ainda há sangue e o sabor acalma

Se ainda circulas pelas veias do corpo
Como o álcool gélido sorvido na noite
Das noites que não conseguem dormir
Como as manhãs que surgem de açoite

Talvez seja o tempo sentado lá fora
Capaz de suportar o demasiado frio
Incapaz de encontrar-se no céu noturno
O quê há além do nada, o caos e o vazio?

Se no mundo existem lugares e amares
Um mundo de razões levadas ao vento
Diga-me se o vento vem da direção do mar
O quê há além fronteiras de outros mares?

Se pairavas nas nuvens no céu de inverno
Cantando os segundos aos meus ouvidos
Talvez o extremo seja as razões do inferno
Como os corações de gelo flutuam nos rios

Há nos sentimentos uma enorme distância
É como não sonhar o sonho de outra pessoa
Se não podemos voltar da morte do tempo
Não voltamos no amor que no coração ressoa

Sufoca-se na fumaça negra e cinzas brancas
Tragadas por um céu de nuvens escuras
No solo se adubam as dores com as cinzas
Não se morre de amores e nem há mais curas

Se ainda caminhas sobre o sofrimento e as dores
Na boca ainda há sangue e o sabor acalma
Se não demoras, onde não houver amores
Haverás de ser o alguém n'algum lugar da alma


~.~.~  "Onde não puderes amar, não te demores" Frida Kahlo ~.~.~
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frida_Kahlo

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

terça-feira, 17 de março de 2015

Um site para Elis


Elis Regina 70 anos e o legado de Elis

"Sou apenas o meu tipo inesquecível..."

O legado de Elis e seu aniversário são celebrados com o site http://www.elisregina.com.br/

"Decidimos criar o site com o objetivo de alimentar a memória de Elis, a obra e a pessoa, através de seus discos, apresentações ao vivo, entrevistas, fotos, reportagens e depoimentos.
O lançamento no dia 17 de março, seu aniversário de 70 anos, é um presente dos filhos pra Elis.
E um movimento de gratidão aos fãs, aqueles que a mantém tão presente"

Nas páginas do site:
. Eternamente: Cronologia, Depoimentos, Fotos. 
. Por Elis:  (ouça e veja)  Álbuns completos, Compactos , Participações em LP's, Vídeos.
. Para Elis: Fã Clube, Exposições, Teatro, Cinema
. Para Você: Livro Viva Elis, Wallpaper, Loja
. Blog
. Contato
Por João Marcello Bôscoli

"Para comemorar os 70 anos de Elis Regina, entra no ar hoje o portal que traz todo o conteúdo da exposição ‘Viva Elis’, recebida por algumas cidades brasileiras em 2012. “Nem Elis foi esquecida, nem Luiz Gonzaga (1912-1989). Vamos ver se o mesmo acontece com Dominguinhos (1941-2013)”, conta João Marcelo, um dos responsáveis pelo site e pelo show ‘Elis 70 Anos’, com compositores lançados por ela."  [http://odia.ig.com.br/diversao/2015-03-17/pimentinha-os-70-anos-de-elis-regina-sao-celebrados-com-biografia.html]


Elis Regina e Tom Jobim - "Águas de Março" - 1974

quarta-feira, 11 de março de 2015

O amor eternizado


Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, conhecido apenas como Lenine, (Recife, 2 de fevereiro de 1959) é um cantor, compositor, arranjador e músico brasileiro. Ocupa a cadeira 38 como acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Letras.
Lenine ganhou dois prêmios Grammy Latino: um pelo “Melhor Álbum Pop Contemporâneo” com seu álbum "Falange Canibal"; e outro em 2009 na categoria melhor canção brasileira com a música "Martelo Bigorna".
Blog Acontece CDS / DVDS Fotos e Vídeos Comemória Downloads Bio Contato
http://www.lenine.com.br/
~.~.~
The Nurture of Bacchus
about 1628, Nicolas Poussin
The National Gallery, Trafalgar Square, London WC2N 5DN
~.~.~
O amor eternizado

Se te deixo partir para outros lábios
Para que fiques em mim no último beijo
O teu sentimento se vai para outras vidas
Para deixar-te no coração em eterna morada

Se te perco do encontro a paixão [in]concebida
Faço de ti a profecia no monge silencioso
O eterno que medita no teu olhar infindável
No teu peito toca ao longe a minha triste sina

Se me faço chuva em queda suicida
Nada peço molhando os teus cabelos
Na pele sedento em percorrer teu corpo
Umedecendo a minha secura nos teus lábios

Se te liberto para eternizar a última poesia
Te aporto no ancoradouro das ilhas morenas
Na tua quietude que o vento arrasta
Os pedaços da rasgada folha que escrevo

Se te faço canção para que morras em mim
Com outra face dances até a noite enlouquecida
Girando, girando os corpos até a inveja lasciva
Para que as causas esqueçam os seus mortos

Se te deixo ir como os veleiros silenciosos
Tua face de lua encoste n'outras faces de sol
Te possuirei nas vagas, no voo das aves
Nas lamentações da tua voz ausente

Se te faço fé na escuridão desesperada
Para que sejas a gota na manhã orvalhada
Das terras secas desabrochando em outros leitos
Poderei partir de mim a tua liberdade eternizada

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

domingo, 8 de março de 2015

O canto de vida de Inezita Barroso


Inezita Barroso - Ronda  [Composição: Paulo Vanzolin]

Inezita Barroso, nome artístico de Ignez Magdalena Aranha de Lima (São Paulo, 04/03/1925  — São Paulo, 08/03/2015), foi uma cantora, atriz, instrumentista, bibliotecária, folclorista, professora, doutora honoris causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em espetáculos, álbuns, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional.
Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano.  Desde 1980 comandava o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo. Apresentou também no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome.
Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.
Desde a década de 1980, Inezita Barroso ainda arranjava um espaço na agenda para dar aulas de folclore. Atualmente, lecionava nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recentemente recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro. Em novembro de 2014, foi eleita para a Academia Paulista de Letras, ocupando o lugar da folclorista Ruth Guimarães, morta em maio. Em fevereiro de 2015, Inezita foi internada no Hospital Sírio Libanês, onde morreu na noite de 8 de março de 2015. http://pt.wikipedia.org/wiki/Inezita_Barroso
http://www.inezitabarroso.com.br/

quinta-feira, 5 de março de 2015

100 anos de Mário Lago

Homem do Século XX - Memória em Movimento
Música - Poemas e Poesias - Cinema, Teatro, TV - Literatura - Frases
http://www.mariolago.com.br/home.php 

O amor é a vida

Mais de um amor numa vida
É muito fácil de ter
A dor de amor é esquecida
Talvez nem chegue a doer
Mesmo se o fim é tristeza
Vazio no coração
No fim só fica a beleza
De uma bonita paixão

E embora o amor destruído
E o tanto que se sofreu
O tempo não foi perdido
A gente é que se perdeu

http://www.mariolago.com.br/poemas_e_poesias.php

quarta-feira, 4 de março de 2015

Onde exista um grande vazio


Chiara Civello - A me non devi dire mai [C Civello & T Bungaro]
1°violino: Lisa Green ;  2°violino: Zita Mucsi ; Viola: Nico Ciricugno
Cello: Zsuzsanna Krasznai. Album: Al posto del mondo anno 2012
Chiara Civello é uma cantora, compositora e pianista italiana cujas composições têm influências claras de jazz e blues. Berklee College of Music. http://www.chiaracivello.com/web/

Minerva and the Nine Muses - BALEN, Hendrick van
(b. 1575, Antwerpen, d. 1632, Antwerpen) - Oil on panel - Private collection http://pt.wikipedia.org/wiki/Hendrick_van_Balen

~.~.~
Onde exista um grande vazio

Queria das flores o teu perfume
Do teu corpo as noites de um luar
Sentir apenas do teu olhar o lume 
Nas auroras o teu sereno despertar

Eram primaveras das mil e as miúdas flores
Lembranças de um rosto com o teu carmim
Da delicadeza que despes com teus amores
Com todas as suaves cores de um querubim

Quando lembro que estive na tua frente 
Como um outono sereno que se instalava
O desejo de um corpo e o amor em mente 
Não passara por um sonho em duas partes

Como uma tristeza em derramar alegria
Das horas de um breve toque de mãos
Te sentia fluida, turva como uma gota fria 
Transbordavas sorrateira como o silêncio 

Era o tempo, a dar-te as asas para voar
Numa viagem para o teu sonho sem fim
Fiquei a tua espera, da outra asa nascente 
Estou guardado na ausência do teu jardim

Preciso mais, ver-te mais, por um instante
Descobrir-te numa razão principal para viver
Da tua imagem cada vez mais transparente
Guardar-te nos olhos como a luz na escuridão

Talvez possa te encontrar com o tempo
Como em teu caminho passa o longo vento
Onde não resistiremos de um grande vazio
Se de ti nada mais houver, eu te invento

Te invento na dor que sentou-se à mesa
Falando sobre um gemido aparente da dor
Pensara sentir-te num abraço em seu peito
Era o desejo perdido de um profundo amor

Te invento em todas as formas do ar
Do amor que não soube que poderia ser
Onde exista um grande vazio, te invento
Te invento como uma música cheia de céu 
E a lua brilha na dor e nos mistérios de amar

~.~ "Sem música, a vida não teria sentido" ~.~
F. Nietzsche

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Enquanto ainda fores


Chiara Civello - Resta(by Civello, Carolina, Quental) [ChiaraCivelloVEVO]
Chiara Civello é uma cantora, compositora e pianista italiana cujas composições têm influências claras de jazz e blues. Berklee College of Music. http://www.chiaracivello.com/web/

Flor Dente de leão; Coroa-do-monge; Quartilho; Amor-dos-homens; Alface-de-côco; Dandelion; Pinselit.  Abra as janelas e deixe a "esperança" entrar.
~.~.~.~ 

Enquanto ainda fores

Se das dúvidas nasce a descoberta
Faço contigo a tua ausência duvidosa
Num cochilo do tempo da vida
E, por vezes,
O tempo da vida cochila em mim

Não ser a inconsequência
Do ano em que morri
Subtraidamente
Do ano em que nasci

No ápice do contratempo
Se das palavras soltas no espaço
Nascem as interrogações das estrelas
Se te descubro no nascer das dúvidas
O que farei de mim?

Serei o continuo gene
Que traça a obra inacabada
Modestamente continuada
Numa escrita nunca perfeita

Se no teu corpo as palavras escorrem
No deslizar da pele dos teus suores
As frases afoitas desvendam os sabores
A cada descoberta uma nova palavra

Não me perderei nas ruelas
Na praça de um poema perfeito
Nas amarras dos verbetes
Num cachorro invisível

Um novo segredo dos teus amores
Num acender das chamas nas entrelinhas
Faz-se a mulher amada à penumbra da noite
Sob o teu repouso se cala uma libido

Serás o clima que me escolhe
O tamanho do frio do meu cobertor
Daquela palavra exata
Que o nó da garganta desata

Mesmo que um sim
Seja talvez a insistência
Faço-te o meu novo fim
Numa palavra que recomeço

Diante da tua beleza deitada
Sobre a enluarada pele fraseada
O verso em que te desnudo
Em profundo, te respirar a palavra

Enquanto ainda fores
Voes...
Para que todas as minhas folhas
Sejam as tuas asas

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Naquela noite em que roubaste um beijo meu...! [ autoria: Poetisa Anggela Lazzari ]


Caetano Veloso & João Gilberto - Besame mucho[Consuelo Velázquez] en Buenos Aires,2000.

Consuelo Velásquez Torres [Consuelito](Ciudad Guzmán/Zapotlán el Grande, Jalisco, 21 de agosto de 1916–Cidade do México, 22 de janeiro de 2005)foi uma pianista e compositora mexicana. A canção foi escrita em 1940 e traduzida em mais de 20 idiomas, chegou também a ser um ícone dentro da música popular mexicana.http://pt.wikipedia.org/wiki/Consuelo_Vel%C3%A1zquez

~.~.~.~¸.•°¸.•°¸.•°.~.~.~.~

Naquela noite em que roubaste um beijo meu...!
...Anggela Lazzari...

Quando partes de mim deixas sempre uma lembrança,
Os olhos, a te procurar através da vidraça embaçada,
E no silêncio, em que cabem as palavras mudas,
Desfolham-se os beijos entre o tudo e o nada...

Quando partes de mim deixas sempre uma saudade,
O verbo vertido, entoando cada sílaba não pronunciada,
E na tua ausência, em que teimo não revelar-te a verdade,
Desnudam-se os desejos de uma chama nunca apagada...

Sempre, quando partes de mim, deixas um sonho,
A imaginação esvoaçante, em uma noite de sussurros,
E na poesia, que em versos soltos adormece em teu peito,
Debruçam-se as razões ilógicas d’um breve pensamento...

Quando partes de mim, sempre, deixas a solidão,
A brisa leve, a tocar meu corpo saudoso,
E na lágrima, que rola em face oculta e alva,
Desprendem-se sons calados sem qualquer emoção...

Mas naquela noite efêmera e transluzente,
Em que roubaste um beijo meu,
Não deixaste a saudade,
Tampouco deixaste um sonho,
Ficaste inteiro, verdadeiro, na retina úmida dos meus olhos,
Num instante fugaz e derradeiro...!

(...porque para ti todo verso é pouco...eles transformam meus sonhos...!)

http://equandovocevoltarpoesias.blogspot.com.br
http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=20261
¸.•°¸.•°¸.•°

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Se por um descuido segurei tua mão

Luis Miguel - El Dia Que Me Quieras (Video Oficial)
El día que me quieras (English: The day that you love me) is a tango with music by Carlos Gardel and lyrics by Alfredo Le Pera. Originally featured in the 1935 film of the same name, it became a heavily recorded tango standard, even by artists outside of the realm of tango. It has subsequently been covered by various artists such as Luis Miguel and Roberto Carlos. The song was inducted into the Latin Grammy Hall of Fame in 2001. http://en.wikipedia.org/wiki/El_Día_Que_Me_Quieras_(song)

Imagem: multidão na rua - cópia da internet
~.~.~.~. ~

Se por um descuido segurei tua mão

Foi em algum lugar sem uma lua gigante
Bastaria olhá-la com os outros olhos
Com um olhar capaz de ver-se num coração
Seria o ser no vento que não seguiu avante

Se vamos nos caminhos que se juntam destinos
Destinos que se unem de mãos separadas?
São mãos que se alongam sem as partes do corpo
Das solitárias bocas e lábios em desatinos

Por todos os lugares passarão do tempo corrido
Não precisarão dizer nada ou apenas um nada
Pois nem todas as palavras de todas as bocas
Dirão um penar espontâneo de um gesto sofrido

Se por um segundo sequer segurei a tua mão
Quem se importou se foi aos ingênuos vinte anos?
Se nunca houvera duas luas num mesmo céu
Se em todos os suspiros havia um não

O quê faremos do corpo nas palmas da mão?
Se todos os lábios não quiseram beijar
Ainda que haviam as paisagens da falsa alegria
Se os corações foram incapazes de amar

Talvez haja um amar para onde vamos
Para onde vamos? Cada um refletirá a sobrevida
Será que a ternura se cala na última chama
Por um adeus no desapego das mãos da vida?

O quê faremos dos sonhos, das almas perdidas?
O quê tanto amaremos entre o princípio e o fim?
Se nos reconhecemos por tantas vindas e idas
Se foi por um descuido que segurei tua mão

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088