sexta-feira, 24 de abril de 2015

pelas sombras nas calçadas


Scott Hamilton - In a Sentimental Mood [Duke Ellington / Manny Kurtz / Irving Mills]     (HD720) (for sax lovers)

Scott Hamilton [Hamfat] (Providence, Rhode Island, 12 de setembro de 1954) é um tenor saxofonista de jazz norte-americano. http://pt.wikipedia.org/wiki/Scott_Hamilton_%28m%C3%BAsico%29  

The official website  http://www.scotthamiltonsax.com/
Biography
Scott Hamilton was born in 1954, in Providence, Rhode Island. During his early childhood he heard a lot of jazz through his father’s extensive record collection, and became acquainted with the jazz greats. He tried out several instruments, including drums at about the age of five, piano at six and mouth-organ. He had some clarinet lessons when he was about eight years of age, but that was the only formal music tuition he has ever had. Even at that age he was attracted to the sound of Johnny Hodges, but it was not until he was about sixteen that he started playing the saxophone seriously. From his playing mainly blues on mouth organ, his little band gradually became more of a jazz band. 
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   The  Parable of the Blind Leading the Blind - Os cegos do quadro de Brueghel
Pieter Bruegel, "O Velho" foi um pintor de Brabante, célebre por seus quadros retratando paisagens e cenas do campo. Pieter Bruegel, conhecido como Pieter Bruegel, "O Velho", foi o primeiro de uma família de pintores flamengos. Nascimento: 1525, Son en Breugel, Países Baixos - Falecimento: 9 de setembro de 1569, Bruxelas, Bélgica. Período: Renascimento flamengo.
http://www.pieter-bruegel-the-elder.org/
http://www.pieter-bruegel-the-elder.org/Netherlandish-Proverbs-1559.html 
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pelas sombras nas calçadas

quando a noite chega 
em denso teto de musgo
tudo se enruga no frio das almas
pode-se facilmente desejar a morte

mas o rio é pouco profundo
mesmo para um sonâmbulo
não haveria de ser um acontecido
o rio da vida é de uma paz rasa

o desespero se amontoa sobre a vida 
o descanso necessita de uma cova profunda
livrar-se das horas que flutuam na neblina
das mariposas de inverno mortas na luz

a noite é de inverno sobre as árvores
sobre os pássaros de poucas penas
sobre a precariedade das coisas humanas
é o frio infinito das pedras dos sepulcros

as pessoas caminham como o tempo
sombras caminham nas calçadas
olham entre si, mas não se veem
uma lua, em meia lua, cansada de luz

talvez seja cedo para morrer
ou a morte passe pela manhã
tanto faz quem esteja pelos becos
todos os corpos são iguais sob os trapos

Tanto faz se a morte venha
nem soarão os sinos dos mosteiros
não se pode morrer duas vezes
nem se pode matar um ao outro morto

estamos todos quase mortos
todos quase mortos 
somos um todo de quase mortos
para onde foram os coveiros?

os sinos tocam no final do ano
despertam o espírito natalino
desembrulham longínquas recordações
se ainda há gelo é um pouco cedo ou muito tarde

porque a vontade de ouvir os sinos
seja o desejo de passagem de ano
passagem de uma vida à outra vida
de um mundo para outro

Um outro mundo, um mundo são
perfeito como as recordações
me encarrego da reserva e do cardápio
retornaremos à vida pouco a pouco

enquanto isso somos a inexistência
quem dera se fossemos passado
desabrochar em vida na vida adulta
quais eram mesmo as lembranças no presente?

talvez consiga ser o que sempre quis
mas esse sentimento é futuro
nem há remorso no futuro
só se pode sentir a dor no presente

nem sinto vida, nem sinto a vida
nem sinto amor, nem sinto o amor
nem a vida, nem o amor
morro em saber, sem a vida e sem o amor 

estou todo moribundo
sou morto e moribundo
estou mortibundo de passado
a vida acabou, acabou o amor
chamem os coveiros

http://www.luso-poemas.net/
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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Günter Wilhelm Grass

Günter Grass [Günter Graß]

Günter Wilhelm Grass foi um autor, romancista, dramaturgo, poeta, intelectual, e artista plástico alemão. Sua obra alternou a atividade literária com a escultura, enquanto participava de forma ativa da vida pública de seu país. 
O escritor alemão Günter Grass, que ganhou em 1965 - Prêmio Georg Büchner - o Prêmio Nobel de Literatura 1999 e o Príncipe das Astúrias das Letras, morreu aos 87 anos na cidade de Lübeck, situada no norte da Alemanha, informou nesta segunda-feira (13/04) a editora Steidl. [16/10/1927, Cidade Livre de Danzig, Polônia - 13/04/2015, Lübeck, Alemanha]
http://pt.wikipedia.org/wiki/G%C3%BCnter_Grass

Obras de destaque de Günter Grass foram: "O tambor" (1959), "Descascando a cebola" (2006), seu polêmico livro de memórias; "A passo de caranguejo" (2002), além de "O meu século" (1999), "Uma longa história" (1995), "Anos de cão" (1963) e "O gato e o rato" (1961).  http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/40111/vencedor+de+nobel+escritor+alemao+gunter+grass+morre+aos+87+anos.shtml

Die Blechtrommel (no Brasil e em Portugal, O Tambor) é um filme de 1979, produzido pela Alemanha, França, Polônia e Iugoslávia. É um drama dirigido por Volker Schlöndorff, com roteiro adaptado do livro homônimo de Günter Grass.
http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Tambor_%28filme%29

Naquela tarde em que não roubei um beijo teu

Tina Guo Official Video - Schindler's List Main Theme (Cello)
Support my videos: Patreon https://www.patreon.com/TinaGuo
Download the Single: http://bit.ly/1LrDtDQ - iTunes: http://bit.ly/163xunS  
Physical Albums: http://tinaguo.ecrater.com - Tina Guo, Cello - Bryan Pezzone, Piano
www.TinaGuo.com  -.-  www.facebook.com/TinaGuoMusic
Director of Photography: Joel Moody - Director, Producer, Editor: Tina Guo

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Apollo and Daphne - criação[1622–1625] mármore - barroco italiano, Basílica de São Pedro -  Roma. -  Gian Lorenzo Bernini - [07/12/1598, Nápoles, Itália - 28/11/1680, Roma, Itália]. http://pt.wikipedia.org/wiki/Gian_Lorenzo_Bernini
http://www.wga.hu/frames-e.html?/html/b/bernini/gianlore/sculptur/1620/apollo_d.html
O poder da arte Bernini - Vimeo  https://vimeo.com/61768791

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Naquela tarde em que não roubei um beijo teu

Quando partes de mim se unem sempre numa lembrança
Nos olhos, a tua imagem se forma em vida abraçada
E no silêncio, me caem as palavras desnudas,
Despetala-se o beijo entre o mudo e o nada

Quando partes de mim estão para sempre em saudade
O verbo invertido, ressoa em cada eco a sílaba acovardada
E na tua ausência, que me queimo em não velar-te à verdade
Inflamam-se, aos desejos, na tua chama nunca apagada

Sempre ando em partes de mim e lamento num sonho
A reanimação tropeçante de uma noite em casmurros
E na poesia, que os versos soltam as feras do meu peito
Sucumbem-se nas ilógicas razões d'um reles pensamento

Quando partes de mim, sempre, queixam na solidão
A guisa leve, no abrasar do meu corpo tedioso
E a lágrima, que molha a face em prece e malva
Desdenham-se tons fadados sem qualquer compaixão

Mas naquela tarde, quimera e ansiosamente,
Em que roubasse um beijo teu
Não queixasse à saudade
Tampouco te procurasse num sonho

Engaste inteira, diamantino, na retidão arrependida dos olhos
No único instante de ser,
Naquela tarde em que não roubei um beijo teu,
Roubasse um beijo de amor por inteiro

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088
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Eduardo Hughes Galeano

Eduardo Galeano
Eduardo Hughes Galeano foi um jornalista e escritor uruguaio. É autor de mais de quarenta livros, que já foram traduzidos em diversos idiomas. Suas obras transcendem gêneros ortodoxos, combinando ficção, jornalismo, análise política e História.
[03/09/1940, Montevidéu, Uruguai - 13/04/2015, Montevidéu, Uruguai]

"O mundo está feito de histórias. São as histórias que contamos, escutamos, multiplicamos, que permitem converter o passado em presente e o distante em próximo, o que está longe em algo próximo, possível e visível" 
"Vivemos em plena cultura da aparência: o contrato de casamento importa mais que o amor, o funeral mais que o morto, as roupas mais do que o corpo e a missa mais do que Deus".

Cinco livros essenciais para entender a obra do escritor:
.As Veias Abertas da América Latina (1971)
.Trilogia - Memória do fogo (1982-1986) composto pelos livros "Os Nascimentos" (1982), "As Caras e as Máscaras" (1984) e "O Século do Vento" (1986)
.Dias e Noites de Amor e Guerra (1975)
.Os filhos dos dias (2012)
.Mulheres (1997)
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/cultura/40117/conheca+cinco+livros+essenciais+para+entender+a+obra+do+escritor+eduardo+galeano.shtml

UM BEIJO - "Meu tempo é quando"- Vinicius de Moraes

"Meu tempo é quando"
Poética - Nova Iorque - 1966
http://www.viniciusdemoraes.com.br/
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UM BEIJO
Petrópolis , 1962

Um minuto o nosso beijo 
Um só minuto; no entanto 
Nesse minuto de beijo 
Quantos segundos de espanto! 
Quantas mães e esposas loucas 
Pelo drama de um momento 
Quantos milhares de bocas 
Uivando de sofrimento! 
Quantas crianças nascendo 
Para morrer em seguida 
Quanta carne se rompendo 
Quanta morte pela vida! 
Quantos adeuses efêmeros 
Tornados o último adeus 
Quantas tíbias, quantos fêmures 
Quanta loucura de Deus! 
Que mundo de mal-amadas 
Com as esperanças perdidas 
Que cardume de afogadas 
Que pomar de suicidas! 
Que mar de entranhas correndo 
De corpos desfalecidos 
Que choque de trens horrendo 
Quantos mortos e feridos! 
Que dízima de doentes 
Recebendo a extrema-unção 
Quanto sangue derramado 
Dentro do meu coração! 
Quanto cadáver sozinho 
Em mesa de necrotério 
Quanta morte sem carinho 
Quanto canhenho funéreo! 
Que plantel de prisioneiros 
Tendo as unhas arrancadas 
Quantos beijos derradeiros 
Quantos mortos nas estradas! 
Que safra de uxoricidas 
A bala, a punhal, a mão 
Quantas mulheres batidas 
Quantos dentes pelo chão! 
Que monte de nascituros 
Atirados nos baldios 
Quantos fetos nos monturos 
Quanta placenta nos rios! 
Quantos mortos pela frente 
Quantos mortos à traição 
Quantos mortos de repente 
Quantos mortos sem razão! 
Quanto câncer sub-reptício 
Cujo amanhã será tarde 
Quanta tara, quanto vício 
Quanto enfarte do miocárdio 
Quanto medo, quanto pranto 
Quanta paixão, quanto luto!... 
Tudo isso pelo encanto 
Desse beijo de um minuto: 
Desse beijo de um minuto 
Mas que cria, em seu transporte 
De um minuto, a eternidade 
E a vida, de tanta morte.

sábado, 4 de abril de 2015

Nas mil folhas do meu imaginário


Chiara Civello - in questi giorni (studio version)
dal primo album "Last quarter moon"
http://www.chiaracivello.com/web/
Chiara Civello nasce a Roma, dove muove i suoi primi passi da musicista. Appena compiuti i 18 anni lascia la capitale alla volta dell’America, dove frequenta il “Berklee College of Music” e diventa la prima artista italiana nella storia ad esordire con un album inciso per la prestigiosa etichetta Verve Records, prodotto da Russ Titelman, suo scopritore.
Frutto del lavoro di questi anni sono le dieci canzoni del suo debutto discografico, “Last quarter moon” (Verve 2005), sette delle quali scritte da lei e tre in collaborazione con altri artisti, compresa la ballad “Trouble”, composta a quattro mani con il leggendario Burt Bacharach.
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Dolce-far-niente-(Sweet-Nothings) John William Godward (British, 1861-1922)
 http://www.johnwilliamgodward.org/Sweet-Nothings.html 
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Nas mil folhas do meu imaginário

Diga-me qualquer coisa
O meu querer é a tua voz rouca      
A que te desperto no meu invento      
Nos sussurros que te faz indecifrável

Sejas, ainda que eu não saiba, o meu mistério
Apenas para que eu saiba
Para que eu ainda saiba
O quanto ainda tu me queres

Possa ouvir no teu leve respirar
O silêncio que revela no meu olhar
Onde no teu corpo em que invento
Tudo em tua volta se adormece

Faça nascer o teu corpo secreto
Porque nele tudo me renasce
Nas tuas sonolentas carícias
Como te furtasse, eu me entrego

Sorrateiramente te construo
Na liberdade dos lábios amantes
O instante no meu coração ainda pulsa
Na tua primeira nudez em meu peito

E com o desejo inquieto
Procuro na distância do teu repouso
Percorro os beijos mudos sobre a tua pele
E estremeço ao te esculpir com as mãos

Ah! minha desamparada alma
Se embriaga no teu voo da pluma
No sabor que alimenta o meu desejo
Nos lábios em que te doas embebida

Não quero a morte, não quero nada
Somente respirar-te à exaustão
Encontrar-me nos lábios do teu ventre
E ser tudo que te leve ao breve instante

Sou de tudo nos limites do teu corpo
No entrelaçar teus dedos em meus cabelos
No comprimir meu beijo entre tuas ancas
Tu és o que me faz renascer auroras

Por isso te toco e me faço súbito
No impossível esquecer o teu ardor
Gravastes a memória do teu gozo
No infinito sopro do meu tempo

Por isso te conspiro e me exausto
Nos teus gestos que me embriagam
Eu te escuto no ar que se desprende
Na última gota que recolhes no suspiro

Em mim desvendas os segredos da tua carne
Sou o humilde desejo que beija os teus pés
És, em teu corpo, quem me recebe por inteiro
Pouso em teu peito o nascer como quem ama

E colorimos no céu o sentido das cores
Nasce em ti o poente entre os teus seios
Para que eu seja o teu desejo de noite
Quando se molhas na transparência da água

Sei do agora porque te criei em tantas palavras
Não era simplesmente por uma noite de insônia
Eram as lágrimas que vertiam do teu olhar
Reveladas pela tua face no instante do gozo

Elas ainda molham as mil folhas do meu imaginário

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

sexta-feira, 3 de abril de 2015

E se num silêncio teu que vem de dentro


João Gilberto Passione - Estate [by Bruno Martino and Bruno Brighetti]
Estate is an Italian song written in 1960. The song was originally titled (and the lyric sung) "Odio l'estate" ("I Hate the Summer") Verão [Estate - Bruno Martino-music , Bruno Brighetti- lyrics] http://en.wikipedia.org/wiki/Estate_%28song%29

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O IMPORTUNO - ALMEIDA JR, 1898. Óleo sobre tela, 145 X 97 CM. 
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/

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E se num silêncio teu que vem de dentro

E se a sua vida, a minha vida, a vida nossa
Nossas fossem e fosse o nós o lugar de ficar a sós
Como os dois estranhos de si mesmos no abandono
Num nascer em outra história de um coexistir? 

E se a mão estendesse o não ser só você
Se o ser mesmo fosse o principal da sua vida
Do arquiteto de suas próprias obras primas
Se o nada ter não é o que se exige de alguém?

E se de um breve instante findo de oração
Num silêncio só teu que vem de dentro
Se abrisse do instante o distraído coração
O ser sozinho e não sentir vergonha de ser só?

E se de repente, o sentimento nasceu livre
E a liberdade e a solidão não são o abandono
Nem a desconsideração de Deus ou Dele à vida
Se vida somos os coadjuvantes da própria história?

E se no devir da própria sorte e nem só na morte
Se cada um de nós, em todos nós, é um só no mundo
Tão no fundo, o tão profundo é o rejeitar a solidão
Como na pior doença a sombra da miséria humana?

E se a solidão for a arte do encontro de um vazio
No eco que balança entre a existência e a ausência
Na grande perda a liberdade for recoberta pelo medo
E a angústia for a chave do porvir o sentido do mundo?
  
E se na transcendência posso ser a experiência
Em poder nascer na santa ignorância e me permito
Atravessar a ponte entre o aprender e o não sabia
Desaprender da filosofia e despertar na lucidez?

E se num silêncio teu que vem de dentro
A solidão é morte, são dos porões do holocausto
As lâminas que cortam entre o sofrimento e a dor
A solidão é só de amar, em cada um de nós, um só amor?

Mas, se num silêncio meu que vem de dentro
A solidão é sentimento que me ensina a te amar 
É lucidez do amor pela nossa existência
A solidão é sentimento que me ensina a morrer

Pode ser silêncio, pode ser amor 
A solidão é a arte do encontrar-se 

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quinta-feira, 2 de abril de 2015

O cineasta Manoel de Oliveira

Manoel Cândido Pinto de Oliveira foi um cineasta português e, segundo se diz, foi o mais velho realizador do mundo em actividade. Era o autor de trinta e duas longas-metragens.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Manoel_de_Oliveira

 [11/09/1908. Porto, Portugal - 02/04/2015. Porto, Portugal]
Porto - Faleceu no final da manhã desta quinta-feira (2), na cidade do Porto, norte de Portugal, o cineasta Manoel de Oliveira.

O realizador de cinema morreu, aos 106 anos, na sua residência, vítima de paragem cardíaca. Manoel de Oliveira, autor de mais de trinta longa metragens, era o cineasta mais velho do mundo em atividade. Anik e Bóbó e o Velho do Restelo são alguns dos filmes mais celebrados do cineasta.
Ao longo da carreira foi distinguido, entre outros, com o Prêmio David di Donatello - Prêmio Luchino Visconti e o European Film Award Prêmio Revelação – Fipresci.
Manoel de Oliveira nasceu na freguesia de Cedofeita na cidade do Porto no seio de uma família da alta burguesia nortenha. Ainda jovem foi para A Guarda, na Galiza, onde frequentou um colégio de jesuítas. Admite ter sido sempre mau aluno. Dedicou-se ao atletismo, tendo sido campeão nacional de salto à vara e atleta do Sport Club do Porto, um clube de elite. Ainda antes dos filmes veio o automobilismo e a vida boémia. Eram habituais as tertúlias no Café Diana, na Póvoa de 
Varzim, com os amigos José Régio, Agustina Bessa-Luís, Luís Amaro de Oliveira e outros.

Longas-metragens (Fonte: Wikipedia)
1942 - Aniki-Bobó1963 - Acto da Primavera (docuficção); 1971 - O Passado e o Presente; 1974 - Benilde ou a Virgem Mãe; 1979 - Amor de Perdição; 1981 - Francisca; 1985 - Le Soulier de Satin; 1986 - O Meu Caso; 1988 - Os Canibais; 1990 - Non, ou a Vã Glória de Mandar; 1991 - A Divina Comédia; 1992 - O Dia do Desespero; 1993 - Vale Abraão;1994 - A Caixa; 1995 - O Convento; 1996 - Party; 1997 - Viagem ao Princípio do Mundo; 1998 - Inquietude; 1999 - A Carta; 2000 - Palavra e Utopia; 2001 - Porto da Minha Infância; 2001 - Vou para Casa; 2002 - O Princípio da Incerteza; 2003 - Um Filme Falado; 2004 - O Quinto Império - Ontem Como Hoje; 2005 - Espelho Mágico; 2006 - Belle Toujours; 2007 - Cristóvão Colombo – O Enigma; 2009 - Singularidades de uma Rapariga Loura; 2010 - O Estranho Caso de Angélica; 2012 - A Igreja do Diabo; 2012 - O Gebo e a Sombra

Curtas e médias metragens
1931 - Douro, Faina Fluvial; 1932 - Estátuas de Lisboa; 1938 - Já se Fabricam Automóveis em Portugal; 1938 - Miramar, Praia das Rosas; 1941 - Famalicão (filme); 1956 - O Pintor e a Cidade; 1964 - A Caça; 1965 - As Pinturas do meu irmão Júlio (documentário); 1966 - O Pão (documentári; 1982 - Visita ou Memórias e Confissões; 1983 - Lisboa Cultural; 1983 - Nice - À propos de Jean Vigo; 1985 - Simpósio Internacional de Escultura em Pedra - Porto2010 - Painéis de São Vicente de Fora, Visão Poética; 2011 - "Do Visível ao Invisível" em Mundo Invisível; 2014 - O Velho do Restelo

Outros filmes
1937 - Os Últimos Temporais: Cheias do Tejo (documentário); 1958 - O Coração (documentário, 1958); 1964 - Villa Verdinho: Uma Aldeia Transmontana (documentário); 1987 - Mon Cas (1987); 1987 - A Propósito da Bandeira Nacional (1987); 2002 - Momento (2002); 2005 - Do Visível ao Invisível (2005); 2006 - O Improvável não é Impossível (2006); 2011 - O Conquistador conquistado (2011), curta-metragem inspirado pela escolha de Guimarães como Capital Européia da Cultura.
http://www.portugaldigital.com.br/cultura/ver/20093494-morre-aos-106-anos-manoel-de-oliveira-o-mais-velho-cineasta-em-atividade

quinta-feira, 19 de março de 2015

Quando o dia, no amanhã, for despedida


Chiara Civello - Problemi[ChiaraCivelloVEVO] Chiara Civello/ Ana Carolina/ Dudu Falcão
Regia di MARCO SALOM - Casa di produzione ANGELFILM Music video by Chiara Civello performing Problemi. (C) 2012 Intersuoni Srl
http://www.chiaracivello.com/web/
Chiara Civello nasce a Roma, dove muove i suoi primi passi da musicista. Appena compiuti i 18 anni lascia la capitale alla volta dell’America, dove frequenta il “Berklee College of Music” e diventa la prima artista italiana nella storia ad esordire con un album inciso per la prestigiosa etichetta Verve Records, prodotto da Russ Titelman, suo scopritore. 
Frutto del lavoro di questi anni sono le dieci canzoni del suo debutto discografico, “Last quarter moon” (Verve 2005), sette delle quali scritte da lei e tre in collaborazione con altri artisti, compresa la ballad “Trouble”, composta a quattro mani con il leggendario Burt Bacharach. 
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Belleza Pompeiana - John William Godward (British, 1861-1922) 
http://www.johnwilliamgodward.org/
John William Godward foi um pintor inglês do final do período Pré-rafaelita.  [09 de agosto de 1861, Wimbledon, Londres, Reino Unido - 13 de dezembro de 1922, Londres, Reino Unido] http://en.wikipedia.org/wiki/John_William_Godward
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Quando o dia, no amanhã, for despedida

De um som que se aproxima nas calçadas
Meus tremores dos teus passos pelo corpo
O sonho em seduzido vento em teu perfume
Suavemente a tua cumplicidade me apaixona

Quando a noite abraça o dia pelas ruas
Nem tanto a lua brilha quando passas
Brilha a vida entre tantas luzes e te faz dia
Como um sol que se ilumina nos meus olhos

Se abro o peito ao libertar os meus delírios
Me balanço no teu corpo em que caminhas
O quê me faço em afagar nos teus cabelos?
Onde levas a sorte de receber o teu sorriso?

Se tua vida venha a cuidar-se feito a minha
Num abandono entre o corpo um no outro
O beijo em que nem a distância se eternize
Seriamos dois em nós e não nos perderíamos

Pudera se essas ruas não tivessem o fim
Teria a esperança do teu olhar do infinito
Quem dera o teu lenço distraído nas calçadas
Acalmasse a tua lembrança no amanhã

Quando o dia, no amanhã, for despedida
Saberei de ti num pesar por mais um dia
Buscarei num abraço que te guarda a noite
Numa das ruas me encontro na tua esperança

--- Talvez no amanhã possamos parar e conversar sobre a vida e seus amores ---

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quarta-feira, 18 de março de 2015

Na boca ainda há sangue e o sabor acalma


 - official website -    http://www.teresasalgueiro.pt/
Teresa Salgueiro nasceu em Lisboa a 8 de Janeiro de 1969. Em 1986, com apenas 17 anos, integra o mais famoso grupo Português de sempre no estrangeiro – Madredeus. Entre 1987 e 2007, com os Madredeus, vendeu mais de cinco milhões de discos em todo o mundo. Participou, também, como atriz principal, na longa metragem de Wim Wenders, intitulada “Lisbon Story”.
Em paralelo com a actividade do grupo, edita o álbum “Obrigado” (2006) que reúne participações com vários artistas como José Carreras, Caetano Veloso, Angelo Branduardi, entre outros.  ...." http://www.teresasalgueiro.pt/pt-pt/biografia
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Canção Sentimental. Berthe Worms, 1904. Anna Clémence Berthe Abraham Worms, mais conhecida como Bertha Worms foi uma professora e pintora de gênero e de retratos franco-brasileira. (Uckange, França, 26 de fevereiro de 1868 - São Paulo, 27 de junho de 1937)
Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo. http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertha_Worms
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Na boca ainda há sangue e o sabor acalma

Se ainda circulas pelas veias do corpo
Como o álcool gélido sorvido na noite
Das noites que não conseguem dormir
Como as manhãs que surgem de açoite

Talvez seja o tempo sentado lá fora
Capaz de suportar o demasiado frio
Incapaz de encontrar-se no céu noturno
O quê há além do nada, o caos e o vazio?

Se no mundo existem lugares e amares
Um mundo de razões levadas ao vento
Diga-me se o vento vem da direção do mar
O quê há além fronteiras de outros mares?

Se pairavas nas nuvens no céu de inverno
Cantando os segundos aos meus ouvidos
Talvez o extremo seja as razões do inferno
Como os corações de gelo flutuam nos rios

Há nos sentimentos uma enorme distância
É como não sonhar o sonho de outra pessoa
Se não podemos voltar da morte do tempo
Não voltamos no amor que no coração ressoa

Sufoca-se na fumaça negra e cinzas brancas
Tragadas por um céu de nuvens escuras
No solo se adubam as dores com as cinzas
Não se morre de amores e nem há mais curas

Se ainda caminhas sobre o sofrimento e as dores
Na boca ainda há sangue e o sabor acalma
Se não demoras, onde não houver amores
Haverás de ser o alguém n'algum lugar da alma


~.~.~  "Onde não puderes amar, não te demores" Frida Kahlo ~.~.~
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frida_Kahlo

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

terça-feira, 17 de março de 2015

Um site para Elis


Elis Regina 70 anos e o legado de Elis

"Sou apenas o meu tipo inesquecível..."

O legado de Elis e seu aniversário são celebrados com o site http://www.elisregina.com.br/

"Decidimos criar o site com o objetivo de alimentar a memória de Elis, a obra e a pessoa, através de seus discos, apresentações ao vivo, entrevistas, fotos, reportagens e depoimentos.
O lançamento no dia 17 de março, seu aniversário de 70 anos, é um presente dos filhos pra Elis.
E um movimento de gratidão aos fãs, aqueles que a mantém tão presente"

Nas páginas do site:
. Eternamente: Cronologia, Depoimentos, Fotos. 
. Por Elis:  (ouça e veja)  Álbuns completos, Compactos , Participações em LP's, Vídeos.
. Para Elis: Fã Clube, Exposições, Teatro, Cinema
. Para Você: Livro Viva Elis, Wallpaper, Loja
. Blog
. Contato
Por João Marcello Bôscoli

"Para comemorar os 70 anos de Elis Regina, entra no ar hoje o portal que traz todo o conteúdo da exposição ‘Viva Elis’, recebida por algumas cidades brasileiras em 2012. “Nem Elis foi esquecida, nem Luiz Gonzaga (1912-1989). Vamos ver se o mesmo acontece com Dominguinhos (1941-2013)”, conta João Marcelo, um dos responsáveis pelo site e pelo show ‘Elis 70 Anos’, com compositores lançados por ela."  [http://odia.ig.com.br/diversao/2015-03-17/pimentinha-os-70-anos-de-elis-regina-sao-celebrados-com-biografia.html]


Elis Regina e Tom Jobim - "Águas de Março" - 1974

quarta-feira, 11 de março de 2015

O amor eternizado


Osvaldo Lenine Macedo Pimentel, conhecido apenas como Lenine, (Recife, 2 de fevereiro de 1959) é um cantor, compositor, arranjador e músico brasileiro. Ocupa a cadeira 38 como acadêmico correspondente da Academia Pernambucana de Letras.
Lenine ganhou dois prêmios Grammy Latino: um pelo “Melhor Álbum Pop Contemporâneo” com seu álbum "Falange Canibal"; e outro em 2009 na categoria melhor canção brasileira com a música "Martelo Bigorna".
Blog Acontece CDS / DVDS Fotos e Vídeos Comemória Downloads Bio Contato
http://www.lenine.com.br/
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The Nurture of Bacchus
about 1628, Nicolas Poussin
The National Gallery, Trafalgar Square, London WC2N 5DN
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O amor eternizado

Se te deixo partir para outros lábios
Para que fiques em mim no último beijo
O teu sentimento se vai para outras vidas
Para deixar-te no coração em eterna morada

Se te perco do encontro a paixão [in]concebida
Faço de ti a profecia no monge silencioso
O eterno que medita no teu olhar infindável
No teu peito toca ao longe a minha triste sina

Se me faço chuva em queda suicida
Nada peço molhando os teus cabelos
Na pele sedento em percorrer teu corpo
Umedecendo a minha secura nos teus lábios

Se te liberto para eternizar a última poesia
Te aporto no ancoradouro das ilhas morenas
Na tua quietude que o vento arrasta
Os pedaços da rasgada folha que escrevo

Se te faço canção para que morras em mim
Com outra face dances até a noite enlouquecida
Girando, girando os corpos até a inveja lasciva
Para que as causas esqueçam os seus mortos

Se te deixo ir como os veleiros silenciosos
Tua face de lua encoste n'outras faces de sol
Te possuirei nas vagas, no voo das aves
Nas lamentações da tua voz ausente

Se te faço fé na escuridão desesperada
Para que sejas a gota na manhã orvalhada
Das terras secas desabrochando em outros leitos
Poderei partir de mim a tua liberdade eternizada

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

domingo, 8 de março de 2015

O canto de vida de Inezita Barroso


Inezita Barroso - Ronda  [Composição: Paulo Vanzolin]

Inezita Barroso, nome artístico de Ignez Magdalena Aranha de Lima (São Paulo, 04/03/1925  — São Paulo, 08/03/2015), foi uma cantora, atriz, instrumentista, bibliotecária, folclorista, professora, doutora honoris causa em folclore e arte digital pela Universidade de Lisboa e apresentadora de rádio e televisão brasileira, atuando também em espetáculos, álbuns, cinema, teatro e produzindo espetáculos musicais de renome nacional e internacional.
Inezita começou a cantar e tocar violão e viola desde pequena, com sete anos. Estudiosa, matriculou-se no conservatório e aprendeu piano.  Desde 1980 comandava o programa de música caipira Viola, Minha Viola, pela TV Cultura de São Paulo. Apresentou também no SBT um programa musical, aos domingos pela manhã que levava seu nome.
Inezita Barroso é reconhecida também como atriz de teatro e cinema. Por onde atuou, ela ganhou prêmios importantes, como o Troféu Roquette Pinto, como Melhor Cantora de rádio; o prêmio Guarani, como melhor cantora em disco, além de ganhar também o Prêmio Saci de cinema. Em 2003, foi condecorada pelo governador de São Paulo com a Medalha Ipiranga, recebendo o título de comendadora da música raiz.
Desde a década de 1980, Inezita Barroso ainda arranjava um espaço na agenda para dar aulas de folclore. Atualmente, lecionava nas faculdades Unifai e Unicapital, onde recentemente recebeu o título de doutora Honoris Causa em Folclore Brasileiro. Em novembro de 2014, foi eleita para a Academia Paulista de Letras, ocupando o lugar da folclorista Ruth Guimarães, morta em maio. Em fevereiro de 2015, Inezita foi internada no Hospital Sírio Libanês, onde morreu na noite de 8 de março de 2015. http://pt.wikipedia.org/wiki/Inezita_Barroso
http://www.inezitabarroso.com.br/

quinta-feira, 5 de março de 2015

100 anos de Mário Lago

Homem do Século XX - Memória em Movimento
Música - Poemas e Poesias - Cinema, Teatro, TV - Literatura - Frases
http://www.mariolago.com.br/home.php 

O amor é a vida

Mais de um amor numa vida
É muito fácil de ter
A dor de amor é esquecida
Talvez nem chegue a doer
Mesmo se o fim é tristeza
Vazio no coração
No fim só fica a beleza
De uma bonita paixão

E embora o amor destruído
E o tanto que se sofreu
O tempo não foi perdido
A gente é que se perdeu

http://www.mariolago.com.br/poemas_e_poesias.php

quarta-feira, 4 de março de 2015

Onde exista um grande vazio


Chiara Civello - A me non devi dire mai [C Civello & T Bungaro]
1°violino: Lisa Green ;  2°violino: Zita Mucsi ; Viola: Nico Ciricugno
Cello: Zsuzsanna Krasznai. Album: Al posto del mondo anno 2012
Chiara Civello é uma cantora, compositora e pianista italiana cujas composições têm influências claras de jazz e blues. Berklee College of Music. http://www.chiaracivello.com/web/

Minerva and the Nine Muses - BALEN, Hendrick van
(b. 1575, Antwerpen, d. 1632, Antwerpen) - Oil on panel - Private collection http://pt.wikipedia.org/wiki/Hendrick_van_Balen

~.~.~
Onde exista um grande vazio

Queria das flores o teu perfume
Do teu corpo as noites de um luar
Sentir apenas do teu olhar o lume 
Nas auroras o teu sereno despertar

Eram primaveras das mil e as miúdas flores
Lembranças de um rosto com o teu carmim
Da delicadeza que despes com teus amores
Com todas as suaves cores de um querubim

Quando lembro que estive na tua frente 
Como um outono sereno que se instalava
O desejo de um corpo e o amor em mente 
Não passara por um sonho em duas partes

Como uma tristeza em derramar alegria
Das horas de um breve toque de mãos
Te sentia fluida, turva como uma gota fria 
Transbordavas sorrateira como o silêncio 

Era o tempo, a dar-te as asas para voar
Numa viagem para o teu sonho sem fim
Fiquei a tua espera, da outra asa nascente 
Estou guardado na ausência do teu jardim

Preciso mais, ver-te mais, por um instante
Descobrir-te numa razão principal para viver
Da tua imagem cada vez mais transparente
Guardar-te nos olhos como a luz na escuridão

Talvez possa te encontrar com o tempo
Como em teu caminho passa o longo vento
Onde não resistiremos de um grande vazio
Se de ti nada mais houver, eu te invento

Te invento na dor que sentou-se à mesa
Falando sobre um gemido aparente da dor
Pensara sentir-te num abraço em seu peito
Era o desejo perdido de um profundo amor

Te invento em todas as formas do ar
Do amor que não soube que poderia ser
Onde exista um grande vazio, te invento
Te invento como uma música cheia de céu 
E a lua brilha na dor e nos mistérios de amar

~.~ "Sem música, a vida não teria sentido" ~.~
F. Nietzsche

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Enquanto ainda fores


Chiara Civello - Resta(by Civello, Carolina, Quental) [ChiaraCivelloVEVO]
Chiara Civello é uma cantora, compositora e pianista italiana cujas composições têm influências claras de jazz e blues. Berklee College of Music. http://www.chiaracivello.com/web/

Flor Dente de leão; Coroa-do-monge; Quartilho; Amor-dos-homens; Alface-de-côco; Dandelion; Pinselit.  Abra as janelas e deixe a "esperança" entrar.
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Enquanto ainda fores

Se das dúvidas nasce a descoberta
Faço contigo a tua ausência duvidosa
Num cochilo do tempo da vida
E, por vezes,
O tempo da vida cochila em mim

Não ser a inconsequência
Do ano em que morri
Subtraidamente
Do ano em que nasci

No ápice do contratempo
Se das palavras soltas no espaço
Nascem as interrogações das estrelas
Se te descubro no nascer das dúvidas
O que farei de mim?

Serei o continuo gene
Que traça a obra inacabada
Modestamente continuada
Numa escrita nunca perfeita

Se no teu corpo as palavras escorrem
No deslizar da pele dos teus suores
As frases afoitas desvendam os sabores
A cada descoberta uma nova palavra

Não me perderei nas ruelas
Na praça de um poema perfeito
Nas amarras dos verbetes
Num cachorro invisível

Um novo segredo dos teus amores
Num acender das chamas nas entrelinhas
Faz-se a mulher amada à penumbra da noite
Sob o teu repouso se cala uma libido

Serás o clima que me escolhe
O tamanho do frio do meu cobertor
Daquela palavra exata
Que o nó da garganta desata

Mesmo que um sim
Seja talvez a insistência
Faço-te o meu novo fim
Numa palavra que recomeço

Diante da tua beleza deitada
Sobre a enluarada pele fraseada
O verso em que te desnudo
Em profundo, te respirar a palavra

Enquanto ainda fores
Voes...
Para que todas as minhas folhas
Sejam as tuas asas

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Naquela noite em que roubaste um beijo meu...! [ autoria: Poetisa Anggela Lazzari ]


Caetano Veloso & João Gilberto - Besame mucho[Consuelo Velázquez] en Buenos Aires,2000.

Consuelo Velásquez Torres [Consuelito](Ciudad Guzmán/Zapotlán el Grande, Jalisco, 21 de agosto de 1916–Cidade do México, 22 de janeiro de 2005)foi uma pianista e compositora mexicana. A canção foi escrita em 1940 e traduzida em mais de 20 idiomas, chegou também a ser um ícone dentro da música popular mexicana.http://pt.wikipedia.org/wiki/Consuelo_Vel%C3%A1zquez

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Naquela noite em que roubaste um beijo meu...!
...Anggela Lazzari...

Quando partes de mim deixas sempre uma lembrança,
Os olhos, a te procurar através da vidraça embaçada,
E no silêncio, em que cabem as palavras mudas,
Desfolham-se os beijos entre o tudo e o nada...

Quando partes de mim deixas sempre uma saudade,
O verbo vertido, entoando cada sílaba não pronunciada,
E na tua ausência, em que teimo não revelar-te a verdade,
Desnudam-se os desejos de uma chama nunca apagada...

Sempre, quando partes de mim, deixas um sonho,
A imaginação esvoaçante, em uma noite de sussurros,
E na poesia, que em versos soltos adormece em teu peito,
Debruçam-se as razões ilógicas d’um breve pensamento...

Quando partes de mim, sempre, deixas a solidão,
A brisa leve, a tocar meu corpo saudoso,
E na lágrima, que rola em face oculta e alva,
Desprendem-se sons calados sem qualquer emoção...

Mas naquela noite efêmera e transluzente,
Em que roubaste um beijo meu,
Não deixaste a saudade,
Tampouco deixaste um sonho,
Ficaste inteiro, verdadeiro, na retina úmida dos meus olhos,
Num instante fugaz e derradeiro...!

(...porque para ti todo verso é pouco...eles transformam meus sonhos...!)

http://equandovocevoltarpoesias.blogspot.com.br
http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=20261
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segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Se por um descuido segurei tua mão

Luis Miguel - El Dia Que Me Quieras (Video Oficial)
El día que me quieras (English: The day that you love me) is a tango with music by Carlos Gardel and lyrics by Alfredo Le Pera. Originally featured in the 1935 film of the same name, it became a heavily recorded tango standard, even by artists outside of the realm of tango. It has subsequently been covered by various artists such as Luis Miguel and Roberto Carlos. The song was inducted into the Latin Grammy Hall of Fame in 2001. http://en.wikipedia.org/wiki/El_Día_Que_Me_Quieras_(song)

Imagem: multidão na rua - cópia da internet
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Se por um descuido segurei tua mão

Foi em algum lugar sem uma lua gigante
Bastaria olhá-la com os outros olhos
Com um olhar capaz de ver-se num coração
Seria o ser no vento que não seguiu avante

Se vamos nos caminhos que se juntam destinos
Destinos que se unem de mãos separadas?
São mãos que se alongam sem as partes do corpo
Das solitárias bocas e lábios em desatinos

Por todos os lugares passarão do tempo corrido
Não precisarão dizer nada ou apenas um nada
Pois nem todas as palavras de todas as bocas
Dirão um penar espontâneo de um gesto sofrido

Se por um segundo sequer segurei a tua mão
Quem se importou se foi aos ingênuos vinte anos?
Se nunca houvera duas luas num mesmo céu
Se em todos os suspiros havia um não

O quê faremos do corpo nas palmas da mão?
Se todos os lábios não quiseram beijar
Ainda que haviam as paisagens da falsa alegria
Se os corações foram incapazes de amar

Talvez haja um amar para onde vamos
Para onde vamos? Cada um refletirá a sobrevida
Será que a ternura se cala na última chama
Por um adeus no desapego das mãos da vida?

O quê faremos dos sonhos, das almas perdidas?
O quê tanto amaremos entre o princípio e o fim?
Se nos reconhecemos por tantas vindas e idas
Se foi por um descuido que segurei tua mão

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Homenagem a Violeta del Carmen Parra Sandoval - Violeta Parra

Violeta Parra

Violeta del Carmen Parra Sandoval (San Carlos, 04 de outubro de 1917 — Santiago do Chile, 05 de fevereiro de 1967) foi uma compositora, cantora, artista plástica e ceramista chilena, considerada a mais importante folclorista daquele país e fundadora da música popular chilena. Nasceu em San Carlos, província de Ñuble. Realizou seus estudos escolares até o segundo ano do secundário, abandonando-os em 1934, para trabalhar e cantar com seus irmãos em bares e circos, desenvolvendo uma importante carreira musical, como autodidata, a partir dos 9 anos. Em 1938, casou-se pela primeira vez e dessa união, teve dois filhos, Isabel e Ángel, que também viriam a se tornar compositores e intérpretes importantes.
Viveu em Valparaíso entre 1943 e 1945, e voltou a Santiago, para cantar junto com seus filhos. Em 1949 voltou a se casar e teve duas filhas dessa nova união. Em 1952 começou a pesquisar as raízes folclóricas chilenas e compôs os primeiros temas musicais que a fariam famosa. Em 1954, quando já tinha o seu próprio programa de rádio, começou um rigoroso estudo das manifestações artísticas populares. Durante o ano de 1955 visitou a União Soviética, Londres e Paris, cidade onde residiu por dois anos. Realizou gravações para a BBC e os selos Odeón e "Chant du Monde".
Em 1957 radicou-se em Concepción, voltando a Santiago no ano seguinte para começar sua produção plástica. Percorreu todo o país, recompilando e difundindo informações sobre o folclore. Em 1961, mudou-se para a Argentina, onde fez grande sucesso com suas apresentações. Voltou a Paris e ali permaneceu por três anos, percorrendo várias cidades da Europa, destacando-se suas visitas a Genebra.
Em 1965 voltou ao Chile, viajou para a Bolívia e, ao regressar a seu país, instalou uma grande tenda na comuna de La Reina, com o plano de convertê-la em um centro de referência para a cultura folclórica do Chile, juntamente com os filhos, Ángel e Isabel, e os folcloristas Patricio Manns, Rolando Alarcón e Víctor Jara, entre outros. No entanto, a iniciativa não obteve sucesso. Emocionalmente abatida pelo fracasso do empreendimento e pelo dramático final de um relacionamento amoroso, Violeta Parra suicidou-se em 5 de fevereiro de 1967, na tenda de La Reina. http://pt.wikipedia.org/wiki/Violeta_Parra


Volver a los 17 [ Violeta Parra] - Programa Chico & Caetano, série especial da Rede Globo, exibido em 14/03/1987, com Mercedes Sosa (1935-2009) cantando "Volver a los 17" acompanhada por Milton Nascimento, Gal Costa, Caetano Veloso e Chico Buarque de Hollanda.

Volver a los 17
(Violeta Parra)

Volver a los diecisiete después de vivir un siglo
Es como descifrar signos sin ser sabio competente,
Volver a ser de repente tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo en este instante fecundo.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Mi paso retrocedido cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena con que nos ata el destino
Es como un diamante fino que alumbra mi alma serena.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

Lo que puede el sentimiento no lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder, ni el más ancho pensamiento
Todo lo cambia al momento cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente de rencores y violencias
Solo el amor con su ciencia nos vuelve tan inocentes.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

El amor es torbellino de pureza original
Hasta el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos, libera a los prisioneros,
El amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero.

Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra, ay si, si, si.

De par en par la ventana se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto como una tibia mañana
Al son de su bella diana hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín al cielo le puso aretes
Mis años en diecisiete los convirtió el querubín.


Gracias a la Vida [Violeta Parra] -Maria Rita e Mercedes Sosa 


"Hay personas que luchan un día; y por eso ellas son buenas; Hay personas que luchan muchos días; y por eso ellas son muy buenas; Hay personas que luchan años; y ellas son mejores; pero sin embargo hay personas que luchan una vida; aquéllos son indispensables."

Bertolt Brecht  - Eugen Berthold Friedrich Brecht foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX.  http://pt.wikipedia.org/wiki/Bertolt_Brecht

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Federico García Lorca


RAIN- Ryuichi Sakamoto é um músico compositor, produtor e ator japonês, baseado em Tóquio e Nova York.  http://sitesakamoto.com/  Official site for composer and musician Ryuichi Sakamoto.  http://pt.wikipedia.org/wiki/Ryuichi_Sakamoto

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Federico García Lorca 

LLUVIA  

La lluvia tiene un vago secreto de ternura,
algo de soñolencia resignada y amable,
una música humilde se despierta con ella
que hace vibrar el alma dormida del paisaje.

Es un besar azul que recibe la Tierra,
el mito primitivo que vuelve a realizarse.
El contacto ya frío de cielo y tierra viejos
con una mansedumbre de atardecer constante.

Es la aurora del fruto. La que nos trae las flores
y nos unge de espíritu santo de los mares.
La que derrama vida sobre las sementeras
y en el alma tristeza de lo que no se sabe.

La nostalgia terrible de una vida perdida,
el fatal sentimiento de haber nacido tarde,
o la ilusión inquieta de un mañana imposible
con la inquietud cercana del color de la carne.

El amor se despierta en el gris de su ritmo,
nuestro cielo interior tiene un triunfo de sangre,
pero nuestro optimismo se convierte en tristeza
al contemplar las gotas muertas en los cristales.

Y son las gotas: ojos de infinito que miran
al infinito blanco que les sirvió de madre.

Cada gota de lluvia tiembla en el cristal turbio
y le dejan divinas heridas de diamante.
Son poetas del agua que han visto y que meditan
lo que la muchedumbre de los ríos no sabe.

¡Oh lluvia silenciosa, sin tormentas ni vientos,
lluvia mansa y serena de esquila y luz suave,
lluvia buena y pacifica que eres la verdadera,
la que llorosa y triste sobre las cosas caes!

¡Oh lluvia franciscana que llevas a tus gotas
almas de fuentes claras y humildes manantiales!
Cuando sobre los campos desciendes lentamente
las rosas de mi pecho con tus sonidos abres.

El canto primitivo que dices al silencio
y la historia sonora que cuentas al ramaje
los comenta llorando mi corazón desierto
en un negro y profundo pentagrama sin clave.

Mi alma tiene tristeza de la lluvia serena,
tristeza resignada de cosa irrealizable,
tengo en el horizonte un lucero encendido
y el corazón me impide que corra a contemplarte.

¡Oh lluvia silenciosa que los árboles aman
y eres sobre el piano dulzura emocionante;
das al alma las mismas nieblas y resonancias
que pones en el alma dormida del paisaje!


[Federico García Lorca- 05.6.1898 Fuente Vaqueros - 19.8.1936 Alfacar-Espanha]
Foi um poeta e dramaturgo espanhol e uma das primeiras vítimas da Guerra Civil Espanhola.
Nascido numa pequena localidade da Andaluzia, García Lorca ingressou na faculdade de Direito de Granada em 1914, e cinco anos depois transferiu-se para Madrid, onde fez amizade com artistas como Luis Buñuel e Salvador Dali e publicou seus primeiros poemas.
Grande parte dos seus primeiros trabalhos baseia-se em temas relativos à Andaluzia (Impressões e Paisagens, 1918), à música e ao folclore regionais (Poemas do Canto Fundo, 1921-1922) e aos ciganos (Romancero Gitano, 1928).
Concluído o curso, foi para os Estados Unidos e para Cuba, período de seus poemas surrealistas, manifestando seu desprezo pelo modus vivendi estadunidense. Expressou seu horror com a brutalidade da civilização mecanizada nas chocantes imagens do Poeta em Nova Iorque, publicado em 1940. Voltando à Espanha, criou um grupo de teatro chamado La Barraca. 
Foi ainda um excelente pintor, compositor precoce e pianista. Sua música se reflete no ritmo e sonoridade de sua obra poética. Como dramaturgo, Lorca fez incursões no drama histórico e na farsa antes de obter sucesso com a tragédia. As três tragédias rurais passadas na Andaluzia, Bodas de Sangue (1933), Yerma (1934) e A Casa de Bernarda Alba (1936) asseguraram sua posição como grande dramaturgo.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Federico_Garc%C3%ADa_Lorca

domingo, 14 de dezembro de 2014

INSTITUTO HILDA HILST - Centro de Estudos Casa do Sol

HILDA HILST  1930 - 2004
http://www.hildahilst.com.br/

PORTAL CULTURAL HILDA HILST - Centro de Estudos Casa do Sol
http://www.hildahilst.com.br.cpweb0022.servidorwebfacil.com/

INSTITUTO HILDA HILST - Centro de Estudos Casa do Sol
http://www.hildahilst.com.br/site/

TEATRO DO INSTITUTO HILDA HILST
http://www.hildahilst.com.br/teatrohh/

Loja: Impressos, Livros e Afins
http://www.obscenalucidez.com.br/

“Deus pode ser uma negra noite escura, mas também um flambante sorvete de cerejas” 
Frase de Hilda, dita ao escritor Caio Fernando Abreu.

Paulistana de Jaú, nascida no dia 21 de abril de 1930 e falecida a 4 de fevereiro de 2004, Hilda Hilst é reconhecida, quase pela unanimidade da crítica brasileira, como uma das nossas principais autoras, sendo consideradas uma das mais importantes vozes da Língua Portuguesa do século XX. Segundo o crítico Anatol Rosenfeld, “Hilda pertence ao raro grupo de artistas que conseguiu qualidade excepcional em todos os gêneros literários que se propôs - poesia, teatro e ficção”

O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade  

Se for possível, manda-me dizer:
- É lua cheia. A casa está vazia -
Manda-me dizer, e o paraíso
Há de ficar mais perto, e mais recente
Me há de parecer teu rosto incerto.
Manda-me buscar se tens o dia
Tão longo como a noite. Se é verdade
Que sem mim só vês monotonia.
E se te lembras do brilho das marés
De alguns peixes rosados
Numas águas
E dos meus pés molhados, manda-me dizer:
- É lua nova -
E revestida de luz te volto a ver.

Hilda Hilst

(Júbilo Memória Noviciado da Paixão(1974) - O Poeta Inventa Viagem, Retorno e Morre de Saudade - I )
(Poesia: 1959 - 1979 - São Paulo: Quíron; [Brasília]: INL, 1980.)

http://www.angelfire.com/ri/casadosol/hhilst.html#poesia

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

A luz coloria o contorno de um rosto

Moça com livro, 1879 - Almeida Júnior[José Ferraz de Almeida Júnior - Itú SP 08.05.1850 - Piracicaba 13.11.1899] Museu de Arte de São Paulo, São Paulo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Almeida_J%C3%BAnior

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Sucedeu assim - Tom jobim

Instituto Antonio Carlos Jobim, em maio de 2001, não somente para preservar e tornar público o seu acervo, mas também para desenvolver projetos educativos sobre ecologia e artes em geral. http://portal.jobim.org/
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A luz coloria o contorno de um rosto

No rosto de um olhar intenso e claro
Teu corpo curvou-se ao peito
No silêncio só se ouve os pulsares
São os segredos de um coração

No pulsar terão todas as promessas
Seladas a luz com a tua ausência
Na respiração sufocada no beijo
Ao sabor da incontida lembrança

Quisera saber se as tuas mãos tremeram
Se no peito havia um coração disparado
Se por um tempo pude chamá-lo de meu
Antes do abraço de uma noite escura e fria

Ah! Pequena luz entre as palmas das mãos
Singela fonte de um calor e desejo
Se guardei da ação dos furiosos ventos
Foi numa chama por um dia de encontro

Talvez seja aquela flor presa ao cabelo
Ofuscada na luz dos longos fios dourados
Invejosa pelos teus lábios cor de rosa
Se nas folhas tivessem o verde dos olhos

Se um dia o seu coração foi meu
Como foi seu coração quem me escolheu
Se o amor acreditou em vidas separadas
De quê são feitos os mistérios do amor?

Talvez a vida seja um desencontro
A vida seja o amor guardado um no outro
Das horas entre os sentidos oscilantes
Um sonho, repousado no sono, se cale na dor

No anoitecer, quando as vozes se mesclam
A sabedoria da noite aflore das profundezas
Sem a única resposta que o amor aconteça
No amanhecer, tu talvez tenhas ido embora

A luz coloria o contorno de um rosto
De um olhar intenso e claro
Meu corpo curvou-se aos caminhos
No peito, o amor sabe que é saudade

http://www.luso-poemas.net/modules/news/index.php?uid=17088

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Ainda que as noites sejam longas


Vuelvo al Sur (En vivo)-Caetano Veloso [un tango de Piazzolla con letra de Fernando "Pino" Solanas] - Cello e arranjos: Jaques Morelenbaum. Extracto de su DVD - Un Caballero de Fina Estampa.
http://www.caetanoveloso.com.br/

A Escola de Atenas, pintada em 1511, afresco de Rafael Sanzio pintor renascentista na sala della Segnatura (sala da assinatura) do Vaticano. O apontar do dedo de Platão (427-347 a.C.) pormenor da Escola de Atenas.
http://mv.vatican.va/2_IT/pages/x-Pano/SDR/Visit_SDR_Main.html
Musei Vaticani
http://mv.vatican.va/2_IT/pages/MV_Home.html
WEB GALLERY OF ART
http://www.wga.hu/html_m/r/raphael/4stanze/1segnatu/index.html
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ainda que as noites sejam longas

quando o teu olhar pousa na boca
no contorno dos lábios se faz rosa
por mais que a respiração contenha
a flor da rosa se emudece no sorriso

quando se faz o brilho de esmeraldas  
na saudade o verde olhar nas montanhas
só há o teu céu nas tuas constelares íris 
são tão cristalinas as lágrimas dos pampas 

quando o sol descansa em luz dourada
nas carícias sobre os fios longos do cabelo
quisera o vento desvendasse o teu segredo 
de um coração em desespero apaixonado

quando as nuvens se escurecem de cinza
teu corpo se abraça na cortina de chuva
a primavera das flores lilás e amarelas 
molham no vestido a tez macia de um amor

quando as tuas noites não querem dormir
o quê fazer se os corações estremeceram?
os suspiros ficaram entrecortados e breves
talvez por um nome que lhe veio à mente

quando em teu coração suportas tudo calada
numa hipótese abstrata que era um sonho
mais que num desejo insaciável de viver 
no impossível viver sem acontecer o desejo

quando teu coração se fecha n' outro que abre
como se fecha a porta em meio a escuridão
o mundo para no silêncio do que poderia ser  
esqueces dos momentos no tempo da solidão 

quando se desfaz o temor na insensatez
teu sul se encontra ao sul de um amor
os sonhos que te encontram nas canções
hão de brilhar em teu olhar de imensa luz 

quando a noite for sedosa e quente
e suspiros profundos e entrecortados
seja por onde, serás sempre o inusitado 
serás a que tens visto a lua ultimamente

quando propuseres indagar-se nua 
se ainda sei que guardo o teu olhar
como sei das tuas noites sempre iguais
do amor, onde só a tua lembrança revive 

saberás de um céu a espreitar a noite  
n'algum lugar guardando o inesquecível 
na paixão dos teus segredos não vividos
no rosto o iluminar de um sol com pressa

ainda que as tuas noites sejam longas
sejas a longa espera como a minha  
ainda que todas as noites sejam uma  
és a única noite como o teu amar deseja 

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