sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Amor, o amor que se esvai do tempo


Eleni Peta performing live "O Mare Tu" with the Plucked String Orchestra of the Municipality of Patras. Greece.

http://www.elenipeta.gr
Eleni Peta was born in Thessaloniki in Northern Greece. She is a classically traned singer and clle player with studies at the National Conservatory of Thessaloniki and Attica(Athens). Her first performances were on a national tour with established Greek artist Nikos Papazoglou. Since those early days, Eleni has worked and performed with the "who is who" of the Greek music world(singers and songwriters/composers).
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Melancholia - por Albrecht Dürer

Amor,  o amor que se esvai do tempo

Acorda a vida, amor, é a vida
É o tempo no meio do dia
Um anjo calado deixou um legado
Dizia um nome perpétuo "melanê kolê"
É o tempo no sentido do mundo
Esse tempo que não passa, não passa
Só mexe os ponteiros de coisas vazias

A aorta pulsa, amor, de redenção? 
É o coração na contração do tempo
Estamos tão carentes de recordações
Nem o bem, nem o mal, nem a culpa 
Nem sei desses tais velhos valores 
Só há o tempo sem a experiência 
Nem Deus quer saber de escândalos

Na sua porta, amor, um anjo caído?
Tem uma criança dentro d'um cesto
A pele manchada com uma bílis negra
Isso vai virar manchete sensacionalista
Quem se importa com o ensinamento? 
Convém o aprendizado pela convivência
São os impactos tão súbitos quanto breves

Na tua fala, amor, há uma acidia 
A tua voz está numa encruzilhada
Onde o monótono cruza com o vazio
Tem um nó na garganta que te engasga
É preciso o excesso da droga, da comida
Promova as guerras em nome da paz 
O tempo é que precisa ser esquecido

O teu corpo, amor, passante no tempo
Uma grande soma de muitos valores
Nem atual pelo número de série
Nem obsoleto pelo valor de troca
Tantos cuidados pelo valor de uso
Tão desejado como um belo objeto
Um corpo e as paixões de um anti valor 

São as rugas, amor, de um não-amor
Era vazio o tempo da nossa morada
Ou éramos nós que não estávamos em casa?
Eram os monges dos mosteiros em jejum
No mármore gelado o sentido do mundo 
O amor "akedia", "tristitia" em cadáver insepulto
As memórias, as estórias da terra, formou-se o "atraso"  

O teu amor, amor, segura o queixo de Rodin 
Nasceu no devir do tempo sagrado
Ao tempo infinito das repetições se desfez
No templo do culto profano dos fetiches
O tempo repetitivo da monotonia e da morte
No tempo que tudo é exibição e mercadoria
O amor é produção, é objeto repetido ao infinito 

Dorme a vida, amor que dorme
É o tempo no meio da noite
Um anjo calado deixou um recado
Emudecia o nome perpétuo "esperança"
É o que faz girar o sentido do mundo
Nesse tempo de sonhos tão modernos
Onde se mexe os tinteiros com penas vazias

No tempo do vazio, no tempo do tédio e da melancolia
Afinal, quanto é que estou valendo hoje?

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Walter Benedix Schönflies Benjamin (Berlim, 15 de julho de 1892 — Portbou, 27 de setembro de 1940) foi um ensaísta, crítico literário, tradutor, filósofo e sociólogo judeu alemão.  
Paris Capital do Século XIX.  BENJAMIN, Walter. Magia e Técnica, Arte e política.pdf
http://minhateca.com.br/atilamunizpa/Documentos/BENJAMIN*2c+Walter.+Magia+e+T*c3*a9cnica*2c+Arte+e+pol*c3*adtica,2877550.pdf

sábado, 2 de agosto de 2014

Treme um corpo no outro lado da face


Io che amo solo te [Chiara Civello - Feat. Chico Buarque de Hollanda]

CHIARA CIVELLO - BIOGRAFIA
http://www.chiaracivello.com/web/biografia

Chico Buarque de Hollanda
Compositor, cantor, dramaturgo e escritor. 
www.chicobuarque.com.br
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Treme um corpo no outro lado da face

Nos obscuros braços dos caminhos
Mãos dadas no silêncio e no escuro
Quem se importa para onde vamos?
Se desses caminhos não queremos voltar

Do lado esquerdo de um rosto divino
Treme um corpo no outro lado da face
Há um suspiro guardado de lágrimas
São só tuas. São segredos do teu mundo

São das alegrias cheias de mistérios
As contradições e seus próprios riscos
Se na felicidade há de ter tantos perigos
Será que é tão perigoso ser feliz?

Quando as nossas luas se encontram
Não descobrimos que mundo é este
Nossas mãos passam pelos ventres
Com a mesma exatidão da chuva

Unimos o laço único e denso da noite
No respirar das batidas dos corações
Numa calmaria prestes do afogar
Dos corpos caem as gotas de um choro

Assim seja o quarto dos teus segredos
Sem paredes e amanheceres nas janelas
Onde os corpos ainda se fazem de sonho
Na cumplicidade emudecida do tempo

Que os dedos não tenham pressa
E a escuridão não diga nada ao brilho
Sejam da palma das mãos, as partes,
As formas, a tua descoberta da aprovação

Os olhos te inspirem, se guardem no escuro
O ar sem pressa, calmamente te solte
E o calor cresça e te faça aos sussurros
Do sopro quente a vida te faça em meu peito 

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Uma ilusão para continuar vivendo


Chiara Civello - Non avevo capito niente[Chiara Civello]

Te ouço, são teus ponteiros no relógio
Nos pensamos presentes num tempo
Somos os desenlaçados sem o nós
Passado que sou, tu ainda és futuro

Somos dos analíticos nós do anonimato
Estamos, ainda no desencontro, felizes
Num onde em que seremos presentes
No presente do ainda somos os sós

Ainda vamos numa ilusão do tempo
No futuro que existes, sou passado
Uma ilusão para continuar vivendo
Sim! Precisamos tanto de uma ilusão

Somos o tempo de um amor perfeito
No lume impalpável de um raio de luz
Somos as poucas lembranças em cruz
De um futuro que quiçá aconteceu

Onde estou no consolo em teu colo
Se bebi nos ritos de elegias e da morte?
Na poeira entornei o copo de esperanças
Seremos os que ignoram o esquecimento?

Nos perdemos na ânsia do encontrar
Os pés descalços na velocidade da luz
Te perdi do agora só de momentos
[do agora sei de ti - de ti só sei o agora]
Do agora sei, minha ilusão está morrendo


quarta-feira, 23 de julho de 2014

"Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa."

Ariano Suassuna 

Ariano Vilar Suassuna (João Pessoa, 16 de junho de 1927 — Recife, 23 de julho de 2014)1 foi um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro.

Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.

Foi Secretário de Cultura de Pernambuco entre 1994 e 1998, e Secretário de Assessoria do governador Eduardo Campos até abril de 2014.

Membro da Academia Paraibana de Letras e Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (2000).

Em 2006, foi concedido título de doutor honoris causa pela Universidade Federal do Ceará, mas que veio a ser entregue apenas em 10 de junho de 2010, às vésperas de completar 83 anos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ariano_Suassuna

Noturno

Têm para mim Chamados de outro mundo
as Noites perigosas e queimadas,
quando a Lua aparece mais vermelha
São turvos sonhos, Mágoas proibidas,
são Ouropéis antigos e fantasmas
que, nesse Mundo vivo e mais ardente
consumam tudo o que desejo Aqui.

Será que mais Alguém vê e escuta?

Sinto o roçar das asas Amarelas
e escuto essas Canções encantatórias
que tento, em vão, de mim desapossar.

Diluídos na velha Luz da lua,
a Quem dirigem seus terríveis cantos?

Pressinto um murmuroso esvoejar:
passaram-me por cima da cabeça
e, como um Halo escuso, te envolveram.
Eis-te no fogo, como um Fruto ardente,
a ventania me agitando em torno
esse cheiro que sai de teus cabelos.

Que vale a natureza sem teus Olhos,
ó Aquela por quem meu Sangue pulsa?

Da terra sai um cheiro bom de vida
e nossos pés a Ela estão ligados.
Deixa que teu cabelo, solto ao vento,
abrase fundamente as minhas mão...

Mas, não: a luz Escura inda te envolve,
o vento encrespa as Águas dos dois rios
e continua a ronda, o Som do fogo.

Ó meu amor, por que te ligo à Morte?
Ariano Suassuna

O Auto da Compadecida: O julgamento de João Grilo
João Grilo (Matheus Nachtergaele) encontra, em seu julgamento, o Diabo (Luis Melo), Jesus Cristo (Maurício Gonçalves) e Nossa Senhora, a Compadecida (Fernanda Montenegro).

domingo, 20 de julho de 2014

De tão Mestre e Amigo. ele nos deixou um vazio

Bacharel em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, em Campinas, Mestre em Teologia e Doutor em Filosofia (Ph.D.) pelo Seminário Teológico de Princeton (EUA) e psicanalista. Lecionou no Instituto Presbiteriano Gammon, na cidade de Lavras, Minas Gerais, no Seminário Presbiteriano de Campinas, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Claro e na UNICAMP, onde recebeu o título de Professor Emérito. Tinha um grande número de publicações, tais como crônicas, ensaios e contos, além de ser ele mesmo o tema de diversas teses, dissertações e monografias. Muitos de seus livros foram publicados em outros idiomas, como inglês, francês, italiano, espanhol, alemão e romeno.

Com formação eclética, transita pelas áreas de teologia, psicanálise, sociologia, filosofia e educação. Após ter lecionado em universidades, tinha um restaurante (a culinária foi uma de suas paixões e tema de alguns de seus textos), viveu em Campinas, onde mantinha um grupo, chamado Canoeiros, que se encontra semanalmente para leitura de poesias.

Sua mensagem é direta e, por vezes, romântica, explorando a essência do homem e a alma do ser. É algo como um contraponto à visão atual de homo globalizadus que busca satisfazer desejos, muitas vezes além de suas reais necessidades.

"Ensinar" é descrito por Alves como um ato de alegria, um ofício que deve ser exercido com paixão e arte. É como a vida de um palhaço que entra no picadeiro todos os dias com a missão renovada de divertir. Ensinar é fazer aquele momento único e especial. Ridendo dicere severum: rindo, dizer coisas sérias2 Mostrando que esta, na verdade é a forma mais eficaz e verdadeira de transmitir conhecimento. Agindo como um mago e não como um mágico. Não como alguém que ilude e sim como quem acredita e faz crer, que deve fazer acontecer.

Em alguns de seus textos, cita passagens da Bíblia, valendo-se de metáforas. No site A Casa de Rubem Alves encontram-se releituras e discussões de suas obras.

É cidadão honorário de Campinas onde recebeu a Medalha Carlos Gomes de contribuição à cultura.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

"Já estou chegando, ou já cheguei, à altura da vida em que tudo de bom era no meu tempo." João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro
João Ubaldo Osório Pimentel (Itaparica, 23 de janeiro de 1941 — Rio de Janeiro, 18 de julho de 2014) foi um escritor, jornalista, roteirista e professor brasileiro, formado em direito e membro da Academia Brasileira de Letras. Foi ganhador do Prêmio Camões de 2008, maior premiação para autores de língua portuguesa. Ubaldo Ribeiro teve algumas obras adaptadas para a televisão e para o cinema, além de ter sido distinguido em outros países, como a Alemanha. É autor de romances como Sargento Getúlio, O Sorriso do Lagarto, A Casa dos Budas Ditosos, que causou polêmica e ficou proibido em alguns estabelecimentos, e Viva o Povo Brasileiro, tendo sido, esse último, destacado como samba-enredo pela escola de samba Império da Tijuca, no Carnaval de 1987. É pai do ator e Ex-VJ da MTV Bento Ribeiro. Faleceu na madrugada do dia 18 de Julho em sua casa, no Leblon, vítima de uma embolia pulmonar.
 Brasileiro, escritor, professor, jornalista e roteirista. Prêmio Camões (2008).
http://pt.wikipedia.org/wiki/João_Ubaldo_Ribeiro

quinta-feira, 17 de julho de 2014

No lado molhado da noite


Io che non vivo senza te - Chiara Civello - Feat.Gilberto Gil [P. Donaggio , V. Pallavicini]

CHIARA CIVELLO
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http://www.chiaracivello.com/web/

Perdi-me em seu espaço
Nas distâncias do seu tempo
Percorri tuas constelações
Divaguei no seu movimento

Em seu rosto de amar
Provei das mudas palavras
O pavor dos meus medos
Medos de não saber voltar

Sonhei encantos e teus desejos
Nas tuas curvas de nudez da lua
Na transparência das tuas vestes
Na alma da noite fez-se nua

Agora bebo das suas águas
Os segredos do seu suor
Provei dos insanos desejos
O silêncio infinito das pedras

Na magia dos teus beijos
O amor tem as asas da noite
Pousa suave sobre teu corpo
Onde a minha vontade é a sua

Em cada gota de nossas loucuras
Recebo o gozo da sua essência
Num enlace perfeito e fogoso
Somos o incontrolável obsceno

Na memória dos tantos beijos
Para saber-te em meus braços
Em nossa respiração deliciada
Os olhos estão fechados de amor

No lado molhado da noite
A lua ainda nua em silêncio
Provoca a tua pele ainda suada
Nos seduz n'outros versos insanos

 -- Posso voar de bando pássaros e ser o tempo do meu vento --



O amar dista a água em fonte


Canto Triste [Edu Lobo e Sérgio Godinho]

Em lento espreguiçar das horas
Um vento despetalar outroras
O tramar-se em saltimbanco
No gramar-se em linho branco

Amanhece o dia entre os lençóis
A manhã cede para tantos sóis
Em travesseiros de alfazema
Entraves solitários em dilema

A amada passeia pelo quarto
Acalmada anseia em pranto
Pelos sentimentos loucos
Selos de momentos roucos

Por onde o amor se guarda?
Esconde em dor e aguarda?
Só um colhedor de sonho
Só, num clamor tristonho

Levas ao beiral do parapeito
Elevas juntas mãos ao peito
No olhar distante o horizonte
O amar dista a água em fonte

Radiante em plena esperança
Diante a demora se faz crença
Se esvoaça num beijo pela mão
Se há graça, se no peito há paixão

--Se viver de meias verdades, não viverás o amor inteiro--

terça-feira, 15 de julho de 2014

Porque de repente, se fez paixão


Lenine- Vieste [Ivans Lins - Victor Martins]

Os minutos vão caindo das horas
Colho as curvas em teu corpo
Te recordo sobre o papel em branco
Tão presentes num continuo passado

São loucuras de uma terna saudade
A voz calada ainda em sussurros
Aos doces sabores da sua boca
A solidão me abraça com tua ausência

A esperança desenha no espelho
O aroma e o suor vertem da pele
Sou confesso, te amei ao ver-te
Beijei a paixão dos teus lábios

Sei que a dor de esquecer não perdoa
Como ser o sal sem os teus temperos?
Nas gotas que afloram da pele macia
Me perco onde a sua libido se esconde

Estremeço em sua imagem imóvel
O seu vestido desliza aos seus pés
Teu olhar ainda brilha nos arrepios
O rubro da tua face inda me aquece

Em suas veias só sei os caminhos de ida
Sobrevivente dos pulsares do teu coração
Dos olhos nos olhos no mágico instante
Se me acolhes ao ventre, o prazer é ser teu

O mundo para enquanto teu corpo remexe
Meu vício, nos olhos chorosos os teus desejos
Meu céu obsceno, amorosa em suas vontades
Em mim teimas o desabrochar do coração

No silêncio adormecido ao meu lado
Recolhi todos os segundos da emoção
Vieste em tênue esperança e me entreguei
É a paixão que vive na sua fotografia emoldurada

--Se o mundo caiu dos valores vazios, preciso viver com menos ilusões--


Com o mesmo brilho trêmulo nos lábios


Nem o sol, nem a lua, nem eu [com Maria Bethania e Lenine] por Lenine

A sua voz, qualquer coisa em súplica
Refina na dor a certeza de ser infeliz
O pecado se inocenta em desculpas
Das meias-noites no alvorecer das horas

Insaciável angústia nos devora as maçãs
Pudera ter do espelho o teu outro lado
Além da falsa impressão da felicidade
Te encontrar na origem da tua sombra

Não voltaria do teu rosto junto ao meu
Mesmo que em tua face pálida e bela
Teus olhos se percam no escuro do não
Das noites inteiras de meias-verdades

Dá-me o veneno da dor para ser feliz
Em troca, darei todas as minhas mentiras
Dá-me toda sua intensa angústia indolor
Em troca, viverei em tua metade ilusória

Serei o pagão entre o bem e o mal
O sufoco entre os que sofrem e amam
Aquele que te busca num corpo humano
Terás o mistério das minhas entranhas

Nos renasça de uma célula única
Do princípio dos laços futuros
Sem a dúvida dos amores eternos
A vida se faça renascer em ternuras

Nos dê o ser a cada dia um beijo novo
Sem a ansiedade de um outro amanhã
Com o mesmo brilho trêmulo nos lábios
O amor do futuro nos deixe amar em paz

--Por amor, entrelaçamos nossas meias-verdades e nos fizemos cromossomos--

terça-feira, 8 de julho de 2014

Mesmo que não sobre mais tempo


Zizi Possi - Caruso[Lucio Dalla] e Io Che Amo Solo Te[Sergio Endrigo]

Zizzi Possi
Batizada Maria Izildinha em homenagem à Santa Menina Izildinha descende de italianos de Nápoles, é paulistana do bairro do Brás, típico reduto de imigrantes italianos. De formação erudita, dos 5 aos 17 anos de idade, estudou piano e canto; em 1973 mudou-se para a Salvador (Bahia) com o irmão, José Possi Neto, prestou vestibular para faculdade de composição e regência (UFBA). Após dois anos de curso, abandonou a faculdade e iniciou-se num curso de teatro, na mesma época em que participou da montagem do musical Marilyn Miranda. Em um projeto para a prefeitura soteropolitana, trabalhou como professora de música para crianças — filhos de prostitutas no Pelourinho —, gravou jingles comerciais e participou de especiais da televisão local.
Aos 22 anos, gravou o primeiro LP, Flor do Mal (1978), e o primeiro grande sucesso foi a canção Pedaço de Mim, faixa de um disco de Chico Buarque, autor da canção interpretada num dueto, que também daria título ao segundo álbum da carreira, datado de 1979, no qual outras duas canções se destacariam: "Nunca" e "Luz e mistério".
O disco e espetáculo Um Minuto Além (1981), ganhou o primeiro prêmio, de cantora-revelação pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), Dê um Rolê (1984) e Amor e Música (1987).
Em 1986 lançou aquele que foi um dos grandes sucessos, Perigo, que integrou a trilha sonora da novela Selva de Pedra (Rede Globo), que a torna extremamente popular em todo o país. Em 1989 lançou aquele que é considerado por muitos, inclusive pela própria cantora, um dos melhores discos: Estrebucha Baby — trabalho que marcou o afastamento do padrão comercial radiofônico da época, recebido com frieza e que foi um fracasso comercial.
Com a filha Luíza Possi, e o retorno à cidade natal, São Paulo; em entrevista, disse: mudei de vida, minha relação com minha filha, meu casamento acabou, não como mais carne (não por religião mas porque 'bateu'), não fumo, 'acordava às duas da tarde hoje acordo às 5 da manhã'.
 Editado por Sc@libur 2012 - Claudio Cavalcante Cunha - http://www.scaliburweb.com.br - Piracicaba - São Paulo - Brasil

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Mesmo que não sobre mais tempo

Nesse teu corpo que aquece e relaxa
Antes que o sono vença teus pensamentos
No som dos ventos assoviando os minuanos
Em teus labirintos percorras a escuridão

A noite sob as cobertas do mundo
Do manto perene das aparências
És aquela que se obriga a ser forte
Cais da inabalável dos olhos alheios

Escolhes as peças no tabuleiro
Para seguir-se em frente
No livre arbítrio ilusório da vida
De um único jogo sem regras

Colho teus desejos tão íntimos
São luzes pálidas pelo chão
São dos milhares de céus
Caídas dos sonhos de amor

Teu corpo estendido na suavidade
De um pouso suave de um talvez
Escorre nos dedos tantos segredos
Impacientes, ávidos pela paixão

São clarões de um tempo
Dos sussurros entre o sol e a lua
Se despe do branco do algodão
Em silêncio, o vazio a espreita

Uma só vez, como se fosse a última
Na sensação profunda da solidão
No fogo ardente dos gravetos do sono
Se confessas calada o que tanto quero

Mesmo que não sobre mais tempo
Espero nas sobras dos teus aromas
Clamo em sussurros a te sonhar gemidos
E pelo olhar o teu silêncio se faça meu

--Se amas com tamanho amor, não sou eu, és tu que me fazes amar--

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Um descrepuscular em poesia


Quase memória [Chico Buarque e Edu Lobo]

Quem nos dera
Se todas as quimeras
Fossem todas primaveras
Transbordassem das auroras
Como um manto sobre o inverno

Quem nos fosse
Se aos todos os pudesses
Em todo drama se antevisses
Se faz dele o que prouvesses
Como um mantra sobre o eterno

Quem nos chama
Se na escuridão reclamas
O tato gélido das damas
Sem o cordial calor nas chamas
Como um anjo foste ao inferno

Quem nos ama
Se no poder proclamas
Se num vigiar reprimas
Ser o amor que vive alfamas
Como nunca descrepuscular interno

Quem nos une
Se na união que pune
Se o ciúme faz o impune
Na acidez corrói imune
Como se alimentasse o subalterno

Quem nos urros
Se não desnuda os obscuros
Se ao revés dos nascituros
Somos um dentro dos muros
Como um não passarinhar alterno

Quem nos ramos
Se em coroa de espinhos vamos
Se na mala um mundo de reclamos
Somos água em ruas de paralelogramos
Como um mágico escorregar no eterno

~.~.~.~

Descrepuscular em poesia
O ser da poesia quando ama
Não são amanheceres, nem auroras
Mas, um redescobri-se em vida

Só pode ser qual renascer em poesia
Como uma moça bonita que se re-encanta
Quando sussurra e canta se retira ao sério
Se fala ao sério num desmanchar palavras

Nenhum termo que não deslize aos braços
Se ama, ama o livre e cuida tanto que o liberta
Se o condenas, o condena em tua liberdade

Se tem um fim, será sempre junto ao recomeço
Se ama amar e de tanto amar a dor ser poesia
Descrepuscular-se é para não morrer em vida 

domingo, 29 de junho de 2014

Um nome além das palavras


Beatriz -[Edu Lobo Chico Buarque] com  Milton Nascimento
"Beatriz" faz parte da trilha sonora do espetáculo "O Grande Circo Místico", encenado em 1983, cujas músicas são, todas, de autoria de Chico Buarque e Edu Lobo.

Seria o caso de lembrar numa palavra
De buscar nas profundezas de uma lavra
Aquele teu olhar de tanta tristeza
O teu momento imóvel de leveza

A elegância constante num sopro do vento
Moves suave sobre as dunas que invento
No calor das tuas areias em que me aqueço
A solidão insiste o deserto e não te esqueço    

A tua delicadeza entre as coisas belas
É a dor da enormidade inflando as velas
É o torpor das normalidades aparentes
Na abstração das fronteiras sufocantes

A inveja se guarda no ciúme e na vingança
Nos desfiladeiros estreitos e sem esperança
Teu nome está na essência, nos gestos, na morte
Na natureza do sentimento, na reflexão do forte

Chama viva num vazio da sensação do nada
Nas coisas reconhecíveis da visão perdida
No tempo, nem se procura pelo mesmo igual
Mas, na diferença, no desconforme, no desigual

Se faz admirada entre a tragédia e a dor
Lado a lado, caminha entre o ódio e o amor
Sobrevive em mesmo teto de qualquer rival
Soberana em palavras entre o bem e o mal

Desdenha-se, rodopia bela sobre suas teias
Ainda que triste e seja feita de coisas feias
Justapõem-se em equilíbrio na sutileza
Flutua no mundo, onde teu nome é beleza


terça-feira, 24 de junho de 2014

Só depois da outra vida


Chico Buarque - Futuros Amantes

Chega de tanta miséria
Basta de outras besteiras
Quero um prato cheio de alegrias
Só pago o dobro nesta vida
Só tenho uma chance de viver

Onde estão os meus amores?
Morreu das dores?
Se perderam no olhar das galerias
Só depois não diga que avisei
Se só cozinham e não se comem outra vez

Quero um pão inteiro
Um cheiro de circo faceiro
Uma saudade do meu tempo de menino
Onde tudo era de imensas brincadeiras
Hoje tudo, no todo, esta cansado de bobeira

Chega de tanto faz de conta
Hoje sou das horas do meu contra
Sou aquele que te sangra e se perdeu
Era o tolo no tempo dos Prometeus
De onde todo, no tudo, se fez Deus

E agora coração?
Como dizer que são?
Fossem aqueles que te amaram
Se foram no dia que esperaram
Nem tudo d'aquele amor foi um adeus

E agora, Então?
Então, me diz que sim ou não
Sai de cima desse muro
Diga um logo nesse escuro
É só depois da outra vida?

Se o circo está lotado de bobeira
Se quem aplaude é o palhaço
Não tem pão, nem tem farinha
Se acabou a fada madrinha
E a esperança morreu de amor

segunda-feira, 23 de junho de 2014

"Pérola" Jandira Sassingui - Huambo - Angola

PEROLA - NINGUÉM CAMINHA SÓ

"Pérola" Jandira Sassingui

"Jandira Sassingui é intérprete e compositora musical angolana, natural da província do Huambo, aos 28 de Abril, residente em Luanda e conhecida internacionalmente pelo nome artístico PÉROLA. Data de nascimento : 28 de Abril  Naturalidade : Huambo - Angola
A Cantora Pérola, Começou a cantar aos 8 anos de idade e tendo desde sempre “grande” paixão pela música chegou a fazer apresentações de canto e dança para vizinhos e amigos como passatempo de muitas tardes levando-a a participar em concursos de música e de dança na qual recebia sucessivos aplausos e elogios do público pela auto-confiança que demonstrava em palco;
Aos 13 anos de idade, mudou-se com a sua família para Windhoek, República da Namíbia onde continuou os estudos e sem deixar de fazer o que muito gosta “Cantar”. De 1997 à 2001 teve frequência académica no Colégio Concórdia período (da 8ª à 12ª classe) onde fazendo parte de um grupo de dança denominado “Earth Girls” era convidada a dançar e cantar sempre que houvesse alguma actividade especial, sentindo-se muito honrada pelo carinho que toda a instituição tinha por si; Após este e ainda em Windhoek, participou de um Concurso para a Descoberta de Talentos organizado pela Igreja Católica onde frequentava tendo ganho dois troféus:
1. Melhor Dueto
2. Melhor Performance Feminina da Noite
Gravar o seu próprio álbum musical e fazer carreira solo, que passando a fazer parte da Produtora Musical Bué D’Beats publica em 2004 o fonograma intitulado “Os Meus Sentimentos” registando deste modo o seu nome artístico “PÉROLA”.
Com a sua primeira obra fonográfica, participou em variadíssimas actividades sociais, musicais e culturais com destaque para os espectáculos “musicais” nacionais e estrangeiros." http://angola-luanda-pitigrili.com/who’s-who/p/perola-jandira-sassingui

domingo, 22 de junho de 2014

O tempo se faz realidade


PRA DIZER ADEUS - EDU LOBO [Edu Lobo e Torquato Neto]

O tempo se fez comum
E a realidade em mesmo espaço
Fiz de ti, indubitavelmente, única
A sensação meneando em silêncio

Ser bela ou feia para um
A música provocava num abraço
A revoada de pássaros em mágica
Manhã de janela aberta ao suplício

O mistério preparava os golpes
Num piscar de olhos de infortúnios
Quantas pessoas saberiam pelo mundo
Dentre as muito poucas à quase nenhuma

A demolição em contragolpes
A dor vier de dentro em morticínios
Demasiado tarde para amar profundo
Jamais serei a medida certa que acostuma

Em todas as metrópoles e cidades
Se ao encontrar o seu alguém solitário
Um náufrago na vastidão de um oceano
A imaginação flutuar na massa silenciosa

O breve interlúdio das verdades
Anunciar a sua brisa retorcida em relicário
O começo negro e sombrio do desengano
A música em estranha sensação mentirosa

Entre tantos modelos e formas
De tantas riquezas das mesmas coisas
Era tão simplesmente um apenas ser
E não soubemos um tão simples aflorar

O instigar a repensar as normas
A vida não se enganar pelas pitonisas
O medo das aparências não acontecer
O tempo enfim realidade para amar

Edu Lobo - 70 anos

Edu Lobo - Falando De Amor - Prelúdio Nº 3  [Tom Jobim e Edu Lobo]

Edu Lobo - 70 anos
Eduardo de Góes Lobo é um cantor, compositor, arranjador e instrumentista brasileiro.
Edu Lobo - Site oficial www.edulobo.com.br/

quinta-feira, 19 de junho de 2014

CHICO 70 - FELIZ ANIVERSÁRIO

Chico Buarque - Voltei a Cantar, Mambembe & Dura na Queda (Carioca Ao Vivo)

Sem Compromisso - Deixe a Menina - Chico Buarque

Chico Buarque - As Vitrines (Carioca Ao Vivo) [CC]

Chico Buarque DVD Na Carreira - 13 Todo o sentimento

Eu Te Amo (Carioca Ao Vivo) [CC]Chico Buarque -Tom Jobim

Chico Buarque - A mais bonita (com Bebel Gilberto) 
O que será ser só
Quando outro dia amanhecer?
Será recomeçar?
Será ser livre sem querer?

[Chico Buarque]
Compositor, cantor, dramaturgo e escritor. 
www.chicobuarque.com.br
"Imagine um Brasil sem Chico Buarque. E também sem Geni, Beatriz, Pedro Pedreiro, Rita. O talento de Chico foi nos presenteando com esses personagens que até hoje nos explicam de quem é feito o Brasil. Os sambas do autor se tornaram essenciais não apenas no cancioneiro nacional, mas na história do país."
https://www.facebook.com/ChicoBuarque?fref=nf
"Chico de Hollanda, 
de aqui e de alhures 
"Parceiro de euforias e desventuras, amigo de todos os segundos, generosidade sistemática, silêncios eloquentes, palavras cirúrgicas, humor afiado, serenas firmezas, traquinas, as notas na polpa dos dedos, o verbo vadiando na ponta da língua - tudo à flor do coração, em carne viva... Cavalo de sambistas, alquimistas, menestréis, mundanas, olhos roucos, suspiros nômades, a alma à deriva, Chico Buarque não existe, é uma ficção - saibam.
Inventado porque necessário, vital, sem o qual o Brasil seria mais pobre, estaria mais vazio, sem semana, sem tijolo, sem desenho, sem construção."
Ruy Guerra, cineasta e escritor, outubro de 1998."

"São sete décadas de hinos que dão voz a personagens que vão de mulheres a malandros e falam como ninguém do Rio de Janeiro, de política e de amor. Uma obra gigantesca e definidora do país, de acordo com Tárik de Souza. Um dos mais importantes artistas do Brasil."
"...Os momentos bons
e as horas más
Que a memória coa..."

Vida Obra Textos Sanatório Geral http://www.chicobuarque.com.br/vida/vida.htm

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Bem-vindo à Copa do Mundo no Brasil

World Cup in Brazil 
Welcome World Cup in Brazil  
Bem-vindo à Copa do Mundo no Brasil
COPA DO MUNDO 2014 BRASIL
Gaby Amarantos y Monobloco - "Todo Mundo" (Canción del mundial 2014)

domingo, 8 de junho de 2014

Uma cidade maravilhada pela natureza


ESPERANZA SPALDING participação de CHICO PINHEIRO- Samba em Prelúdio -[ Baden Powell-Vinícius de Moraes]
Originally composed by Vinicius de Moraes and Baden Powell. Now performed by Esperanza Spalding from her 2008 self-titled album "Esperanza".
http://en.wikipedia.org/wiki/Esperanza_(Esperanza_Spalding_album)

Andei pelas calçadas do Rio
Pelos travesseiros de areia de Ipanema
Pelas bordas da praça das Bandeiras
De busão passei pela zona do mangue

Fui jantar uma pizza no Leblon
Tomei um picolé de limão em Copacabana
Parei ao ser escutado pela rua do Ouvidor
Nos Arcos da Lapa desenhei as curvas da memória

Compreender o tudo junto e misturado do povo
De onde nascia a inspiração da bossa nova
Dos porquês de Vinícius viver como poeta
Se bem entendi o que é ser Carioca...

Ser Carioca é mais que nascer no Rio
É um nascer inspirado em meio a tanta beleza
É ser mais que uma onda de praia que passa
Ser Carioca é um estado de espírito

Numa cidade maravilhada pela natureza
É ser um redentor no alto do morro
É ter um Cristo de braços abertos
E entre gente como a gente

É tanta gente boa
É, de repente, não mais que de repente
Como descrevia o Poetinha
Um ser poeta que não tem jeito de não ser

quinta-feira, 5 de junho de 2014

No perfume suave do silêncio


Se Queres Saber - Zizi Possi [Peterpan (José Fernandes de Paula)]

Para não dizer à luz de vela
De uma verdade profunda e ágil
Não falar da flor que se revela
No perfume irresistível e frágil

Uma promessa infinita traduz
O que virá junto com o frio
Num querer na inevitável luz
Toda distância de um extenso rio

No teu repouso de corpo e alma
Pousa do infinito o prazer e a beleza
As palavras quase ocultas acalma
No silêncio a embriaguez e a leveza

O nada contrai de dor e amargura
Meu coração pelas frestas do corpo
Deita em mil dias a intensa procura
A vida sorri num incerto corpo a corpo

Quando no canto da passarada
Ouvir do seu coração o amor em cicio
No céu, as nuvens na paz do nada
Saberei do perfume suave do silêncio


terça-feira, 3 de junho de 2014

serás sempre o que te quero


Anema e core - [Salvatore D'Esposito e Tito Manlio] com Zizi Possi e Chico Buarque 
"Anema e core è una canzone del 1950, composta dal musicista Salve D'Esposito e dal paroliere Tito Manlio. Fin dagli anni cinquanta la canzone riscosse molto successo presso il grande pubblico, sia in Italia che all'estero." https://it.wikipedia.org/wiki/Anema_e_core_(brano_musicale)

~.~.~

Mia Couto, pseudônimo de António Emílio Leite Couto 
Escritor, biólogo, jornalista
Beira, Moçambique
Official Website
http://www.miacouto.org/

A Demora
O amor nos condena: 
demoras 
mesmo quando chegas antes. 
Porque não é no tempo que eu te espero. 

Espero-te antes de haver vida 
e és tu quem faz nascer os dias. 
[....]
16 Textos - 19 Poemas - 359 Citações
http://www.citador.pt/poemas/a-demora-mia-couto
~.~.~
serás sempre o que te quero

as palavras que nascem da vida
como soubessem do eterno
nos misturam numa trama
dos teus versos trançam laços
Num segredo do tempo

esse temor de amar que se agiganta
nos faz causa e mistério
sem nos ver na profunda escuridão
o amor mergulha
se divide em nossas vidas

as almas tocam entre o sermos
trocam os corpos na existência
nos faz onde o desejo sussurra
a causa dos arrepios
se derrama incontida sobre o sonho

valha-me ser em teus caminhos
os caminhos que te encontram
onde ecoam minhas preces
entre a febre e o frio
enquanto restar-me os arrepios

restar-me ser mesmo não tendo
mesmo enquanto não me queiras
serás sempre o que te quero
e por querer-te mais ainda
mesmo quando não te queiras

mais ainda vou querer-te
serás sempre o que te quero

domingo, 1 de junho de 2014

Quebrantamento


ZIZI POSSI - VALSA BRASILEIRA[De Edu Lobo e Chico Buarque]

Se hoje, ainda te sinto e te sigo
Feito estrela cadente e boba
É porque de mim não se foi este desejo
Este desejo de te escrever em meu papel
E na alvura terna desta minha pele

Neste léu onde me desboto
Tem o vazio teu como invólucro
No todo e em tudo que coloco
A minh'alma absorta se descola

Feito retina... anuviada,
Que deixou de ser tão doce e menina
Com teus traquinas sonhos em cor de rosa

Cansada na alfama das horas frias
Em que a solidão se achega dolente
Sorrateira e falsamente amorosa
Lágrimas são pétalas de chuva fugaz

Mas, logo depois vem os raios, o sol
Colore o ar e um arco diante da iris se faz

Assaz, teu sorriso em flechas me atinge
E o coração em contento a ele não resiste
Entrega-se e a sonhar, novamente, persiste

A noite desfaz o rosto alegre do dia
E nas asas negras do tempo se refaz
Na poesia sou "vésper" ou sou "d'alva"?
Volto a ser nada!

Estrela boba e de_cadente nesta terra
A vagar sem o céu que é meu chão

Kellen Cristine - Rio de Janeiro
http://www.recantodasletras.com.br/poesiasdesaudade/4826103

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Nem o tempo, nem as águas


Eu te amo [Chico Buarque-Tom Jobim]
Com Mônica Salmaso- Banda Mantiqueira e Orquestra Sinfônica do Estado de SP

No pêndulo de todas as horas
Todas as noites se encontram
Desnudam as vidas sob os lençóis
Os minutos se calam de sentimento

As carícias passam soltas dos corpos
Das pontas atrevidas dos dedos
O desejo transpira no rubro da face
O beijo repousa por entre os lábios

Dos toques suaves sobre a pele
Meu olhar persegue os seus arrepios
Do brilho dos teus olhos se faz luz
Na escuridão dos meus instintos

O prazer não mais cabe no instante finito
No olhar encerra a floração primaveril
Os corpos que se encontram na chuva
Nas gotas suspensas de um único rio

Não posso te dar um amor infinito
Nem o brilho estranho das horas
Tampouco a saudade distante do eterno
Mas te darei todo o meu imenso vazio

Há no vazio um nada maior que o eterno
Nele guardo as infinitas constelações
Reluzem os brilhos na majestosa escuridão
Nele te guardo entre os amores infindos

Quando nos fios o branco acene o fim
Como o tempo e as águas que jamais voltam
Se faça única em vida e me abandones
Salvas no coração, não morras antes de mim

terça-feira, 20 de maio de 2014

Enquanto as nuvens não chegam


Mais do Que Imaginei - Catedral - Compositor: Kim

Deixa-nos assim...
Para outra data, outra ocasião
Emudecidos esperando as nuvens
Sem nos negamos do azul
Para um ocupado presente
Entre tantas gargantas roucas
De tantos sufocados gritos
Num estar sem sentido
Entre tantos laços afetivos frouxos
Nos servindo de uma direção sem rumo
Nos ligando sem ser e estar em nenhum lugar
Entre o caos das pessoas e as pessoas de um caos
Por mais que o ódio queime no crepitar dos feixes
Onde tudo se consome num imenso presente
Nos consumimos num vazio contemporâneo
Onde os sábios mentem com mais perfeição
Nos cercando de montanhas cinzentas
E na geleiras nos condensamos sabiamente
Sem nos restar uma lucidez por consequência
Num futuro breu nem plantamos um abraço
Mas insistimos num navegar impreciso
Nos cortando entre o amor e o ódio
E mal sabemos o que faremos da ciência exata
Ainda que todas auroras demorem
Se há tanto medo no confronto da escuridão
Se voltamos dos beirais do futuro aos velhos conceitos
E na solidão tenhamos nos ombros o peso de todos séculos
Nos perdendo do leme e descascando cebolas
Nos redescobrindo em cada camada o passado
E da última camada restamos num sóbrio vazio
Diremos sim ao balanço do barco
Nos ajeitando enquanto o mundo gira
Adiando o grito de liberdade para o futuro
Nesse paradigma que nos causa tanto enjoo
Delongaremos nossos corações enjaulados
Temporizaremos em vidas futuras
Adiaremos o nosso amor para o próximo século
Mesmo que o tempo não postergue
Posso adiar um abraço
Sei que tudo posso enquanto vida
Mas, não posso adiar o meu coração
Não posso adiar um amor eterno