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"Nunca é tarde...
Ou cedo para amar-te.
Ou tarde para ter-te.
Nessa brevidade da vida.
Levo um pouco de ti.
Deixo um pouco de mim.
Deste encontro,
Nunca mais seremos os mesmos.
Passamos por este tempo e espaço,
Entre a vida e a morte.
Amando-nos, fazendo arte."
aoshiro
Apagar a imagem de alguém
Aquém perdida no tempo
Desaparecer do eu parado no vento
Do amor que ficou sem ar
Esquecer a alma do corpo inerte
Fechando o sorriso acanhado
Colorir a tua pele esmaecida
Levantando-te dessa pedra fria
Anestesiar a dor da ausência
Festejando essa mágoa solitatis*
Quebrar os ponteiros do relógio
Inventando a máquina do tempo
Misturar todos os sentimentos
Sendo o teu “achados e perdidos”
Recolher na trena todas as distâncias
Cobrindo com pontes todos os oceanos
Doar-te meu coração e transplantar-me o teu
Habitando-te em momentos infindos
Eternizando-me em teu corpo fatum*
Ser o teu porto seguro da nostalgia
Queimar todas as iguarias e temperos
Rasgando todas as tuas receitas
Tornar-me adstringente no amargo, no azedo
Jejuando-me de todas as tuas guloseimas
Inexistir o perto, o longe e o ausente
Segurando no dique todas as correntezas
Paralizar as órbitas dos planetas
Iluminando todos os meus subterrâneos
Conviver com todas as secas
Aterrando os olhos d'água
Salgar permanente todas as represas
Estimulando a sede na insalubridade
Exaurir o sentimento de poder
Enaltecendo o feio e o horroroso
No fracassado duelo com a soedade*
Declinando o teu sopro de vida
Abnegar-me de toda coragem
Tornando-me refém nessa batalha infinda
Num sentimento de diferentes vestes
Ora tecido de soidade*, ora de suidade*
Torpeçar na solitude cega no terreno
Abandonando a mais difícil tradução
Denunciando na incontrolável poética
O indecifrável desejo de “matar a saudade”
No armário de roupas restou teu perfume
Num vestido colorido de pequenas flores
Abraçando uma jaqueta anil desbotada
As diferentes cores ora tecidos pela saudade
(NA)* Saudade na forma arcaica: "soedade, soidade e suidade"
*Do latim solitatis* solidão, fatum* fado
diques en perpectivas infinitas
paisajes oníricos
siluetas enigmáticas perdidas en el vacío y, aunque no se vean,
aguas negras, el viento y la no luz del mar de tu norte
que se filtran hasta en tus inquietantes pupilas.
bolsillos llenos de reveses de espejos.
latidos que incineran. sangre tumultuosa.
caliente. tibio. frío.
un calidoscopio de luciérnagas.
un autorretrato del quebranto.
la caricia pálida y un abrazo seco.
tanta tristeza para decir tan poco
ni una ópera prima le es permitida.
sólo la oscuridad a la que fue sentenciada.
un telón negro de satin sin brillo
un envenenador de ángeles.
Barnabás.
dos susurros en desencuentro.
y las ganas de desnudarse...
(Melaína Kholé)
Caindo a folha suave pelo vento
Como se acenando dissesse adeus
Num desatino segundo em mim desperta
Que os momentos passados já não são meus
Que a saudade que desenha sobre a água
Os finos traços do teu meigo rosto
Num leve ondular do espelho ao meu gosto
De a expressão da esperança do teu sorriso
Mas o vento da solidão nas minhas horas
Num frêmito nos teus cabelos realçados
Entre fios negros reluzindo estrelas
Declinando as pálpebras como se oras
Que assim o seja teu aroma no ar
Numa melodia de acordes aflautados
Todas as cores brandas das aquarelas
Num sinal da cruz a nos abençoar
Esquecido sou nas horas do tempo
Que um trevo nas páginas do livro
Separou as vidas entre os capítulos
E a cada recomeço num contratempo
Escritos na linha da vida e da morte
A dupla linha na palma das nossas mãos
Como a imutável órbita do sol e da lua
O destino e os amores à mercê da sorte
Alvorecer-me-ia em múltiplos pseudônimos
Amando-te nas múltiplas mulheres diferentes
Nas noites sem luar e em cada novo amanhecer
Despertando-te arejada e sem termos
Mas olhando teu retrato imóvel, sem desnível
Transborda-me que preciso da lembrança
Para saber-te muitas, orvalhada e imprevisível
Obscureço a tua imagem para sentir tua presença
A amada,
Silenciosamente,
Caminha núa pela casa.
São formas róseas.
São curvilíneas pelo corpo.
Tão entregues aos suspiros.
Essa deusa,
Suavemente,
Sob os cabelos soltos, uma asa.
Pairando sobre as nuvens.
Os lábios na boca vermelha.
O gosto de pele e de caos.
Assim desejada,
Sensualmente,
Amada entre suores e beijos.
Entregue aos suspiros se esvai.
Por entre os pelos e os odores.
Numa anatomia perfeita para amar.
Tal dançarina,
Compassadamente,
Num balé amoroso.
Dos corpos invertidos num mesmo desejo.
Dos olhos nos olhos de êxtase.
Nas pernas trançadas.
Tão apaixonada,
Eternamente,
Entregando-se nas bocas molhadas.
Doa-se num beijo.
O beijo de fazer amor.
"Dentro dos meus olhos moram um monge triste,
Preso no silêncio eterno de uma meditação infindável
E uma criança só.
Eles tentam avistar um sino que toca ao longe..."
яαqυєℓ ρєяєιяα яσ¢нα - sρ
Desejo um Feliz Natal, mesmo que simplório
Mas com sentimentos profundos e intensa empatia
Sinceros, transparentes e verdadeiros
Desejo que a mesa seja farta, bonita e enfeitada
Sem que sejam esquecidos a cozinheira,
a lavadeira, o cachorro, o gato e a missa do galo
Desejo que diante da ceia sempre caiba mais um
E alguns lugares estejam reservados para os ausentes
Pois estão sempre presentes em nossos corações
Desejo alegria, harmonia e nenhum porre
Entre Drink's e a alegria estejam as canções
Desejo os presentes mais criativos até
Aos mais sofisticados eletrônicos
E acima de todos os presentes
Que o mais simplório entre eles seja o amor
Desejo o sabor das guloseimas sem culpa
Que mais que o calor seja o frescor da chuva
Para depois na madrugada o céu se abrir
Pleno de luar cintilando todas as estrelas
Desejo no amanhecer mais fôlego e resistência
Pensamento voltado aos sonhos do Ano Novo
Que sejam poucos mas fiéis e sem tamanho
Mas que em todos os sonhos contenha a felicidade
Desejo que todos eles se realizem plenos
Senão todos, apenas alguns, mas se nenhum, sem neuras
O sonho não morre, como tudo, na vida ou na morte, se transforma
Reconheçamos no final do ano que estamos íntegros
Afinal a vida continuará sempre em movimento
Desejo a sorte de todas as simpatias e cores
Vestindo branco, dourado ou pulando ondas
Num banquete de frutas sobre a areia
Tabuleiros de búzios, tarot e muita proteção
Muita paz e esperança para o ano inteiro
Desejo um pouco mais que o Feliz Ano Novo ou Velho
Que nele esteja o Feliz Aniversário
Aquele bolo necessário, a velinha simbólica
Mas ao teu redor tenha inúmeros, dezenas de amigos
Comemorando mais uma árvore em teu pomar
Desejo um Ano Novo pleno de musicalidade das palavras
Que a cada sílaba que entoas suavemente encantas
Poesia e melodia juntas na sonoridade das canções
Desejo a sensibilidade sobre a pele de uma flor
Em harmonia perfeita, pétalas, pólem, aroma
Se fazendo rarefeita entre bemóis e sustenidos
Tal sopro de vida, corpo e alma em maestria
Desejo que se faça em poesia para o novo ano
Mãos hábeis, pensamentos a mil
Os versos em folhas ao vento em teu jardim
Desejo muito desejo de inspiração e desafios
Aos céus que sempre agradeço pela luz em companhia
Graças a esses desejos, desejo no Ano Novo o melhor
O mais primoroso Feliz AnoVelho
O poema que se tornou conhecido com o nome de "Deficiências" ou "Dicionário do Quintana" é na verdade a parte final de um texto redigido pela professora Renata Vilella, da escola Flor Amarela. http://www.floramarela.com.br/secao.12,sm.11.aspx
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz".
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E "Miserável" somos todos que não conseguimos falar com Deus.
"-Recentemente, o final do texto, foi divulgado na internet, com o título "Deficiências" e atribuído ao grande Mário Quintana. Com a ajuda de internautas estamos tentando desfazer o equívoco." Professora Renata Vilella-MG
E a vida seu curso seguirá
E pela chuva ela passará
E no sol se iluminará
E das tuas dores não saberá
E das tuas alegrias não sentirá
E todo efêmero sublimará
E a solidão sentida contradirá
E no final a vida te lembrará
És terra
A cidade em que nascí era plena de cores
O sol nascia avivando o verde das folhas
A ventania corria solta pelas alamedas
Verdejavam as árvores e os pássaros multicores
A cidade em que nascí era de casas abertas
Se avizinhavam tranquilas em ruas alegres
Pardais em sinfonia ao raiar de todo dia
Ficavam o leite e o pão nas manhãs dos portões
As crianças inventavam livres brinquedos
A bola subia pela fachada das vidraças
Na praça o limite do céu era das pipas
No centro do alvo a guerra dos estilingues
A cidade em que nascí o bonde ainda passava
Entre ruas estreitas com muito orvalho
Passava aberto tilintando a sineta
Revoando as folhas por entre os trilhos
Imensos casarões ladeavam as avenidas
Ostentando a herança dos cafezais
Muitas quadras eram dos cinemas
Piscando luminosos de novos filmes
A cidade em que nascí raiava o dia
Com andarilhos alegres de baile
De tanta dança cansados da noite
Tranquilos na manhã buscando o sono
A cidade em que nascí não mais existe
Ao longo do tempo as cores se perderam
De cinza e preto tingiram os pigmentos
Sem limites edificaram arranhando o céu
Se ilharam as casas pelos altos muros
Por detrás das grades observam as janelas
Transparece ao sol o apuro dos rostos
As estrelas da lua obscurecem na cinza névoa
A cidade em que nascí já não aquece
Nos corações ficaram o frio do concreto
Nas pistas de rolamento o jogo de paciência
Toda violência transbordou seu limite
A cidade em que nascí nunca dorme
De insônia crônica de submundo
Sem noites os dias vão violando
As crianças esquecidas de infância
A cidade em que nascí não mais existe
Não se reconhece pelo passado
Na cidade em que nascí não mais existo
Somos o anonimato, estranhos um para outro