quarta-feira, 21 de dezembro de 2011
Desejo de Natal
Desejo um Feliz Natal, mesmo que simplório
Mas com sentimentos profundos e intensa empatia
Sinceros, transparentes e verdadeiros
Desejo que a mesa seja farta, bonita e enfeitada
Sem que sejam esquecidos a cozinheira,
a lavadeira, o cachorro, o gato e a missa do galo
Desejo que diante da ceia sempre caiba mais um
E alguns lugares estejam reservados para os ausentes
Pois estão sempre presentes em nossos corações
Desejo alegria, harmonia e nenhum porre
Entre Drink's e a alegria estejam as canções
Desejo os presentes mais criativos até
Aos mais sofisticados eletrônicos
E acima de todos os presentes
Que o mais simplório entre eles seja o amor
Desejo o sabor das guloseimas sem culpa
Que mais que o calor seja o frescor da chuva
Para depois na madrugada o céu se abrir
Pleno de luar cintilando todas as estrelas
Desejo no amanhecer mais fôlego e resistência
Pensamento voltado aos sonhos do Ano Novo
Que sejam poucos mas fiéis e sem tamanho
Mas que em todos os sonhos contenha a felicidade
Desejo que todos eles se realizem plenos
Senão todos, apenas alguns, mas se nenhum, sem neuras
O sonho não morre, como tudo, na vida ou na morte, se transforma
Reconheçamos no final do ano que estamos íntegros
Afinal a vida continuará sempre em movimento
Desejo a sorte de todas as simpatias e cores
Vestindo branco, dourado ou pulando ondas
Num banquete de frutas sobre a areia
Tabuleiros de búzios, tarot e muita proteção
Muita paz e esperança para o ano inteiro
Desejo um pouco mais que o Feliz Ano Novo ou Velho
Que nele esteja o Feliz Aniversário
Aquele bolo necessário, a velinha simbólica
Mas ao teu redor tenha inúmeros, dezenas de amigos
Comemorando mais uma árvore em teu pomar
Desejo um Ano Novo pleno de musicalidade das palavras
Que a cada sílaba que entoas suavemente encantas
Poesia e melodia juntas na sonoridade das canções
Desejo a sensibilidade sobre a pele de uma flor
Em harmonia perfeita, pétalas, pólem, aroma
Se fazendo rarefeita entre bemóis e sustenidos
Tal sopro de vida, corpo e alma em maestria
Desejo que se faça em poesia para o novo ano
Mãos hábeis, pensamentos a mil
Os versos em folhas ao vento em teu jardim
Desejo muito desejo de inspiração e desafios
Aos céus que sempre agradeço pela luz em companhia
Graças a esses desejos, desejo no Ano Novo o melhor
O mais primoroso Feliz AnoVelho
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Luas nuas
Na vaga superfície do mar
Chove o prateado da lua
Levitada no ar plena e nua
Teu olhar mareado parado no ar
A música que cantas o amor
Canta o profundo do coração
Desenhas na lua cheia de emoção
As paisagens que ocultas na dor
Passam sobre a tela redonda
As mãos juntas de outrora
Os braços que o ombro implora
O corpo no corpo que o céu os esconda
Enquanto caminhas sobre a marola
Nas águas de sal repicando em luzes
A lua segue e em teus passos enrola
Em gotas de lágrimas que reluzes
Esse mar amar tão traiçoeiro
O peito aberto e a lua colcheia
Ecoa num coração faceiro
Teimoso à extravasar na cheia
Tantas luas passam e a tua janela
Abre as frestas sobre a tua cama
Enluarando nua a tua pele revela
A outra pele que teu corpo chama
Revelas o nome e a lua maneira
Fará bailar as asas dos teus sorrisos
Até sem voz e esvair-se por inteira
Sobre a lua cheia escreverás teus versos
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Nas cores do retrato
O inverno cobre a noite de frio
Lentamente chove a melancolia
Persiste a solidão no longo caminho
O materno desejo da companhia
Pelo escorregadio gélido vidro
A saudade lacrimeja em gotas
Admirada a paisagem observa
A janela emoldurando a moça
Nas fotos como vais buscando
Só um instante de reencontro
De encontrar-se ouvindo a voz
O teu nome se abrindo encanto
No calor das tardes de sol
Pelas vertentes divisórias da casa
Como as linhas da palma da tua mão
Revelam teu plano da criação
Em cada aresta transparece a magia
Das cirandas ingênuas de alegria
Rodeando em pétalas de afeto
Floreando a tua rosa mais querida
Na suave sombra do dia
A mão afaga entre teus cabelos
Põe no colo para o aconchego
Na cantiga que embala o sono
Repousas no caminho do sonho
As infinitas lembranças abraças
A tua graça segura das companhias
A fêz refúgio de todas as tuas ventanias
O inverno te cobre a noite de frio
Lentamente chove a melancolia
Persiste a solidão no teu longo caminho
O materno desejo da companhia
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Canção de amor
São eternos seus momentos
São mágicos teus gestos
Das teclas, o branco e preto
Brando encanto nas oitavas
Silenciosamente pausas
Desejosos de harmonia
Nessa canção me perderia
Na musicalidade do teu corpo
Meu coração fica a mercê
Nas vibrações das cordas
Tatuo em minh'alma tuas clavas
Pedindo asilo em teu sentimento
Pelo teu amor divino
Sou teu anjo torto
Entrego o meu corpo
Meu par de asas
Em espírito murmuro a prece
Pelas mãos que fazem sonhos
Teu rosto em riso que aparece
Anunciando em versos meu destino
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Caem em gotas
Caem cristalinas, uma a uma,
Sobre a alvura do papel
Brandamente...
As estrelas
Cintilantes ao amanhecer
Da ficção o real ao imaginário
Na ânsia de inspiração
Construindo engenhosas pontes
Dos sonhos a mundana realidade
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Deficiências ou Dicionário do Quintana - Autoria: Profª Renata Vilella
O poema que se tornou conhecido com o nome de "Deficiências" ou "Dicionário do Quintana" é na verdade a parte final de um texto redigido pela professora Renata Vilella, da escola Flor Amarela. http://www.floramarela.com.br/secao.12,sm.11.aspx
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz".
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E "Miserável" somos todos que não conseguimos falar com Deus.
"-Recentemente, o final do texto, foi divulgado na internet, com o título "Deficiências" e atribuído ao grande Mário Quintana. Com a ajuda de internautas estamos tentando desfazer o equívoco." Professora Renata Vilella-MG
domingo, 10 de julho de 2011
Tempo de viver
E a vida seu curso seguirá
E pela chuva ela passará
E no sol se iluminará
E das tuas dores não saberá
E das tuas alegrias não sentirá
E todo efêmero sublimará
E a solidão sentida contradirá
E no final a vida te lembrará
És terra
Coração perdido
Hoje não tenho cansaço
Indiferente a minha angústia
Com tuas lembranças refaço
Toda a minha alquimia
A minha agonia insiste
Em buscar-te nos tristes versos
A encontrar nas entrelinhas
Os teus segredos reversos
Lastimo o meu destino implacável
Meu tempo presente chegou antes
O meu amor chegou como presente
Num desencontro inalienável
A minha dor na busca persiste
Do alívio no sabor dos sonhos
No brilhante lacrimejar na íris
Meu coração de amor substraíste
Se agora escrevo poemas vazios
Vazio como um peito sem coração
Uma poesia perseguindo palavras
Fazendo-me tolo diante dos desafios
Hoje tornei-me um mistério
Com a mão que colhe palavras
Escrevo no branco das páginas
Somente o que em ti leio
Meus sonhos indecifráveis
Fazem a ponte com o coração
Porque a luz dos olhos teus
Me fazem ver que não são meus
Sem dona por vários dias
Procuro um coração perdido
Hoje caminho refazendo os passos
Preciso encontrá-lo nas tuas poesias
Nas cores do retrato
O inverno cobre a noite de frio
Lentamente chove a melancolia
Persiste a solidão no longo caminho
O materno desejo da tua companhia
Pelo escorregadio gélido vidro
A saudade lacrimeja em gotas
Admirada a paisagem observa
A janela emoldurando a moça
Nas fotos como vou buscando
Só um instante de reencontro
Encontrar-me ouvindo a tua voz
Meu nome se abrindo encanto
No calor das tardes de sol
Pelas vertentes divisórias da casa
Como as linhas da palma da tua mão
Revelam teu plano da criação
Em cada aresta transparece a magia
Das cirandas ingênuas de alegria
Rodeando em pétalas de afeto
Floreando a minha rosa mais querida
Na suave sombra do dia
Afagas a mão entre o cabelo
Teu colo para o aconchego
Na cantiga que embala o sono
Repouso no caminho do sonho
As infinitas lembranças abraço
A tua graça segura das companhias
Refúgio de todas as minhas ventanias
O inverno me cobre a noite de frio
Lentamente chove a melancolia
Persiste a solidão no meu longo caminho
O materno desejo da tua companhia
sexta-feira, 17 de junho de 2011
sábado, 14 de maio de 2011
A cidade em que nascí
A cidade em que nascí era plena de cores
O sol nascia avivando o verde das folhas
A ventania corria solta pelas alamedas
Verdejavam as árvores e os pássaros multicores
A cidade em que nascí era de casas abertas
Se avizinhavam tranquilas em ruas alegres
Pardais em sinfonia ao raiar de todo dia
Ficavam o leite e o pão nas manhãs dos portões
As crianças inventavam livres brinquedos
A bola subia pela fachada das vidraças
Na praça o limite do céu era das pipas
No centro do alvo a guerra dos estilingues
A cidade em que nascí o bonde ainda passava
Entre ruas estreitas com muito orvalho
Passava aberto tilintando a sineta
Revoando as folhas por entre os trilhos
Imensos casarões ladeavam as avenidas
Ostentando a herança dos cafezais
Muitas quadras eram dos cinemas
Piscando luminosos de novos filmes
A cidade em que nascí raiava o dia
Com andarilhos alegres de baile
De tanta dança cansados da noite
Tranquilos na manhã buscando o sono
A cidade em que nascí não mais existe
Ao longo do tempo as cores se perderam
De cinza e preto tingiram os pigmentos
Sem limites edificaram arranhando o céu
Se ilharam as casas pelos altos muros
Por detrás das grades observam as janelas
Transparece ao sol o apuro dos rostos
As estrelas da lua obscurecem na cinza névoa
A cidade em que nascí já não aquece
Nos corações ficaram o frio do concreto
Nas pistas de rolamento o jogo de paciência
Toda violência transbordou seu limite
A cidade em que nascí nunca dorme
De insônia crônica de submundo
Sem noites os dias vão violando
As crianças esquecidas de infância
A cidade em que nascí não mais existe
Não se reconhece pelo passado
Na cidade em que nascí não mais existo
Somos o anonimato, estranhos um para outro
domingo, 24 de abril de 2011
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Do Divino Rei sou realengo
Rio de Janeiro - Realengo 07/04/2011
Na aurora de um novo dia
Não tenho mais os sonhos
O sorriso livre que trazia
Perdeu-se no pavor medonho
O universo que aflorava em vida
Na alegria das cores de um jardim
A desprotegida paz foi traída
Sem como resgatar a vida do fim
Desbravador dos sete mares
Infante régio dos continentes
Aprendiz dos grandes navegadores
Do Divino Rei sou realengo
Se tiras da existência ainda jovem
Do botão sem desabrochar a vida
Rapinas as asas de anjo como provém
Cairás em solo sem nome homicida
Renegas a dor e a saudade aos meus
Pelo desgosto do amor, do sorriso e da flor
Hoje me faço em paz em Jesus
Do Divino Rei sou realengo
(ps. minha poesia é pequena diante da dor,
modestamente concedo as palavras a eles.
Peço apenas que orem por eles.)
segunda-feira, 21 de março de 2011
Cantiga de amar
Há uma cantiga no ar
Uma pequena sereia
Colhendo estrelas cadentes
Embalando as vagas do mar
Pequenas sereias no mar
Colhendo cantigas cadentes
Reluzentes nas vagas
Embalando as estrelas no ar
quinta-feira, 10 de março de 2011
Para se ter um grande amor
Para se ter um grande amor
É preciso estar distraído
Ser pego de súbito
Enxergar além da imagem
Reconhecendo o conteúdo
Para se ter um grande amor
É dar um presente a quem se ama
Sabê-la feliz pela modesta surpresa
Compartilhando esse momento de alegria
Sem que ela perceba que é o teu aniversário
Para se ter um grande amor
É pulsar a música no sangue
Galgar é preciso além dos corpos
Navegando os olhos nos olhos
Abandonando o corpo no prazer da alma
Para se ter um grande amor
É preciso saber-se parte do outro
Pelo desejo de amanhecer juntos
É preciso saber-se mútuo
E que a morte um dia irá separar
Para se ter um grande amor
É preciso um conteúdo de valores nobres
Sem esquecer do lado prático e mundano
Que o que se fez no passado não se desfaz
E dizer o que sente é a mais pura verdade
Para se ter um grande amor
É preciso ter paciência
Esperar que amor um dia aconteça
Sem querer insistir em ser correspondido
Que só se pode amar quando se tem amor
Para se ter um grande amor
Não basta prometer para se esquivar
É saber que o lado bonito fica cansado
É preciso respirar a própria identidade
Cada qual no seu devido momento se ser
Para se ter um grande amor
É preciso muita liberdade
É apoiar sem submissão
É soltar as amarras da embarcação
Com as velas ao vento querendo voltar
Para se ter um grande amor
É preciso fazer uma retrospectiva
Saber se o grande amor já passou pela vida
E antes de ter, é preciso ser um grande amor
Antes que a vida acabe para se viver um grande amor
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
A saudade
Nem sempre posso estar presente
Nem sempre estou ao seu dispor
Posso estar ausente
Mas é teu o meu amor
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
O amor perfeito
No banco de madeira
Num jardim fora do mundo
Jaz em ciclo perfeito uma folha
Se fora o tempo e tudo se cala
A existência em absoluto silêncio
Para um minuto de saudade e de dor
Indiferente ao redor gira o planeta
Tolamente sem saber para onde
As mãos escolhem as palavras
Unindo-as em longos fios no tear
Da alvura brindar-lhe o colorido
Pelo amor que gerou a vida
Sobre a cabeceira um livro eterno
De um amor mais que perfeito
O branco do meio ao fim das páginas
A saudade escreve com as mãos ausentes
No tear a alvura dos longos fios
Tece em memória de uma vida
Pairando sobre o rosto Divino
O manto de um sagrado amor.
domingo, 30 de janeiro de 2011
Na janela do tempo
Passa o vento sorrateiro
De mansinho pelas arestas
Em silêncio pelas frestas
Sem farfalhar as folhas no canteiro
Emoldura a janela a mulher debruçada
No olhar o infinito que não alcança
Pensamentos vão e voltam na balança
Os passarinhos reverenciam em revoada
Se o tempo é o melhor remédio
Com as horas marcando o cansaço
Guardo em seu peito o descanço
Despertando em descompasso o tédio
Aprendi a mentir que te esqueço
A enganar-me em outros enganos
Desconstruindo as formas pelos anos
Na gota de tua essência ora cresço
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
Uma flor sobre os escombros
E o mundo se fez
Com formas e ciclos
Invertendo os sentidos
Na linha do equador
Elevou continentes e cordilheiras
Aprofundou o solo e os vales
Vestiu com gêlo, areia e florestas
Derramou nas águas o doce e o sal
Em quatro estações o clima
Uma excelência em cada uma
Se verão uma primavera
No inverno do outono
E a vida se fez bonita
E o homem por consequência
Criando sonhos, o impossível
O universo paralelo das necessidades
E a impermanência se faz perfeita
Como os sonhos se transformam
Diante da beleza do imperfeito
Deixamos uma flor sobre os escombros
~.~
Em solidariedade a Região Serrana do Rio de Janeiro
” Os políticos têm memória de mandato de cinco anos, a Terra de milênios. ”
Olivier Lateltin
sábado, 22 de janeiro de 2011
O Eclipse
Corre-corre, pula-pula, brincam as crianças
No jardim de flores farfalham as folhas
Entre as árvores passarinhos saltitantes
Radiante faz o dia a dia dos passantes
Um espanto paira sobre as cabeças
Pouco a pouco desfazem as escolhas
Entre as poucas nuvens distantes
A penumbra cobre os olhos diletantes
O encontro marcado de esperanças
Escrevem rimas no branco das folhas
O lume dourado e o prateado consonantes
Personificam um corpo e uma alma rutilantes
Os seresteiros esperançosos de lembranças
Numa dança unem pares sem escolhas
No meio do céu dos astromantes
Embalem cantigas apaixonantes
O sol clamando os poetas de esperanças
No coração a lua inspire a quem olhas
Sem o inverno das paixões lacrimantes
Da solidão resguarde a inspiração dos amantes
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Memória
Dormes amena serena
Teu sono suave embala
Os sonhos de outrora pequena
Os segredos guardados na mala
Muitos mistérios na descoberta
Num universo a cada lembrança
A emoção que o coração aperta
Reaquecendo aquela esperança
No livro a estória escondia
As viagens com mil destinos
A cada página uma alegria
Da bailarina aos violinos
Ficou na memória infanticida
O sonho simples de ser feliz
Pelo que ora somos esquecida
Por tantos quesitos nos contradiz
Intrínseca natureza nos conduz
Na insaciável certeza do ser
Buscando razões que nos induz
Afinidades para o amor acontecer
Na lógica razão do medo
Nos torna intransponível
Entre mulharas de degredo
O simples em desejo impossível
O mundo tão bonito
A natureza tão perfeita
O amar simples explícito
Nos tornamos em desdita
O próprio amor
Hoje não há estrelas
O ar úmido paira abafado
Nas torres não há sentinelas
Estático, um coração apertado
As luzes cintilando na água
O depois da chuva na rua
O farfalhar de folhas que apazigua
A contínua ausência da lua
Tão somente uma estrela
O guia para um norte
Uma janela sem tramela
No olhar sem rumo ao horizonte
No caminho sem ter para ir
Guardando pedras no ventaval
Um pranto disfarça em sair
Do caule o espinho arestal
O pensamento entre tantas vozes
São presenças que locomovem
Ausentes de afeiçoar o sonho
Num encontro que se contravêm
Um sonho sem parceria
Num beijo sem a outra boca
Na constância em viver agonia
Uma arejada flor que sufoca
Se resta ao pranto o alívio
Se falta a estrela ao destino
A vida se faz em declívio
Coube ao divino o desatino
No roçar de mãos solidárias
Apenas os corações sem rosto
Nas confissões solitárias
Solidão em sublime interposto
Magestosa se faz companheira
Dirimindo todas as mentiras
Em outrem que a si imbuíras
Revela em si a busca verdadeira
Encontra, o amor dorme sereno
Rara dádiva para outro ser feliz
Ileso o corpo moreno
Na alma persiste a cicatriz
Cabe em si mesmo os destinos
Saber-se o porto seguro
O corpo e alma genuínos
Só o amor lance em futuro
sábado, 11 de dezembro de 2010
Esse Desejo
Desejo um Feliz Natal, mesmo que simplório
Mas com sentimentos profundos e intensa empatia
Sinceros, transparentes e verdadeiros
Desejo que a mesa seja farta, bonita e enfeitada
Sem que sejam esquecidos a cozinheira,
a lavadeira, o cachorro, o gato e a missa do galo
Desejo que diante da ceia sempre caiba mais um
E alguns lugares estejam reservados para os ausentes
Pois estão sempre presentes em nossos corações
Desejo alegria, harmonia e nenhum porre
Entre Drink's e a alegria estejam as canções
Desejo os presentes mais criativos até
Aos mais sofisticados eletrônicos
E acima de todos os presentes
Que o mais simplório entre eles seja o amor
Desejo o sabor das guloseimas sem culpa
Que mais que o calor seja o frescor da chuva
Para depois na madrugada o céu se abrir
Pleno de luar cintilando todas as estrelas
Desejo no amanhecer mais fôlego e resistência
Pensamento voltado aos sonhos do Ano Novo
Que sejam poucos mas fiéis e sem tamanho
Mas que em todos os sonhos contenha a felicidade
Desejo que todos eles se realizem plenos
Senão todos, apenas alguns, mas se nenhum, sem neuras
O sonho não morre, como tudo, na vida ou na morte, se transforma
Reconheçamos no final do ano que estamos íntegros
Afinal a vida continuará sempre em movimento
Desejo a sorte de todas as simpatias e cores
Vestindo branco, dourado ou pulando ondas
Num banquete de frutas sobre a areia
Tabuleiros de búzios, tarot e muita proteção
Muita paz e esperança para o ano inteiro
Desejo um pouco mais que o Feliz Ano Novo ou Velho
Que nele esteja o Feliz Aniversário
Aquele bolo necessário, a velinha simbólica
Mas ao teu redor tenha inúmeros, dezenas de amigos
Comemorando mais uma árvore em teu pomar
Desejo um Ano Novo pleno de musicalidade das palavras
Que a cada sílaba que entoas suavemente encantas
Poesia e melodia juntas na sonoridade das canções
Desejo a sensibilidade sobre a pele de uma flor
Em harmonia perfeita, pétalas, pólem, aroma
Se fazendo rarefeita entre bemóis e sustenidos
Tal sopro de vida, corpo e alma em maestria
Desejo que se faça em poesia para o novo ano
Mãos hábeis, pensamentos a mil
Os versos em folhas ao vento em teu jardim
Desejo muito desejo de inspiração e desafios
Aos céus que sempre agradeço pela luz em companhia
Graças a esses desejos, desejo no Ano Novo, o que tenho
Um primoroso Feliz Ano Velho
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
A Escolha
Um elo somático para um mundo pronto
Explica -se tudo aos donos de nossas escolhas
Se tudo escolhemos para sermos escolhidos
Seremos especialistas salvo de nós mesmos
Nascimento, vida e morte
Os meios se justificam aos extremos
Em curso na estrada da frágil vida
A origem, um caminho, e o comum destino
Turistas, peregrinos, viajantes
Boas escolhas em serem escolhidos
Escolha, escolhas, escolham
Principia a grande viagem pela vida
Se turistas somos acariciando o ócio
Origem e destino no afã do retorno
Aos olhos a beleza e tudo se faz efêmero
E a face oculta da vida reles despercebida
Se peregrinos somos o exercício de fé
Empenhando-nos a uma alma pura
Das tentações e perigos nos esquivando
Do fracasso saberemos pouco dos pecados
Se viajantes somos com escassa bagagem
Aos olhos da compaixão, a bondade, o medo
A coragem de seguir além do destino
Deixamos o melhor de nós mesmos
Viajantes levaremos o aprendizado
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