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"Nunca é tarde...
Ou cedo para amar-te.
Ou tarde para ter-te.
Nessa brevidade da vida.
Levo um pouco de ti.
Deixo um pouco de mim.
Deste encontro,
Nunca mais seremos os mesmos.
Passamos por este tempo e espaço,
Entre a vida e a morte.
Amando-nos, fazendo arte."
aoshiro
O poema que se tornou conhecido com o nome de "Deficiências" ou "Dicionário do Quintana" é na verdade a parte final de um texto redigido pela professora Renata Vilella, da escola Flor Amarela. http://www.floramarela.com.br/secao.12,sm.11.aspx
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz".
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E "Miserável" somos todos que não conseguimos falar com Deus.
"-Recentemente, o final do texto, foi divulgado na internet, com o título "Deficiências" e atribuído ao grande Mário Quintana. Com a ajuda de internautas estamos tentando desfazer o equívoco." Professora Renata Vilella-MG
E a vida seu curso seguirá
E pela chuva ela passará
E no sol se iluminará
E das tuas dores não saberá
E das tuas alegrias não sentirá
E todo efêmero sublimará
E a solidão sentida contradirá
E no final a vida te lembrará
És terra
A cidade em que nascí era plena de cores
O sol nascia avivando o verde das folhas
A ventania corria solta pelas alamedas
Verdejavam as árvores e os pássaros multicores
A cidade em que nascí era de casas abertas
Se avizinhavam tranquilas em ruas alegres
Pardais em sinfonia ao raiar de todo dia
Ficavam o leite e o pão nas manhãs dos portões
As crianças inventavam livres brinquedos
A bola subia pela fachada das vidraças
Na praça o limite do céu era das pipas
No centro do alvo a guerra dos estilingues
A cidade em que nascí o bonde ainda passava
Entre ruas estreitas com muito orvalho
Passava aberto tilintando a sineta
Revoando as folhas por entre os trilhos
Imensos casarões ladeavam as avenidas
Ostentando a herança dos cafezais
Muitas quadras eram dos cinemas
Piscando luminosos de novos filmes
A cidade em que nascí raiava o dia
Com andarilhos alegres de baile
De tanta dança cansados da noite
Tranquilos na manhã buscando o sono
A cidade em que nascí não mais existe
Ao longo do tempo as cores se perderam
De cinza e preto tingiram os pigmentos
Sem limites edificaram arranhando o céu
Se ilharam as casas pelos altos muros
Por detrás das grades observam as janelas
Transparece ao sol o apuro dos rostos
As estrelas da lua obscurecem na cinza névoa
A cidade em que nascí já não aquece
Nos corações ficaram o frio do concreto
Nas pistas de rolamento o jogo de paciência
Toda violência transbordou seu limite
A cidade em que nascí nunca dorme
De insônia crônica de submundo
Sem noites os dias vão violando
As crianças esquecidas de infância
A cidade em que nascí não mais existe
Não se reconhece pelo passado
Na cidade em que nascí não mais existo
Somos o anonimato, estranhos um para outro
Para se ter um grande amor
É preciso estar distraído
Ser pego de súbito
Enxergar além da imagem
Reconhecendo o conteúdo
Para se ter um grande amor
É dar um presente a quem se ama
Sabê-la feliz pela modesta surpresa
Compartilhando esse momento de alegria
Sem que ela perceba que é o teu aniversário
Para se ter um grande amor
É pulsar a música no sangue
Galgar é preciso além dos corpos
Navegando os olhos nos olhos
Abandonando o corpo no prazer da alma
Para se ter um grande amor
É preciso saber-se parte do outro
Pelo desejo de amanhecer juntos
É preciso saber-se mútuo
E que a morte um dia irá separar
Para se ter um grande amor
É preciso um conteúdo de valores nobres
Sem esquecer do lado prático e mundano
Que o que se fez no passado não se desfaz
E dizer o que sente é a mais pura verdade
Para se ter um grande amor
É preciso ter paciência
Esperar que amor um dia aconteça
Sem querer insistir em ser correspondido
Que só se pode amar quando se tem amor
Para se ter um grande amor
Não basta prometer para se esquivar
É saber que o lado bonito fica cansado
É preciso respirar a própria identidade
Cada qual no seu devido momento se ser
Para se ter um grande amor
É preciso muita liberdade
É apoiar sem submissão
É soltar as amarras da embarcação
Com as velas ao vento querendo voltar
Para se ter um grande amor
É preciso fazer uma retrospectiva
Saber se o grande amor já passou pela vida
E antes de ter, é preciso ser um grande amor
Antes que a vida acabe para se viver um grande amor
E o mundo se fez
Com formas e ciclos
Invertendo os sentidos
Na linha do equador
Elevou continentes e cordilheiras
Aprofundou o solo e os vales
Vestiu com gêlo, areia e florestas
Derramou nas águas o doce e o sal
Em quatro estações o clima
Uma excelência em cada uma
Se verão uma primavera
No inverno do outono
E a vida se fez bonita
E o homem por consequência
Criando sonhos, o impossível
O universo paralelo das necessidades
E a impermanência se faz perfeita
Como os sonhos se transformam
Diante da beleza do imperfeito
Deixamos uma flor sobre os escombros
~.~
Em solidariedade a Região Serrana do Rio de Janeiro
” Os políticos têm memória de mandato de cinco anos, a Terra de milênios. ”
Olivier Lateltin
Corre-corre, pula-pula, brincam as crianças
No jardim de flores farfalham as folhas
Entre as árvores passarinhos saltitantes
Radiante faz o dia a dia dos passantes
Um espanto paira sobre as cabeças
Pouco a pouco desfazem as escolhas
Entre as poucas nuvens distantes
A penumbra cobre os olhos diletantes
O encontro marcado de esperanças
Escrevem rimas no branco das folhas
O lume dourado e o prateado consonantes
Personificam um corpo e uma alma rutilantes
Os seresteiros esperançosos de lembranças
Numa dança unem pares sem escolhas
No meio do céu dos astromantes
Embalem cantigas apaixonantes
O sol clamando os poetas de esperanças
No coração a lua inspire a quem olhas
Sem o inverno das paixões lacrimantes
Da solidão resguarde a inspiração dos amantes
Desejo um Feliz Natal, mesmo que simplório
Mas com sentimentos profundos e intensa empatia
Sinceros, transparentes e verdadeiros
Desejo que a mesa seja farta, bonita e enfeitada
Sem que sejam esquecidos a cozinheira,
a lavadeira, o cachorro, o gato e a missa do galo
Desejo que diante da ceia sempre caiba mais um
E alguns lugares estejam reservados para os ausentes
Pois estão sempre presentes em nossos corações
Desejo alegria, harmonia e nenhum porre
Entre Drink's e a alegria estejam as canções
Desejo os presentes mais criativos até
Aos mais sofisticados eletrônicos
E acima de todos os presentes
Que o mais simplório entre eles seja o amor
Desejo o sabor das guloseimas sem culpa
Que mais que o calor seja o frescor da chuva
Para depois na madrugada o céu se abrir
Pleno de luar cintilando todas as estrelas
Desejo no amanhecer mais fôlego e resistência
Pensamento voltado aos sonhos do Ano Novo
Que sejam poucos mas fiéis e sem tamanho
Mas que em todos os sonhos contenha a felicidade
Desejo que todos eles se realizem plenos
Senão todos, apenas alguns, mas se nenhum, sem neuras
O sonho não morre, como tudo, na vida ou na morte, se transforma
Reconheçamos no final do ano que estamos íntegros
Afinal a vida continuará sempre em movimento
Desejo a sorte de todas as simpatias e cores
Vestindo branco, dourado ou pulando ondas
Num banquete de frutas sobre a areia
Tabuleiros de búzios, tarot e muita proteção
Muita paz e esperança para o ano inteiro
Desejo um pouco mais que o Feliz Ano Novo ou Velho
Que nele esteja o Feliz Aniversário
Aquele bolo necessário, a velinha simbólica
Mas ao teu redor tenha inúmeros, dezenas de amigos
Comemorando mais uma árvore em teu pomar
Desejo um Ano Novo pleno de musicalidade das palavras
Que a cada sílaba que entoas suavemente encantas
Poesia e melodia juntas na sonoridade das canções
Desejo a sensibilidade sobre a pele de uma flor
Em harmonia perfeita, pétalas, pólem, aroma
Se fazendo rarefeita entre bemóis e sustenidos
Tal sopro de vida, corpo e alma em maestria
Desejo que se faça em poesia para o novo ano
Mãos hábeis, pensamentos a mil
Os versos em folhas ao vento em teu jardim
Desejo muito desejo de inspiração e desafios
Aos céus que sempre agradeço pela luz em companhia
Graças a esses desejos, desejo no Ano Novo, o que tenho
Um primoroso Feliz Ano Velho
Um elo somático para um mundo pronto
Explica -se tudo aos donos de nossas escolhas
Se tudo escolhemos para sermos escolhidos
Seremos especialistas salvo de nós mesmos
Nascimento, vida e morte
Os meios se justificam aos extremos
Em curso na estrada da frágil vida
A origem, um caminho, e o comum destino
Turistas, peregrinos, viajantes
Boas escolhas em serem escolhidos
Escolha, escolhas, escolham
Principia a grande viagem pela vida
Se turistas somos acariciando o ócio
Origem e destino no afã do retorno
Aos olhos a beleza e tudo se faz efêmero
E a face oculta da vida reles despercebida
Se peregrinos somos o exercício de fé
Empenhando-nos a uma alma pura
Das tentações e perigos nos esquivando
Do fracasso saberemos pouco dos pecados
Se viajantes somos com escassa bagagem
Aos olhos da compaixão, a bondade, o medo
A coragem de seguir além do destino
Deixamos o melhor de nós mesmos
Viajantes levaremos o aprendizado
Sob um céu sem estrelas
Nas noites urbanas e ruas vazias
Indiferente aos ruídos indistintos
Um rosto procuro no anonimato
No tempo consagrando as horas
Tão longe, tão longe...
Imagino o som do quebra mar
Sentindo a passagem do vento
No ar o cheiro da salinidade
Pudera sentir teu rosto
Vê-la olhando para o céu
Procurando o brilho dos teus olhos
Quiçás encontrá-lo entre as estrelas
Realizando a alegria pelos sonhos
Não brilhas se dormes como deusa
Com as pálpebras cansadas pela espera
Com teu rosto despido do sorriso
Reluzindo os cabelos longos como a seda
Pelo semblante sereno em repouso
Sigo ao encontro de um par de mãos
No gesto mudo da mão o vazio
Na outra palma a saudade
No silêncio se entrelaçam na solidão
A razão desconhece os mistérios
Como tudo é tão bonito como a vida
Tanto amor de não querer findar
Poder viver por tamanha beleza
Mesmo morrendo nas entrelinhas
Fecho os meus olhos para ver-te
A cada linha delineando teu corpo escrevo
Na suavidade dos contornos o meu insano desejo
Transcendendo teu físico nas múltiplas mulheres
Para cada mulher que em teu corpo existe
Fragmento minha essência, multiplico e dou crias
Vivendo a poesia em ti a cada mulher que ama
Brotando de um único tronco em variadas orquídeas
Fecho meus olhos num abraço amante
Corpo a corpo, coração no mesmo compasso
Sem palavras, promessas, a entrega somente
Mesclando as almas na mais pura das essências
Sou um náufrago refém em mar revolto na tua paixão
Mergulhando em teus abraços num caminho sem volta
Desejando-te mais que o sonho, um suspiro, uma madrugada
Ser o teu âmago e seu culpado, cúmplice e condenado (pelo amor)
O luar refletido na pele dos corpos difusos
As mãos desvendando nossos segredos
Teus aromas aflorando os desejos
Em cada sabor que doas o meu beijo
Derramarmos sobre a flor o orvalho da manhã
Saciar nossa sede de todos os desertos da solidão
Quando as forças cederem subornando o anseio
Na paz cúmplice dos amantes suplicando trégua
Estaremos em órbita admirando o planeta
Inexiste o Tempo, não há noite ou dia
Tua presença o único encontro e destino a ser vivido
Renascendo a todo instante o profundo desejo de recomeçar
Nos lábios que se beijam em perfeita alquimia
Sede e saliva, Amor e desejo, harmonia
Emerge das entranhas o nosso ensejo
De temperança na mistura entre almas
Deslizam pausadamente sobre a Tua pele úmida
Num beijo contínuo os lábios pelos teus contornos
Somos a intensa cumplicidade entre dois corpos
Temos o maior tesouro entre os Desejos.
O infinito desejo de amar.