segunda-feira, 31 de maio de 2010
Uma estória dentro da concha
Em nostalgia a tarde cai
A chuva chorando devagar
Sobre a areia só o vazio
Dos teus passos nem sinais
O tempo compassando as ondas
Saudades de uma breve estória
Do vento passando em memória
Noutros tempos de horas sem fim
Hoje os pensamentos vão e voltam
Como a alternância dos dias e das noites
Quando morrendo na tarde cai o sol
Na triste solidão da uma lembrança
Um feito amor bálsamo e alegria
Sangrando amor de dor e agonia
Um amor soluçando ao coração
Com medo de amar um desamor
Pelo tempo um desencontro
Num tempo sem tempo de amar
Atento a concha sobre o ouvido
Sentindo os teus olhos sobre o mar
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Manhã
Ilumina
A noite se desfaz na intensa claridade
Festivos chilreios na acuidade
Trazendo o cheiro da manhã
Clareia
Revelando o corpo que seduz
Suaves traços a meia-luz
Salientes no enlevo do alvorecer
Imagina
Tua ingenuidade da infância
Crescente vigor da exuberância
No tempo espôntaneo de ser
Germina
Qual velho jardineiro que insiste
Envelhecida mão que resiste
Regando perseverança nas manhãs
Orvalha
Na terra seca e nas ervas daninhas
Sem pousada para as andorinhas
Disformes canteiros de um jardim
Floreia
A semente da paixão latente
A saudade do beijo renitente
Nascente desejo que não tem fim
Anoitece
Tão próximo o coração em ciranda
Macia pétala de pele branda
Transbordas perfumando o ar
Sacia
Na pequena taça de essência
A Divina oferenda me acracia
Tempo da sutil beleza de amar
Macia
Ilógica harmonia entre duas bocas
Ruborizado desejo entre vozes roucas
Cerrando os olhos transbordando
domingo, 21 de março de 2010
Aos pés da montanha
Como é longa e curta essa estrada
Morrendo aos pés da montanha
Plena de nuances, curvas e obstáculos
Vida de viver com vontade tamanha
Alguns param sem uns poucos passos
Ao longo desse caminho que todos começam
O caminho do meio para outros lassos
Há os que a dor de uma saudade carregam
Aos magos que revelam a realidade
Viver será sempre a maior magia da vida
Ainda uns poucos convivem com a verdade
Há outros tantos que a rodeiam com amurada
A estrada segue o próprio destino
Margeada pelo verdejante campo
Por vezes rasteira sem descortino
Entretantos maturando no seu devido tempo
Pelo corpo os ventos cortantes
Os pés sobre o solo árido
Entre tantos passantes
Caminhas sozinho sem alarido
No vespertino despertar da noite
Dentre as estrelas o silêncio
A solidão entre as mãos em açoite
Aos pés da montanha o prenúncio
No final da longa estrada do ter
Para cada ser um ventre materno
No tempo de pensar em ser
Galgar a montanha rumo ao eterno
sexta-feira, 5 de março de 2010
Lágrimas
Lágrimas que escorrem no rosto
Como cristais...
Como ais...
Tem gosto de sal
Transparece o lado oposto
Deixando ver o bem e o mal
Tão cristalinas em maremoto
Aos milhares refletindo o arco-iris
Na beira do cais...
Recordações demais...
Comovidas por estarem vestidas de roto
Outras envenenadas de intenções vis
Lágrimas que encontram lágrimas
Muito além do mais...
Jamais, jamais...
Outras chorando pelo desencontro
Algumas sorriem de si mesmas
N'outro tempo triste no espectro
Lágrimas como o sal da terra
Lembranças pessoais...
Navegas arrais...
Temperadas pelo o sal do corpo
No oceano de lágrimas de guerra
Lacrimejando na hora do escopo
Dos santos olhos goteja o sangue
A rubra flor-de-lis...
Róseas ou azuis dos miosótis...
Da persistente face da miséria humana
O ciclo de vida se perdendo no mangue
A gana do ter rompendo a membrana
A noite encobre o dia de breu
Sopro de amarilis...
Nós, comum de dois...
Tuas lágrimas reluzem no céu
Sentindo as estrelas em camafeu
Tão presentes com teu corpo em apogeu
Sentir o doce sabor da lágrima
No oásis...
Na luz da íris...
Num pranto sufocado de desejo
Chorando essa vontade desestima
(Bordejo com as estrelas caidas pelas ruas)
Um nome na fria noite rumorejo
terça-feira, 2 de março de 2010
O caminho
A luz do dia cede
Em metamorfose perfeita
Renascendo em noite
Trazendo a sede na boca
Na garganta a voz rouca
No desejo, o amor imperfeito
Vislumbrando o céu
Anoitecendo a alma
No silêncio das estrelas
Um coração pulsando
No caminho do infinito
segunda-feira, 1 de março de 2010
O tempo de viver
Corre o suor pela fronte
As mãos transpirando gélidas
Sobre a corda tão bambas
Sob os olhares do mundo pronto
Veste a pele transformada
Numa armadura de vitórias
Nos olhos delineando as cores
O rubro salientando os lábios
Na boca desabrochando o riso
Ocultas sob a face da beleza
A face oculta do medo
Os medos ocultos na mesma face
Na tua imagem no espelho
Vestindo delineando o corpo
Os pés equilíbrando em saltos
Tão plena de lembranças
Emoções e desejos apegada
Antigas emoções latentes
A bolsa plena de lembranças
Necessaires e afetivas recordações
Analgésicos para amores passados
Deslizas por iguais caminhos
De um dia para o outro
Indispostas em perder o passado
Gravando as mensagens no fim do dia
Saudando fielmente o ano velho
Caminhas lentamente pela vida
Com os olhos fixos no retrovisor
No passado sem despedida
Estática no tempo do medo
No futuro há somente o passado
No presente apenas um corpo
E a ilusão de viver a vida
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Para depois da chuva
Por fim surgiram as estrelas
Como fagulhas no breu
Brilhantes, cintilantes
Faiscantes brilhantes no céu
Muitas foram as noites de chuva
Chovendo a chuva pela noite afora
Extrapolando o limite da sede
Ultrapassando o nascer da aurora
Em plena noite tão nítida surge
Tão timidamente o nascer da lua
Resistente como se envergonhada
Dos olhos inchados de chover a chuva
Ou terá sido o suor do teu corpo
Encharcando o lençol da cama
Ou terás sido tal qual a lua
Chovestes por noites sobre a fronha
Tu e a lua resistem perante as estrelas
Uma troca de olhares constrangidas
Como num gesto tão humanamente simples
Olhar nos teus olhos diante do espelho
Tu e a lua diante das estrelas
Numa troca de olhares tão cúmplices
Sem um gesto divinamente simples
Inspiram tantos poetas depois da chuva
Se todas fossem Cecília
Teu pensamento fica no tempo
Renovando a cada sensação descrita
Como se fora hoje com todas as cores
Tua inspiração renasce como as flores
Aquelas que do teu jardim não foram colhidas
E em seus versos exalam o teu perfume
Trazes em tuas mãos a transparente alma
Aos muitos olhos que não vistes
Almas que não acreditam que tu existes
"Teu bom pensamento longinquo me emociona"
Torna-me menos ignorante de tudo que és
Mas resigno-me do todo que te eterniza
Teu ensinamento continuará pelo tempo
Entre as palavras escolhidas com maestria
Em cada descrição perfeita, humildemente, direi:
-"O vento do teu espírito soprou sobre a vida
E tudo que me era efêmero se desfez
E ficaste só tu, que és eterna..."
Teu canto existe a cada instante
E a tua poesia está completa
"Não és alegre, nem és triste",
Tu és eternamente poeta.
sábado, 23 de janeiro de 2010
As horas envelhecidas
Sobre a mesa repousam os óculos
Com olhar fixo em minha direção
As lentes manchadas pelo amarelo
Não apenas pelo tempo passado
Ou a tinta desbotada sobre os pápeis
Aquém das muitas horas insones
Em que a vida seguiu seu curso
Inadvertidamente vazio de inspiração
Talvez seja o peso sobre os ombros
Por tantos anos de emoções
Fixo os olhos no horizonte
Numa contagem adversa das horas
Sem pavor se o passado é maior
Maior que o futuro a ser vivido
Das muitas horas repletas de sonhos
Algumas delas ainda continuam sonhando
Outras horas foram esquecidas
Importa as novas que nascerão
Preciosas em viver a cada segundo
Serão saboreadas como a um raro vinho
Das uvas frescas que foram colhidas
Ainda conservando o orvalho das manhãs
Nos dias passantes entre as estações
Estarei mais próximo do sonho eterno
Redescobrindo os segredos de outrora
Perolizadas entre as horas envelhecidas
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Densa neblina
O horizonte se desfez na alvura
Na densa neblina que paira
Sobre todas as coisas criadas
Cores vivas e opacas empalideceram
Mantas brancas cobriram as encostas montanhosas
Suavemente desapareceram na somatória das cores
Os caminhos paralelos já não se fazem infinitos
Nem os cruzamentos para um eventual encontro
Restamos sós e a pouca paisagem que nos rodeia
Restamos nós e a pouca imagem de nos mesmos
O que nos dá prazer e em outro instante nos causa dor
Todos os amores, rancores, a face oculta que nos odeia
A imagem efêmera hiberna sem o espelho
Flutuando divinamente entre as nuvens
Nos confrontando com o inevitável fim
Na densa neblina de nós mesmos
Marcamos esse breve encontro
O ponto de partida para um novo recomeço
Em verdade a poesia
Em verdades escrevi o passado
Pois feito e sacramentado ficou
Em verdades escrevo o presente
Pois fato, dia-a-dia, sacramentado está
Em verdades escreverei o futuro
Pois se em viver mentiras
Nada restará ao presente
E o passado me negará
Traduzo os momentos em poesia
Pois os momentos existem
E nem é ilusória a poesia
Traduzida em cada palavra
Por ter uma face oculta
Que há em todas as pessoas
Tenho um pouco das vidas alheias
E nas vidas alheias há um pouco de mim
O rio da vida
Como vertendo para a vida
As lágrimas do primeiro choro
Guardado no instante nascente
Represada no insípido berço
Minando na alvura do papel
Como um leito de areia fina
Nasce a mistura divina
Cristalina água pura
Dos cumes das montanhas
Com a pureza das pedras preciosas
Faz nascer a vida em suas bordas
Vindo ao mundo empelicado para a morte
Vislumbrando o início das corredeiras
Murmurando canções entre as pedras
Assiste o verde por entre a densa mata
O ciclo da vida que nela se faz cúmplice
Ao encontro de outras vertentes
Unindo-se em outras deságuas
São pés de amoras, borboletas e pássaros
Em sinfonia ao som em natureza
Em vertiginoso desafio aos obstáculos
Erosando as margens sobre as pedras
Abre-se o véu em cachoeiras
Cristais em gotas coloridas de arco-íris
Sob o sol que evapora suas preces
Segue pelos vales e planícies
Irrigando as terras, as plantações
Saciando a sede dos animais
Abranda as aves nos raios de sol
Envolvendo os peixes colorindo o leito
Segue como rio curioso beirando as cidades
Recebendo o veneno daqueles que a sede sacia
Ressentes em teu leito de agonia
Densamente margeando as encostas
Lembras como o perfume era inodoro
Tão ingenuamente conduzindo a vida
O mar já não te auxilia em vida
Apenas o acolhe nos braços de areia
Como um filho morto pela avareza
Morrendo de tanta humanizada ignorância
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
A vida da poesia
Encontre uma inspiração em silêncio
Mesmo que o cansaço na beira da estrada
Quando no sol arder a pele e a alma
E o tempo seguir tuas palavras escritas
E quando a chuva passar pela vida
E somente o céu e o mar ficarem
Tu, teu sonho, o sol, a chuva e o tempo
Em passaredo passarem sem poesia
Pois a cada página de palavras imóveis
Caladas, silenciosas e inertes
Aguardando indiferentes a tua ordem
Te restarão surdas, caladas e intatas
Repousando entre as capas de um dicionário
No fundo do velho baú empoeirado
Como fincadas nas rochas fartas de limbo
Se escondendo de tua agonia, corpo e vida
Indiferentes as tuas dores, aos teus amores
As tuas jóias raras ou raras de brilhantes e rubis
A poesia continuará esperando, esperando...
Até que todos os esqueletos saiam do teu armário
E no curso insone da noite enluarada
Amanheças fria e coberta de úmida neblina
Todas as palavras estarão gotejadas em tua retina
Com o teu olhar descobrindo a eleita entre as mil faces
Neste convívio despertas após árdua caminhada
Que as palavras correm no rio de labirintos em tuas veias
E a poesia estará diante dos teus olhos como desejas
Como deseja a poesia em ter reconhecida a própria vida
O tempo da mente
Se és auto-suficiente em tuas lamúrias
E o tempo boceja em tua sonolência
A vida fica lá fora, nas ruas, apenas observando
Como os rios para o mar num caminho sem volta
Se em tua clausúra nem se dá conta
Andando vestida de branco pela casa escura
Em cada sinal o pânico em plena liberdade
Levantas muralhas em torno da mente
Loucura, loucura, loucura
Essa abstinência da vida em existência
No alto da torre em plena demência
Nem se dá conta que moras no próprio túmulo
A mente parada no tempo, recriando vidas alternativas
E tu caminhas por outras vias em paisagens eletrônicas
Amores cibernéticos, amigos se excluindo em retiro
Cais da torre suicida, a liberdade é o tempo da mente
O tempo se vai com inveja de ti, sem poder parar
Sem poder esquecer o passado, estar no presente
Num caminho incessante rumo ao futuro
Mas ele ri, sorrateiramente, levando consigo a tua vida
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
O amor destilado
Ficarias magra para atender aos pedidos?
Quem te pede tal leveza?
Certamente não te apalpa os ossos.
Nem se ausenta o teu peso sobre o corpo.
Como te amar sem tuas rugas?
Num abdómen sem expressão
Sem dobras no relevo.
As pessoas se transformam
Se transformando de si mesmas
Implantam cérebros de silicone
Se inflam de botoxes de esperança
Fazem lipo aspirando as amarguras
de suas entranhas até sangrarem
Para atingirem a própria inexistência
Depois de tantos banhos de espuma
Muitas das fragâncias se passam em pelo
E a cada dia me desoriento
Como te seguir se na multidão perco o faro?
Entre tantos padrões de beleza em série
Tantas são as variações das essências
Essencialmente elaboradas com esmero
Num laboratório chamado esperança
E eu, esse animal primitivo, fico disperso
Se, e quando, te encontro
Te abraço sinteticamente
Com um beijo destilado
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Simplicidade
Sou um poeta que não necessita de amores
A mim basta uma lua e algumas estrelas
Não serei o poeta de um mundo maldito
Onde mais se destrói e se desarmoniza
Serei sim o poeta de inspiração estelar
Assistindo o verde e o mar findando
Não sou um poeta de inspiração entristecida
Apenas observo os malditos acabarem com o mundo
Não serei o poeta caduco de um mundo acabado
A mim basta uma lua e algumas estrelas
Serei um poeta na simplicidade do que penso
O restante é efêmero e muita cumplicidade
Escuridão
A noite tem o brilho da lua
Solidariamente taciturnos
Os cães ladram nas ruas
Como se unidos pudessem
Amanhecer a noite em luz do dia
Afuguentando todas as sombras
Não se importando com o tempo
São as sombras do passado
Que obscurecem o presente
Continuamente como lembranças
Percorrendo as noites e os dias
Como a inversão plena da imagem
E no momento oportuno do destino
Agiganta-se sombriamente sobre a imagem
Deixando apenas o vazio sem sombras
domingo, 29 de novembro de 2009
O amor
Diante dos olhos dormes serena
Renascendo o amor dentro de mim
Despertas um coração pleno de ternura
Sobre o leito a senhora dos sonhos
Com encantamento te assisto
Teu corpo desabrochando em flores
São pétalas em luzes multicores
São os teus aromas e segredos
Te transformando em meu jardim
Com o olhar nos canteiros de flores
Meu descompassado coração
Percorre e mergulha, profundo e latente
Em teu mar bravio a tempestade
Sussurando os teus desejos
No silêncio do teu querer dizes tudo
Enquanto somas os pedaços de mim
Todos os teus medos e segredos
Desvendando o meu anoitecer
Que não me basto e te preciso
Te preciso para ouvir as estrelas
Te preciso para salvares de mim
Alcançar as minhas montanhas
Perder-me em longos abraços
Acordar sentindo saudade ti
Resgatar-te dos meus sonhos
Tornando-a em minha realidade
Reconhecê-la em todas as estações
Preciso encontrar-me no teu amor sem fim
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Tempo do medo
Sobre o frio cristal transparente
Como o vento por entre os dedos
A mão do tempo, no presente,
Cria a imagem dos segredos
Ilusória idéia de juventude imortal
Onde as horas se somam infindas
Tornando o medo sobrenatural
Contando as relíquias escondidas
Estar só e rodeado pelo medo
Diante da morte nascido para a vida
Nascido para, tarde ou cedo,
Termos a eternidade concebida
Se morremos no amor a cada instante
A cada dúvida, na falta de beijos
Se nascemos no amor extravasante
Na dor incontida, sob todos os desejos
Nascer e morrer em cada verdade
Dos momentos transitórios, a essência
O medo efêmero que se desfaz
Na eternidade a consciência
Amar sem razão para amar
O amor em sua própria transcendência
Como as estrelas que não vemos,
Em própria resplandecência
Restarás eterno...
Suave anoitecer
Com o passar das horas do dia
A tarde morre aos poucos
Como a esperança que morria
Na noite taciturna dos loucos
As nuvens sobre as montanhas
Na escuridão ocultando as cores
Nebulosas e disformes obtinhas
Da mente lembranças e dissabores
Profundas recordações do passado
Como as raízes de um baobá
Não digas que o passado interdirá
Se no futuro nada há consumado
Eis as brancas páginas do presente
Como o branco muro nas ruas
Sem nada escrito transcendente
Como as fases da lua, continuam tuas
Ao lado teu fico calado
Silêncioso entre as palavras ditas
No mágico interlúdio imaculado
Anoitece sob as luzes eremitas
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Na janela do tempo
Na luz tênue refletida
A saudade aérea e rarefeita
Consome um naco e tanto
De uma parte de mim
Apago a luz e não verei
Pior que a insistência do vazio
Sob o manto da escuridão
Qual indecifrável esquecimento
Ser a dor constante enfim
Acendo a luz e não sentirei
Os lábios confessarão o segredo
Que na musicalidade de um beijo
O coração descompassa o ritmo
Buscando a harmonia do desejo
Tapo os ouvidos e não escutarei
Almas se mesclam em energia
Plenas no silêncio das palavras
Muito além das carícias que enseja
O instante absoluto do momento
Paro no tempo e não calarei
Sem limite de esperança
Na ansiedade da espera
Pudera o firmamento
Dissimulasse de jasmim
Sob a luz divina e findarei
Passante pelos vários mundos
Desvendando todos os segredos
No tempo que os manifestar
No curso dos teus sagrados dias
Sei, até lá saberias, mas eu não mais existirei
Pelas palavras
As palavras que ontem voavam soltas
Sem sentido como a vida esguia
A vontade da alma quando o corpo seguia
Estas mesmas palavras aguçando o presente
Agrupando-se, declarando a tua falta,
impunemente...
Denunciam sem lógica distância o teu amor
N'algum lugar extremo, no vazio das minhas mãos
Rebeldes palavras num jogo de frases em nãos
Formando um sentimento de vida própria
Represando águas, refletindo a tua ausência
Numa superfície de sinônimos da minha imagem
Reescrevendo as gotas de chuva sobre a tez
Mesclando-as em lágrimas tais poesias e canções
Criando aos milhares os meus sonhos e fantasias
Trazendo a miragem dos teus olhos aos olhos meus
São tuas palavras que correm soltas pelo vento
Em ventanias elevando as folhas, a areia da praia
Formando as ondas na superfície das tuas pegadas
Um corpo moreno de sol em adjetivos plenos
Sob os guarda-sóis com o dia a pino
Palavras buscando palavras
Perdidas numa tardia praia deserta
Recolhendo palavras como conchas vazias
Criam vida, rebeldia e denunciam
Que o amor aconteça antes da morte
Aprisione-as antes que tardia em poesias
Antes que tarde seja como morrer de amor
Pois se morro em palavras, não te digo
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A chuva e a flor
No jardim do amor
A chuva sobre a flor
Cai como lágrimas
Gotejando sobre a dor
Nossos caminhos cruzados
Num breve encontro de mãos
Tantas palavras não ditas
Descritas nos gestos de adeus
Infinito momento de breu
Se guardando para qualquer dia
Um outro destino, outro acontecer
Distantes das paisagens inertes
Calam nos teus segredos
O amor e o ódio pelo avesso
Que na saudade principia
O solitário caminho do eu
Na ventania da paixão
Esse tão descuidado coração
Fechou os olhos da razão
Semeando no tempo a saudade
Agora de longe te assisto
Teu corpo banhado de sol
Todo esse amor te daria
Salvando minh'alma da agonia
Nesse jardim do amor
És a mais bela flor
A chuva cai entre lágrimas
Gotejando sobre a minha dor
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Poema Inacabado
Dos seus olhos ser o desejo
Da sua boca a infinidade dos beijos
Quisera meus lábios percorrer teu corpo
Em cada gosto ter o paladar do deuses
Seduzir-me com teus aromas
Ser teu Eros em tua perdição
Nesse desejo infindo
Ser teu poema inacabado
sábado, 10 de outubro de 2009
Meu coração
Quisera dar-te a dor de todos os meus ais
Todos os momentos de loucura e insensatez
As sensações do vento frio sobre a pele
Das buscas desgovernadas pelas noites
Quisera dar-te o vazio das noites insones
Do peito a solidão festiva de falsas emoções
Dos olhos a tua imagem disforme na neblina
Deixando-te transpassar como luz pelo corpo
Quisera dar-te todos os segredos nobres e pagãos
Um a um, desvendando teu nome lapidado em desejos
Enveredar-te nos campos insanos dos girassóis
Onde escrevo teu nome em vermelho sangue
Quisera dar-te a melhor das mentiras convincentes
Sabendo que em teu coração soarão como verdades
Apertando em minhas mãos a lâmina da falsidade
Felicitando-me, egoísticamente, por tamanha infelicidade
Quisera dar-te o meu coração, desfalecido e retalhado
Acostumado a pulsar doente pelos desejos platônicos
Deixá-lo em tuas mãos, recriá-lo em tua dimensão
Um coração vazio de segredos a espera do teu amor