domingo, 29 de novembro de 2009
O amor
Diante dos olhos dormes serena
Renascendo o amor dentro de mim
Despertas um coração pleno de ternura
Sobre o leito a senhora dos sonhos
Com encantamento te assisto
Teu corpo desabrochando em flores
São pétalas em luzes multicores
São os teus aromas e segredos
Te transformando em meu jardim
Com o olhar nos canteiros de flores
Meu descompassado coração
Percorre e mergulha, profundo e latente
Em teu mar bravio a tempestade
Sussurando os teus desejos
No silêncio do teu querer dizes tudo
Enquanto somas os pedaços de mim
Todos os teus medos e segredos
Desvendando o meu anoitecer
Que não me basto e te preciso
Te preciso para ouvir as estrelas
Te preciso para salvares de mim
Alcançar as minhas montanhas
Perder-me em longos abraços
Acordar sentindo saudade ti
Resgatar-te dos meus sonhos
Tornando-a em minha realidade
Reconhecê-la em todas as estações
Preciso encontrar-me no teu amor sem fim
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Tempo do medo
Sobre o frio cristal transparente
Como o vento por entre os dedos
A mão do tempo, no presente,
Cria a imagem dos segredos
Ilusória idéia de juventude imortal
Onde as horas se somam infindas
Tornando o medo sobrenatural
Contando as relíquias escondidas
Estar só e rodeado pelo medo
Diante da morte nascido para a vida
Nascido para, tarde ou cedo,
Termos a eternidade concebida
Se morremos no amor a cada instante
A cada dúvida, na falta de beijos
Se nascemos no amor extravasante
Na dor incontida, sob todos os desejos
Nascer e morrer em cada verdade
Dos momentos transitórios, a essência
O medo efêmero que se desfaz
Na eternidade a consciência
Amar sem razão para amar
O amor em sua própria transcendência
Como as estrelas que não vemos,
Em própria resplandecência
Restarás eterno...
Suave anoitecer
Com o passar das horas do dia
A tarde morre aos poucos
Como a esperança que morria
Na noite taciturna dos loucos
As nuvens sobre as montanhas
Na escuridão ocultando as cores
Nebulosas e disformes obtinhas
Da mente lembranças e dissabores
Profundas recordações do passado
Como as raízes de um baobá
Não digas que o passado interdirá
Se no futuro nada há consumado
Eis as brancas páginas do presente
Como o branco muro nas ruas
Sem nada escrito transcendente
Como as fases da lua, continuam tuas
Ao lado teu fico calado
Silêncioso entre as palavras ditas
No mágico interlúdio imaculado
Anoitece sob as luzes eremitas
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Na janela do tempo
Na luz tênue refletida
A saudade aérea e rarefeita
Consome um naco e tanto
De uma parte de mim
Apago a luz e não verei
Pior que a insistência do vazio
Sob o manto da escuridão
Qual indecifrável esquecimento
Ser a dor constante enfim
Acendo a luz e não sentirei
Os lábios confessarão o segredo
Que na musicalidade de um beijo
O coração descompassa o ritmo
Buscando a harmonia do desejo
Tapo os ouvidos e não escutarei
Almas se mesclam em energia
Plenas no silêncio das palavras
Muito além das carícias que enseja
O instante absoluto do momento
Paro no tempo e não calarei
Sem limite de esperança
Na ansiedade da espera
Pudera o firmamento
Dissimulasse de jasmim
Sob a luz divina e findarei
Passante pelos vários mundos
Desvendando todos os segredos
No tempo que os manifestar
No curso dos teus sagrados dias
Sei, até lá saberias, mas eu não mais existirei
Pelas palavras
As palavras que ontem voavam soltas
Sem sentido como a vida esguia
A vontade da alma quando o corpo seguia
Estas mesmas palavras aguçando o presente
Agrupando-se, declarando a tua falta,
impunemente...
Denunciam sem lógica distância o teu amor
N'algum lugar extremo, no vazio das minhas mãos
Rebeldes palavras num jogo de frases em nãos
Formando um sentimento de vida própria
Represando águas, refletindo a tua ausência
Numa superfície de sinônimos da minha imagem
Reescrevendo as gotas de chuva sobre a tez
Mesclando-as em lágrimas tais poesias e canções
Criando aos milhares os meus sonhos e fantasias
Trazendo a miragem dos teus olhos aos olhos meus
São tuas palavras que correm soltas pelo vento
Em ventanias elevando as folhas, a areia da praia
Formando as ondas na superfície das tuas pegadas
Um corpo moreno de sol em adjetivos plenos
Sob os guarda-sóis com o dia a pino
Palavras buscando palavras
Perdidas numa tardia praia deserta
Recolhendo palavras como conchas vazias
Criam vida, rebeldia e denunciam
Que o amor aconteça antes da morte
Aprisione-as antes que tardia em poesias
Antes que tarde seja como morrer de amor
Pois se morro em palavras, não te digo
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
A chuva e a flor
No jardim do amor
A chuva sobre a flor
Cai como lágrimas
Gotejando sobre a dor
Nossos caminhos cruzados
Num breve encontro de mãos
Tantas palavras não ditas
Descritas nos gestos de adeus
Infinito momento de breu
Se guardando para qualquer dia
Um outro destino, outro acontecer
Distantes das paisagens inertes
Calam nos teus segredos
O amor e o ódio pelo avesso
Que na saudade principia
O solitário caminho do eu
Na ventania da paixão
Esse tão descuidado coração
Fechou os olhos da razão
Semeando no tempo a saudade
Agora de longe te assisto
Teu corpo banhado de sol
Todo esse amor te daria
Salvando minh'alma da agonia
Nesse jardim do amor
És a mais bela flor
A chuva cai entre lágrimas
Gotejando sobre a minha dor
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Poema Inacabado
Dos seus olhos ser o desejo
Da sua boca a infinidade dos beijos
Quisera meus lábios percorrer teu corpo
Em cada gosto ter o paladar do deuses
Seduzir-me com teus aromas
Ser teu Eros em tua perdição
Nesse desejo infindo
Ser teu poema inacabado
sábado, 10 de outubro de 2009
Meu coração
Quisera dar-te a dor de todos os meus ais
Todos os momentos de loucura e insensatez
As sensações do vento frio sobre a pele
Das buscas desgovernadas pelas noites
Quisera dar-te o vazio das noites insones
Do peito a solidão festiva de falsas emoções
Dos olhos a tua imagem disforme na neblina
Deixando-te transpassar como luz pelo corpo
Quisera dar-te todos os segredos nobres e pagãos
Um a um, desvendando teu nome lapidado em desejos
Enveredar-te nos campos insanos dos girassóis
Onde escrevo teu nome em vermelho sangue
Quisera dar-te a melhor das mentiras convincentes
Sabendo que em teu coração soarão como verdades
Apertando em minhas mãos a lâmina da falsidade
Felicitando-me, egoísticamente, por tamanha infelicidade
Quisera dar-te o meu coração, desfalecido e retalhado
Acostumado a pulsar doente pelos desejos platônicos
Deixá-lo em tuas mãos, recriá-lo em tua dimensão
Um coração vazio de segredos a espera do teu amor
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Imprescindível ( Mercedes Sosa )
O que pulsa no coração
Corre pelas veias
Transborda em lágrimas
Umedecendo a terra
A quatro mãos...
Celebrando o amor
Construindo a paz
Perpetuando a vida
Rumo a eternidade
Imprescindível...
A arte de viver
A vida com arte
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
A solidão
Se a noite nos incomoda com doces lembranças.
Farfalham os lençóis sussurrando aos nossos ouvidos.
Não nos incomodemos se nossos braços buscam o abraço ausente.
Se a imperceptível melancolia nos incomoda com a insônia.
Não relutemos em dar boas-vindas a quem de longe chega.
Sejamos sinceros e solidários a esta rejeitada amiga.
Com mãos afetuosas estendidas a acolheremos em descanso.
Tenhamos o melhor de nossos corações em oferenda.
Sejamos francos em compreendê-la com carinho.
Se fomos felizardos de um destino do amor comum .
Nós sabemos o que nos inspira toda essa nossa confiança.
O mais sincero entre nós dois a reconhece das desventuras.
Pois, ora sabemos, ninguém é mais solitária que a solidão.
Essa insensível dor hospitaleira persistente de vazio.
Levantaremos os nossos braços entrelaçados num brinde.
Isso é o que nós torna sábios e sóbrios em autoreclusão.
Embeberemos nossas mágoas no alto teor das lágrimas.
Comemorando no silêncio o incontido desejo ser feliz.
E nesses momentos solitários lapidaremos as melhores palavras.
As que possam revelar todas as emoções transitórias do pensamento.
Sombreando nossos olhos no tempo de muitas páginas e ricas estórias.
Nem os papéis em branco faltarão em homenagem para um lindo poema.
Nesse único momento de criação, uma linda canção embalará o seu coração.
Deixando em devaneios as suas emoções transbordarem nas aventuras.
Nessa corajosa busca inconsequente da transparente e necessária solitude.
Com o coração em penitência, sua mão será o guia das doces orações.
Frase a frase, mesclando melancolia e mágoas em suas estrófes.
Serão como as súplicas de um reincidente aprendiz no amor.
Edificando com preces divinas o nosso mágico templo de contos e versos .
Consagrando aos céus a justa recompensa da necessária solidão.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
As imagens
No instante em que nos vemos.
Somos os espelhos de nós mesmos.
Traduzimos nos olhares reluzentes.
Na mesma frequência do que somos.
No instante em que nos vemos.
Somos dois nos espelhos opostos.
Perdidamente desejosos.
Do infinito labirinto de nós mesmos.
No instante em que nos vemos.
Nos tocamos em carícias no reflexo.
Num desejo mútuo instantâneo.
De nos termos e nos amarmos.
No instante em que nos vemos.
Somos pares cada qual em seu espelho.
Infinitamente amor ou ódio.
Seremos as eternas imagens.
No instante em que nos vemos.
Seguiremos nossas vidas em paralelo.
Com a intensidade do medo que nos distancia
E a luminosidade do amor que nos faz elo.
No instante em que nos vemos.
As mudanças do tempo nos farão sensíveis.
A cada ângulo morremos um pouco.
Paralelamente viveremos ao infinito.
No instante em que nos vemos.
Somos transparentes um ao outro.
Imagens e semelhanças dos pares
Viveremos fugitivos da escuridão.
No instante em que nos vemos.
Inseguramente saberemos
Que somente existiremos
Sob as luzes de nós mesmos.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
Uma poesia distraída
Uma ausência sem desculpas mas, que merece presença.
A presença de uma ausência consentida, ressentida.
Uma ausência esculpida de vazio.
Quebrando a continua presença da vida.
Aquilo que, naturalmente, não se admite mas, se permite no final.
Da eterna amizade fugidia, se esquivando das convenções.
Mesmo que, integralmente, a culpa seja minha.
Estar presente ao seu sorriso tímido e acusador.
Essa ausência de palavras, das prosas, de versos.
De bilhetes, dos dedos de prosa em conversa afora.
Como se impedindo o outonal das tardes no outono.
Tens razão, quando me culpas de não ser banal, de não ser cotidiano.
De não ter saudades do corriqueiro, da mesmice dos mesmos dias.
Cúmplices por essa saudade, saudades por sermos ausentes.
Talvez seja até mesmo aquela saudade de nós mesmos.
Das lembranças do que outrora fomos.
Dos nossos anseios do que no presente somos.
Do que seríamos em nossos sonhos em comum.
Nessa dinâmica compartilhamos da saudade do ausente.
O doce sabor da ausência de uma saudade carinhosa.
O sabor da saudade com o teor da ausência.
Com a sua falta vestes a sua presença.
De um tempo agora sem tempo.
Por todos os momentos que existimos juntos.
Quando ríamos de tudo e chorávamos por nada.
Dos muitos momentos, do ombro ao ombro, solidários.
Quando ríamos por nada e chorávamos por tudo.
Da ilusão os nossos olhares maravilhados.
Pelo fascínio de ter vivido a ilusão de cada instante.
Essa saudade que a cada momento insisto em reviver.
Como num suplício impedimento do cair das folhas.
Nessa querença desmedida de transpor-se ao tempo.
Quando o vazio é maior que o silêncio das palavras
Quando na ausência não te encontro e tropeço no nada.
Qualquer hora escrevo, descrevo essa saudade de você.
Num momento em que a saudade estiver ausente.
Te deixarei de presente uma poesia distraída.
domingo, 27 de setembro de 2009
A musa
Defronte aos olhos o mar extasiante
Tu és perfeita em harmônica natureza
"Quem pode ser infeliz diante de tanta beleza?"
Cruel distância que nos destina a ausência
Aos olhos meus que a tua imagem não alcança
Morna e mansa a tua brisa canta e não perfumas
As paisagens com teu semblante mesclado
Sorrindo a esperança de um amor divino
Teus versos clamam entre os sons
Das gaivotas festeiras ao ciclo das ondas
Ao sopro magestoso do vento
Flutuas como uma canção pelo ar
Vais em vida como numa canção de amor
A quatro mãos compomos em harmonia
Esta tua felicidade sinfônica reverencio
Com esta ode a senhora dos meus sonhos
A musa dos meus versos de amor
"Canção de amor"
São eternos seus momentos
São mágicos teus gestos
Das teclas, o branco e preto
Brando encanto nas oitavas
Silenciosamente pausas
Desejosos de harmonia
Nessa canção me perderia
Na musicalidade do teu corpo
Meu coração fica a mercê
Nas vibrações das cordas
Tatuo em minh'alma tuas clavas
Pedindo asilo em teu sentimento
Pelo teu amor divino
Sou teu anjo torto
Entrego o meu corpo
Meu par de asas
Em espírito murmuro a prece
Pelas mãos que fazem sonhos
Teu rosto em riso que aparece
Anunciando em versos meu destino
sábado, 26 de setembro de 2009
Brevidade
Adeus!
É o tempo...
Cedo para amar-te.
Tarde para ter-te.
Nessa brevidade da vida.
Levo um pouco de ti.
Deixo um pouco de mim.
Deste desencontro,
Nunca mais seremos os mesmos.
Passamos por este intervalo
Entre a vida e a morte.
Amando-nos, fazendo arte.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Um dia o amor
Um dia
Entre tantos...
Entre si os olhares.
Divagando nas dúvidas.
Nas mudas reações.
A indecisão entre os corpos.
A pele molhada...
Corações aquecidos pelo sol.
Entre o sol, os nossos corpos e a chuva.
Clamando carícias, emitindo sinais.
Atentos olhos de brilho inquieto.
Alertando os rumores, os tremores
Incontidos desejos de amar.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Um grão de areia
O olhar quedou oblíquo
A êsmo os pés caminham
São as mesmas calçadas
Pela mesma areia
Insensíveis carícias das ondas
O toque suave da brisa
Não há no horizonte o azul
Mesclando ton sur ton
O mar azulado de céu
O céu azulado de mar
O mudo quebra-mar já não ensurdece
Nas ondas o som sobre o som
Deslizando sobre a areia
Apagando todos os rastros
Somente finda uma história
São as gaivotas festeiras
Um grão de areia
O cisco no olho
O olhar mareado
Essa maresia
sábado, 5 de setembro de 2009
No caminho da luz
Astro rei em tua grandeza
Dourado manto te acalentas
Na maciez da pele te aquece
Refletindo nos longos cabelos
O sedoso cintilar o teu brilho
Na umidade que se faz nos poros
Transpiras o teu perfume na brisa
Moldurando os sonhos e meus desejos
Nas suaves curvas bronzeadas
A tua delicada carmurça de orquídea
Sou cativo do teu olhar afetuoso
Nos rosados lábios rendendo-me inteiro
Em teu sorriso a ternura de amar
Teu jeito feminino de ser primavera
E nos verões se desnudar em flores
Percorro todas as tuas tristezas
Em cada momento dividir teu pranto
Sem buscar todas as respostas
Nem querer saber se vale a pena
Lado a lado, a vida com novas perguntas
Alçando vôo numa viagem da vida
Ouvindo os corações em silêncio
Na tênue linha entre a razão e o amor
Na mesma direção dos olhos nos olhos
No caminho da luz em nós mesmos
A tua presença
Quando acordo pelas manhãs
O sol admirando teu corpo moreno
Vejo em teu leito a luz da janela
Teu suave repouso no branco da nuvem
Olho teus longos cabelos negros
Reluzindo em curvas delineando o rosto
Como posso tanto amor, tanto querer?
Se nem sorriu, se nem olhou para mim
Tantas palavras tuas escritas no ar
Dizem das mágoas que vivem em teu coração
Falam de teus amores, sonhos e canções
Tristes histórias que não tiveram fim
Traduzem as mágoas na tua descrença
Percorrendo os labirintos do desamor
São as juras de amor no coração ferido
Sussurando preces benditas a alma
Como posso te dar a minha crença?
Desejando o milagre da felicidade
Te presenteando com a via láctea
Lembrar-te das coisas belas que há em ti
Entrego a minha paz de todos os dias
Das minhas preces o pedido de ser feliz
De todos os meus sonhos o teu acontecer
Quero te fazer amar e tenho de ti só a presença
Entre as estrelas
Contemplo agora o meu nascer
Depois de tanta escuridão
Buscando em ti a transcendência
Das minhas noites que são tuas
Esvai de mim o viver
Se te faço amar na dor
Do meu querer nas entrelinhas
A minha insensatez em teu ser
Nessa névoa invísivel do medo
Minh'alma se cala cúmplice da tua
O silêncio denuncia tanto saber
Sem saber se só existem juntas
Sentir-te ao lado conviver
Na intensidade de um amor
Tendo-a nos braços aninhas
Perdoas meu desamor embevecer
Neste meu olhar perdido no infinito
Busco o brilho raro dos olhos teus
Entre as estrelas uma órbita celeste
Desejos d'alma que os corpos realizam
Partilhando a tua dor no anoitecer
Sufoco minha alegria no amargor
Tenho as insones noites que caminhas
Pelo desejo de contigo estar no amanhecer
Resplandeces no azul manto da noite
Como as estrelas nas noites inquietas
Detenhas meu amor em segredo
No teu coração deixa viver
Alquimia
Caminhemos não importa para onde,
Estaremos juntos simplesmente,
Pela via onde nossos corações celebrem a paz.
Mergulharemos no nosso mais íntimo desejo
Em busca da dor em si mesma.
Encaremos friamente nosso medo
De termos tudo para não sermos nada.
Contemplei a vida com minha armadura polida.
Com a lança em riste matei dragões.
Construí os castelos da fantasia.
Expandí as fronteiras das possessões.
Cavalguei pela ponte entre os sonhos e as ilusões.
Vaidoso acumulei a riqueza para o ter.
Hoje sou prisioneiro dos meus escudos.
Olho firmemente para dentro dos meus olhos.
Nenhum pigmento me fará rubro a palidez da anima.
A solidão conspirou no curso da minha existência.
De desamor caí em espiral para dentro do meu infinito.
Caí da torre do orgulho partindo-me em pedaços.
De onde, soberanamente, abraçava o mundo.
Vem comigo para que eu possa te mostrar a solidão.
Caminhe comigo com os pés descalços sobre a terra.
Pegue a minha mão trêmula e abrace a minha alma frígida.
Nada lhe será temeroso, se meu coração só existe no anonimato.
Vem mostrar-me o caminho que busco para dar-lhe um nome.
Não importa quantas pedras no caminho terei que pisar.
Saberei que nessa direção não sentirei ainda mais a dor.
Vem ao meu lado, ensina-me as canções para sonhar
E eu as cantarei para seus pés dançarem.
Vem, ensina-me a dançar as canções do seu coração
E dançarei embalando seus sonhos e devaneios.
Vem, abre o seu coração e escreva uma poesia que fale de amor.
Mostre-me o medo dos nossos limites e os erros do futuro.
Vem, soltando a sua voz branda recitando a sua poesia
E a cada estrófe que nela contenha o perfume de cada flor.
E eu me sentirei inebriado com os aromas a cada verso declamado.
E quando a brisa trouxer sua essência e tocar meu coração.
Saberei que és única como a camurça da pétala que te reveste.
Quão doce e úmida é o desabrochar de uma flor madura.
Vem, toque meu corpo e ensina-me à alquimia dos magos.
E dessa química de suores destilaremos a pureza de amar.
Encontrar-te-ei nas entre linhas dos teus versos.
Com o brilho do sol refletindo o seu semblante.
A sua inspiração me fará seguir avante com seu olhar esperançoso.
E em sua companhia saberei chorar todas as lágrimas contidas.
Dá-me a sua mão e ensina-me a voar e voar até às alturas.
Quando na altitude de cruzeiro, mostra-me a liberdade para amar.
Tocaremos as nuvens umidecendo nossas faces e nossas auras.
Voaremos livres pelos corredores de vento em silêncio.
E a cada mudança de atitude consciente, estarei caindo e caindo.
E poderei repousar a minha cabeça em seu ombro solidário.
Um cavaleiro sem batalhas, despojado de armadura e lança.
Sem medo de curvar-se, rendendo-se ao toque singelo de um amor.
Saberei ouvir que não sou hoje mais egoísta do que fui no passado.
Que nessa empírica viajem a esperança semeou em campo fértil.
Para colher a transformação de todo o universo de mim mesmo.
Caminhemos não importa para onde.
Estaremos juntos simplesmente.
Pela via onde nossos corações celebrem o amor.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
No mar do tempo
De mim esta ilha deserta
O último frasco lanço no mar revolto
Única lembrança "in vitro" do teu perfume
Do suave aroma que guardo em memória
Sem ter mais onde, só uma mensagem
Perdendo de mim um dos tesouros
Um amargo bilhete lamento no verso
Da folha transcrita com a tua poesia
São palavras colhidas sob o luar
Nas entristecidas noites de estrelas caidas
Na areia onde corpos um dia souberam amar
Dois corações que a emoção insistia querer
A última esperança divina de amar em paz
Com todos os caprichos de uma canção
Que o tempo enternecido parou para ouvir
Sei hoje o lamento que dissolve n'alma
Quando trazes no choro do olhar o destino
Os teus lábios trêmulos em partida de adeus
No mar do tempo entrego a saudade de amar
Dentro um bilhete no frasco por todos os mares
sábado, 29 de agosto de 2009
Secret Garden
Dawn Of A New Century
(Tradução)
Imagine...
Nosso planeta flutuando silenciosamente no espaço.
Ao seu redor, uma pomba branca voa sempre circulando.
Todos os cem anos, a asa da pomba.
Com suavidade toca a superfície da Terra.
O tempo que levaria para a asa emplumada
Usar este planeta até nada. . . é eternidade.
Dentro da eternidade, o tempo passa.
Dentro do tempo, há mudança.
Logo, a asa da pomba branca...
Vai tocar nosso mundo novamente.
O amanhecer do novo século...
Tempo para um novo começo...
Agora é eternidade
Ao surgir do
Amanhecer do novo século
Mil anos
De alegria e lágrimas
Nós deixamos pra trás
Amor é nosso destino
Celebre o
Amanhecer do novo século
Deixe vozes soarem
Regojizarem e cantarem
Agora é a hora
Agora é eternidade
Amor é nosso destino
Amanhecer do novo século
--Rolf Lovland
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
Mea culpa, mea culpa...
Nos ponteiros das horas
O tempo passou
Perdi o trem
A felicidade passou
Não a reconhecí
Levou a minha paz
Hei de chorar...
Chorar até o final dos tempos
Guardarei a tua dor
Tamanho espaço no peito meu
Ficará em mim o vazio de amor
Na janela do tempo
Na luz tênue refletida
A saudade aérea e rarefeita
Consome um naco e tanto
De uma parte de mim
Apago a luz e não verei
Pior que a insistência do vazio
Sob o manto da escuridão
Qual indecifrável esquecimento
Ser a dor constante enfim
Acendo a luz e não sentirei
Os lábios confessarão o segredo
Que na musicalidade de um beijo
O coração descompassa o ritmo
Buscando a harmonia do desejo
Tapo os ouvidos e não escutarei
Almas se mesclam em energia
Plenas no silêncio das palavras
Muito além das carícias que enseja
O instante absoluto do momento
Paro no tempo e não calarei
Sem limite de esperança
Na ansiedade da espera
Pudera o firmamento
Dissimulasse de jasmim
Sob a luz divina e findarei
Passante pelos vários mundos
Desvendando todos os segredos
No tempo que os manifestar
No curso dos teus sagrados dias
Sei (até lá saberias) e eu não mais existirei
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
A lua que me resta
Nasceu em mim a tua presença
Mostrando-me a tua dor
A ela transpus-me louco
Peito aberto de amor
Em teu rosário uni-me em tuas preces
No teu sorriso a minha alegria
Das tuas lágrimas a amargura
Sou tuas promessas de desventuras
Percorres pelas minhas artérias e veias
Reconhecendo a cada tecido do que sou feito
Asfixia-me a saudade e venosamente clamo.
Oxigena-me a alma
Enfraquece-me o teu silêncio
Sentenciando-me ao suplício da noite
Negas ao luar adentrar pelas frestas
Suave teu cálice transbordas
Sob a lua que me resta
Cala-me de amor e beijas