sábado, 15 de agosto de 2009
Brevidade
Nunca é tarde...
Ou cedo para amar-te.
Ou tarde para ter-te.
Nessa brevidade da vida.
Levo um pouco de ti.
Deixo um pouco de mim.
Deste desencontro,
Nunca mais seremos os mesmos.
Passamos por este intervalo
Entre a vida e a morte.
Amando-nos, fazendo arte.
A Solidão
Se a noite nos incomoda com doces lembranças.
Farfalham os lençóis sussurrando aos nossos ouvidos.
Não nos incomodemos se nossos braços buscam o abraço ausente.
Se a imperceptível melancolia nos incomoda com a insônia.
Não relutemos em dar boas-vindas a quem de longe chega.
Sejamos sinceros e solidários a esta rejeitada amiga.
Com mãos afetuosas estendidas a acolheremos em descanso.
Tenhamos o melhor de nossos corações em oferenda.
Sejamos francos em compreendê-la com carinho.
Se fomos felizardos de um destino do amor comum .
Nós sabemos o que nos inspira toda essa nossa confiança.
O mais sincero entre nós dois a reconhece das desventuras.
Pois, ora sabemos, ninguém é mais solitária que a solidão.
Essa insensível dor hospitaleira persistente de vazio.
Levantaremos os nossos braços entrelaçados num brinde.
Isso é o que nós torna sábios e sóbrios em autoreclusão.
Embeberemos nossas mágoas no alto teor das lágrimas.
Comemorando no silêncio o incontido desejo ser feliz.
E nesses momentos solitários lapidaremos as melhores palavras.
As que possam revelar todas as emoções transitórias do pensamento.
Sombreando nossos olhos no tempo de muitas páginas e ricas estórias.
Nem os papéis em branco faltarão em homenagem para um lindo poema.
Nesse único momento de criação, uma linda canção embalará o seu coração.
Deixando em devaneios as suas emoções transbordarem nas aventuras.
Nessa corajosa busca inconsequente da transparente e necessária solitude.
Com o coração em penitência, sua mão será o guia das doces orações.
Frase a frase, mesclando melancolia e mágoas em suas estrófes.
Serão como as súplicas de um reincidente aprendiz no amor.
Edificando com preces divinas o nosso mágico templo de contos e versos .
Consagrando aos céus a justa recompensa da necessária solidão.
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Apenas um olhar

Mais uma vez o silêncio se fez presente.
Nesse breve momento pelo olhar nos encontramos.
Numa indesejada saudade dos corações palpitantes.
A voz do medo alertando pelos erros do passado.
Transformando as emoções em ressentimento.
Estamos descompassados de ilusão nos vitimando ao acaso.
Quando sublimamos essa paixão inacabada no mais puro vazio.
Um sentimento premauro coberto sob as folhas do outono.
Falemos francamente sem pressentir as mágoas futuras.
Se somos as vítimas desse desencontro passional.
Vivendo com as mãos trêmulas aprisionadas nos paradigmas.
Se resistiremos ao tempo vestidos com todas as regras.
Transparecendo calmaria quando vivemos em tempestade.
Quero saber se você abriria mão de todos os seus valores.
Se num mar revolto se arriscaria em naufragar.
E no sabor das vagas se entregaria sem ressalvas.
Sem todos os seus medos de estar em solidão.
Quero saber se você resistiria em mudar seu conteúdo.
Se insistiria em manter-se escondido nesse vazio de amor.
E no momento de chorar não se sentiria constrangido.
Sem receio de ferir-se em seus sentimentos mais nobres.
Quero saber se você se sentiria tão pequeno diante de si mesmo.
Se resistiria em olhar a vida por uma fresta o passado distante.
E nesse momento ficaria acabrunhado e escondido no anonimato.
Não se permitindo abrir nenhuma porta para sair dessa clausura.
Quero saber se a vida a cada dia mais lhe ensina a amar a si mesmo.
Se por essa insistência de cada dia você se esquece aos poucos.
E por um descuido de si mesmo consegue amar-se para amar ao outro.
Sem se importar em querer se redimir por querer amar e amar.
Quero saber se você se fortalece com seus sonhos e seus desejos.
Se as alturas não fazem o limite da sua grandeza sem medo de cair em si.
E seu corpo não se intimida com os seus fracassos e as suas frustrações.
Que idealizar seus sonhos é pensar com a essência do seu coração.
Quero saber se você é capaz de um gesto nobre perdoando-se a si mesmo.
Se percorreu todo o seu labirinto desvendando os seus segredos.
E a cada investida mal sucedida foi capaz de reconhecer-se culpado.
Que é mais doloroso dizer não a si mesmo ao assumir o próprio erro.
Quero saber se você reconhece que não existem vítimas ou culpados.
Se em todos os carentes que anseiam o amor só existe a cumplicidade.
E sem distinção estamos pactuados num jogo sem regras.
Não nos permitindo o julgamento, só a perpétua sentença de ser feliz.
Quero saber se você insiste em esquecer para continuar lembrando eternamente
Se as nossas vidas estão opostamente em paralelas.
Nesse breve momento de corações palpitantes.
O horizonte no infinito supostamente fará um novo encontro.
Será intenso, um muito breve.
Apenas um olhar.
Um bilhete ao passado
Os teus passos
N'algum lugar
Tuas pegadas
Num rumo nenhum
São rastros seguidos
Aos passos teus
São teus olhos em espanto
Buscando lugares comuns
Ah! Sequência inseparável
Muitas foram as paisagens
O passado no tempo presente
O elo perdido no vento
Te persegues sozinha
São tuas as pegadas
Seguindo sem rumo
Teus passos adiante
A insana busca de si mesma
Um lugar comum no passado
As mesmas paisagens
O sentido fazia sentido
Era inverno em toda razão
Hibernando em retiro
Corpo e alma
Sonhos e emoção
Persegue-te avante
Pergunte ao teu coração
Se foram prévios os momentos
Tua sina
Tua morte
Teu bilhete
Tua palavra
São tuas as paisagens
Recria-as aos teus olhos
Aos passos que te seguem
Um futuro momento em aguardo
Teu presente é só teu
Delegas a si mesma
Pelo amor futuro
Um bilhete para si mesma
Uma palavra apenas
Ao passado...
Adeus
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
Eterno recomeço - Recomeçar
Estás tão sozinha
Deslizando pelos lençóis
Nas linhas curvas do corpo
As marcas deixadas pelos sóis
Suavemente minha
Com as cores dos rouxinóis
Na pele a sensibilidade que usurpo
Dos sussuros suaves em bemóis
No segredo da entrelinha
Sua ausência nos vaivéns
Num deslizar de nuvens
Enluarando os vitrais
Abraças o vento e desalinha
Exalando o perfume que tens
Deixando os corações reféns
Na tênue linha divisória dos finais
Superas o tremor em caminhar
Sem medo de ter e se perder
Respiras esse ser, amar e crescer
Transformas a vida num recomeçar
Coisas do amor
Vou esquecer
Da sua boca o vermelho
Dos lábios o teu gosto
Da tua pele o sal
De todos os teus ais
Sem o vermelho que pulsa
O sangue que borbulha
Esqueço-me de ti
Sem sonhar teu rosto
Arrancando-te de mim
Da minha pele a memória
Da tua cama o perfume
Deixo no vento o teu cheiro
Nas ondas do mar o teu suor
Enquanto espero acontecer
Vou perdendo-me do azul
Atracando-me no cais
Criando limo no coração
Enquanto espero adormecer
Vou lembrar eternamente
Que ainda vou te esquecer
domingo, 9 de agosto de 2009
O essencial ao coração - O invisível
Quando amanhece em ti
São alvas nuvens que te veste
Descortinando o azul do firmamento
Desaguando em gotas nos meus braços
Quando anoiteço em ti
São desejos desfilando em poesias
Cintilantes como estrelas
No aconchego de teu colo
Quando há escuridão em mim
Tua luz se vai vespertina
Bailando as pétalas ao vento
Teu corpo sob raios do luar
Quando nos possuimos
Corações e espíritos tramam
Dos arbítrios a única chama
Num duplo suspiro se esvai
Quando me faço temor
Sem ser sensível aos teus sinais
Nos teus momentos de esplendor
Negar-me a criança que há em ti
Temo o invisível aos meus olhos
Amar é essencial ao meu coração
sábado, 8 de agosto de 2009
Amor

Diante aos olhos meus
Dormes serena
Dentro de mim
Renasce em ternura
Incrédulo te assisto
Desabrochando em flores
São luzes multicores
Teus aromas e segredos
Nos canteiros do teu corpo
Te transformo em meu jardim
Meu descompassado coração
Mergulha profundo e latente
Teu mar bravio em tempestade
No silêncio dizes tudo
Sussurando os meus desejos
Somas os pedaços de mim
Desvendas o meu anoitecer
Todos os medos e segredos
Que não me basto e te preciso
Preciso para ouvir as estrelas
Alcançar as minhas montanhas
Preciso para salvares de mim
Acordar sentindo saudade
Perder-me em longos abraços
Resgatar-te dos meus sonhos
Tornando-a em minha realidade
Reconhecê-la em todas as estações
Preciso encontrar-me no teu amor sem fim
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Amada nostalgia
Queria amar-te um pouco.
No tamanho exato do desejo.
Nem muito, nem rouco.
Queria possuir-te intenso.
Sem culpa, nem afoito.
No gozo infinito indefenso.
Queria tornar-me teu.
Transformar-me num louco.
Ser pouco ou muito seu.
Queria habitar-te o peito.
Mas bem sei onde moras.
Lá te encontro perfeita.
Queria conjugar-te a vida.
Reclusa em meu coração.
Nele estarás aquecida.
Queria acordar um dia.
Num lindo amanhecer
Com os pés na via.
Queria estar apenas,
Nas suas poucas lembranças
Nas entrelinhas da tua poesia.
Queria estar em agonia, amando-te
E por esse amor conviveria
Transformando-te em nostalgia
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O segredo
Queria seguir-te aos olhos
Sob o sol nas ruas
Encantadoramente linda
Terei a felicidade por amá-la infinda
Seja apenas seu coração de outrem
Somente eu saberei admirá-la única
Com seus cabelos soltos pelo vento
Sentindo-a úmida ao sabor das manhãs
Saberei da tua delicadeza de orquídea
Teu sedutor caminhar sobre plumas
Nas vestes a sensualidade que inflama
Perfumando as flores dos jardins
Este será o meu segredo
Entre mim e a natureza
Zombaremos daqueles que te desejam
Os infelizes que não te reconhecem
Apenas conhecem o corpo
De uma mulher desejada
Desconhecem a alma iluminada
Corpo e alma que a torna única
sábado, 1 de agosto de 2009
Falando no amor - Para você
Nas delicadas linhas do rosto o sorriso.
Ao longe respira esse olhar aéreo.
Sensualmente leve seu andar flutua.
Numa circunspecção pensante no ar.
Seu coração distraidamente em riso.
Num sentimento delicadamente etéreo.
Ante ao amor transparecendo nua.
Espontaneamente doce de amar.
Por tantos momentos no umbral a espreita.
Muitas das horas em companhia da lua.
Da inquietude das mãos anciosas.
Desejosa cantiga na escuridão ecoa.
Desperta nos sonhos e das razões refeita.
Refez-se de amiga a amante cativamente sua.
Esperançou-se em luz das emoções receosas.
Indescritíveis poesias em sonhos delirantes voa.
Na transparente mutualidade dos desejos.
Do desejo de amar, a outra metade.
Da suave escuridão, as estrelas.
Dos braços do mar, a areia.
Das bocas, a outra metade do beijo.
Da sensibilidade das partes, a harmonia do todo.
Falando no amor verdadeiro.
A outra metade da verdade de amar.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Amanhecer - Anoitecer

São poucas horas
Segundos perante o eterno
Neste céu ainda escuridão
Sarapintado de estrelas
Sobre o manto argênteo
Seu olhar entristecido para
Eis que suavemente se doa
Em sua claridade nua
És lua no seu amanhecer
Esvai-se no azul púrpura
Sobre as nuvens em véu
Orvalhando o novo dia
Por sobre a relva e as flores
Gotejando em lágrimas
Como se a saudade amena fosse
Suavizando o calor do sol que brilha
Uma mulher para amar
A sorrir cada dia mais doce
Anoitecida em amares as noites
Amanhecida em amores a cada novo dia
quarta-feira, 29 de julho de 2009
O silêncio de amar - A lua
Vim ver-te...
Nos seus lábios o sorriso solto.
Para contemplar-te um pouco.
Pois tão nuas, são tuas.
São ruas, as suas poesias.
Vim ler-te...
Olhando nos olhos, contemplando a alma.
A inspiração que aflora, a senhora de si.
O amor..
Teu amor persiste, resiste.
Em tua fragilidade insiste e acalma.
Vim ler-te...
Passando pelas suas ruas e vielas.
Para rever-te..
Na chuva deslizando nua.
Sentir-te....
Como flutuas...
Flutuas como a lua.
Na inspiração se despes.
No silêncio de amar.
Canção de amor
São eternos seus momentos
São mágicos teus gestos
Das teclas, o branco e preto
Brando encanto nas oitavas
Silenciosamente pausas
Desejosos de harmonia
Nessa canção me perderia
Na musicalidade do teu corpo
Meu coração fica a mercê
Nas vibrações das cordas
Tatuo em minh'alma tuas clavas
Pedindo asilo em teu sentimento
Pelo teu amor divino
Sou teu anjo torto
Entrego o meu corpo
Meu par de asas
Em espírito murmuro a prece
Pelas mãos que fazem sonhos
Teu rosto que aparece
Anunciando meu destino
terça-feira, 28 de julho de 2009
A lua - enigmática mulher
Corre como um rio intenso
Pressinto e repenso
Com o frio insistente na alma
O suor gélido na palma
Nos extremos da ansiedade e da solidão
Os passos entre a penumbra e a escuridão
Quimeras de tantas nuvens
Te espero se ainda vens
Pairando no ar a descrença
Nos raros momentos de força
Com o peso da dor entre o vento
Resistindo em meu intento
Por essa dádiva desmerecida
Enquanto espero em sobrevida
Faz tanto frio em mim
Saber que a noite não tem fim
Querendo o céu descortinando em estrelas
Piscando milhares de luzes brancas e amarelas
Como se fossem as gotas de lágrimas
Derramando as palavras em rimas
Pingando nas bordas das arandelas
Sem o teu colorido das aquarelas
Como se pairando no ar de emoção
Deixando-se seduzir de contemplação
De estar flutuando em seu sorriso
Não sei se choro ou me faço em riso
Enquanto te espero amorosamente nua
Magestosamente enigmática lua
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Prelúdio de amor - Sem você
Ah, que saudade infinda
No tom cinza do mar.
Essa melodia inacabada
Numa fria tarde de cruz
Nossa canção imaturada
Há muita saudade ainda
Nos olhos calados no ar.
De ver renascer do nada
Essa mulher se fazendo em luz
Ao se dar em amor calada.
Há desamor espalhados nos vãos
Conservando no peito uma chama sem cor
Teus abraços buscando a verdade
Sob o luar num jardim sem flor.
Num barco ancorado sem mar
Ah, queria num encontro de mãos
Num sentimento de dor que não é dor
Dizer que a tristeza que tenho é saudade
Entregando-te os sonhos sem temor
Vibrando nos tons, a sua melodia no ar.
Ah, essa espera de alguém que atenta
Transpor a triste agonia em outrora
Amparar-te no afago que encanta
Libertas expurgando o restrito
A sorrir embelezando a flor
Ah, vida que o tempo acalenta
Apreciando o resplendor da aurora
Assiste essa moça que canta
Ruborizada de esplendor constrito
No perfeito prelúdio de amor
domingo, 26 de julho de 2009
Sonetos no papel - duas vidas
São pálidas alvuras.
Sobre a mesa pairam imóveis.
Silenciosamente nuas.
Apaixonadas e tuas.
Nenhuma ranhura.
Vazias em plenitude.
Rasuráveis brancuras.
Flagelos sem cores,
Que o vento acaricia.
Nuas, despidas, despojadas.
Peles, cascas, superfícies.
Infinitas linhas do imaginário.
Retilíneos frascos de papéis.
Essências, fragrâncias.
Inodoros, profundos.
Amores, dores, saudades.
Linhas de ausências.
Sul, leste, oeste, norte.
Vidas, mortes, sorte.
Dissabores, amores, contradições.
Paralelas, cruzadas, circulares, infinitas.
Verso, reverso, face oculta.
Submundos, subterfúgios, periferias.
Retilíneas, ondulares, disformes.
Orvalhos, chuvas, ventanias.
Melodramas, suspenses, alquimias.
Estradas, ressentimentos, filosofias.
Folhas brancas, duas vidas.
Dois amores.
Sonetos no papel.
Um dia o amor
Um dia
Entre tantos ...
Entre si os olhares.
Nas dúvidas Divagando.
Nas reações mudas.
A indecisão entre os corpos.
A pele molhada ...
Corações aquecidos pelo sol.
Entre o sol, os nossos corpos e uma chuva.
Carícias clamando, emitindo sinais.
Atentos Olhos de brilho inquieto.
Alertando os rumores, os tremores
Incontidos desejos de amar.
Um grão de areia
O olhar quedou oblíquo
A êsmo os pés caminham
São as mesmas calçadas
Pela mesma areia
Insensíveis carícias das ondas
O toque suave da brisa
Não há no horizonte o azul
Mesclando ton sur ton
O mar azulado de céu
O céu azulado de mar
O mudo quebra-mar já não ensurdece
Nas ondas o som sobre o som
Deslizando sobre a areia
Apagando todos os rastros
Somente finda uma história
São as gaivotas festeiras
Um grão de areia
O cisco no olho
O olhar mareado
Essa maresia
A êsmo os pés caminham
São as mesmas calçadas
Pela mesma areia
Insensíveis carícias das ondas
O toque suave da brisa
Não há no horizonte o azul
Mesclando ton sur ton
O mar azulado de céu
O céu azulado de mar
O mudo quebra-mar já não ensurdece
Nas ondas o som sobre o som
Deslizando sobre a areia
Apagando todos os rastros
Somente finda uma história
São as gaivotas festeiras
Um grão de areia
O cisco no olho
O olhar mareado
Essa maresia
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