domingo, 9 de agosto de 2009

O essencial ao coração - O invisível


Quando amanhece em ti
São alvas nuvens que te veste
Descortinando o azul do firmamento
Desaguando em gotas nos meus braços

Quando anoiteço em ti
São desejos desfilando em poesias
Cintilantes como estrelas
No aconchego de teu colo

Quando há escuridão em mim
Tua luz se vai vespertina
Bailando as pétalas ao vento
Teu corpo sob raios do luar

Quando nos possuimos
Corações e espíritos tramam
Dos arbítrios a única chama
Num duplo suspiro se esvai

Quando me faço temor
Sem ser sensível aos teus sinais
Nos teus momentos de esplendor
Negar-me a criança que há em ti

Temo o invisível aos meus olhos
Amar é essencial ao meu coração

sábado, 8 de agosto de 2009

Amor


Diante aos olhos meus
Dormes serena
Dentro de mim
Renasce em ternura

Incrédulo te assisto
Desabrochando em flores
São luzes multicores
Teus aromas e segredos

Nos canteiros do teu corpo
Te transformo em meu jardim
Meu descompassado coração
Mergulha profundo e latente

Teu mar bravio em tempestade
No silêncio dizes tudo
Sussurando os meus desejos
Somas os pedaços de mim

Desvendas o meu anoitecer
Todos os medos e segredos
Que não me basto e te preciso
Preciso para ouvir as estrelas

Alcançar as minhas montanhas
Preciso para salvares de mim
Acordar sentindo saudade
Perder-me em longos abraços

Resgatar-te dos meus sonhos
Tornando-a em minha realidade
Reconhecê-la em todas as estações
Preciso encontrar-me no teu amor sem fim

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Amada nostalgia


Queria amar-te um pouco.
No tamanho exato do desejo.
Nem muito, nem rouco.

Queria possuir-te intenso.
Sem culpa, nem afoito.
No gozo infinito indefenso.

Queria tornar-me teu.
Transformar-me num louco.
Ser pouco ou muito seu.

Queria habitar-te o peito.
Mas bem sei onde moras.
Lá te encontro perfeita.

Queria conjugar-te a vida.
Reclusa em meu coração.
Nele estarás aquecida.

Queria acordar um dia.
Num lindo amanhecer
Com os pés na via.

Queria estar apenas,
Nas suas poucas lembranças
Nas entrelinhas da tua poesia.

Queria estar em agonia, amando-te
E por esse amor conviveria
Transformando-te em nostalgia

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O segredo


Queria seguir-te aos olhos
Sob o sol nas ruas
Encantadoramente linda
Terei a felicidade por amá-la infinda

Seja apenas seu coração de outrem
Somente eu saberei admirá-la única
Com seus cabelos soltos pelo vento
Sentindo-a úmida ao sabor das manhãs

Saberei da tua delicadeza de orquídea
Teu sedutor caminhar sobre plumas
Nas vestes a sensualidade que inflama
Perfumando as flores dos jardins

Este será o meu segredo
Entre mim e a natureza
Zombaremos daqueles que te desejam
Os infelizes que não te reconhecem

Apenas conhecem o corpo
De uma mulher desejada
Desconhecem a alma iluminada
Corpo e alma que a torna única

sábado, 1 de agosto de 2009

Falando no amor - Para você


Nas delicadas linhas do rosto o sorriso.
Ao longe respira esse olhar aéreo.
Sensualmente leve seu andar flutua.
Numa circunspecção pensante no ar.

Seu coração distraidamente em riso.
Num sentimento delicadamente etéreo.
Ante ao amor transparecendo nua.
Espontaneamente doce de amar.

Por tantos momentos no umbral a espreita.
Muitas das horas em companhia da lua.
Da inquietude das mãos anciosas.
Desejosa cantiga na escuridão ecoa.

Desperta nos sonhos e das razões refeita.
Refez-se de amiga a amante cativamente sua.
Esperançou-se em luz das emoções receosas.
Indescritíveis poesias em sonhos delirantes voa.

Na transparente mutualidade dos desejos.
Do desejo de amar, a outra metade.
Da suave escuridão, as estrelas.
Dos braços do mar, a areia.
Das bocas, a outra metade do beijo.
Da sensibilidade das partes, a harmonia do todo.
Falando no amor verdadeiro.
A outra metade da verdade de amar.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Amanhecer - Anoitecer


São poucas horas
Segundos perante o eterno
Neste céu ainda escuridão
Sarapintado de estrelas

Sobre o manto argênteo
Seu olhar entristecido para
Eis que suavemente se doa
Em sua claridade nua

És lua no seu amanhecer
Esvai-se no azul púrpura
Sobre as nuvens em véu
Orvalhando o novo dia

Por sobre a relva e as flores
Gotejando em lágrimas
Como se a saudade amena fosse
Suavizando o calor do sol que brilha

Uma mulher para amar
A sorrir cada dia mais doce
Anoitecida em amares as noites
Amanhecida em amores a cada novo dia

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O silêncio de amar - A lua


Vim ver-te...
Nos seus lábios o sorriso solto.
Para contemplar-te um pouco.
Pois tão nuas, são tuas.
São ruas, as suas poesias.

Vim ler-te...
Olhando nos olhos, contemplando a alma.
A inspiração que aflora, a senhora de si.
O amor..
Teu amor persiste, resiste.
Em tua fragilidade insiste e acalma.

Vim ler-te...
Passando pelas suas ruas e vielas.

Para rever-te..
Na chuva deslizando nua.

Sentir-te....
Como flutuas...

Flutuas como a lua.
Na inspiração se despes.
No silêncio de amar.

Canção de amor


São eternos seus momentos
São mágicos teus gestos
Das teclas, o branco e preto
Brando encanto nas oitavas

Silenciosamente pausas
Desejosos de harmonia
Nessa canção me perderia
Na musicalidade do teu corpo

Meu coração fica a mercê
Nas vibrações das cordas
Tatuo em minh'alma tuas clavas
Pedindo asilo em teu sentimento

Pelo teu amor divino
Sou teu anjo torto
Entrego o meu corpo
Meu par de asas

Em espírito murmuro a prece
Pelas mãos que fazem sonhos
Teu rosto que aparece
Anunciando meu destino

terça-feira, 28 de julho de 2009

A lua - enigmática mulher


Corre como um rio intenso
Pressinto e repenso

Com o frio insistente na alma
O suor gélido na palma

Nos extremos da ansiedade e da solidão
Os passos entre a penumbra e a escuridão

Quimeras de tantas nuvens
Te espero se ainda vens

Pairando no ar a descrença
Nos raros momentos de força

Com o peso da dor entre o vento
Resistindo em meu intento

Por essa dádiva desmerecida
Enquanto espero em sobrevida

Faz tanto frio em mim
Saber que a noite não tem fim

Querendo o céu descortinando em estrelas
Piscando milhares de luzes brancas e amarelas

Como se fossem as gotas de lágrimas
Derramando as palavras em rimas

Pingando nas bordas das arandelas
Sem o teu colorido das aquarelas

Como se pairando no ar de emoção
Deixando-se seduzir de contemplação

De estar flutuando em seu sorriso
Não sei se choro ou me faço em riso

Enquanto te espero amorosamente nua
Magestosamente enigmática lua

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Prelúdio de amor - Sem você


Ah, que saudade infinda
No tom cinza do mar.
Essa melodia inacabada
Numa fria tarde de cruz
Nossa canção imaturada

Há muita saudade ainda
Nos olhos calados no ar.
De ver renascer do nada
Essa mulher se fazendo em luz
Ao se dar em amor calada.

Há desamor espalhados nos vãos
Conservando no peito uma chama sem cor
Teus abraços buscando a verdade
Sob o luar num jardim sem flor.
Num barco ancorado sem mar

Ah, queria num encontro de mãos
Num sentimento de dor que não é dor
Dizer que a tristeza que tenho é saudade
Entregando-te os sonhos sem temor
Vibrando nos tons, a sua melodia no ar.

Ah, essa espera de alguém que atenta
Transpor a triste agonia em outrora
Amparar-te no afago que encanta
Libertas expurgando o restrito
A sorrir embelezando a flor

Ah, vida que o tempo acalenta
Apreciando o resplendor da aurora
Assiste essa moça que canta
Ruborizada de esplendor constrito
No perfeito prelúdio de amor

domingo, 26 de julho de 2009

Sonetos no papel - duas vidas


São pálidas alvuras.
Sobre a mesa pairam imóveis.
Silenciosamente nuas.
Apaixonadas e tuas.
Nenhuma ranhura.
Vazias em plenitude.
Rasuráveis brancuras.
Flagelos sem cores,
Que o vento acaricia.
Nuas, despidas, despojadas.
Peles, cascas, superfícies.
Infinitas linhas do imaginário.
Retilíneos frascos de papéis.
Essências, fragrâncias.
Inodoros, profundos.
Amores, dores, saudades.
Linhas de ausências.
Sul, leste, oeste, norte.
Vidas, mortes, sorte.
Dissabores, amores, contradições.
Paralelas, cruzadas, circulares, infinitas.
Verso, reverso, face oculta.
Submundos, subterfúgios, periferias.
Retilíneas, ondulares, disformes.
Orvalhos, chuvas, ventanias.
Melodramas, suspenses, alquimias.
Estradas, ressentimentos, filosofias.
Folhas brancas, duas vidas.
Dois amores.
Sonetos no papel.

Um dia o amor



Um dia
Entre tantos ...
Entre si os olhares.
Nas dúvidas Divagando.
Nas reações mudas.
A indecisão entre os corpos.
A pele molhada ...
Corações aquecidos pelo sol.
Entre o sol, os nossos corpos e uma chuva.
Carícias clamando, emitindo sinais.
Atentos Olhos de brilho inquieto.
Alertando os rumores, os tremores
Incontidos desejos de amar.

Um grão de areia

O olhar quedou oblíquo
A êsmo os pés caminham
São as mesmas calçadas
Pela mesma areia
Insensíveis carícias das ondas
O toque suave da brisa
Não há no horizonte o azul
Mesclando ton sur ton
O mar azulado de céu
O céu azulado de mar
O mudo quebra-mar já não ensurdece
Nas ondas o som sobre o som
Deslizando sobre a areia
Apagando todos os rastros
Somente finda uma história
São as gaivotas festeiras
Um grão de areia
O cisco no olho
O olhar mareado
Essa maresia